Edge of Tomorrow é um dos melhores filmes que assisti este ano.

Entre outras coisas porque faz você pensar. Ok, não muito, mas considerando os outros filmes desse gênero do lote 2014, até que faz pensar bastante.

Edge-of-Tomorrow-UK-Quad-585x439É interessante testemunhar como o personagem de Tom Cruise, Major Cage, passa de covarde a herói. E o danado é que você acaba se identificando com o covarde. No lugar dele você não estaria se urinando de medo? O cara não teve treinamento, era um oficial da reserva porque pagou a faculdade com uma bolsa militar para oficiais e por isso teve teve que servir por um mínimo de 4 anos  (é o que entendo de ROTC) e saiu da reserva muitos anos depois, após ter perdido sua agência de publicidade quando a guerra começou. Ele era major não por ter merecido isso em combate, mas porque você já sai do ROTC como um oficial e a posição dele como relações públicas das forças armadas durante a guerra não permite que ele tenha uma patente baixa.

Então, não me surpreende que ele comece como um covarde. Mas é bom ver como ele gradativamente deixa de sê-lo para no final assumir o papel de herói e líder.

Na primeira vez que assisti achei que a reação do general à chantagem tivesse sido absurda. Em vez de mandá-lo para uma corte marcial o general efetivamente estava mandando Cage para a morte. Porém depois de ter assistido repetidas vezes e começar a digerir os detalhes, percebi que o general não esperava que a invasão fosse o massacre que foi. E que provavelmente não seria mesmo, mas o que nós espectadores vemos como a “primeira” batalha provavelmente já era o resultado de um dos “resets” do inimigo. A invasão possivelmente foi uma surpresa como esperado, mas quando seu inimigo pode fazer tudo começar de novo…

No primeiro reset Cage parece abobalhado e em nenhum momento se prepara para o que vai acontecer, mas isso também é verossímil. No lugar dele eu pensaria que estava em um sonho ou saindo de um antes de pensar em uma viagem de volta no tempo. Tantas (ou tão poucas) são as explicações possíveis que no primeiro reset é compreensível que você fique quieto, com o cérebro a mil por hora, tentando lidar com os seus sentidos. Depois de compreender o que estava acontencendo Cage tenta de tudo, incluindo não ir para o front e esperar que tudo se resolva sozinho. O que também é compreensível. Imagine que você está em um jogo e tem que tediosamente passar por toda a primeira fase toda vez que morre no início da segunda. Multiplique essa sensação por cem. Imagine como é quando você é o único que aprendeu alguma coisa em cada uma das interações e precisa se apresentar e convencer seus aliados cada uma das vezes. Passar por tudo de novo, e de novo, e de novo… Rita sugere que  enfrentou o mesmo dia “300” vezes.

Mas ao descobrir que o inimigo não está de forma alguma preso ao continente europeu Cage parece notar que a única saída é o enfrentamento.

E por falar em Rita, quando ela diz que viu Hendricks morrer 300 vezes e se lembra de cada detalhe, fica evidente que Cage está passando por exatamente a mesma situação. Não importa o que ele faça, o dia termina com Rita morrendo. Só os detalhes diferem.

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E depois de “conhecê-la” centenas de vezes Cage não quer ver isso acontecer de novo. E olha que a sargento Rita Vrataski, chamada por muitos de “Full Metal Bitch”, não é exatamente uma pessoa amável ou simpática. É interessante notar também que a direção do filme não tentou empurrar no papel nem uma beldade, nem uma personagem de maquiagem impecável. Emily Blunt faz o papel de uma mulher comum, corajosa, que se alistou para lutar e não é nada difícil para o espectador acreditar nisso. Mas eu admito que aquele “facão” roubado de um cosplay de Final Fantasy que ela usa em combate não a ajuda a ser levada a sério a princípio.

E talvez a intenção do diretor tenha sido essa mesmo pois a comédia está em toda parte no filme.

Cage (vestindo o exoesqueleto): Ouça, eu nunca estive em um desses antes

Griff: Eu nunca estive com duas garotas ao mesmo tempo, mas pode apostar que quando o dia chegar, eu farei dar certo.

Caramba, é o primeiro filme de Cruise onde não se faz qualquer tentativa de esconder o quanto ele é baixinho. O próprio diretor diz em entrevista que foi tom Cruise que insistiu que o filme não fosse sério demais e acho que o resultado é bom. Se o filme tivesse o mesmo tom (e principalmente o final) do livro, eu provavelmente não teria gostado tanto. Ok, toda a idéia de “volta no tempo” é forçada pacas, principalmente no final; e a física do exoesqueleto é inacreditável (dar força sobrehumana, tudo bem, mas sobreviver a quedas vestindo uma armadura de centenas de quilos deveria ser ainda mais difícil), mas basta você não pensar muito nisso :)

E é preciso realmente assistir ao filme várias vezes para pegar todos os detalhes. Por exemplo, só na terceira vez que vi a cena foi que percebi a cara de espanto que Griff fez quando Kurtz falou “Yeah, yeah… the Angel of Verdum”. Era a primeira vez que eu via Kurtz (“you dont talk much”) falar no filme inteiro e provavelmente era a primeira vez de Griff também

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7 comentários
  • VR5 - 397 Comentários

    Assisti alguns finais de semana atrás. Tem traços de “O Feitiço do Tempo”, “Tropas Estelares” e até (pelo comportamento dos aliens e pelos disparos dos trajes) de “The Matrix Revolution”. No começo achei que seria uma “bomba”, mas me surpreendeu positivamente!

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  • José Carneiro - 196 Comentários

    Gostei muito!! Mesmo o final sendo quase estatisticamente impossível, mas teria que ser daquela maneira para ficar um pouco mais comercial.
    O filme agrada nos outros aspectos, muito bom.

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  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Eu gostei demais do filme, mesmo que tenham alguns furos, mas são releváveis. Já assisti 2 vezes (1 no cinema e outra em casa depois de baixar por torrent), provavelmente assistirei mais vezes até compreender os detalhes.

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  • Matuto - 106 Comentários

    Eu tô assistindo (novamente) um seriado americano chamado Day Break, que tem um tema parecido, só que num formato mais “policial”.

    O cara acorda todo dia no mesmo dia, só que com sequelas de dia passado (tanto corporais como nas decisões que ele tomou).

    Eu tô achando muito bom.

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    • Saulo Benigno - 279 Comentários

      Day Break é sensacional. Vi quando foi lançado.
      Pena que morreu na primeira temporada. Lembro que na época que foi lançado nem sucesso na TV fez, ele acabou sendo finalizado na internet. O que na época era novidade.

      Muito bom, deu vontade de ver novamente :)

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  • alexandreda silva custodio - 5 Comentários

    Gostei muito do filme, mas achei que o jump final no tempo foi muito forçado, só para fazer um “final feliz” entre o casal. Prefiro ignorar essa parte e fazer de conta que não existiu.

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  • Saulo Benigno - 279 Comentários

    Jefferson, com certeza esse é um dos melhores filmes do ano. Uma pena que não fez sucesso nos EUA. Tom Cruise realmente não faz sucesso lá fora.

    Queria muito que tivesse feito sucesso :) , merece.

    Jefferson, você deveria ter ido ver no IMAX!! Por sinal, você já conheceu o IMAX?

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