Pela primeira vez experimentando um link de internet com 150Mbps de upload

Na verdade, dois links. Instalados pela Vivo recentemente nas empresas de dois de meus clientes. Eu só posso usar 100Mbps na rede cabeada (os 150Mbps estão disponíveis pelo Wifi do roteador da Vivo) porque os switches  dos clientes não são gigabit, mas transferir arquivos entre empresas a uma velocidade sustentada de 11MiB/s já é fantástico. É quase como uma rede local com 11 quilômetros entre os nós.

Quase mesmo. Entre os dois links o ping varia de 3 (sim, três) a 38ms fora do horário de expediente.

Da minha casa para um deles varia de 30 a 34ms.

E com um custo de apenas R$150 mensais com plano de telefonia fixa com ligações ilimitadas para o Brasil inteiro incluso. Ô inveja…

Como o link da minha casa é de 25Mbps simétrico eu pelo menos posso transferir dados com esses clientes a 2.1MiB/s (testado). O que também é muito bom.

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Como encaminhar portas no roteador Vivo MitraStar GPT-2741GNAC-N2

É fácil, mas eu levei uma surra.

Quando eu abri a configuração do roteador e olhei o menu achei que isso fosse obviamente configurado em “Firewall”

Mas essas duas regras que você vê aí criadas não funcionaram. Também senti falta de uma opção para criar uma DMZ. Após horas quebrando a cabeça e muito preocupado porque eu precisava fazer esse acesso funcionar e não podia trocar esse roteador eu desisti e fui em Jogos e Aplicativos e escolhi opções cujas portas eu conhecia:

“HTTP” usa a porta 80 TCP  e “CuSeeMe” usa as portas 7648 e 7649 TCP. Bastou configurar minha aplicação para usar essas portas e finalmente funcionou. Problemático mesmo seria se minha aplicação tivesse que usar uma porta especifica e eu não encontrasse nenhuma na lista que usasse a mesma.

Dias depois, quando estava olhando outra coisa, descobri isso:

O que danado “DMZ”, “Redirecionar Portas”, “UPNP” e “DDNS” estão fazendo em “Rede Local”?

Criei uma regra em Redirecionar Portas e funcionou como esperado. O campo “porta interna” não permite definir uma faixa de portas mas basta indicar a primeira porta que a faixa é atribuída corretamente.

 

10 comentários
  • Claudio - 32 Comentários

    Eu senti falta de uma opção para uma “guest network” isolada nos settings de WiFi desse roteador :(

    • Luciano Silveira - 18 Comentários

      Pelo que me recordo dá pra ativar isso se logar com usuário support.

      Também tem um app chamado “Vivo Smart Wi-fi” que pelo que me lembro permite habilitar isso também.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Entrando como “support” você pode criar até mais quatro SSIDs virtuais com “client isolation”. Eu não sei se isso basta para a definição de “guest network”.

  • Luciano Silveira - 18 Comentários

    esse modem tem um segredinho que desbloqueia mais opções, logar com usuário support (normalmente é admin) com mesma senha.

    O meu só estava oferecendo IPv4, com estas novas opções consegui ativar IPv6 e outros recurso de DNS.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Talvez isso dependa da versão do firmware. No “meu” esse login não funciona.

      • Luciano José - 18 Comentários

        Esqueci de informar um detalhe, para acessar com esse outro usuário a URL tem que ser http://endereço_ip/padrao

        • Jefferson - 6.044 Comentários

          Funcionou. Obrigado!

        • Claudio - 32 Comentários

          Muito interessante! Eu não tinha ideia de que existiam outros usuários, nem tão pouco de que havia essa interface de administração (/padrao). Muito obrigado!

          Como prática de segurança eu nunca deixo a senha default dos usuários e do Wifi … Mudei sem problemas admin e support, mas segundo a interface (management > access control > passwords) existem três usuários, admin, support e user. A conta user não permite logar usando a senha padrão, e não consegui ter a certeza de que essa conta realmente existe ou qual é a senha dela para poder mudar. Será que essa conta não existe no setup da Vivo?

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    A VIVO instala um roteador ASKEY RTF8115VW que é quase idêntico. O usuário “support” também existe nele e a única diferença que encontrei até agora é justamente que a GUI desse usuário é muito diferente entre os dois.

  • Felippe - 1 Comentário

    Será que alguém pode me ajudar?
    Recentemente coloquei fibra, com roteador mitra, mas ao jogar ps4, principalmente no battlefield, vivo caindo dos servidores. Me disseram que tem a ver com as portas, liberar elas. Alguém pode me ajudar ?

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A GVT/VIVO voltou a se expandir na periferia de Recife

Desde que a VIVO comprou a GVT anos atrás todos os projetos de expansão tinham sido paralisados. A GVT tinha acabado de passar um cabo de fibra óptica na frente da minha rua quando foi adquirida e desde então nada foi oferecido no meu bairro. Mas esta semana um de meus clientes empresariais que também dependia de “internet de bairro” para ter algo decente pois lá só chegava ADSL da OI de 15Mbps (creio que 500Kbps de upload), recebeu uma ligação da VIVO oferecendo um plano de 100Mbps simétrico por R$150 mensais. Ele, que pagava R$450 por um quarto disso abraçou na hora. Fizeram a instalação no outro dia. Eu fiz a configuração do GPON ontem e é coisa “de outro mundo” poder fazer uploads a 90Mbps.

 

3 comentários
  • Marcelo - 26 Comentários

    Acho que já falei isso aqui no blog. Há muitos anos era do Velox (oi). Logo quando a GVT veio para a minha rua aqui no Rio, fizemos a portabilidade para a GVT. EXCELENTE troca. E depois que virou VIVO, ficou mais do mesmo … Hoje continuo na vivo por falta de uma opção decente!

  • Daniel Plácido - 51 Comentários

    A GVT revolucionou a internet no Brasil, a Vivo comprou e estagnou.
    Hoje a Oi está fazendo o que a Vivo fez alguns anos atrás.

    Aqui no DF a Oi está com fibra de 200Mb por R$99,90 e com telefone ilimitado (de verdade, pra qualquer operadora fixa ou móvel e qualquer DDD).

    Pedi a internet em um dia no dia seguinte me ligaram perguntando se eu não queria 400Mb por R$149,90, o instalador me disse que a Oi está com planos de 1Gbps até o fim desse ano.

    Depois de 12 anos cliente da GVT/Vivo cancelei minha internet com eles onde pagava R$69,90 por 15Mbps que travava até no Youtube, pedi a Oi num sábado na terça foi instalado (queriam instalar na segunda, eu que não pude), também pedi em minha loja mas aqui está uma novela por conta da portabilidade que tenho o número da GVT a vários anos que não posso mudar.

