Eu não achei a idéia de Transcendence ruim. Pelo contrário: por um momento eu achei que seria uma ótima estória pra o universo de Terminator. Serviria como explicação para a origem de Skynet se removessemos a viagem no tempo. E enquanto geralmente nós fazemos do assunto “skynet” uma piada, o filme faz ponderações sérias sobre os perigos da chamada “singularidade tecnológica“. De uma forma ou de outra, para o bem ou para o mal, a criação de uma inteligência desse tipo seria o fim da raça humana como a conhecemos.
Mas bem que poderia ter deixado algumas baboseiras de lado.
Toda a idéia ao redor da consciência do Dr. Caster ter sido transferida para a internet “mata” o filme. É implausível, foi conseguida em um tempo inacreditável (acho que o Brasil inteiro não tem a banda de uplink de satélite daquele armazém) e gerou uma série de conclusões idiotas no script:
- Para eliminar a inteligência, temos que eliminar a internet (as nanomáquinas me pareciam algo bem mais assustador) ;
- Eliminando a internet, até a energia do mundo acaba, porque somente nesse script mesmo para o setor de utilidades (tratado como ponto de segurança nacional em qualquer país sério) ter essa fraqueza
Bastava eliminar isso para o filme dar um grande salto em seriedade. Mas já que estamos falando nisso a última cena, no jardim, também não faz sentido algum.
Durante o filme duas vezes um humano pergunta a uma IA “você pode provar que tem consciência de si mesmo (do inglês: self-aware)”? e a IA responde perguntando se o humano pode provar sua própria. Pode parecer para o público em geral que a IA está se esquivando mas na verdade essa é realmente, como afirma a IA, uma questão filosófica muito difícil de responder.
Você pode apontar com certeza o que não é self-aware, mas tudo o que você pensar como prova de que você é, pode ser codificado em um programa de computador.
Seria + – a mesma coisa da “Teoria da Martix (que prova temos que não estamos dentro de uma gigantesca realidade virtual)”?