Na Revista Época desta semana existe uma matéria sobre um livro que ensina a lidar com crianças (“Filhos: Manual de Instruções”, de Tania Zagury). Na página 112 encontrei a seguinte “pérola”.
Como acabar com chiliques
Se estiver num shopping ou outro lugar onde você não pode se afastar, apenas não faça nada. Espere ele parar de espernear e gritar e diga que aquilo não adianta. Se estiver em casa finja que está lendo ou vendo TV.
O negrito acima é do texto na revista.
Isso é um absurdo! E o direito ao sossego que tem os outros clientes do shopping? Eles tem que esperar a criança parar de espernear e gritar também?
Hoje a educação que é dada as crianças é lamentável…
Tem que dar uma olhada matadora…sem dizer nada, se não resolver é só abandonar o pirralho por alguns minutos…
Jefferson isso é problema cultural do Brasil onde a criança é o "rei" da casa/familia. Nos EUA isso não acontece.
"é só abandonar o pirralho por alguns minutos…"
No Shopping? Dependendo do pirralho ele vai pensar "OBA!".
Mas cuidado para não perder de vista e ser preso depois por "abandono de incapaz".
A grande questão aqui é a educação, se dada desde bebê, não haverá "chiliques". Eu aplico a técnica do castigo (1 minuto para cada ano de idade) da Supernanny e hoje em dia minha filha de 2 anos e 10 meses quando começa a dar sinais de desobediência, eu falo bem baixinho no ouvido dela: "Se não parar agora, vai ficar de castigo". Funciona.
Já vi essa cena em um supermercado. A criança deitada no chão batendo braços e pernas fazendo um escândalo e o pai calmamente conversando com a moça no caixa. Depois de uns 10 minutos simplesmente pegou as compras e praticamente "catou" o filho e jogou-o nos ombros como um pacote de cimento e assim foi embora. E a criança não parava. Bom, o pai já deveria conhecer o monstro que estava criando. Sem contar os pais que têm vergonha de chamar a atenção dos filhos na frente de outras pessoas. Lamentável!
"A criança deitada no chão batendo braços e pernas fazendo um escândalo e o pai calmamente conversando com a moça no caixa. "
A mesma coisa acontece em restaurantes. Todo mundo querendo ter uma hora agradável com a família ou amigos e tem que aturar aquele berreiro desconcertante, porque os pais não se tocam que ninguém mais precisa se submeter à (suposta) "sessão de disciplina" que aplicam nos filhos.
Eu apóio o estilo "se chorar sem motivo, vai ganhar um motivo para chorar".
Meu pai falava muito essa frase. E funcionava comigo. Mas não com a minha irmã…
Em casa, com minha filha, a gente tenta fazer uma política parecida com essa. Mas não tem como aplicar isso da maneira que você imagina, na rua. Porque se você experimentar levantar a mão pra criança na rua, te prendem.
Mas com a pequena, a situação funciona assim: em casa eu a lembro da bagunça e ela fica de castigo. Ficamos os três sentados no sofá sem fazer nada, até que ela entenda que não pode fazer o que fez na rua. O que funciona é esse castigo depois que ela se acalma. Isso sim deixa a menina mais respeitosa.
Correndo o risco de ser preso, comento que já dei umas palmadas na minha, em casa.
Mas já percebi que na maioria das vezes isso não adianta nem funciona. Porque enquanto ela está desesperada gritando e berrando, ela não sente nada. Eu tô falando da minha, pode ser que tenha algumas crianças que levam a manha ao extremo. A minha perde a razão completamente. Perdia, porque faz muito tempo que ela não faz mais disso.
O que muita gente não entende é que não tem nada mais danoso do que um excelente conselho e um péssimo exemplo. E pior, prometer e não cumprir. Isso faz com que se perca a autoridade. Acho que a pequena só começou de frescura no mercado, ela ficou um tempo em casa de castigo. E nunca mais.
Mas é razoável que os pais têm que ter "semancol", porque se a criança tá incomodando os outros, ela tem que sair do ambiente. Eu nunca deixei a pequena ficar aos berros em lugar fechado. Quer gritar e espernear, vai ser no meu colo e na rua. Ou no carro. Eu sou pai, tenho obrigação de educar. Mas os outros não têm obrigação de ficar ouvindo as manhas dela.
