Estou entusiasmado com as possibilidades do Pix

Pix é um sistema de pagamentos instantâneos implementado pelo Banco Central que vai estar disponível em novembro e todas as instituições financeiras com mas de 500 mil clientes vão ter que oferecer. Com ele você você vai poder fazer pagamentos ou mandar dinheiro para pessoas físicas e jurídicas e só precisa saber o CPF/CNPJ, telefone ou e-mail. Isso mesmo: se seu telefone estiver cadastrado como uma “chave pix”, qualquer pessoa pode mandar dinheiro para você apenas sabendo o seu telefone. Não existem taxas para quem manda o dinheiro e a expectativa é de que a taxa para quem recebe seja inferior às taxas cobradas para operações de débito hoje. E o dinheiro cai na conta do recebedor em até 10s.

Segundos, não semanas :D.

Você pode cadastrar até cinco chaves pix em cada instituição financeira. Essas chaves podem ser das categorias telefone, CPF e e-mail ou chaves personalizadas por você. Se você cadastrar um telefone o sistema manda um SMS com o código para checar se você possui mesmo o número. Eu suponho que se eu cadastrar um e-mail seja a mesma coisa. Essas três categorias principais já devem ter sido criadas por facilitar a criação de chaves únicas.

Você não pode ter a mesma chave pix em mais de uma instituição, porque a chave funciona como “endereço de destino” para o dinheiro. Assim se você cadastrar o CPF em um banco, vai receber o dinheiro por esse banco. Foi por isso que o Nubank ficou me incentivando a cadastrar minhas chaves Pix. Agora que eu cadastrei meu CPF e telefone no Nubank, vai ser vetado o cadastro no Bradesco. Esperto, mas não é um real problema para o usuário, porque segundo o FAQ você pode depois “migrar” chaves.

Também vai ser possível gerar chaves aleatórias. Uma para cada transação.

Achei muito interessante primeiramente por uma questão de privacidade, porque eu posso criar um e-mail só para receber pagamentos e divulgar esse e-mail sem, teoricamente, divulgar outros dados a meu respeito. Resta saber se na hora que a pessoa que vai transferir para mim digitar esse e-mail se o sistema vai pedir uma confirmação exibindo meus dados… Eu acho praticamente certo que o sistema precisa de alguma confirmação, porque telefone e e-mail não tem checksum, por isso seria muito fácil mandar o pagamento para a pessoa errada.

Quem não deve estar gostando nada disso é a Cielo e outras operadoras de “maquininhas”. As operações de crédito não vão ser afetadas, mas o Pix deve roubar uma grande parcela das operações de débito.  Eu suponho que até a Visa vai perder no Visa Eletron. O Pix acaba com os intermediários e só quem vai cobrar taxas de você agora é o banco.

 

13 comentários
  • Jefferson - 6.606 Comentários

    oops… ainda há espaço para as maquininhas como “provedor de serviço de pagamento”. Da minha conta Nubank, por exemplo, eu vou poder fazer uma transferência Pix sem precisar de intermediários, mas ainda vão existir os casos em que isso não vai ser possível ou prático e aí os intermediários entram.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Esqueci que só PJ vai pagar taxas para receber o dinheiro. PF não paga nada.

  • Newton - 2 Comentários

    Isto usa a tecnologia Blockchain?

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Segundo este artigo (item 14) não há conferência dos dados e você precisa ter certeza de que a chave digitada é mesmo da pessoa que vai receber.

    Por um lado eu aprovo a total privacidade que isso confere. De posse apenas de uma chave você não vai obter nenhuma outra informação sobre o recebedor.

    Por outro lado, vai ser um prato cheio para fraudes. Por exemplo, você pode até gerar um QRCode para evitar que seu cliente digite errado sua chave, mas vai ter que ficar atento contra tentativas de substituir seu QrCode. E seu cliente vai ter que estar atento a essa possibilidade também.