    Desde que adquiriu a GVT a Vivo está cavando sua sepultura, se não começar a se mexer ela vai pro buraco rapidinho, conheço muuita gente que saiu da Vivo para a Oi.

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TV Samsung 4K não se conecta à rede Wi-Fi via TP-Link Archer C60

Eu não peguei o modelo da TV. O cliente me pediu ajuda porque só conseguia ver Netflix se usasse o PS4, porque a TV não conectava ao Wi-Fi pela rede de 2.4GHz ou pela de 5GHz. A mensagem dada pela TV era genérica podendo ser qualquer coisa desde senha errada (não era) a cabo solto.

Como o cliente me disse que usando outro roteador Wi-Fi ele já conseguira fazer essa conexão com a mesma TV e era uma Samsung fiquei desconfiado de que o problema fosse de DHCP. Eu não lembro se já mencionei isso aqui, mas eu tenho celulares Samsung (o Grand Duos e possivelmente o Neo Duos) que tem enorme dificuldade de pegar endereço IP em certos roteadores, como o D-LINK DSL2740e. Fui checar então se a TV tinha o mesmo bug bizarro.

E tinha. Bastou desligar o servidor DHCP e colocar o cabo da WAN em uma porta LAN (converter o roteador em Access Point) para resolver o problema.

 

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Problema bizarro de acesso ao Hotmail relacionado com DNS

Ontem um cliente empresarial me chamou dizendo que não tinha acesso ao Hotmail em nenhuma máquina da empresa apesar de ter internet normalmente. Ao chegar, constatei que o acesso parava ao tentar chegar à tela de login no endereço login.live.com. A primeira coisa que tentei foi mudar os servidores DNS da máquina para os da Google mas não surtiu efeito. Então eu tentei um ping para esse endereço e vi que até obtinha o endereço IP, mas o ping falhava. Então conclui que não deveria ser problema de DNS.

Liguei para o suporte técnico do provedor de acesso e a solução dada por eles me surpreendeu: mudar o servidor DNS para o da Cloufdflare. Eu estava cético, mas como ele disse que tinha testado em pelo menos dois outros clientes, eu testei assim mesmo. E funcionou.

Eu comentei com o técnico do provedor que isso era bizarro e ele admitiu que também não entendia a razão e o analista deles estava estudando o problema.

6 comentários
  • Marcel - 49 Comentários

    Aqui tive uma tentativa de DDOS em meu DNS local. Não sei dizer ao certo se foi um DDOS ou uma tentativa de infectá-lo. Também tive problemas de direcionamentos para DNSs externos na rede interna, para tentar fazer as máquinas cairem em golpes. Desde então, tenho redirecionado TODO E QUALQUER pedido de DNS da rede na porta 53 para o DNS do OPENDNS (mesmo que nas máquinas esteja configurado um DNS qualquer, mesmo o google, o pedido vai para o OPENDNS). Faço isso no gateway com o iptables, e além de não precisar mais de DNS local, das máquinas locais não usarem DNSs quaisquer, ainda passo pelo filtro de conteúdo do OPENDNS (Pornô, etc. Afinal, é uma rede comercial, e os funcionários não precisam acessar isso no serviço).

    Mas onde quero chegar? Simples. O problema deve ser no provedor SIM. Além de possivelmente estar com o DNS comprometido, ainda deve ter um filtro do que for para o DNS do google, para o mesmo DNS comprometido…

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Obrigado pelo comentário. Eu não sabia que era tão fácil assim redirecionar consultas DNS. De envenenamento de DNS eu sabia há muito tempo mas na minha inocência eu estava achando que ao fixar o servidor DNS na minha máquina eu estaria protegido de um ataque MITM desse tipo. :dashhead1:

      • Marcel - 49 Comentários

        Só para ter uma ideia, com apenas 1 comando:

        iptables -t nat -I PREROUTING -p udp –dport 53 -d ! $meu-servidor-dns -j DNAT –to-destination $meu-servidor-dns

        Recomendo você verificar com o comando do DOS nslookup para onde REALMENTE tá indo seus pedidos. Pode ajudar. Pelo linux o comando dig também pode demonostrar algo interessante…

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Eu esqueci de acrescentar que o gateway da empresa já estava configurado com os servidores DNS da Google quando o problema ocorreu, por isso eu ter configurado isso manualmente na máquina foi inócuo.

    Também esqueci de mencionar que em pelo menos duas máquinas https://bankline.itau.com.br/ também não funcionava. Eu só não estou convicto de que é parte do problema porque a gerente financeira afirmou ter feito pagamentos no itaú no mesmo período. Mas pode ser que ela tenha usado um acesso pessoa jurídica com outro URL. Se for esse o caso então ganha força a sugestão de Marcel de que, além do provedor estar redirecionando DNS, seu servidor estar “mexido”.

    Além disso, login.live.com realmente não responde a ping (testado aqui em casa), por isso o fato de eu ter constatado que não respondia também foi inútil.

    Outra coisa a acrescentar é que (aqui e agora) login.live.com redireciona para ipv4.login.msa.akadns6.net que por sua vez resolve para vários endereços IP diferentes na faixa 131.253.61.x, tanto usando os servidores da Google quanto o da Cloudflare.

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Switch gigabit teimando em não se conectar a 100Mbps

Esse pode ser um problema comum, mas foi a primeira vez que esbarrei nele.

Eu fui chamado porque um dos switches do cliente perdera comunicação com o switch seguinte. Ambos os switches eram Intelbras gigabit de 24 portas. Ao testar o cabo concluí que o fio branco do par verde estava rompido. Para recolocar em operação a rede o mais rápido possível decidi trocar o par verde pelo par marrom. Isso impediria a comunicação a gigabit mas pelo menos os dois pares essenciais à operação em 100Mbps estariam OK. No testador de cabos isso resolveu o problema, mas ao plugar o cabo nos switches não acendia nada.

Apesar de nunca ter esbarrado no problema desconfiei de palhaçada da Intelbras (que na minha opinião toma decisões de projeto bizarras) e que os switches estivessem se recusando a fazer o fallback para 100Mbps. Forcei isso substituindo o switch gigabit mais extremo por um switch de 100Mbps e isso resolveu o problema. Outra equipe vai passar um novo cabo amanhã.

Numa outra oportunidade quando eu puder voltar a esse cliente com menos pressa eu vou confirmar esse problema usando outro cabo e registrar o modelo do switch.

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Como transformar um roteador wireless (Wi-Fi) em Access Point (ou switch)

Isso, claro, se o firmware do seu roteador já não tiver um modo “AP” ou “bridge”.

Eu já havia falado sobre isso no Buzz em 2011, mas como o método que uso hoje é ligeiramente diferente e o título do post é sobre outro assunto, decidi fazer um novo post.

