Reportagem passando agora no JN, mostra que em cada 10 estudantes de jornalismo (universitários) que se candidatam a um determinado emprego, 7 são reprovados no teste de português.
Ver um estudante de jornalismo escrever “hediondo” sem o “h” deve ser “de lascar”.
E as autoridades ainda promovem a idéia de que não é errado dizer “nós vai”.
Também acabei de ver. Pior é que existem ferramentas nas atuais suites office que corrigem tanto erros de ortografia quanto de concordância. O LibreOffice é um exemplo disso.
No teste eles não podem usar nada disso, claro. Mas podem usar as ferramentas no dia-a-dia para aprender onde estão errando!
Pelo jeito o problema é que a maior parte da população, mesmo contando entre os que tem o privilégio de alcançar a educação "superior", está mesmo é "se lixando" para a importância de escrever (e falar) corretamente.
É aquela máxima de usar as ferramentas de correção pra aprender com os erros, e não pra depender delas. É difícil, reconheço, mas não é impossível.
Eu não conheço todas as ferramentas existentes, mas as que eu conheço mostram onde está possivelmente errado e a correção só ocorre com sua aprovação.
Se a pessoa não usa essa oportunidade para não errar mais, na minha opinião só merece emprego de faxineiro.
Afinal, está sendo repetidamente corrigido e ainda assim não se emenda! Acho que nem para faxineiro serve…
Jefferson, várias ferramentas corrigem automaticamente enquanto digitamos. Se a pessoa não prestar atenção, nem vai perceber que errou.
José,
Eu nunca usaria uma ferramenta assim. Acho praticamente impossível um programa adivinhar corretamente o que eu quero escrever. Principalmente (mas não apenas) com tantos termos técnicos e estrangeirismos que eu preciso usar.
Jefferson, eu prefiro fazer a boa e velha revisão final, mas tem gente que prefere a facilidade. O próprio Word tem uma ferramenta pra correção automática.
Na maioria dos casos, sim. Mas admito que até eu mesmo cometo um ou outro erro de vez em quando. Mas não vi a tal reportagem, fiquei curioso pra saber quais foram os erros. Verei depois. Só sei que isso me preocupa, tenho uma sobrinha de 8 anos e ela erra demais, eu mesmo não errava tanto assim aos 8 anos.
Carlos,
Honestamente, eu não acredito que um estudante de jornalismo tenha o "direito" de errar num teste de português.
É como fazer o teste do SENAI aqui de Recife. Se você não tirar 10, não tem o mínimo necessário para ocupar a vaga
Jefferson, eu fiz SENAI em São Paulo, em um passado distante, e na época não era 10. Talvez uns 8 ou 9, mas não 10. Erros de gramática aconteciam lá raramente, mas aconteciam. Só acho que se a pessoa está tão mal a ponto de errar tão grotescamente, então precisa se dedicar mais ainda em evitar isso do que eu, errando raramente como erro. Não estou fazendo pouco caso do problema, que é gravíssimo, até mesmo porque jornalismo tem uma péssima fama por ser considerado um curso "fácil", atraindo muitas pessoas sem o menor interesse em estudo duro, gerando muitos jornalistas que acabam trazendo a qualidade do serviço da mídia bem pra baixo, como vejo acontecendo atualmente. E "ediondo" (sic) é mesmo de lascar, nisso eu concordo plenamente contigo.
Carlos,
Eu estou falando do teste para entrar. No SENAI de Recife se você não tirar 10 no exame seletivo, não consegue vaga nos cursos relacionados com eletricidade.
O "teste" de português se limitava apenas à ortografia, a matéria se referia a um ditado de 30 palavras (se não me engano). Imaginem se pedissem para fazer uma redação simples.
Português sempre foi meu calcanhar de aquiles, tanto que na 8ª série fiquei de recuperação nessa matéria. Sabem o que minha mãe fez?
Três meses (de dezembro a fevereiro) de castigo, sem ver televisão durante o dia (a única coisa que eu podia fazer era ler) e sem sair de casa (mesmo durante os finais de semana), depois dessa imersão na disciplina não peguei o livro de português durante o 2º grau todo.
