Eu não tinha lá muito interesse pelo livro. A sinopse não me instigou e eu estava mais curioso pela popularidade que pelo enredo. Mas aí surgiu a oportunidade de ver o filme, que é um misto de ação com ficção científica (e são tão poucos que os fãs do gênero não pode se dar ao luxo de ignorá-los à toa), e não suporto a idéia de assistir a um filme sem ler o livro antes. Isso coincidiu com a oportunidade de ler como ebook no meu novo tablet (depois falo sobre ele). Então decidi encarar a leitura.
A trama me fisgou logo no primeiro capítulo.
Eu estava esperando uma estória sobre sobrevivência e matança, mas era algo bem mais denso que isso. Quase a metade do livro trata ou da vida sob o regime totalitário da Capital, ou das preparações para o combate. E apesar de ser uma estória que chama mais o interesse do público masculino contada por uma mulher, com um personagem principal também mulher, assim como em Crepúsculo, Suzanne Collins definitivamente não transforma a narrativa em um melodrama que só consegue ser devidamente apreciado (ou suportado) por mulheres, como acontece com Stephenie Meyer*. E não é que eu não goste de sentimentalismo. Muito pelo contrário. Para mim o ponto alto do livro, indiscutivelmente, está neste parágrafo (tradução livre):
“Eu não acho que vá funcionar. Ganhar… não ajudará no meu caso”, diz Peeta.
“E por que não?”, diz Caesar, intrigado.
Peeta fica ruborizado e gagueja. “Porque… porque… ela veio comigo.”
Onde fica claro para a audiência que a vitória dele significa que a mulher por quem ele se apaixonou estará morta.
A autora soube também como criar um jogo mortal verossímil. As regras (quase nenhuma, na verdade), as vantagens obtidas com a ajuda de patrocinadores que vão ficando mais caras à medida que o jogo avança, a audiência. Tudo parece perfeitamente possível de ocorrer sob um governo totalitário qualquer. Até onde sei, poderia estar acontecendo na Coréia do Norte agora, já que o resto do mundo não sabe nada do que acontece por lá mesmo.
Eu pretendo começar a ler o segundo livro da série em breve e já tenho alguns palpites sobre pontos nebulosos da trama:
(naturalmente, se você já leu os três livros sabe se estou certo ou errado, mas não estrague o suspense)
- O pai de Katniss pode não estar realmente morto. Ela diz que ele foi “vaporizado” em um acidente nas minas, então nenhum corpo chegou a ser enterrado. E o pai de Gale “morreu” no mesmo acidente. Que jeito melhor de fugir de um regime totalitário, sem pôr em risco sua família, do que engendrar uma morte em que naturalmente não há corpo para achar ou onde o resgate dos corpos seria considerado apenas como perda de produtividade?
- Eu não acho que o presente da filha do prefeito tenha qualquer intenção de ser apenas um símbolo do distrito 12. Eu acho que ele foi dado a ela para simbolizar algo maior, desconhecido pela capital;
- Cinna tem um papel muito maior nessa estória do que ser apenas um estilista. Não acho que ele tenha “escolhido” o distrito 12 pelo desafio. Seus motivos parecem bem maiores e ele é uma das poucas pessoas (se não for o único em todo o livro) que reconhece como ele e todas as pessoas na Capital parecem desprezíveis. Eu não me surpreenderia nem um pouco se a presença dele ali fosse parte de um plano rebelde nascido na própria Capital. Afinal, não é nada incomum pessoas que cresceram cercadas de luxo e conforto se perguntarem qual o custo dele e começarem a olhar com mais atenção para os menos afortunados;
- Acho difícil o distrito 13 ter realmente sido destruído. Quem iria minerar o grafite com o qual a capital fazia diamantes? Se havia necessidade de grafite antes, não vejo razão para crer que essa necessidade acabou com a rebelião. Um regime totalitário pode perfeitamente esconder a existência de um distrito. Afinal, cada distrito oficialmente existente mal sabe o que ocorre nos outros.
Sobre o filme (vou ser breve)
- Primeiro e mais importante, não gostei dos atores principais. Katniss, Peeta, Rue, Cato… nenhum deles me convenceu;
- Gostei da representação da batalha inicial na cornucópia e das cenas de luta em geral. Não se perdeu tempo (e minha paciência) com coreografias tolas;
- Achei bem fraca a encenação do momento em que Peeta diz que ama Katniss. No livro o momento se faz bem mais relevante;
- Se depender do filme, estou completamente errado sobre o item “2” das minhas suspeitas.
Não é que o filme seja de todo ruim. É perfeitamente assistível e os atores veteranos ajudam muito. Já vi (ou tentei ver) adaptações beeem piores, como a de “I am Number Four”.
*Eu li os dois primeiros livros da saga Crepúsculo. Seria uma excelente estória até para homens, se Stephenie Meyer não gastasse duas páginas só para dizer o quanto Edward é lindo e maravilhoso.
‘Trailer honesto” do filme
http://www.youtube.com/watch?v=_hp_xsUg9ws
Novo tablet? Agora sim
Ótima notícia
Android? “xing-ling” ou alguma marca “oficial”, qual rom/versão?
Já está lendo os gibis no mesmo?
Fiquei mais interessado nisso, mesmo. Foi mal :P
“Eu estava esperando uma estória sobre sobrevivência e matança”: pesquise sobre Battle Royale
É, eu sei. Mas é justamente o que eu não quero ver
edit: ou ler!
Pelo que eu soube, a violência de Battle Royale é bem mais “gráfica”. Eu não sou muito chegado a isso. Prefiro quando o diretor deixa por conta da imaginação da audiência.
Gostei muito do filme, os atores Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson representaram na medida do possível Katniss e Peeta.
Os livros são algo de especial, não são simplistas e tratam de um fundo psicológico que são esquecidos num universo daqueles. Já li duas vezes para melhor compreensão da trama.
A declaração de Peeta no talk show que você citou é matadora, pois abre um novo leque de possibilidades.
Recomendo.
Curioso como tudo é questão de momento ou gosto mesmo.
“I am Number Four” gostei mais do filme que do livro. Para mim foi bem adaptado.
O Jogos vorazes só vi o filme. Algumas vezes não tenho problemas em ver o filme antes do livro.
Isso algumas vezes teve efeito até positivo pois gostei da versão do filme e quando li o livro , acabei gostando de ambos.
Mas isso aconteceu que me lembre em poucos casos. Me lembro no momento só do Caçada ao Outubro Vermelho , Eu sou o Numero Quatro , Jogos Patrioticos , Perigo Real e Imediato…
E o teblet, Jefferson?
TAblet, perdão…