Noções de bi-amplificação
Me ocorreu escrever sobre isso por causa de algo que está discutido no post sobre o Samsung C460. Eu vou apenas rascunhar aqui, porque não me lembro de toda a teoria.
O primeiro contato que tive com a expressão "bi-amplificação" foi na adolescência (faz tempo "pracarai") em artigos do genial Cláudio César Dias Baptista (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A1udio_C%C3%A9sar_Dias_Baptista) publicados na extinta revista Nova Eletrônica. CDDB explicava alguns conceitos interessantíssimos de psicoacústica e como eles eram relevantes na construção de amplificadores decentes. É muito importante frisar que na época você tinha que estar envolvido com som profissional para tirar proveito disso porque nenhum fabricante de som doméstico dava a mínima.
Os pontos de que me lembro agora são:
*Graves requerem muito mais potência que médios e agudos (chamarei apenas de "agudos");
*Graves não são direcionais. Agudos é que são;
*Uma elevada distorção de graves pode ser mascarada por uma boa reprodução de agudos
A consequência direta de se ignorar o primeiro desses três pontos é achar que se pode colocar todos os alto-falantes ligados ao mesmo amplificador e só separar as frequências usando filtros passivos (bobinas e capacitores). Não nego que funciona, mas como agudos requerem muito menos energia, no ponto em que você obtém um bom volume em um, está sobrecarregando o outro. Os efeitos são distorção e desperdício de potência.
O segundo ponto já se tornou facilmente verificável hoje em dia. A maioria das pessoas que comprou um som 5.1 já percebeu que não faz nenhuma diferença significativa para onde "aponta" o subwoofer.
CDDB já explicava na época que o melhor resultado, com melhor relação entre qualidade, custo e eficiência, se dava ao usar amplificadores separados para graves, médios e agudos. Assim era recomendável dedicar seu caríssimo amplificador de alta potência (que você precisava de duas pessoas para carregar) apenas para graves e ter um amplificador bem mais simples, mas com maior atenção à fidelidade, cuidando apenas dos agudos (para aproveitar o terceiro ponto que citei)
Em equipamentos feitos para o público doméstico era impossível obter isso na época. Você tinha que ir para o mercado profissional e, no mínimo, desembolsar uma boa grana comprando crossover e amplificadores feitos para festas. Ter um som minimamente decente em casa requeria um rack enfeitado de marcas como Cygnus, Nashville e Quasar.
Hoje, qualquer som 5.1 de marcas "domésticas" como Philips, Samsung e Sony se aproveita do conceito de bi-amplificação. Você pode notar a diferença brutal entre o tamanho das caixinhas "satélite" usadas hoje e o tamanho das caixas que tinha que usar no passado, para obter o mesmo resultado. E não é porque esses satelitezinhos usem uma tecnologia mais eficiente de alto-falante. Basta desligar o subwoofer para perceber que a potência emitida pelas caixinhas é comparativamente "débil". É quase como se os agudos só existissem para "preencher detalhes".
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