Contei esse caso porque penso que não é só a escola que é a causa do problema, se os pais não acompanharem em casa o ensino que seus filhos vem recebendo, eles nunca saberão o momento de intervir.
Eu disse que erros acontecem de vez em quando, não disse? Shit happens! Até mesmo em traduções profissionais (já que você mencionou as amadoras, eu trago o assunto pra outro prumo). Já vi um caso de erro em tradução juramentada que causou um grande problema, uma vez. Infelizmente, acontece. Revisão é extremamente necessária sempre, sim, só que em alguns casos isso acaba mesmo escapando. Faltam tempo e recursos suficientes, além de muito descaso com o problema.
Mas a meta deve ser erro zero, sempre.
O problema é que muita gente já parte da premissa de que se acertar 70% das vezes já está bom.
Jefferson, claro que a meta deve ser zero. Reconhecer que temos a capacidade de errar não é justificar o erro, eu também prezo pelo objetivo da excelência no que faço. Mas, ainda assim, erro. Lógico que eu gostaria que nós, eu e todos os outros, errássemos, mas não é assim que funciona na realidade, tanto em conhecimento gramatical quanto em outras áreas. Se não fosse assim, não existiriam bugs de software por exemplo. Eu penso em pequenos erros que não tragam problemas de compreensão e, no caso, me permitam ler e entender um artigo, que não me incomodam em nada, como um “a gente dominam” ocasionalmente. Porém, uns 30% de erros gramaticais em um ditado muito simples é algo que eu considero preocupante, mais uma vez quero deixar isso bem claro.
E Marcel, aí é que você se engana. Eu leio o Terra ocasionalmente e sei bem como é, não apenas pelas pérolas de português como outras coisas também que prefiro nem comentar pra não sair do foco deste assunto. Desgosto deste site, deveras. E apesar de compartilhar as tuas críticas, não acho que teríamos total perfeição gramatical em todos os artigos. Por exemplo, alguns amigos meus, tradutores, já me contaram de alguns casos de erros ocasionais de grafia de nomes em japonês no Japão, mesmo com o país tendo um nível de alfabetização de mais de 99%. Isso é relativamente comum por lá, mesmo que pareça absurdo, afinal são nomes próprios. Por isso não acho que seja sensato ser intolerante com simples deslizes que acontecem por algum motivo de desatenção. Isso não ajuda no problema, na minha opinião. Ninguém que tenha sérios problemas de aprendizado se convenceria a corrigir o erro com esta opinião sobre ensino, acho eu. Só gera mais pessoas que acabam confiando mais ainda nas ferramentas (com erros, aliás) e não em suas próprias capacidades natas justamente por sentirem-se incapazes de poder fazê-lo sem um erro qualquer.
Errar é humano, e somos humanos afinal.
Estou muuuito atrasado, mas não consigo resistir…
Não, no caso dessa gente errar é “umano”.
É a idéia de que tirar nota 7 para “passar por média” é o objetivo, quando o objetivo deve ser sempre tirar nota 10.
@Carlos Augusto,
Você fala isto porque não lê as matérias do terra, redigidas por pseudo-jornalistas mas que sempre estão cheios de pérolas de erros de português. Erros acontecem, mas são imperdoáveis em quantidades absurdas como as que estamos vendo ultimamente, fruto do péssimo ensino brasileiro em que não se pode reprovar alunos porque afetariam eles psicologicamente, e com esta onda do politicamente correto em que não há erros de português, mas desvios linguísicos.
Vamos ser honestos, hoje em dia com o salário de professor, e com a falta de pulso com que tem em sala de aula em que os alunos é que mandam, e que os pais ajudam os filhos a criticar os próprios mestres, e com os mestres que eles mesmo tiveram, não dá para esperar algo melhor.
Aqui está a matéria.
Para quem não consegue escrever "hediondo", "fugaz" e "assepsia" devem parecer palavras inventadas pelo examinador.
Retirado da matéria:
Eu vejo isso o tempo todo nas traduções amadoras de legendas. O povo se dana a traduzir do inglês sem nem ter uma compreensão razoável do português.