    Sem contar que muita gente vai ter dor de cabeça para recuperar dinheiro transferido meramente por engano.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Contrariando o artigo, a app do Nubank informa que ao usar uma chave a pessoa verá o nome completo, parte do CPF e o nome da instituição financeira. Isso resolve o problema de segurança, mas incomoda na questão da privacidade. Eu reconheço que segurança é muito mais importante nesse caso.

  • Luciano - 493 Comentários

    Só eu que estou pensando que isso tem a ver com preparar terreno para a nova “cmpf” caso ela venha?

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Eu acho que o novo imposto pode estar de olho no pix, mas não creio que o pix tenha sido criado pensando no imposto..

      Se o novo imposto for igual ao antigo, no sentido de taxar todas as operações financeiras (e não os “pagamentos eletrônicos”, como o governo tenta maquiar o bicho) a existência do pix só vai aumentar a receita nos casos em que a transferência de fundos não seria realizada por meio eletrônico se o pix não existisse. Eu prevejo que mais gente vai passar a usar meios eletrônicos por causa do pix, mas será que esse incremento é significativo diante do colossal volume de dinheiro que já é movimentado eletronicamente hoje?

      Por outro lado, como esse tipo de imposto serve como meio da máquina arrecadadora do governo burlar o sigilo bancário (pelo valor arrecadado ele sabe exatamente quanto foi movimentado), ele pode fazer mais gente preferir usar dinheiro “em espécie”.

      • Luciano - 493 Comentários

        Eu sou o que prefere usar o dinheiro “em espécie”. Isso inclusive as vezes me concede umas situações engraçadas e boas pra mim. Não foi uma nem duas vezes que ao entrar em uma loja e comprar um produto, na hora de pagar vem a pergunta de praxe: Débito ou crédito?

        Eu já devolvo na lata, dinheiro e já emendo a pregunta: Tem descontinho pra pagamento em dinheiro? As vezes sai um desconto.

        Por outro lado o mercado tem um hábito estranho, pelo fato de pagar muita coisa no dinheiro e raramente fazer parcelamentos ou crediário, isso as vezes rende umas situações inusitadas com o fato de ter um crediário… recusado! Imagino que porque eles vão consultar meu cpf e não acha nada!

        • Jefferson - 6.606 Comentários

          Eu nunca passei por isso porque não faço o tal crediário há décadas. Quando eu não pago à vista em dinheiro (é assim que prefiro também), pago com meu cartão de crédito que tem um limite alto, herança de quando eu tinha um emprego formal bem remunerado. Eu deveria passar por isso na hora de obter outros cartões de crédito, mas parece que essas instituições “adivinham” que você tem crédito com os concorrentes.

          O tal do cadastro positivo promete mudar isso, mas não conto com isso.

  • Maxwell - 5 Comentários

    Considere que o teu e-mail seja fulano@provedor.com. Você pode utilizar o mesmo e-mail para criar chaves para mais de uma instituição financeira. Para isso cadastre a chaves assim:
    fulano+nubank@provedor.com
    fulano+itau@provedor.com

    Basta adicionar o + e uma identificação, por exemplo, o nome do banco. Na confirmação do cadastro, o que aparece do + em diante é ignorado.

    Testei com sucesso o cadastro em duas instituições.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Bem pensado. Mas é bom ter em mente que nem todo provedor de email suporta “plus addressing”. Por exemplo, a MS só começou a dar suporte a isso nas contas do Office 365 este ano.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Já comecei a usar o pix.

    O problema da privacidade existe. De posse de um número de telefone você pode saber o nome completo e parte do CPF do titular da linha, se este tiver cadastrado seu número no pix. E você não precisa gastar um centavo para obter essas informações, porque são exibidas antes de você confirmar a transferência.

    Chaves aleatórias aparentemente ainda não funcionam. Pelo menos no Bradesco eu só tenho a opção de transferir para celular, email ou CPF.

    Eu gostei do fato de que com o Pix eu tenho liberdade para transferir dinheiro entre minhas contas sem nenhum custo. Fica mais conveniente ter contas gratuitas em bancos virtuais como o Nubank e o C6.

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