  • Dentro da faixa de IPs da sua rede, escolha um IP fixo para atribuir ao roteador, fora da faixa do seu pool DHCP. Anote esse endereço em algum lugar. Eu mantenho uma lista de meus IPs fixos em um arquivo texto, mas também colo uma etiqueta com o endereço e as credenciais de acesso;
  • Conecte-se ao roteador por um cabo em qualquer porta LAN;
  • No setup do roteador, desligue o servidor DHCP. Não reinicie ainda;
  • Atribua ao roteador o endereço IP que você escolheu para ele;
  • Conecte o cabo que você normalmente conectaria à porta WAN a uma porta qualquer “LAN” do roteador;
  • Salve, reinicie e certifique-se de que você obteve um endereço IP na faixa normal da sua rede e é capaz de conectar ao roteador usando agora o endereço IP que você atribuiu;
  • Feche a porta WAN com fita adesiva, para que ninguém tente usá-la de novo por engano (não vai funcionar);
  • Normalmente eu também escrevo na etiqueta no roteador “DHCP: OFF” para me lembrar disso.

Colocar o roteador com um IP fixo dentro da sua faixa IP, ao contrário do que eu sugeria fazer antes, permite que você facilmente, sem mudar o IP da sua máquina, possa gerenciar o roteador. Isso é útil mesmo quando o roteador está funcionando como switch porque você tem acesso à lista de dispositivos conectados via Wi-Fi e às whitelists e blacklists.

Mas se você prefere que curiosos na sua rede sequer consigam ver esses aparelhos em uma varredura, o método que expliquei antes favorece isso. Eu não conheço nenhum método automatizado simples de varrer todos as possíveis faixas de endereçamento IP privado à procura de um dispositivo. Não significa que não exista.

 

 

8 comentários
  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Apesar disso parecer uma gambiarra, a TP-LINK explica esse mesmo procedimento no FAQ.

  • Raimundo Nonato - 1 Comentário

    Boa noite,

    Configurei o roteador TP-Link N como ponto de acesso (switch), porém não alterei o endereço IP da LAN, como fazer agora para gerenciar o roteador e mudar o IP?

    Desde já agradeço pela orientação.

  • Jener Gomes - 3 Comentários

    Olá!
    Curioso, comecei a pesquisar isso há alguns dias e encontrei os recentes comentários da mesma semana.

    Eu reativei meu velho TL-WR541G para ter sinal decente em todo o apartamento mas preciso deixá-lo sem cabo de rede, estou pesquisando como fazer.
    No começo dos meus testes eu só troquei a configuração da conexão Wan de PPPoE para Dynamic IP, tirei o DNS da finada e saudosa GVT, e após reiniciar consegui acessar a internet por ele.
    Me chamou a atenção que não funcionaria conectado pela Wan, mas ela está conectada ao roteador da Net (agora Claro), e agora estou acessando a internet pelo meu Notebook, que lamentavelmente não tem conector de rede.

    Cada equipamento ainda está na sua faixa IP original então eu esbarrei no problema de não conseguir acessar o roteador que está na outra rede, mas a minha meta essencial é tirar o cabo para colocar no meio do apartamento, transformando-o num repetidor – há como? Até onde pesquisei ele não faz WDS…
    Em último caso eu passarei um cabo, ou comprarei um repetidor, vi que os decentes custam uns R$100.

    Um dos materiais que encontrei na pesquisa é a versão brasileira do roteiro indicado da TP-Link: https://www.tp-link.com/br/support/faq/417/

    • Jener Gomes - 3 Comentários

      Encontrei um procedimento para fazer WDS com o meu TL-WR541G, mas sendo antigo (é de 2008) só é possível baixando a segurança para WEP… aí me desinteressou.
      Mas deixo aqui ele caso alguém queira fazer: http://revolucaolinux.blogspot.com/2010/07/wds-varios-roteadores-ou-aps-numa-unica.html

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Repetidores WiFi são problemáticos. O problema mais óbvio, que não é tão óbvio assim para o usuário comum, é que não adianta colocá-lo onde o sinal já está fraco. Ele tem que ser colocado onde o sinal ainda está forte e estável. Então cada repetidor só consegue “empurrar” um pouco o alcance do seu AP principal.

      Para casos onde passar cabo é muito complicado ou caro eu estou no momento recomendando a compra de um “powerline“. Funciona muito melhor, desde que você não compre o mais barato xing-ling que achar.

      • Jener Gomes - 3 Comentários

        Bons e importantes pontos, te agradeço.
        Não tenho um apartamento tão grande, um repetidor no meio deve bastar. =]

        Eu considerei o “powerline” mas os aparelhos precisam estar no mesmo circuito elétrico, e aqui eu segmentei com 15 disjuntores, numa rede trifásica, sendo cinco circuitos para as tomadas (e sem garantia que a empreiteira tenha colocado as fases planejadas). Mas em princípio seria uma alternativa, sim, bem lembrado.

        • Jefferson - 6.044 Comentários

          A sua rede ser trifásica é um problema mesmo. Estar segmentada em circuitos, nem tanto. Aqui eu consegui usar o powerline no apartamento de cima, que fica até em um medidor diferente, mas na mesma fase.

          A velocidade não é a mesma de um cabo, mas parece ser mais estável que usar repetidor.

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Um cabo ligado errado pode derrubar toda a sua rede (e te deixar maluco)

Era para eu ter escrito sobre isso desde que escrevi meu texto sobre uma das vulnerabilidades do Wi-Fi. E como estou baixando o sarrafo no Wi-Fi esta semana acho justo lembrar que cuidar de redes cabeadas, principalmente grandes, não é nenhum “melzinho na chupeta”.

O fenômeno é chamado de “tempestade de pacotes” ou “tempestade de broadcast” (broadcast storm) e ocorre quando acidentalmente (ou propositalmente) as duas pontas de um mesmo cabo de rede  são ligadas ao mesmo segmento de rede. Geralmente, no mesmo switch.

Imagine que você está no rack tentando diagnosticar um problema menor na rede e desconecta um ou mais cabos do switch e depois de religá-los um novo problema surge, ainda pior. De toda parte da empresa começam a chegar recados de que tudo (internet, email, sistema comercial, câmeras IP, etc) parou e ninguém consegue usar a rede. O seu primeiro impulso é achar que você desconectou algo mas tudo parece estar como deveria. Você procura por uma luz apagada mas todas estão acesas. Acesas até demais!

Isso porque ao reconectar os cabos você não percebeu que conectou um a mais, a ponta solta de um cabo cuja outra ponta já estava conectada ao switch. Isso cria um “loop” no equipamento e o efeito é quase imediato. Quando o switch recebe o primeiro pacote de dados para broadcast vindo de qualquer um dos dispositivos ligados a ele, encaminha para todas as outras portas, como de costume; mas como existe um loop esse encaminhamento volta por outra porta como se fosse um pacote de broadcast novo e é novamente retransmitido para todas as portas, que volta pelo loop e assim continua até esgotar toda a capacidade de processamento do switch.