E para fechar com chave de ouro a matéria, vejam a transcrição final, errada, de algo que é dito por um entrevistado:
A gente "dominam" é de lascar também…
E cometer um erro de português numa matéria sobre erros de português… é de lascar também!
Edit: Melhor ainda: um site de jornalismo cometendo um erro de português numa matéria sobre estudantes de jornalismo que não sabem português!
[01/08/2017]: A matéria foi corrigida. Agora está escrito “a gente domina”. Estragaram a piada.
Voltando um pouco para as ferramentas que nos ajudam na digitação de palavras e expressões corretas, eu sempre achei que elas foram criadas para ajudar caso eu errasse a digitação em si, uma tecla por acaso que o dedo bateu e acabou saindo, mas não para quem não sabe escrever e quer aprender com o word por exemplo!
Jesusleno, a função é essa mesmo. Só que o sistema de correção automática do Word pode ser “turbinado” para corrigir os erros comuns. Lembro de já ter visto para download esse tipo de coisa.
O Word também tem um sistema de correção que te mostra os erros e faz sugestões, creio que o pessoal estava se referindo a esse último na hora que falou da possibilidade de aprender com o Word.
As funções do word eu tenho pleno conhecimento, eu me referia ao uso que as pessoas fazem desse recurso, onde eu considero não ser o melhor professor de português que existe!
Jesusleno, eu creio que idéia não seja aprender português com o corretor, e sim prestar atenção nos erros para não repetir. Citar o exemplo anterior, caso a pessoa escreva “ediondo” e o programa sugere “hediondo”, é de se esperar que a pessoa perceba que errou e não repita o mesmo erro posteriormente. Mas no final, eu concordo contigo, pra mim Word é só uma ferramenta, prefiro não depender de software nenhum.
José,
“eu creio que idéia não seja aprender português com o corretor, e sim prestar atenção nos erros para não repetir.”
É exatamente isso. O corretor nem sempre vai estar ali para ocultar sua ignorância. Quem quer aprender confere as sugestões do corretor no dicionário, na gramática, etc. Isso se não for um simples erro de digitação, porque aí você aceita a sugestão do corretor sem questionar.
Uma vez minha irmã estava escrevendo um texto importante para ela com o auxílio do corretor do Word. Quando terminou ela me chamou para questionar as sugestões do programa que ela achava estranhas, porque o Word não explica a razão de estar errado, mas um humano precisa saber.
É esse o comportamento que eu espero de alguém que quer aprender.
Eu testei agora o Word 2007 e realmente, por default ele corrige alguns erros de ortografia automaticamente!
Encontrei a opção: “usar as sugestões do verificador ortográfico automaticamente”.
Isso já é um problema se for abusado por adultos. Imagine o perigo nas mãos de crianças em idade escolar!
Mesmo assim, o Word 2007 não viu nenhum erro em “a gente dominam” Vai ver é ele que o cara que transcreveu a matéria usa!
Jefferson, o Word 2007 tem corretor de gramática, esse pega o erro do “a gente dominam”, é o sublinhado verdinho…
Otávio, confirmo sua informação, o corretor pega esse erro.
Confirmo que, ao contrário do que eu disse antes, o Word 97 sinaliza o erro “a gente dominam”. Eu não percebi isso porque eu esperei que ele sinalizasse imediatamente após eu terminar “dominam”, mas só é sinalizado após dar ENTER.
Faz sentido. Concordância é algo complexo e é preciso que a oração esteja completa para analisar. Ortografia é que pode ser checada imediatamente.
O problema não são os corretores de texto, esse pessoal pouco usa o word, mas eles usam bastante as redes sociais e os MSNs da vida, que é onde eles leem as palavras escritas de forma errada e acabam achando que é o certo…
Falta de leitura de livros e revistas…
Só pra encerrar: http://deck.ly/~I1OzX
Aqui um site bem legal pra por a prova tudo o que foi discutido.
Acredito que alguns erros passam despercebidos por que a pessoa que escreveu não vê (lê)mais o erro, acaba lendo certo a palavra errada. Daí é importante que outra pessoa leia para pegar esse tipo de problema.
