Tentei gostar de Rogue One: A Star Wars Story, mas não deu.

Novamente eu vou no sentido oposto da maioria. E é bom lembrar que eu considero que perdi meu tempo e dinheiro com The Force Awakens

A idéia geral é interessante e podia ter dado um filme realmente bom, mas o que vi tem tantos problemas de roteiro, elenco e direção que não deu mesmo.

O que gostei de ver:

  • O robô K-2SO;
  • O “jedi” e seu companheiro;
  • O filme consegue dar uma explicação convincente para a estrela da morte ter uma vulnerabilidade ridícula que foi motivo de piada por décadas. Pena que terão que fazer outro filme inteiro só para explicar (mal) os problemas deste;

Pelos pontos acima já consegue ser melhor do que The Force Awakens.

O que me incomodou:

  • Felicity Jones não me convenceu como mulher durona;
  • Ignorando a atriz, o personagem dela precisava de muito mais desenvolvimento para me convencer;
  • Ora, de um modo geral não há desenvolvimento de personagens no filme;
  • Um exemplo de quando tentaram desenvolver um personagem e  deu errado é que gostaria de que o roteirista tivesse encontrado um jeito melhor de demonstrar que o capitão Cassian era durão e comprometido com a causa do que ver ele matar um informante (aliado!) indefeso a queima roupa;
  • Não há explicação para Jyn estar sendo transferida da prisão;
  • Não é dada explicação para Jyn ter agredido quem estava tentando resgatá-la. A idéia é estúpida por mais de uma razão. Ela não esperou para ver o que a esperava do lado de fora do blindado, não pegou uma arma antes de correr…
  • Iniciando no exemplo acima, logo no início do filme Jyn é apresentada como um animal raivoso para logo em seguida tentarem nos convencer de que ela é racional e ao longo do filme de que é praticamente uma líder militar, com discurso e tudo!
  • Um robô numa missão de resgate não precisa ser tão violento com o resgatado, mesmo quando este não coopera. Como regra geral nesses casos usa-se força excessiva quando você não sabe que força é o suficiente. Um robô como K-2SO sabe. Seria convincente um homem ter feito aquilo mas no caso de uma diferença tão grande quanto entre um robô como K-2SO e uma garota desarmada? Quando K-2SO jogou Jyn no chão eu pensei “caramba, não bastava continuar segurando ela no ar pela gola da camisa?”;
  • A razão dada por Saw para ter abandonado Jyn não me convenceu. O que ele fez com ela (abandoná-la dizendo “espere por mim que eu volto”, sem ter intenção de voltar) não se faz nem com um cachorro;
  • Eu não estava entendendo por que aquele comandante do império que esculachava o diretor Krennic era exibido tão proeminentemente na tela e parecia tão “esquisito”. Desde a primeira cena me pareceu que o diretor do filme queria mostrar alguma coisa e fui até o final com uma pulga atrás da orelha sem saber o que era, até pesquisar e descobrir que o diretor queria exibir a capacidade da equipe de efeitos especiais de recriar um (outro) veterano de Star Wars morto. Aquela era a versão digital de Peter Cushing, o último ator a representar o Grand Moff Tarkin. Eu imagino que os fãs viram a cena e bateram palmas mas eu não sou fã e fiquei me perguntando porque um personagem secundário (talvez nem isso) estava tendo tanta atenção;
  • A rapidez com que Jyn perdoou a aliança rebelde pela morte de seu pai foi brochante decepcionante. Eu entendo que havia uma questão mais importante a ser resolvida, mas ver ela agir logo na cena seguinte como se nada tivesse acontecido…
  • A coincidência da equipe de inspeção contar com uma pessoa que vestia justamente o número de Jyn foi um momento facepalm muito grande. Isso era tão evidente que quando a equipe entrou eu pensei: essa figura de preto tem o tamanho e se move como uma mulher…
  • Como é que ninguém além de um jedi cego enxerga aqueles tanques de quatro patas (walkers) chegando?
  • A sala do arquivo é protegida por uma porta de cofre impenetrável, mas no andar de cima tem uma porta comum que também dá acesso;
  • Parte dos rebeldes, incluindo o piloto, morreu para (veja se você consegue acompanhar) estabelecer uma comunicação com a frota que dizia que a frota precisava destruir o escudo do planeta para que eles estabelecessem a comunicação com a frota;
  • Quando as naves da aliança aparecem ao alcance de uma pedrada qual é a primeira coisa que o comandante do destróier imperial faz? Eu escreveria “atirem! ATIREM!”, mas o que o roteirista do script de um milhão de dólares escreveu? “Entre em contato com o almirante Gorin imediatamente!”. E em várias cenas seguintes nós vemos os dois destróieres sem fazer um disparo sequer;
  • Se eu tivesse gostado do filme eu poderia ignorar e até dar risada da lendária má pontaria dos stormtroopers mas… eu não gostei;
  • Se eu tivesse gostado do filme poderia muito bem ignorar os problemas de física como um nave pequena como a Hammerhead Corvette ter empuxo suficiente para fazer um destróier imperial destruir outro numa distância tão pequena. Acho que por um estar “embaixo” do outro (não existe isso no espaço) a audiência deve imaginar que um destróier”caiu” no outro, E depois os dois “caem” convenientemente  no campo de força. Mas eu não gostei do filme então não dá para deixar isso passar;
  • O destróier de Darth Vader está parado do lado da nave-mãe da aliança rebelde, mas mesmo assim a princesa foge debaixo do nariz (literalmente?) de Vader. E devagarinho. O roteirista sequer tentou enrolar a audiência com um salto no hiperespaço;
  • Eu não estou certo de que a presença da princesa naquela batalha seja justificável. Quanto mais eu penso nisso mais acho ridículo;
  • O filme parece uma paródia tamanho o excesso de complicações e armadilhas absurdas e desnecessárias no roteiro, como:
    • A necessidade de remover a fita do arquivo manualmente quando sua posição podia ser determinada automaticamente. E num mundo onde robôs andam e falam como humanos;
    • A armadilha no topo da sala do arquivo. Quando eu vi essa eu juro que me perguntei se o roteirista não estava fazendo uma paródia da paródia de Star Trek Galaxy Quest;
    • A necessidade de alinhar a antena manualmente.

