Honestamente eu não consigo aderir a essa idéia (na minha opinião paranóica) de se viver em mundo onde os programas se atualizam constantemente.
Toda vez que abro o Market no meu Quench, uma meia dúzia de apps tem updates disponíveis. Nenhuma delas diz o que raios mudou na nova versão. Por que raios eu deveria acreditar que esse update traz algum benefício para mim, se versões mais novas tendem, como regra geral, a serem mais lentas?
Eu uso o FF 3.6 a contra-gosto. Eu deveria estar usando ainda a versão 3.5, que é a última a ser compatível com um de meus utilitários preferidos: Direct Folders. E que a única explicação disponível era: "mande o desenvolvedor de Direct Folders consertar isso". Toda vez que eu tento salvar um arquivo com o FF eu me lembro de como a Mozilla pode ser arrogante.
A Google toma medidas extremas, que eu classifico como arrogantes e intrusivas, para garantir que eu esteja usando a última versão do Chrome. Mas e seu eu não quiser? Por que eu tenho que deixar a Google decidir por mim que eu devo atualizar?
Talvez eu esteja ficando velho (e denunciando minha idade) mas o que aconteceu com o conceito de "versão estável"?
Nenhuma diz? Diz sim, tem lá. Todas tem sim… sério, da uma olhada nas descrições e desce, lá embaixoooo tem o 'o que mudou'…. No market novo tem uma 'aba' só para isso.
Estranho não ter.
Mas concordo contigo, é um saco mesmo.
Você tem razão. Se eu rolar até o fim não vejo nada mesmo. É preciso, no campo Description, dar um tap em more para expandir. No final de Description é que a aparece a lista do que mudou. Mas ainda não fiquei satisfeito, por motivos que exemplifico:
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PulWifi – Instalei ontem e hoje já havia um update:
Recently changed in this version
* Move to SD
* Fixed a little bug
3G Watchdog
Recently chaged in this version
* New settings to change language and first day of week
* Bug fixes
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"Recently changed in this version" para mim é sacanagem. E se eu não estiver usando a versão exatamente anterior? Isso é muito provável, já que eu reinstalei o Android em uma semana, com todas as apps "frescas" e uma semana depois já tinha update para uma dúzia delas. Desenvolvedores Android não precisam manter um "history"? Como eu estava checando pelo celular, fui verificar se pelo PC eu tinha acesso a uma versão expandida. Que nada: é o mesmo resumo em market.android.com
"Fixed a little bug" e "Bug fixes" não me dizem realmente nada e são boas maneiras de esconder descrições reais e úteis como "consertei um bug introduzido na versão anterior que…"
Para quem abraça a idéia de "viver em um mundo instável" (é como eu enxergo essa onda de updates intermináveis) não há problema nenhum nisso. Mas eu vejo muitos. Como usuário, como técnico de manutenção e como programador (amador) eu afirmo que há muita coisa questionável nesse modelo.
No "modelo tradicional" o programador passa um tempo testando a nova versão, às vezes com a ajuda de um grupo selecionado de beta-testers e outras vezes simplesmente lançando o outra versão explicitamente rotulada de "beta" para os mais corajosos testarem e, se não for encontrado problema (e/ou depois dos encontrados serem corrigidos), ela é "liberada" para consumo geral.
Nesse modelo que eu estou vendo ser adotado pela Google (e desenvolvedores Android), Mozilla, entre outros, todo mundo vira " besta tester" e muitos ficam contentes com isso porque "existem atualizações frequentes".
Descobriram um jeito de programar que é 100% livre de introdução de bugs e eu não fiquei sabendo?
Medo do mercado, de ser passado para trás.
Walter disse tudo. Mercado mesmo. As coisas mudaram. Fato.
Parece que no iPhone para ser lançada uma versão nova precisa passar por uma etapa de aprovação na Apple, é diferente. Lá também tem atualizações, mas não é assim todo dia. Isso realmente enche o saco.
Falta do histórico de mudanças e descrições mais detalhadas é complicado mesmo. Eu tento sempre no máximo possível detalhar tudo que foi mudado.
Mas uma coisa é certa, 90% dos usuários estão nem aí para isso, apenas clicam em atualizar e pronto. 99% não lê nem o manual, o que dirá de mudanças na versão…. triste.
Eu sou do tempo que software tinha versão Alpha, depois virava Beta, e muuuuuito depois virava versão estável ou release.
Versão Alpha só usava mesmo que era MUITO corajoso, pois é o verdadeiro laboratório de caçada aos bug.
Pior é quando você marca, às vezes sem querer, para um aplicativo do Android atualizar automaticamente. Seu plano de dados 3G pode ser consumido numa tacada só.
Parece antivírus de tanto que atualiza.
O iOS só baixa, via 3G, aplicativos até um certo tamanho. Taí (mais) uma coisa que o Android deveria ter copiado…
O alpha de hoje é o beta de ontem, e o release candidate de hoje é o beta de ontem. Assim, temos programas eternamente beta (né, google?) que sempre precisam de um ajuste aqui e acolá…
Bom… fazem assim porque tem quem goste. Se até o GMail, quando saiu do beta, teve que colocar uma função no Apps pra rehabilitar o logo "beta", só porque tem otário que reclamou…
Com relação à "versão estável" eu só vejo isso no Linux. No Windows a única coisa estável é a mesa onde está o computador. E olhe lá…
Eu uso Windows, não faço atualizações a troco de nada, uso hibernação e passo dias com o mesmo "boot" e assim posso afirmar que o Windows é 100% estável (para a maioria dos efeitos práticos). Quase 90% dos problemas são provocados por hábitos equivocados dos usuários. Os outros 10% são provocados por programas mal testados.