Antônio,
Quando eu falei em "motivo para chorar" não estava pensando especificamente em castigo físico. Um bom castigo não-físico dá igualmente motivos para a criança chorar.
Mas eu apóio ambos. Se existe motivo para castigo físico (e Deus sabe que eu já apanhei com e sem motivo), acho que a criança dele levar "palmadas" sim. Mas tem que saber fazer. Meu pai me dava um único beliscão silencioso que me deixava mais desconcertado que uma dúzia de chineladas histéricas da minha mãe.
Eu acho que o Estado anda se intrometendo demais, e negativamente, na forma como crianças são educadas pelos pais.
Eu faço uso de algumas "técnicas" para minha filha não ficar estressando na rua, no mercado, por exemplo, pergunto se ela quer me ajudar, ela fica muito animada e interessada no que estamos fazendo. Quando estamos em um restaurante esperando a comida, dou a ela um papel e uma caneta, já distrai um pouco ela.
Quando estou em um lugar onde não há muitas opções (consultório médico) uso minha "arma secreta", um episódio da "casa do mickey mouse" que tenho no celular, são 25 minutos de tranquilidade garantidos.
Eu também apanhei um bocado quando era criança, com necessidade e sem, mas apesar disso não guardo nenhuma mágoa dos meus pais, pois eu era bem danado mesmo, então quando tive o meu filho achei que umas palmadas na hora certa serviriam, mas depois de algumas dessas eu comecei a perceber que não estavam surtindo o efeito desejado, então partir para o castigo e um pouco de imposição da minha voz (grito) com ele e não tenho tido problemas desde então com isso!
Já a minha irmã tem uma filha de 3 anos e está quase impossível de aturá-la, pois a minha irmã não tem pulso firme e a garota pinta e borda, ela (minha irmã) lamentavelmente só bate na criança, que berra mais ainda e não resolve nada, pois a minha irmã acaba sedendo aos caprichos.
Só um exemplo de como minha sobrinha é bem cruel, quando ela tem raiva de algo, deita-se no chão e começa a bater a cabeça que chega a estremecer tudo, bem feio isso!
Eu tento não me intrometer ao máximo, mas tem dias que é impossível!
Ceder aos caprichos é o maior dos problemas. Não adianta bater, castigar e no final fazer o que a criança queria.
Pois é exatamente o que ela faz, apesar de eu sempre alertar para o fato dela está estragando a criança, mas…
Pois está estragando e vai se arrepender disso quando for tarde demais. Quando eu e minha irmã já éramos adultos, minha mãe pegou uma menina para criar quando ainda era bebê. Tornou-se minha irmã adotiva. Mamãe criou a menina do modo temerário que geralmente se atribui a avós: fazendo todos os caprichos. Incontáveis vezes eu reclamei com mamãe, critiquei, adverti, expliquei que ela ia se arrepender muito, mas não adiantou nada. Minha irmã adotiva foi criada como uma "princezinha".
A menina fez coisas que me deixavam arrepiado, que jamais eu e minha irmã teríamos ousado fazer. E teriam valido na minha mão castigos muito severos. Mas mamãe ameaçava num dia e no outro estava praticamente pedindo desculpas.
Mamãe tinha a ilusão (que era impossível tirar da cabeça dela), que dar mais presentes à menina iria consertá-la. Que ela ia amadurecer, lembrar-se do muito que foi feito por ela (a menina cresceu numa época de fartura que eu e minha irmã não tivemos), e se arrepender. Ilusão pura. Eu sabia disso, mas os "mais velhos" sempre se acham "mais sábios".
Minha irmã adotiva, que eu cheguei a tratar como se fosse minha filha quando criança, está hoje com 18 anos. Cresceu mentirosa, irresponsável, não estudou e é incapaz de guardar R$10 no bolso de um dia para o outro. Se "amigou" com um cara, que é até gente fina e trabalhador, mas que tem o mesmo problema e trouxe junto duas filhas pequenas.
Minha irmâ volta e meia tenta convencer minha mãe a dar de presente a ela e seu "marido" o apartamento que a família tem para alugar. AINDA BEM que minha mãe botou na cabeça que agora CHEGA e ISSO ela não vai fazer por ela. E meu pai está de acordo (um raro caso em que eles se entendem).
Sua irmã, Jesusleno, vai ver a diferença no futuro, quando for tarde demais.
"Pau que cresce torto…" Sabedoria popular das mais valiosas.