Mais um comentário absurdo no meu texto sobre cabos digitais (como se eu pudesse dar crédito a alguém que se apresenta como “Professor Ludovico“) me fez lembrar de que eu já deveria ter escrito um texto específico sobre cabos HDMI faz tempo. No momento estou sem tempo para fazer algo muito elaborado, até mesmo porque quem me segue há muito tempo já conhece minha opinião a respeito. Mas acho interessante citar aqui alguns textos que comprovam, tecnicamente ou por meios práticos, que não há sentido em acreditar que um cabo HDMI de R$500 vá oferecer uma imagem melhor que um cabo HDMI de R$5, a curtas distâncias.
- A loja de origem australiana Kogan, que vende cabos por £4, desafiou publicamente dois concorrentes ingleses que vendem cabos por £100 a provarem que seus cabos são melhores. É claro que eles nem tentaram. A Kogan chegou ao divertido e inspirador ponto de oferecer seus cabos de graça, incluindo postagem, a qualquer um que tenha comprado uma TV nesses dois concorrentes.
- Neste texto, a Digital Foundry comparou os hashes de frames produzidos em um PS3 através de cabos de £1.5 a £100, a 1080p, 24bits. O mesmo hash foi produzido em todos os frames obtidos, ou seja: todos os cabos forneceram frames bit-por-bit idênticos;
- Esta análise da Expert Reviews nos fornece dados técnicos interessantes. Ela diz que um determinado cabo de 19m (perceba como é longo) pode exibir apenas um erro por minuto, mas que isso aumenta para um erro por segundo a 22m e que a coisa já se degenera completamente para dezenas de milhares de erros por segundo a 23m. Eles completam com um teste cego que mostra outros fatos interessantes, incluindo as pessoas notando “diferença” quando os dois cabos comparados eram o mesmo. O que absolutamente não é surpresa e de certo modo já serve como prova de como a percepção humana falha nessas comparações (testes cegos não são uma beleza?). Outro fato importante é que nas comparações cegas entre um cabo barato de 10m descuidadamente enrolado em cima de um cabo de força e um cabo 70x mais caro de 1m não houve nenhuma tendência óbvia para o cabo mais caro.
- A inglesa Which? fez um teste passando dados a 6.2GB/s com um gerador de sinais (um teste de laboratório, sem considerar condições práticas de uso) em três marcas de cabo. Não foi encontrada uma única diferença.
Outros exemplos virão. Meu tempo está limitado agora.
Pô, se ainda fosse o Professor Pardal…
Foi exatamente o que pensei!
“Ludovico” é um nome real e de fato existem professores na USP com “Ludovico” no nome. Mas qualquer pessoa que tenha idade para ser professor na USP sabe perfeitamente que não pode se apresentar simplesmente como “Professor Ludovico” em um comentário anônimo (sem identidade facilmente confirmável, para mim todos são anônimos) e querer ser levado a sério. Ele poderia assinar como Gisele Bundchen e para mim daria na mesma.
Esqueci de acrescentar que, ainda que exista um Professor Ludovico, engenheiro e físico, que ensina linhas de transmissão na USP, quem está comentando no site pode ser apenas um aluno se passando por ele para expô-lo ao ridículo. Não dá para levar a sério o que anônimos dizem que são, sob risco de expor a si mesmo ao ridículo ou a algo ainda pior.
Então aqui temos um problema… existe um personagem da disney que no brasil tem o nome de Professor Ludovico:
https://www.google.com.br/search?q=Professor+ludovico
Veja:
[img]https://ryan.com.br/blogs/quicktalk/wp-content/uploads/2012/04/prof-ludovico.jpg[/img]
Ué, Luciano… você não está vendo o texto “Professor Ludovico” com link no post?
Passou batido… vou ajoelhar ai no milho.
Eu sou aluno da USP em ciência da computação e devo dizer que ser professor da USP não quer dizer nada. Tive vários professores totalmente incompetentes assim como vários professores bons. Todo mundo assume que para ser professor da USP é necessário ser um genio, mas isto está longe da verdade. Professores realmente bons (tanto em didática como em conhecimento) são extremamente raros mesmo na USP.
Eu também não dou bola para isso, Daniel. Já tive minha cota de desentendimentos com professores, engenheiros e, principalmente, auto-proclamados “especialistas”…
Pelo contrário, a experiência me mostrou que quando uma pessoa apresenta como argumento o seu diploma, quase sempre não tem argumentos mesmo! É tiro e queda: quando uma pessoa começa com “eu sou XX há YY anos”, a próxima frase é uma besteira!