Pior que isso: a tempestade se propaga para todos os switches no mesmo segmento de rede (o mesmo “domínio de broadcast”) paralisando todos eles em segundos.

Às vezes você pode notar que se trata disso pelo padrão frenético de piscadas de todos os LEDs do switch, mas nem sempre.

Acha improvável isso acontecer? Pois aconteceu comigo e até hoje eu não sei como, em um rack onde supostamente somente eu mexo, a outra ponta do cabo podia estar numa posição tal que me permitiu fazer a confusão. Já quando você está lidando com switches que são ligados de qualquer maneira em cima da mesa ou até pelo chão criar um loop acidental é muuuuito mais fácil de acontecer. Por sorte, só fiz isso uma vez também, até porque nesse caso eu geralmente tomo o cuidado de olhar para onde o cabo vai antes de plugá-lo no switch (algo muito difícil de checar em um rack). No total eu já “levei um banho” em duas tempestades criadas por mim.

Quando você reconhece os sintomas e percebe que foi você que provocou é fácil resolver. Basta respirar fundo e refazer as conexões no switch onde você está/estava mexendo. Problema mesmo é quando isso foi feito acidentalmente ou propositalmente em outro lugar da rede e você não faz idéia de onde. Se proposital é pior ainda porque pode ter sido feito em mais de um lugar e se você não estiver preparado para isso vai levar um loooongo tempo quebrando a cabeça, porque você solta um cabo que vai a um local sabotado e o problema não desaparece porque existe outro local sabotado, aí você recoloca o cabo e repete o procedimento com os outros cabos mas usando esse método de teste não vai achar nunca. E torça para o sabotador não ter a capacidade de se mover pela rede sem ser notado e não ser uma conspiração, tirando e colocando loops.

Switches gerenciáveis supostamente ajudam nessa tarefa, mas nenhum de meus clientes usa por isso não tenho experiência com eles.

Em teoria, até switches não gerenciáveis poderiam ter pelo menos uma sinalização do tipo “está havendo uma tempestade aqui”. Por exemplo, este switch vagabundérrimo da Encore é baseado no chip Realtek RTL9308SB cujo datasheet informa que existe uma função opcional de detecção de loop com um LED para indicar sua existência. Mas isso não é implementado pelo fabricante do switch. E esse desinteresse em implementar uma função disponível também ocorre nos switches grandes, mais caros. Este switch de rack é baseado no chip Realtek RTL8324, cujo datasheet informa que existe uma função para isso (não menciona ser opcional) que pode acender um LED ou informar um dispositivo de controle. Também não foi implementado pelo fabricante.

Ao responsável pela rede resta torcer para que nunca aconteça e estar preparado com uma estratégia para quando acontecer.

 

10 comentários
  • Walter - 140 Comentários

    Se as duas pontas dos cabos estiverem bem identificadas não ajuda a detectar o problema mais rapidamente? Cores diferentes para cada ponta, por exemplo.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Sim, poderia evitar os acidentes. Mas não existe uma identificação desse tipo no padrão ethernet (esse é o maior empecilho para que dê certo)e você pode fazer isso no rack que você montou mas não pode esperar isso nos outros. E requer disciplina de todo mundo que mexe na rede.

      De qualquer forma, não é uma má idéia.

      • Luciano - 429 Comentários

        Cores não, mas anilhas podem ser de grande ajuda neste caso! Ou algo que eu faço aqui e já vi em muitas redes de alto padrão. Um papelzinho impresso com o numero do ponto e com espaguete termo-retrátil transparente por cima.

        No caso de um switch grande, ainda vi que colocam etiquetas nas portas, pra identificar cada cabo onde vai, uma mera formalidade, mas que pode facilitar nessa hora, basta olhar se a etiqueta do cabo corresponde a que está na porta, se não estiver, significa que alguém mexeu ali.

        • Walter - 140 Comentários

          As redes com as quais eu já trabalhei nunca foram muito grandes, mas eu sempre fiz isso, colocar uma etiqueta em cada ponta. E também faço isso no cabeamento de som do meu HT. E olha que eu nem sou técnico.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Outro cenário que vale a pena ter em mente: na minha rede, cinco segundos depois de criar um loop em um switch eu já não tenho mais imagem de nenhuma das minhas câmeras IP. Para alguém que já está dentro da propriedade desejando fazer um malfeito, colocar um loop em um switch é muito mais eficiente do que danificar o mesmo switch.

    É um ponto contra os NVRs e a favor dos DVRs. Claro, dificultar ao máximo o acesso a todos os switches minimiza (mas não elimina) o problema.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Eu acabei esquecendo do motivo que me fez lembrar de escrever este post. Roteadores Wi-Fi levam uma vantagem sobre APs nesse caso porque as tempestades são naturalmente limitadas aos respectivos domínios de broadcast e WAN e LAN estão em domínios diferentes (broadcasts não são propagados pela porta WAN). Dividir a rede em segmentos assim ajuda a minimizar os efeitos dessa ocorrência porque o loop colocado no switch de um roteador só paralisa todos os dispositivos ligados a ele.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Como eu disse no post, não tenho experiência com switches gerenciáveis, mas isso é o que conheço da teoria:

    Praticamente todos os os switches gerenciáveis hoje suportam um protocolo chamado Spanning Tree Protocol (STP) que permite que switches sejam instalados de forma a permitir redundância (isto é, se um switch falha, automaticamente o tráfego vai por outro), o que não pode ser feito com switches comuns porque causa loops. E uma função natural do STP é justamente a detecção de loops. Assim que uma porta no switch é ativada (quado você pluga algo nela), antes dela ser conectada às outras é verificada a existência de loops e se isso for detectado a porta permanece desabilitada

    Mas STP só detecta um loop no mesmo switch. Existe um outro problema que é você ligar um switch burro a um gerenciável e criar um loop no burro. A tempestade não vai ser detectada como um loop pelo switch gerenciável porque vai afetar apenas uma porta deste mas vai inundar a rede assim mesmo. Como mesmo em uma rede 100% composta de switches gerenciáveis um usuário qualquer pode trazer um switch burro e criar um loop (acidentalmente ou não) é requerida outra proteção chamada “BPDU guard” que não estou certo que todo switch gerenciável suporte. Essa proteção consegue distinguir uma tempestade enviando pacotes especiais em todas as portas e se o pacote voltar pela mesma porta por onde foi enviado é porque há um loop mais à frente e esta porta é desabilitada.

