Livros: The Long Earth

Até onde sei esse livro ainda não tem versão em português.

A idéia de universos paralelos não é nenhuma novidade na ficção científica. Dúzias de livros, filmes e estórias em quadrinhos já exploraram esse tema. Mas embora eu mesmo tenha lido e assistido a um monte de estórias diferentes desse tipo, para mim a abordagem usada em The Long Earth foi total novidade e me deixou horas pensando sobre as implicações sociais, políticas e econômicas.

No universo criado por Terry Pratchet (Discworld) e Stephen Baxter, existem possivelmente infinitas Terras (mais de 2 milhões delas foram catalogadas) mas apenas uma, a que conhecemos, é habitada.

Imagine que praticamente de um dia para o outro toda a raça humana aprendesse que pode “saltar” com um pequeno esforço (apenas uns 15 minutos de vômito e enjõo após o salto*, que é instantâneo) para infinitos planetas iguais à Terra, prontos para serem colonizados. Imagine como seria se de uma hora para outra comida, água, petróleo e outros recursos minerais se tornassem infinitos.

*Não é grande problema mesmo. Diariamente incontáveis pessoas passam por pior do que isso só para ter o prazer de uns 20 minutinhos de mergulho no mar.

Uma utopia? Não exatamente. Horas depois da descoberta, terroristas começaram a explorar o fato de que para invadir qualquer local fortemente protegido bastava saltar para uma das duas terras adjacentes (esse “multiverso” se expande em dois sentidos), mover-se até a coordenada do alvo e saltar de volta. Para esse problema até se encontrou uma meia solução, mas com o tempo a economia mundial sofreu um baque. Imagine ouro e diamantes valendo quase o mesmo que areia lavada, porque todo mundo sabe onde estão as grandes jazidas, cidades esvaziadas porque seus habitantes foram “passear” ou viver em outros mundos, governos que não sabem mais como (e de quem) arrecadar impostos…

O tema é tão instigante que mais de uma vez eu me surpreendi analisando os possíveis desdobramentos da estória como se ela fosse real.

Só não posso dar nota dez ao livro porque os autores não souberam criar um enredo realmente à altura do conceito e o livro parece ter sido finalizado às pressas, com uma revisão desleixada. O livro alterna momentos realmente intrigantes com outros que chegam a ser ridículos. E não consegui me apegar aos personagens. Para você ter uma idéia, se o personagem principal da estória morrer não vai fazer nenhuma falta, de tão apático que é. Estou pensando em ler a continuação (The Long War), porém os reviews não são animadores. Parece que os autores conseguiram fazer pior na segunda parte.

Mas ainda assim não deixe de ler The Long Earth se tiver oportunidade. É fascinante.

4 comentários
  • VR5 - 397 Comentários

    Parece muito bom! Será que não poderia virar filme (ou melhor, série de TV)?
    Aproveitando: Jefferson e colegas: chegaram a assistir a série “Sliders”? http://pt.wikipedia.org/wiki/Sliders
    A série (ao meu ver) começou muito bem, mas depois (com a troca de atores) acabou degringolando.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Parece muito bom! Será que não poderia virar filme (ou melhor, série de TV)?

      Eu esqueci de comentar isso no texto. Enquanto lia eu imaginava o que um bom roteirista de seriado poderia fazer com esse tema. Certamente uma série poderia ser melhor que o livro.

       

      Aproveitando: Jefferson e colegas: chegaram a assistir a série “Sliders”? http://pt.wikipedia.org/wiki/Sliders
      A série (ao meu ver) começou muito bem, mas depois (com a troca de atores) acabou degringolando.

      Eu não vi a série, mas troca de atores para fazer o mesmo personagem para mim só funcionou em “Eu, a patroa e as crianças”. Jennifer Freeman é muito melhor de se ver e ouvir que Jazz Raycole no papel de Claire. :D

       

      http://www.youtube.com/watch?v=l99I6GFGq2c

  • VR5 - 397 Comentários

    Não, na verdade não houve troca de atores para fazer o mesmo personagem, mas sim que os atores/personagens iam saindo e iam sendo substituidos por outros atores/personagens…
    A série começou muito bem: um jovem e genial estudante de física acaba topando com seu outro “eu” (de um universo paralelo) que lhe presenteia com um dispositivo para “deslizar” entre infinitos universos paralelos. Mas logo na primeira viajem ele e alguns amigos + seu professor cético acabam desregulando o controle e perdem as coordenadas de seu mundo de origem. Agora eles tem que ir deslizando de universo para universo na expectativa que o próximo “deslizamento” leve para seu mundo.
    Com o passar do tempo os atores vão personagens morrem, “ficam” em algum universo paralelo, desaparecem, etc. e novos personagens/atores os substituem.
    Ao contrário do livro, nesta série quase que 100% das “Terras” paralelas são habitadas, mas nem todas por “homo sapiens”: uma dos “arcos” da série mais fascinantes é quendo os exploradores topam com uma reça que evoluiu numa Terra onde os Neandertais é que evoluiram, e o Homo Sapiens foi extinto: donos de uma tecnologia avançadíssima (mas com uma sociedade que lembra muito a antiga Alemanha nazista) eles, também detentores da tecnologia de “deslizamento” (porém com um preciso controle das coordenadas de cada mundo) vão sistematicamente atacando e conquistando dimensão após dimensão… foi até esta arco que assisti. Depois disso perdi o contato da série. Ela passava nos anos 1990 no antigo Universal Channel na Sky, e não consegui encontrar mais na internet legendas para os DVDRips…

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Não, na verdade não houve troca de atores para fazer o mesmo personagem, mas sim que os atores/personagens iam saindo e iam sendo substituidos por outros atores/personagens…

      Eu me baseei nas fotos desse artigo, que mostram o personagem Quinn Mallory como dois atores completamente diferentes. Mas eu li agora no texto a “explicação científica” para isso.

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