E, SIM! Também conheci professores muito bons, que me faziam disputar com outros a primeira fila de cadeiras na sala de aula!
So gostaria comentar um incidente com cabos HDMI, sem desmerecer nenhum fabricante de cabos:
-Comprei um cabo hdmi de um fabricante recomendado por um conhecido forum brasileiro de audio e video. Pensei que a imagem granulada do meu Bravia ligada via hdmi ao meu bd player também Sony, poderia ser devido ao cabo hdmi genérico que usava.
-Quando usei o cabo novo, não apareceu imagem nem som.
-O cabo foi trocado, e o problema persistiu
-Desisti do cabo caro, meu dinheiro foi devolvido e continuo usando o cabo genérico ate hoje.
Sempre fiquei na duvida, se era problema do cabo novo e caro ou um problema da Sony que usava uma versão “um pouco diferente” do padrão hdmi.
Recentemente testei outros cabos baratos no mesmo sistema, e imagem e audio se comportaram correctamente.
Augusto.
O mais provável que pode ter acontecido é que o cabo comprado seja de versão inferior a minima exigida pelos equipamentos. Já o cabo baratinho ter compatibilidade com a versão.
lembrando que cabos de versão mais novas funcionam perfeitamente em versões inferiores.
Eu também tenho opinião parecida a respeito dos cabos HDMI, e também dos cabos de áudio digitais.
Mas talvez onde vai fazer diferença de verdade é na vida útil, provavelmente um cabo barato deve duram bem menos que um cabo mais caro, e imagino que os cabos mais caros devem suportar melhor as operações de inserção e remoção do conector, mas acho que estou chovendo no molhado.
Essa é a única superioridade que um cabo HDMI caro menor que 5m pode ter, mas não existe qualquer garantia de que ele realmente tenha.
Como se determina que um cabo HDMI é melhor construído? A maioria das pessoas tende a acreditar que o cabo mais grosso e duro é melhor construído que o fino e flexível. Isso poderia ser uma dica, se os fabricantes não recorressem há anos (talvez décadas, se contarmos com os cabos analógicos) ao artifício de envolver os cabos em “mangueiras de jardim” para lhes dar um aspecto mais robusto. O que na verdade só piora as coisas, porque a construção interna do cabo (boa ou ruim) continua a mesma mas agora os conectores (nos aparelhos também) são forçados pelo peso e rigidez do cabo.
Um “cabo” HDMI pode ser composto de 19 fios ou 19 cabos. Mas o mais provável é que sejam 19 cabos.
Eu entendo que, por ter 19 fios/cabos, uma construção mais rígida do cabo HDMI pode evitar que fios finos se partam, mas esta desculpa seria um “tiro no pé” porque pelo preço cobrado fios/cabos mais grossos poderiam ser usados.
Nota: tecnicamente as definições de fio e cabo são distintas:
Fio: É o que se chama no mercado, para os leigos, de “fio sólido”. É um condutor com apenas um núcleo.
Cabo: É um condutor de vários núcleos (vários “fios”). Cabos são sempre mais flexíveis que fios de mesmo diâmetro.
Outro aspecto do cabo que pode ser melhor ou pior é o conector, mas como determinamos qual é o melhor (do ponto de vista da durabilidade)? Destruindo ambos para analisar os contatos em um microscópio?
Ontem mesmo, enquanto escrevia o post, esbarrei em um comentário de um cara que elogiava a Monster porque o cabo HDMI deles deu defeito e a Monster mandou um substituto de graça. Ora… por que o cabo Monster deu defeito, só para começar? Se eu mandasse fabricar na China cabos de USD5 para vender por USD150 eu certamente estaria disposto a trocar de graça os que dessem defeito, não estaria? E ainda por cima deixando o consumidor feliz com minha atenção!
Está sobrando gente dizendo por aí que um cabo HDMI melhor traz vantagens impossíveis como, só para dar um exemplo, uma imagem mais nítida.
Sem exageros, a possibilidade de você fazer um cabo HDMI, mesmo propositalmente, prejudicar uma característica específica da imagem é menor que a de descarrilhar um trem de passageiros com 20 vagões na hora do rush e os únicos passageiros feridos serem os homens vestindo cuecas azuis.
Em cabos analógicos existe uma correspondência entre causa e efeito. Mexer na capacitância do cabo muda X na imagem. Alterar a resistência muda Y. Passar próximo a uma fonte de rádio-frequencia muda Z.