E olha que eu não estou sendo minucioso. Isso foi o que me incomodou enquanto eu assistia ao filme.  Se eu der uma segunda passada realmente querendo ser chato devo poder captar muitos outros problemas.

 

 

4 comentários
  • Eduardo

    Os minutos finais com Darth Fucking Vader indo pro pau foi melhor que o prequel inteiro. Adorei o filme, ignorei alguns pequenos vacilos e me diverti muito.
    Superior ao ep VII sem dúvidas.

  • Paulo Bonfim

    Jefferson,

    de forma geral gostei do filme, mas algumas inconsistências que você apontou foram as extensas refilmagens e cortes no filme para adequá-lo ao padrão Star Wars (Disney) e o famigerado PG-13. Prometeram um filme de guerra, mas entregaram filme pobre de ação e só.

    • Sim, vários problemas podem ser eliminados simplesmente criando uma “versão estendida”. Buracos como a razão para Jyn estar sendo transferida podem ser tapados em pelo menos dez segundos de diálogo. Bastaria terem dito a Jyn “como foi difícil introduzir a ordem falsa de transferência dela no sistema da prisão” ou algo assim. Eu teria ficado satisfeito.

      Mas para outras coisas teriam que criar “uma versão alternativa”, deletando e inserindo cenas.

  • Rodrigo Motta

    Os roteiristas tratam a gente como retardado há tempos.
    Espero nunca me acostumar com isso.
    mas o filme foi bem melhor que o force awakens.
    E muito melhor que os da nova trilogia (1,2,3).
    Por isso gostei do rogue one

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