Primeiro, vou começar com uma espécie de glossário:
- h.265, também chamado de HEVC, é o sucessor do h.264. O algoritmo permite uma redução da quantidade de informação necessária para uma mesma qualidade, o que se traduz em menos espaço de armazenamento e menos banda necessária para uma imagem de mesma qualidade. Falam em até 50% de economia. Mas isso também requer um maior poder de processamento, principalmente nos decodificadores;
- MPEG LA é o nome da aliança que até bem pouco tempo atrás reunia todas as empresas detentoras de patentes nesses processos. Isto desde o tempo do DVD, passando pelo DiVX e Blu-Ray. Essas alianças são formadas para simplificar a cobrança e pagamento de licenças. Uma empresa querendo desenvolver algo baseado em certa tecnologia só precisa de uma licença em vez de correr atrás de várias.
O que eu entendi da encrenca é que o padrão h.265 vem sendo adotado há algum tempo por fabricantes de hardware e desenvolvedores, sob licença da MPEG LA. Mas um grupo de empresas participantes do MPEG LA insatisfeito com as regras da aliança, que, entre outras coisas, impõem um “teto” para o quanto é necessário pagar de licença para as patentes (6.5 ou 25 milhões de dólares por ano em certos casos) decidiu formar outra aliança, chamada de HEVC Advance e mudar as regras do jogo durante a partida.
O que a HVEC Advance quer:
- Que todo mundo pague a eles royalties além dos que já são pagos à MPEG LA (ela não detém todas as patentes necessárias);
- 0.5% sobre o faturamento bruto (o impacto sobre o lucro é obviamente maior) relacionado com o uso da tecnologia;
- Fim dos usos gratuitos. A MPEG LA considera que qualquer streaming que não seja cobrado do usuário também não precisa pagar royalties. A HVEC Advance não vê dessa forma;
- Pagamentos por produto vendido que chegam a 5x o cobrado pela MPEG LA;
- Acabar com o teto. 25 milhões de dólares pode parecer muito, mas alguns sugerem que isso pode custar ao Facebook e Netflix algo como 100 milhões de dólares por ano.
- Que isso seja retroativo à primeira venda. Ou seja: todo fabricante que já vendeu equipamento capaz de decodificar h.265 (televisores, por exemplo) e pagou tudo direitinho à MPEG LA já está devendo no mínimo cinco vezes mais à HVEC Advance.
Isso parece uma atitude tão imbecil que sou obrigado a imaginar que não partiu das empresas envolvidas (ninguém tem certeza ainda de quais são). Isso me parece coisa de um grupo de estelionatários de alto padrão advogados que conseguiu convencer essas empresas a formar essa nova aliança na esperança de nadar em dinheiro.
Me parece certo que isso vai entulhar os tribunais e botar um pé no freio da adoção do h.265. John Carmack já pulou fora.
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