    STP faz com que o switch demore um pouco a ativar cada porta, por isso muitos administradores de rede, sem saber para que serve, deasabilitam a função e ficam vulneráveis a loops mesmo usando switches gerenciáveis.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Essa proteção consegue distinguir uma tempestade enviando pacotes especiais em todas as portas e se o pacote voltar pela mesma porta por onde foi enviado é porque há um loop mais à frente e esta porta é desabilitada.

      Isso não está inteiramente correto. Frames BPDU são usados na operação normal do STP para comunicação entre switches e todas as portas que sabidamente não foram conectadas a outros switches gerenciáveis (“EDGE ports”) não tem porque receber esses frames e se receberem é ou porque alguém ligou um switch gerenciável nela ou provocou um loop. Mas para a proteção funcionar é preciso definir a porta como “Edge Port” e declarar que você quer a proteção porque em algumas configurações uma “Edge port” se autoconfigura automaticamente como “non-Edge” ao detectar um frame BPDU.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Imagine um provedor de acesso desses de bairro que passam cabos ethernet até a casa de cada cliente usando switches burros por todo o caminho.

  • Rodrigo Alvisse Soares - 1 Comentário

    sou admin de uma rede com 14 switch, os pavilhões externos são interligados por fibra óptica em topologia anel chegando pelos dois lados aqui na sala técnica onde tem o rack principal, teve um problema desse onde o usuário conectou os cabos do telefone ip saindo do ponto ligando no telefone e saindo do telefone ligando em outro ponto, agora imagina ates descobrir em uma rede desse tamanho de onde vinha esse loop. melhor nem imaginar a correria, derrubou toda rede.

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A diferença entre Access Point (AP) e roteador Wi-Fi. E qual usar?

Eu não lembro se já falei sobre isso aqui mas como freqüentemente eu cometo o erro de repetir a terminologia leiga acho melhor esclarecer logo a diferença (por alto).

  • O “Access Point” (AP) é pouco mais que um switch ethernet que em vez de portas LAN tem uma antena. Ele não tem conceito de “portas”, “encaminhamento”, “DMZ”, etc. Um AP não tem o conceito de “WAN” e por isso é mais fácil de instalar, menos problemático no uso, tem muito menor tendência a precisar ser reiniciado a cada x dias, etc. Em resumo um AP é mais “confiável”.
  • O “Roteador Wi-Fi” é essencialmente um AP ao qual se agrega um roteador com fio. A etapa roteador dá mais “segurança” em certas aplicações (quando você não deseja que quem está no segmento WAN enxergue quem está no segmento LAN, por exemplo) e é mais “útil” em geral, mas isso tem um preço em confiabilidade.

O que vou dizer a seguir é baseado apenas na minha experiência e na minha limitada compreensão de como redes funcionam. Pode estar errado.

Se o AP é mais confiável e você não precisa da isolação entre os segmentos não seria mais sensato trocar todos os roteadores por APs? Ainda não tenho uma resposta definitiva para isso mas eu ajo como se fosse e em geral já uso mesmo todo roteador como AP. Mas toda rede que tem acesso à internet precisa de um roteador no “último gateway” em algum lugar e geralmente é no modem. Se o modem for ligado em bridge você é obrigado a ter um roteador/gateway antes dele. Você pode ter liberado os roteadores Wi-Fi da carga de ter que memorizar um monte de conexões ao transformá-los em APs, mas todas essas conexões ainda vão ter que ser memorizadas por esse gateway mais externo da rede. E isso é verdade mesmo antes da transformação em APs porque todo roteador tem que memorizar o que “roteia”.  A diferença é que quando você usa um roteador Wi-Fi e conecta uma dúzia de clientes nele o gateway mais externo só enxerga um cliente fazendo o total das conexões de todos eles.  Ao mudar o roteador para AP o gateway mais externo  vai passar a enxergar todos os clientes e criar listas separadas para cada um.

Explicando de outra maneira, se você tem um roteador A com 12 clientes fazendo ao todo 200 conexões com a internet e um roteador B com 10 clientes fazendo 150 conexões com a internet e ambos estão ligados ao modem/roteador C, C tem na memória 350 conexões feitas por dois clientes (os roteadores A e B). Ao transformar A e B em APs, no mesmo cenário, nenhum dos dois tem uma memória das conexões porque não estão roteando nada, mas o roteador C tem na memória 350 conexões de 22 clientes.

Faz diferença para C estar memorizando 10x mais clientes se o número de conexões é o mesmo? Isso eu não sei dizer, mas uma coisa me parece certa: ao usar apenas APs você só vai precisar resetar periodicamente um equipamento. E se for de boa qualidade, preparado para a tarefa, nem isso. Ao usar roteadores você pode precisar ter que dar manutenção periódica em todos eles e no modem.

 

12 comentários
  • Pedro Pires - 2 Comentários

    Uma coisa peculiar que tenho percebido nos últimos tempos é o sumiço do termo “modem” e “gateway” entre leigos e até mesmo pessoas da área. Hoje em dia tem gente que fala que não tem modem em casa, mas “roteador wifi”, como se aquela funcionalidade de converter um sinal vindo do cabo telefônico em internet fosse uma peça de museu dos anos 80. Para um punhado de gente, parece que ligando o “roteador wifi” na energia e espetar um cabo LAN numa porta a internet vai brotar magicamente do aparelho. Partindo dessa ignorância considerações sobre diferenças entre APs, roteadores, switches, etc. ficam realmente esotéricos pro usuário final.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      É justamente essa a razão do meu post. Como chamar tudo de “roteador” ficou generalizado e se você falar em “Access Point” o usuário geralmente vai fazer aquela cara de perdido eu acabei me acostumando a usar a terminologia leiga para me fazer entender. Só que aqui no blog eu preciso tomar cuidado com isso porque às vezes a diferença faz diferença no que estou dizendo. O termo “genérico” que eu (e todo mundo) deveria usar é “AP”, na falta de necessidade de roteamento para a explicação.

      Sobre o sumiço do termo “modem”, esta semana um cliente, provavelmente justamente por isso, cansado dos problemas com o “roteador” da GVT, foi no comércio e comprou um roteador Wi-Fi novo para fazer ele mesmo a troca. É claro que não funcionou. Eu tive que explicar a ele que mesmo que ele tivesse comprado especificamente um “modem roteador Wi-Fi” ainda teria que configurar para a GVT. Não é só plugar e usar.

      • Luciano - 429 Comentários

        Aqui pelo menos eu ouço muito o termo “modem com Wi-Fi”, pelo menos fica mais visível que é roteador um AP Wi-Fi e modem integrado.

  • Daniel Plácido - 51 Comentários

    Mas um Access Point funciona tanto como “servidor” (recebe a internet por cabo e compartilha por wifi), como “cliente” (receber a internet wifi e transmitir via cabo), já um Roteador não funciona como Cliente.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Somente o AP que tem “modo cliente”, Daniel. Eu não estou certo de que esse modo seja algo garantido em todo equipamento vendido como AP.

