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Eu tenho
pouca coisa contra pornografia. Mas se existe uma forma da pornografia
me aborrecer é quando ela deixa seu papel passivo (esperando que
alguém a procure) para pular vorazmente sobre as pessoas. É
isso que estão fazendo alguns pornógrafos na Internet.
Certos pornógrafos,
desejando aumentar a qualquer custo a chance de que alguém visite
seus sites, estão aproveitando as fraquezas de sistemas de busca
automáticos como o AltaVista para forçar o aparecimento
de suas páginas a qualquer preço (desde que seja grátis,
é claro). Graças às técnicas utilizadas por
eles (que não vou citar aqui para não aumentar o número
de imbecis tentando ganhar dinheiro na internet), buscas a assuntos completamente
inocentes no AltaVista podem retornar links para páginas de pornografia
que absolutamente nada tem a ver com o que você procura. Alguns
deixam evidente no título do link do que se trata e você
tem a opção de saltar o link, mas outros mascaram o sistema
de modo que você só descobre que é um site de pornografia
quando já está lá. Eu imagino o problema que isso
pode provocar nas empresas que monitoram o que seus funcionários
fazem on-line, sem mencionar o óbvio problema com crianças
fazendo pesquisa. O Altavista possui regras claras que proíbem
esse tipo de coisa, mas ajudaria bastante se seus administradores disponibilizasse
um meio fácil de seus usuários denunciarem os abusos, para
os sites envolvidos serem banidos o mais depressa possível do índice.
Em outra
manobra no mínimo deselegante e decididamente irritante, os pórnografos
embutem scripts em suas páginas que abrem outra automaticamente
(às vezes em ‘background") sempre que o usuário fecha
uma delas.
Há
também as tapeações para obter o número do
cartão de crédito e tomar o dinheiro dos consumidores de
pornografia. Começam com uma conversa de que o site é "totalmente
gratuito", mas à medida que o usuário se embrenha pelas
páginas é envolvido por uma conversa-mole convincente que
o induz a se registrar e dar o número de seu cartão "apenas
para fins de verificação" (alegando que nos Estados
Unidos ser portador de um cartão de crédito é prova
suficiente de maioridade) ou para ter acesso a "um outro site"
muito melhor.
Há
algun tempo atrás foi criado um sistema de verificação
chamado de AdultCheck (seguido pelo AdultPass e outros) que baseava-se
em uma idéia simples mas engenhosa que permitia aos webmasters
domésticos continuarem colocando conteúdo erótico
e/ou pornográfico on-line sem medo de sanções penais.
O usuário paga com seu cartão de crédito (o que teoricamente
comprova sua maioridade) uma anuidade mínima de 17 dólares
para cadastro no Adultcheck e recebe uma senha de acesso a todos os sites
eróticos/pornográficos cadastrados. Essa é uma boa
idéia para o usuário porque ele divulga o número
de seu cartão para um único e bem conhecido estabelecimento
e uma boa idéia para os webmasters porque nenhuma criança
ou pessoa "que se incomoda com pornografia", fazendo click-click,
vai entrar acidentalmente na parte "pesada" de seu site. Os
webmasters alvo desse sistema eram obviamente aqueles que não cobram
acesso, e publicam imagens apenas porque gostam delas e querem dividir
isso com o mundo. Esses webmasters tinham o incentivo adicional de receber
uma porcentagem da inscrição de cada usuário que
se inscrevesse graças ao apelo de seu site. Entretanto até
esse sistema foi corrompido pelos pornógrafos "comerciais",
que abarrotam o cadastro do AdultCheck com seus sites. É possível
passar horas clicando em sites cadastrados à procura de um site
não-comercial e não conseguir encontrar nenhum. O próprio
núcleo do AdultCheck se corrompeu e agora existe uma opção
de cadastro "gold" mais cara que lhe dá direito a acessar
sites "melhores".
O resultado
dessa invasão dos "pornógrafos marketeiros", aliada
à pressão governamental (que assusta o webmaster sem fins
lucrativos mas não consegue segurar os comerciais) é que
hoje infelizmente é muito, muito difícil mesmo encontrar
sites eróticos de bom gosto na Internet. Pornografia, divulgada
de forma agressiva, é a predominante agora
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