Em Automata, não é fácil torcer pelo mocinho.

Automata_posterNa verdade, não há na prática um “mocinho” na estória. O protagonista não luta por uma idéia, ideal, pela verdade nem por um grupo. Inicialmente ele está apenas movido pela curiosidade e talvez um desejo de provar que não está louco. Em seguida tudo o que faz é lutar pela própria sobrevivência e, bem no final, de sua família.

Ao assistir Automata, eu tive a sensação de estar revendo vários filmes e animações de ficção científica, de Blade Runner a Ghost In The Shell, passando por Cherry 2000 (graças a Melanie Grifiti com sua voz de gata miando) e Animatrix. O filme parte de uma premissa interessante e em grande parte é bem executado, mas a brutalidade gratuita da ROC não tem explicação plausível.

Atenção: eu vou revelar parte importante do filme.

No início parece que o executivo da ROC ( o fabricante dos robôs) está puramente escondendo algum crime cometido por sua companhia quando manda matar todo mundo envolvido com o incidente, mas não demora muito para percebermos que aparentemente não há crime algum quando o executivo revela que a inteligência artificial (IA) dos robôs é criação não do homem, mas de uma única entidade de IA ainda superior desenvolvida antes, que eles decidiram desligar mas sem explicar o motivo.

Fica por conta do espectador imaginar essa razão. Ora, a única razão que explica eles terem desligado essa IA superior e ao mesmo perseguirem sem pensar duas vezes suas criações que manifestaram um princípio de sentiência, é o medo da raça humana ser destruída depois de uma singularidade tecnológica (é o terceiro filme este ano que assisto a tocar nesse tema, mas este não o faz explicitamente). Nesse caso eu não posso culpá-los e eu até diria que a ROC representa os mocinhos, se não fossem os assassinatos de inocentes sem qualquer envolvimento com a sentiência dos robôs.

Mas o filme nem tenta tocar nesse assunto. O diretor poderia fazer um filme inteligente, mas decidiu reduzi-lo a mero filme de acão onde robôs inofensivos (por enquanto) são perseguidos por vilões.  Um desperdício.

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