      E por outro lado, existe “roteador” que tem modo cliente pois é uma função do firmware e não do hardware. O DLINK DSL-2740e por exemplo, com firmware original da GVT não tem, mas quando você instala o firmware Totolink passa a ter.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Eu esqueci de mencionar umas coisas no texto.

    1)Um roteador Wi-Fi pode funcionar como access point “oficialmente” (o firmware tem opção para isso) ou “na marra” (desligando o servidor DHCP e não usando a porta WAN). Mas nenhum AP pode funcionar como roteador.

    2)Pelo fato de “access point” aparecer como uma função em alguns roteadores algumas pessoas podem ignorar que o access point existe como um produto separado. O danado é que como muitas vezes um AP custa o mesmo que um roteador Wi-Fi ou até mais caro e o fabricante não se esforça para explicar a razão, acabamos comprando um roteador Wi-Fi para usar como AP. Mesmo que seja “na marra”. A lógica diz que o AP que custa o mesmo que o roteador deve ser melhor que este, mas na falta de evidência é uma escolha difícil.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Como todo roteador é esencialmente um gateway eu mudei os termos usados no post para evitar confusão.

  • Victor - 8 Comentários

    Vou deixar minha experiencia aqui:

    Tenho 3 equipamentos de rede atualmente na minha residencia. um roteador, puramente dito, um switch e um roteador+ wifi+switch integrado. Nem preciso dizer qual o que trava CONSTANTEMENTE.

    Enquanto o roteador (um mikrotik rb750 a saber) tem uptime que ultrapassa os 30d, o switch só travou UMA UNICA VEZ nos mais de 1 ano de uso, essa bomba de roteador+wifi+switch trava religiosamente todos os dias, as vezes mais de uma vez por dia. Minha próxima aquisição em redes é um Ubiquiti Unifi AP. Depois que entrei no mundo dos equipamentos específicos faço questao de nao voltar pros “faz tudo-em-um” de baixo-custo.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Um switch comum travar uma vez em um ano eu já considero muito, mesmo se tratando de um switch barato. O normal é você esquecer que o switch existe. Mas sim, isso acontece. Minha primeira desconfiança seria fonte de alimentação.

      Agora, o seu roteador Wi-Fi residencial travar todo dia é um exagero no outro extremo. Você está fazendo torrent por ele? O protocolo BitTorrent é o culpado número um da exaustão de memória em roteadores.

      Ele está ligado como roteador ou como AP? Mesmo usando torrent, simplesmente usá-lo como AP pode acabar com os travamentos. Se como AP continuar travando é porque o aparelho tem um defeito. Isso não é normal mesmo em aparelhos baratos.

      • Victor - 8 Comentários

        Tenho um RPi rodando um servidor de torrent e midia, mas ele esta no switch que esta no roteador. O roteador wireless esta como AP, mas mesmo estando so com os telefones ele trava religiosamente todos os dias. Acho que a qualidade dos roteadores wireless tem caido muito ultimamente, esse eh o segundo e continua do mesmo jeito. Minha proxima tentativa vai ser um AP de fato.

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Gente que tem horror a fios demora a aceitar que precisa deles

É impressionante como arquitetos, engenheiros civis e pedreiros parecem ter horror a fios, assim como a massa das pessoas comuns. Do “puxadinho na laje” ao prédio com um apartamento por andar, passando pelo consultório chique, ninguém quer instalar tubulação exclusiva de dados. E convenhamos, só no puxadinho isso é compreensível. Estive em um consultório construído há dois anos onde supostamente se cobra R$1000 por dia de aluguel de uma sala e não parece haver jeito de passar um cabo de dados até o primeiro andar.

Há uma crença generalizada de que “wireless” é infalível a solução de todos os problemas de comunicação. Talvez por ser “o novo”, o “moderno”. E quando os problemas inevitavelmente aparecem dá trabalho explicar que não é.

Ao contrário da conexão por cabo…

  • …a velocidade do Wi-Fi cai com a distância e os obstáculos. Não adianta ter uma banda de 25Mbps se naquela sala o Wi-Fi só chega com 5Mbps [1];
  • …a velocidade do Wi-Fi é muito influenciada pela qualidade do roteador. Não é à toa que o preço de roteadores Wi-Fi “domésticos” varia de R$60 a R$350;
  • …a banda do Wi-Fi é dividida entre todos os usuários conectados.  Ou seja, aquela banda de 5Mbps que chega àquela distância ainda tem que ser dividida com todo mundo ali. Não adianta ter 20Mbps sobrando no modem; [2]
  • …Wi-Fi sofre interferência dos seus outros roteadores, dos roteadores dos vizinhos, de telefone sem fio, bluetooth, forno microondas, lâmpadas fluorescentes e fases da lua!
  • …equipamento Wi-Fi dá defeito com maior freqüência. Em comparação, switches cabeados parecem quase imortais;
  • …todo ano parece haver um problema novo com Wi-Fi que pode requerer atualização do equipamento ou até que você jogue tudo fora. Switches ethernet existem há quase duas décadas e nunca houve uma razão para “atualizá-los” e muito menos jogá-los fora em massa;
  • …sua rede Wi-Fi é naturalmente vulnerável a invasão por vizinhos, concorrentes e outros desafetos externos;
  • …sua rede Wi-Fi é naturalmente vulnerável a interferência proposital. Um adolescente entediado, “amigo” dos seus filhos, pode estar neste momento tentando provocar um DoS na sua rede sem fio só para ver a sua angústia (“for the lulz“).

Resumindo: Wi-Fi é exclusivamente conveniente. Não é confiável, nem seguro.

 

 

[1] Está achando pouco? Ontem mesmo eu acompanhei um cliente fazendo um teste com um playstation. A velocidade medida do Wi-Fi, a quatro metros de distância, sem obstáculos, com um D-LinK DSL2740e (que é considerado um bom roteador, com teóricos 300Mbps de Wi-Fi) deu pouco mais de 8Mbps numa conexão contratada de 15Mbps. Espere por muito menos que isso (0.5Mbps, por exemplo) se as condições forem menos que ideais. Cabo oferece a mesma velocidade a um metro e a cem metros.

[2] Rigorosamente falando a banda por cabo também é dividida, mas aí você está dividindo a banda completa contratada e não a fração que chega ao recinto.

42 comentários
  • Walter - 140 Comentários

    Aonde eu moro é rota de aviões. Sempre que passa um, interrompe o sinal wi-fi. Curiosamente, interrompe o sinal da tv digital também.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      :lol:

      Walter, eu pensei que “fases da lua” era o cúmulo do absurdo. Me enganei. O Wi-Fi doméstico ser perturbado pela passagem de aviões é ainda mais insano!

      Gostei!