Mas isso não existe numa transmissão digital. Não existe um bit ou conjunto de bits específico que se alterado provoque uma mudança uniforme na imagem. Qualquer alteração, se for perceptível a olho nu, irá provocar uma aberração localizada especifica de transmissões digitais.
A diferença entre um cabo barato e um caro, além do que eu já falei, deve ser também a atenuação, acho provável que um bom cabo digital (HDMI, áudio e outros) tenha menos atenuação que um cabo barato, e provavelmente vai poder ter comprimento maior sem degradar o sinal digital do que um cabo barato (acho que também estou chovendo no molhado). Mas eu nunca pagaria 150 dólares num cabo digital, a não ser que não existisse alternativa viável mais barata.
Já vi cabos HDMI com 300 metros (vendendo pelo eBay), mas estes cabos são bastante especiais e tem um conversor HDMI / fibra óptica / HDMI para permitir ligar projetores em grandes salas de projeção (eles são realmente caros, e nem teria como não ser diferente). Para longas distância nem tem com usar cabo metálico puro (no caso de HDMI). Vi também outras soluções usando 2 cabos de rede 5e em paralelo para longas distâncias (acho que para menos de 100 metros de comprimento), e é certamente bem mais fácil passar dois cabos de rede que um HDMI por um eletroduto.
yep. Cabos longos o bastante para a atenuação ser relevante não se enquadram no que chamo de “condições normais de uso”.
E sempre tenha em mente: Nunca, jamais, os efeitos serão “sutis”. A degradação da imagem sempre será severa, prontamente identificável até pelo individuo mais ignorante e desatencioso.
Qualquer cabo vendido pronto em peça de 15m merece para mim a mesma confiança se custar R$70 ou R$700. Não há como distinguir a qualidade dos cabos só olhando. É preciso testar.
Opa, cabo HDMI = cabo de rede. Bits. Qualquer cabo é cabo, é até complicado fabricar um que corrompa os bits :-)
Não é bem assim. Um cabo HDMI categoria 2 (1080p 60Hz) é testado a 340MHz. O único cabo de rede certificado para uma banda tão alta é o CAT6a (500MHz). O padrão imediatamente anterior, CAT6, só é certificado para 250MHz.
E em aplicações ethernet há correção de erros. Quando um pacote é corrompido, é retransmitido. Mesmo que eventualmente um cabo de rede esteja corrompendo dados, você não percebe a não ser por perda do desempenho da rede. Em HDMI só há uma limitada detecção de erros, porque parar um fluxo que requer tempo real para pedir reenvio só piora as coisas. Em tese o cabo HDMI precisa ser então mais robusto que o de rede.
Exatamente Jefferson: temos 98% de aproveitamento (uma média “descarada” mas que funciona aqui pra explicar) num CAT5 da vida. Os cabos HDMI, mesmo os “ruins”, costumam ser mais robustos que um cabo de rede convencional (observe que o metro é bem mais caro do que o Furukawa que você compra na loja de Informática, com os RJs ;-). Você costuma ver framedrop ou um pixel que seja corrompido numa conexão HDMI? Não, certo? Então, meu ponto foi direto e simples: Bits. Hoje (por “hoje” quero dizer os padrões de indústria, as “fábricas de cabos” atuais). Cabos robustos “por natureza” pra essa largura de banda, em 1.8 metros ou 3 metros (os típicos cabos HDMI). Na prática: aquele cabo Leadership ou Comtac de 19 reais do Extra vão te dar todos os bits, intactos. Ufa, já era hora. Vídeo componente era maravilhoso; mas 5 cabos com pontas RCA, really? Já estávamos enjoados dele(s). E, como era “sinal analógico” (por favor, você entendeu o que quis dizer :-) trafegando, o Clone poderia não ter uma boa malha e… ruído. Já os “cabos de rede” que temos agora transmitindo o stream inteiro… problema resolvido, for good! Porque… é “ruim” fabricar cabo ruim que trafegue só bits hoje em dia.
É como você pedir a Intel pra fabricar um x86 com desempenho de XT nos dias atuais, pois a NASA precisa para seus satélites legado. (curiosidade: até uns anos atrás, a NASA comprava qualquer 8088/8086 que aparecia no ebay, sério, porque havia esgotado todo o estoque da Intel). É o mesmo que acontece com cabo HDMI: é “caro” fazer um tão ruim.
Abração!