Pra isso existem os editores. O erro passar 2x, a primeira pelo jornalista, a segunda pelo editor, é cagada. Se for erro de digitação da pra entender, mas concordância bizarra, pleonasmo etc, ja é cagada³.
Wilson,
Você quer dizer “revisor”, não?
Pela quantidade de erros que eu vejo, se é que usam revisores para conteúdo “em tempo real” como o dos sites, estão pagando ao revisor um salário mínimo por mês. E ele ainda deve acumular as funções de officeboy e motoboy.
Não existem revisores para jornalismo online, sério.
Jefferson,
Não, eu não me referi a revisores, esse cargo não existe. Não tem uma pessoa que fica só fazendo revisão de textos, isso só acontece em livros. Em revista e sites, quem fica para revisar o que o jornalista escreve são os editores ou sub-editores. O problema é que essas pessoas vivem sobrecarregadas, ou no caso de sites, é tudo muito corrido e acabam deixando na mão dos jornalistas. Como essa ‘nova geração’ escreve errado, vai assim e só depois que vai pro ar o ‘responsável’ lê e acabam corrigindo erros grotescos. Mas como vemos no site jornalismo vai com deus, uma grande parte das bizarrices nem sempre são corrigidas.
Conheci uma senhora que trabalhava no Jornal de Santa Catarina aqui em Blumenau, era professora de português e revisava os textos antes de serem impressos. Mas isso foi em 1991, hoje em dia não sei se esse cargo ainda existe.
Wilson,
Se você quer dizer que o o cargo de revisor não existe hoje, concordo com você. Aliás, é disso que estamos reclamando. Se você quer dizer que eu me enganei e nunca houve essa figura com a função exclusiva de prezar pela gramática, você precisa ler isto,
“Nas Redações de jornal, existem dois tipos de revisor: o editor (ou manda-chuva) e o caçador de “erros” gramaticais (ou pau-mandado). ”
isto,
“iniciou a carreira jornalística em 1964, como revisor no jornal A Gazeta de São Paulo.”
e isto.
“conseguiu o emprego como revisor no jornal Folha de S. Paulo.”
Não Jefferson, eu digo atualmente. Esse cargo só tem mesmo em editoras de livros. A revisão em portais e revistas (pelo menos nas redações que ja fui) foi agregada ao editor e sub-editor. Ja em jornais impressos, eu não sei.
O primeiro link do meu comentário anterior tem uma passagem que se encaixa perfeitamente neste post:
“O Popular aboliu a figura do revisor, porque acredita no potencial de seus jornalistas. Que piada de mau-gosto! A formação que esse pessoal recebe na faculdade é péssima (por culpa exclusiva deles!).”
Evitei participar porque sou defensor ferrenho da boa escrita. Poderia parecer intolerância da minha parte, mas a situação é realmente preocupante. Sempre achei que para advogados, escritores e jornalistas a língua é a principal ferramenta e que não podemos confiar em profissionais que não sabem usar as próprias ferramentas.
Já deixei de contratar funcionários por causa de erros de português. Também não comprei um osciloscópio porque o manual estava mal traduzido, cheio de erros de português e se recusaram a me fornecer o original (se fosse hoje, bastava baixar do site do fabricante).
Esta semana ouvi um caso de uma professora que mandou os alunos escreveren uma redação sobre o famoso poema da pedra no meio do caminho. Um deles, depois de vários minutos olhando pro nada disse: “Professora, até agora não entendi se ele era usuário ou vendia”. Quase sempre a gente ri pra não chorar, mas esse caso me deixou muito procupado com o futuro.
Hector também fico incomodado com erros de português. Principalmente pelo constante uso do internetês fora dos chats. Não há como fugir da internacionalização das palavras ou abrasileiramento delas mas o caso realmente está bem sério. O problema não é só com erros de português e sim com a falta de cultura em geral da população, o grau de ignorância da população está muito grande.
Agora esse caso que você ouviu na verdade é uma piada, se chegou até você como um fato ocorrido não acredite. Se bem que do jeito que as coisas estão não é difícil…
Já ouviram sobre o tema de redação “Laser” e que muitos escreveram sobre “Lazer”, ou o contrário, não lembro ao certo. Vai que é folclore….