      Sim, eu sei que para você deve ser um saco.

      • Luciano - 429 Comentários

        Além das fases da lua, poderia ter acrescentado a posição do rabo da lagartixa. :) Também influencia.

        • Walter - 140 Comentários

          Hahahahahaha

        • Jefferson - 6.044 Comentários

          Eu esqueci de acrescentar à lista a posição das portas da casa!

          O amigo e vizinho José Carneiro colocou portas de alumínio na casa toda. As paredes são todas de tijolo, sem ferragens, mas quando ele fecha a porta do quarto, onde está o roteador, o media player na cozinha começa a engasgar. E a porta não está (ou não parece estar) no caminho entre os equipamentos.

          Aqui em casa também todas as portas são de alumínio mas como passei cabo pela casa toda, isso geralmente não é problema, exceto quando estou com o celular no banheiro. Com a porta fechada não tenho nem Wi-Fi, nem acesso celular.

          • Luciano - 429 Comentários

            Até ai normal e esperado, a porta de alumínio serve se refletor passivo. E ai podem acontecer coisas muuuuito estranhas, do tipo, fechou a porta, o sinal some em um lugar mas melhora em outro por causa da reflexão do sinal. :lol:

            • Jefferson - 6.044 Comentários

              “Normal” para você que entende de magia negra (RF) :lol:

            • Jefferson - 6.044 Comentários

              Depois do que você falou o problema do meu amigo passou a fazer mais sentido. Eu achei que o sinal estivesse sendo bloqueado pela porta fechada, mas agora me parece que ele estava sendo “ajudado” pela porta quando estava aberta. O ângulo entre os três faz algum sentido

          • Walter - 140 Comentários

            Mas… Portas de alumínio em uma residência?

            • Jefferson - 6.044 Comentários

              yep!

              Eu não gosto delas. Além do problema com Wi-Fi são frágeis e incrivelmente barulhentas principalmente para quem gosta de assistir a filmes com som alto. Mas tem duas características que as tornam atraentes:

              São bonitas.
              Não dão cupim.

      • Walter - 140 Comentários

        Hoje minha rede está toda cabeada e só uso wifi para os celulares, mas já me incomodou muito. E demorou um tempo para ligar uma coisa à outra.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      E segundo a Apple, que fabrica os dispositivos mais afrescalhados do planeta, a lista é ainda maior. Eles só não incluíram “segurar errado” na lista, por alguma razão.

      Curiosamente, eles listam paredes de gesso como tão problemáticas como as de concreto. Isso eu não imaginava.

    • Ricardo Menzer - 119 Comentários

      Aviões são um poço de radiação. Os de motores a pistão geram RF pela fagulha das velas e funcionamento dos magnetos (que fazem a geração e distribuição de alta tensão). Os com motor a reação, nas fases de decolagem e pouso, ligam os “starters”, que são os equivalentes às velas e usados para dar inicio à combustão.

      Na minha casa, o sinal da TV digital também some quando carros mais antigos passam na rua. Acredito ser o mesmo efeito causado pelo sistema de ignição deles.

      • Ricardo Menzer - 119 Comentários

        Correção: onde está “starter” deveria estar “igniter”.

      • Luciano - 429 Comentários

        Nesse caso, o sinal de RF da TV deve estar paupérrimo ai, a ponto de o ruído de ignição de um carro velho conseguir “apagar” sua TV. Recomendo um bom check-up na antena. Quem sabe até mesmo um booster mas de marca boa.

        Ah.. e não caia na conversa de “antena especial/própria para tv digital”. Qualquer antena de UHF de boa qualidade, funciona. Se em sua cidade o sistema já for UHF, não precisa trocar a antena, a menos que ela esteja muito deteriorada pela ação do tempo.

        • Ricardo Menzer - 119 Comentários

          Sim, sim. O sinal é ruim mesmo. A própria TV tem uma página de configuração que mostra isso. Ela fica bem no limiar entre conseguir decodificar o sinal e não, então quando os carros passam, ela passa de um lado do limiar para o outro.
          Como não sou muito de ver TV, alguns segundos de falha quando passa um fusquinha não são razão suficiente para investir em uma antena melhor. :D

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Um problema extra do Wi-Fi é a quantidade máxima de dispositivos conectados ao mesmo tempo. Em teoria o protocolo suporta absurdos 2007 dispositivos mas na pratica cada conexão requer um naco extra de memória RAM, que é limitada. Então eu não me surpreenderia nem um pouco se roteadores domésticos estiverem derrubando conexões ou até mesmo travando com 10 usuários. A D-link recomenda 15 como o número máximo do DIR868L, que ao custo de R$882 não é o que eu chamaria de roteador vagabundo. A resposta é a mesma para o DIR-850L e para o DIR-510L.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Este testemunho diz que o Netgear WNR614 simplesmente deixa de aceitar conexões depois de entre 25-30 dispositivos conectarem. E que basta um usuário desligar o Wi-Fi do telefone para que outro possa se conectar. É certo que tal roteador é um modelo de 2014 mas já é um 802.11n (300Mbps) e muita gente tem em casa e no escritório equipamento mais velho que isso

    • Pedro Pires - 2 Comentários

      Tem o mistério dos roteadores TP-LINK de 59,90 usados em praças de alimentação de shoppings, os quais aceitam os 254 dispositivos (!!) com o release DHCP configurado pra zerar a tabela cada 24 horas (!!!). Depois o pessoal se pergunta por que a internet é tão impraticável nesses lugares.

      • Jefferson - 6.044 Comentários

        Rapaz, se eu fosse obrigado a usar uma solução dessas pelo menos configuraria o “lease time” para uns 30 minutos. 24h é praticamente pedir para que não funcione.

        Se bem que tanto faz. Nenhum roteador de 59,90 vai dar conta da carga. Dificilmente sequer tem controle de banda!

      • Jefferson - 6.044 Comentários

        Me lembrei de uma coisa agora: por causa desse possível problema ao manipular muitas conexões pode ser mais sensato para quem precisa lidar com isso usar um desktop ou notebook velho como roteador da rede. Se for usar também como access point precisa também se assegurar que os drivers do adaptador Wi-Fi conseguem lidar com muitas conexões, mas ainda assim pode ser uma melhor idéia do que sair comprando roteadores sucessivamente mais caros até achar um que agüente o tranco.

        • Marco Arthur Stort Ferreira - 15 Comentários

          Jeferson, o que me diz da marca TP-Link, e especificamento do modelo Roteador Wireless Gigabit Dual Band AC1750?
          Tenho um destes e começou a falhar. Não sei se um reset completo e reconfiguração ajudaria.
          Obrigado.

          • Jefferson - 6.044 Comentários

            O Archer C7? Dizem que é muito bom e custando R$350 espero que seja mesmo. Mas não tenho nenhuma experiência com ele.

