Uma coisa que vi agora me fez lembrar de um “causo” antigo.
Como gerente de produto da NEXT, uma de minhas atribuições era apresentar as novidades da empresa à imprensa. Certa vez, em uma feira que ocorria no Shopping Center Recife, meu chefe decidiu lançar um “computador sem monitor”, que nada mais era que um PC comum equipado com uma (que nem era exatamente novidade) placa de vídeo com saída de TV.
Se não me engano era uma Trident TGUI 9685 AGP.
Eu não tinha nada contra a saída de TV da placa. Para a tecnologia existente na época era aceitável como um “bônus” se você quisesse jogar usando a tela de TV. Mas afirmar que era possível dispensar o monitor era uma das muitas jogadas de marketing do meu chefe que me fizeram deixar claro para ele, desde o primeiro dia, que eu não me envolveria nelas.
Mas lá estava eu na feira, com a NEXT alardeando que tem o tal “computador sem monitor” e chega a repórter da Globo para me pedir uma entrevista sobre o produto. A mulher quase implorou (sério!) para que eu falasse sobre o produto na frente da câmera e eu ficava me esquivando polidamente (fazia de conta que era timidez). Até que eu não aguentei mais o chororô dela e disse porque eu não falaria:
“Eu não gosto do produto”
Eu queria ter tirado uma foto da cara que ela fez. A insistência dela parou ali. Pouco tempo depois vi o meu chefe dando a entrevista.
Nunca soube se ela disse a ele o que eu tinha dito. Mas nem faria diferença, pois ele sabia muito bem que não devia me colocar nessas situações.
Eu penso nesse incidente (e outros) quando vem à baila em uma discussão a “seriedade” da imprensa de informática local. Espero que eles tenham melhorado (isso ocorreu há muuuito tempo), mas não boto minha mão no fogo.
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Eu ri.
Esclarecimento obrigatório.
A NEXT deixou de existir há mais de uma década. Faliu após um investimento na InfoNordeste que se transformou num desastre. E esse meu chefe sumiu de Recife e ninguém sabe o paradeiro dele. Só por causa disso eu me sinto à vontade para discutir o que acontecia nos bastidores da empresa. Se a NEXT ainda existisse, mesmo que com outro nome, eu iria usar nomes fictícios para proteger os inocentes e os culpados ;-)