Nos supermercados de Dublin eu me sentia quase analfabeto

Eu tenho um extenso vocabulário em Inglês mas acabei descobrindo um ponto cego nele, principalmente nas seções de frutas e verduras. Parte do problema é que no clima de lá muita coisa facilmente encontrável na prateleira não é comum ou não existe no Brasil, mas não é só isso.

  • O que danado é “soft pitched dates”? Procurando que fruta se chamava “date” descobri que é a tâmara, mas “soft pitched” nesse contexto ainda é um mistério para mim;
  • Raspberry? É a framboesa, que eu nunca tinha visto como fruta, mas como ingrediente;
  • Blueberry? Mirtilo. Mesmo com a tradução continuo sem saber o que é;
  • Lemon e Lime. Pelos nomes você conclui que são limão e lima respectivamente. Na prateleira do supermercado de Dublin é o inverso. “lime” é o que conhecemos como limão (redondo e verde)  e “lemon” é uma fruta amarela, não exatamente redonda, que provavelmente é a “lima” no Brasil, mas não estou certo disso;
  • Grapefruit? Uma tal de toranja. Nunca havia provado uma. Por fora é indistinguível da laranja, mas por dentro é vermelha e amarga.

E por aí vai…

Ainda existe outro problema que parece ser cultural:

  • Não existe feijão cru ensacado – Somente enlatado, pré-cozido, pronto para comer.
  • Não existe leite em pó – Para achar isso você precisa ir a mercados operados por estrangeiros. Nas mais conhecidas redes de Dublin como LIDL e ALDI só encontramos uma grande variedade de leite líquido, que era inconveniente por duas razões: você precisa manter refrigerado e na geladeira de minha irmã não cabia e leite gelado na hora de fazer bebida quente só atrapalha;
  • Não existe adoçante líquido – Você só encontra sólido (em pó ou tablets).

Pedir informações a um funcionário era algo que eu preferia evitar. Definitivamente não queria conversar com ninguém que fosse loiro de rosto avermelhado, porque acho o sotaque irlandês quase incompreensível. Uma vez eu perguntei onde ficava o açúcar ou adoçante (o critério de organização do ALDI é incompreensível para mim) e a única palavra que consegui entender na resposta do irlandês foi “eggs” (ovos). Ainda bem que foi o bastante porque foi na prateleira de ovos que achei o açúcar. Minha recomendação é sempre procurar um funcionário que tenha cabelos pretos porque é até possível ser um brasileiro e, mesmo que não seja, o inglês dos estrangeiros é mais fácil de entender.

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