            • Intruder_A6 - 191 Comentários

              Tenho um e ele nunca me deu dor de cabeça e nunca precisei resetar ele para que a rede wifi voltasse a funcionar. No meu caso ele faz o que tem que fazer sem falhar. E ainda consigo uma boa velocidade na transferência de arquivos.

              • Marco Arthur Stort Ferreira - 15 Comentários

                Quando estou na rede 5G a velocidade é excelente, ainda mais usando uma conexão VIVO FIBRA de 100M.
                Porém o sinal da rede 5G é que está ruim. Meu quarto fica no fim de um corredor de não mais que 4 metros, e o roteador está no meio deste. Entre o quarto e o roteador, somente uma parede.
                Mesmo assim o sinal oscila.
                Vou ver o que posso fazer.
                Obrigado.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Este blogueiro, que trabalha com projeto de redes, afirma que “você vai ter sorte se conseguir colocar 10 usuários em um roteador doméstico”. E conta um caso de uma escola que instalou mais de uma centena de access points Linksys (marca doméstica) e acabou tendo que dedicar um funcionário a ficar o dia inteiro dando reset neles.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      “O dia inteiro” pode parecer demais, mas não é. Se forem exatos 100 roteadores e o funcionário levar apenas 4 minutos para se deslocar até cada roteador e alcança-lo, já são aproximadamente 6 horas e meia de trabalho. Lembrando que se o roteador é instalado como roteador (e não como um AP), não é possível resetá-lo de um lugar central porque por segurança você não tem acesso ao setup via porta WAN. Em alguns modelos pode ser possível liberar esse acesso, mas não é o “normal”.

  • Luciano - 429 Comentários

    Em casa eu fiz isso aboli o wi-fi no meu pc, foi a melhor coisa. Só não é a melhor coisa do mundo porque agora a internet lá chega via rádio, mas é uma rede minha, e o roteador é uma mikrotik, pelo menos é coisa pra uso sério. O problema que estou tendo é que não consegui sinal bom em 5.8GHz, estou usando em 2.4GHz por enquanto (e sofrendo interferências adoidado) até ter um tempo e poder verificar tudo novamente nas antena de 5.8GHz.

    E o sinal deveria bombar! É relativamente perto e uma antena literalmente enxerga a outra.

  • Marcelo - 26 Comentários

    Isso mesmo! Wi-fi é uma conveniência que cobra um preço ALTO! Minha banda larga é VIVO (antiga GVT). Contratamos 35 mega e consigo os 35 no cabo ethernet. No wi-fi dá menos de 5 mega.
    Tenho ainda um conversor de internet pela rede elétrica que chega a dar 15 mega.

  • VR5 - 398 Comentários

    Off topic: tentei 2 vezes comentar no tópico de Star Trek Discovery mas minha postagem não aparece…

  • Jorge Mendonça - 48 Comentários

    Em casa na última reforma consegui cabear quarto e sala. Tenho curiosidade de testar rede pela fiação elétrica, qualquer dia compro pra saber o resultado na prática. Outra coisa que me irrita muito é ver fotos de arquitetos mostrando sala de home theater, aí ta la na foto os aparelhos e ZERO fios.

    • Jefferson - 6.044 Comentários

      Eu até entendo que eles coloquem tudo ali sem os cabos nas fotos só para “dar uma idéia de como fica”. O problema é que a maioria parece esquecer que sem fio é só nas fotos mesmo!

      Ou então o arquiteto acha que não é trabalho dele pensar nisso e joga para o engenheiro ou mestre de obras. E ambos costumeiramente acham que não é responsabilidade deles pensar nisso também.

  • Jefferson - 6.044 Comentários

    Eu fico imaginando o diálogo na obra:

    Pessoa sensata (olhando a planta): cadê a tubulação de dados?

    O engenheiro/mestre de obras/pedreiro: O que você é? um homem das cavernas? Hoje em dia é tudo sem fio!

    Pessoa sensata: Mas nem para a TV?!

    O engenheiro/mestre de obras/pedreiro: Do que você está falando, capitão caverna? O sinal da TV também vem pelo ar!

    • Luciano - 429 Comentários

      Ou pessoa como eu. Não deixei o pedreiro passar um tubo se quer nas paredes.

      Eu mesmo fiz. E o método foi o seguinte, em cada cômodo botei um banquinho no meio e sentei e fiquei imaginando o como seria a coisa depois de pronto, onde ficaria cada coisa, cada ponto de contingência, etc.

      Resultado, tenho tubulação separada pra tudo, energia, cabos de rf e dados/telefonia.

      p.s. eu *tive* que fazer login pra dar 5 estrelas pra esse comentário seu! :D

      • Jefferson - 6.044 Comentários

        Minha abordagem é um pouco diferente. Eu também avalio onde é mais provável que as coisas vão ficar, mas por padrão eu rasgo as paredes de um canto a outro com tubulação de dados e energia e coloco uma caixa a cada 2 metros. A maioria fica com tampa cega.

        Preço da caixa: R$1
        Preço da tampa: R$2

        Multiplicado por 10 em um recinto pequeno: R$30

        A certeza de ter um ponto de energia e dados a não mais que 1 metro (para cada lado) de qualquer lugar onde eu decida instalar algo: não tem preço :lol:

      • Jefferson - 6.044 Comentários

        oops… esqueci de contar com 20 metros de eletroduto! Pouco menos de R$40.
        Total de R$70 em um recinto com 10m de perímetro.

  • Intruder_A6 - 191 Comentários

    Eu também prefiro cabo de rede ao WIFI, mas eu gastei um bom dinheiro no roteador WIFI dual band, que uso com AP, e com ele (tenho um TP Link Archer C7 há alguns anos) que consigo conexões de até 700MB (no notebook chega perto disso), o máximo dele teórico é 1300Mbits, e só uso o WIFI para os celulares, notebook, e uma das minhas TVs 4K (por enquanto, talvez eu puxe o cabo para ela) e minha rede é toda gigabit, pena que os cabos são cat 5e, na época os cabos cat 6 eram muito caros, mas ligo um computador diretamente no outro usando um cabo cat 7.

    O que eu observei, é que assistir filme em 4K (baixado da Internet e disponibilizado na minha rede interna) faz a rede WIFI atingir o seu limite, e às vezes ele dá umas travadas, com Netflix 4K roda mais tranquilo.

    Quando eu troquei o piso de madeira aqui do apartamento por cerâmica e granito aproveitei e passei eletrodutos em várias direções para facilitar a minha vida com cabos de rede, cabos Sky e TV coletiva e etc, e hoje tenho pontos para isso a vontade, me deu um bom trabalho (eu mesmo que fiz, também não confio nos pedreiros para isso) mas atualmente isto me poupa muito aborrecimento.

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