Finalmente entendi como APKs do Android são nomeadas.

E estava na minha cara o tempo todo.

Eu faço backup freqüente das minhas apps Android e sempre achei bizarros nomes como:

com.google.android.apps.maps.apk

Parte do que me deixou cego para a real interpretação disso é que “COM” é uma tecnologia de programação da Microsoft. Acho que isso criava na minha cabeça o que chamam de “dissonância cognitiva” e a partir daí eu não conseguia mais pensar com clareza.

Na verdade é espantosamente mundano. Isso se chama Reverse Domain Name Notation. “com.google” é simplesmente o espelhamento de “google.com”. Essa notação aparentemente foi criada como uma forma simples de evitar colisões de nomes de objetos (e como bônus identificar a quem pertencem). Cada desenvolvedor, tendo um domínio, usa-o como parte inicial do nome. E os objetos na ordem alfabética ficam agrupados por desenvolvedor.

Aparentemente alguns desenvolvedores sem domínio usam “com.google” também. Isso pode até ser permitido pela Google mas é deselegante demais. Se você não pode pagar R$30 por ano por um domínio, pelo menos use o seu endereço de email como prefixo. Assim um programador com o humilde email eusoufodastico@hotmail.com usaria como prefixo de seus objetos “com.hotmail.eusoufodastico”.

Pensando bem, não sei como a falta de uma convenção dessas não gera um problema no Windows. Tudo bem que ao instalar em Arquivos de Programas você geralmente tem a oportunidade de escolher outro diretório se for notada uma colisão, mas que critérios será que os programas usam na hora de escolher um diretório em “dados de aplicativos”? Afinal, nenhum instalador pergunta a você isso.

18 comentários
  • Gustavo Sarmento - 11 Comentários

    Tchê, acho que isso é um pouco anterior ao Android, pois até o MacOS X usa uma convenção, senão igual, muito parecida com esta…

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      É anterior ao Android, sim. É invenção da Oracle (java). Está no artigo da Wikipedia.

      • Gustavo Sarmento - 11 Comentários

        Verdade. Agora que fui ver o link, e cita o Uniform Type Identifier da Apple.

        • Jefferson - 6.606 Comentários

          A propósito, nomes de domínio deveriam ser assim mesmo. Entre outras coisas ficaria bem mais difícil criar fakes. Tudo da Microsoft começaria com “com.microsoft”. Por exemplo, o host do windows update seria com.microsoft.windowsupdate.

          Hoje os pilantras se aproveitam que o nome de domínio fica “mais adiante” para criar todo tipo de URL complicada para confundir os desatentos.

  • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

    Me chame de preguiçoso por não pesquisar mais sobre, mas me lembro vagamente de ter lido que quem criou o DNS (o nosso formato de endereço que usa para digitar o https://ryan.com.br, queria na verdade que fosse realmente inverso o sistema, tipo http://br.com.ryan . Sendo assim o formato: “protocolo://loc.tipo.nomedositequevocequer” :)

    E lembremos que hoje os “Top Level Domain” (no caso, os .com) hoje permite criar em novos formatos, já leiloados e alguns vendidos. Então, hoje temos o .google por exemplo, e na verdade, até existe o site http://com.google. Aproveite para se divertir ;)

    • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

      Complemento: eu deixei o link do com.google, pensando que ainda estava funcionando uma pegadinha de 1º de abril que eles fizeram, invertendo a página. Provavelmente eles já encerraram a brincadeira, porém o site com.google é o oficial deles, já usando o novo sistema de TLDs personalizados :)

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Essa coisa de TLDs personalizados para mim é palhaçada do ICANN para fazer dinheiro. Não consigo ver ainda como isso pode gerar alguma vantagem para a internet, porque cada gTLD custa a soma proibitiva de 185 mil dólares.

        • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

          Cara, uma coisa que tenho aprendido é evitar de rotular e tentar entender o outro lado. Não digo que é palhaçada ou não do gestor de internet, e não discordo que é uma forma de renda (bem, de certa forma, isso tudo tem que gerar uma renda, né? :) ). Pelo que me lembre, a ideia era que os domínios personalizados tivesse mais foco e segurança. Tipo .bank e você sabe que está em um site de banco. Parece que isso era para ser usado no Brasil, mas não lembro de detalhes.

          Provavelmente com o tempo, a ideia é por exemplo ir digitar .google e pronto, sabe que é um site oficial do Google e qualquer coisa que dê desconfiança de segurança, que já saia na hora.

          Não vejo a soma como proibitiva. Isso é que nem loteamento: o pessoal bota o preço conforme a demanda. Pode ser que um dia abaixe, pode ser que até aumente. Claro que o ideal seria que a oferta de nomes seja para quem tenha um nome igual e compre. Mas quantas pessoas se chamam “Ryan” e vão comprar o .ryan por exemplo?

          Lembrando que é permitido também sublocar (qualquercoisa.nome), logo, isso de certa forma já é cobrado pensando no uso do nome. Uma pesquisa em quem comprou os “nomes-base” (como .house ), já nota que muitos destes TLDs são para loteadores.

          Preciso averiguar mais detalhes, mas também imagino que é possível que TLDs específicas não sejam vendidos, mas repassados (Como o nome do país, por exemplo. .brasil ).

          • Jefferson - 6.606 Comentários

            Eu já tentei entender o outro lado. Houve uma ferrenha discussão no Slashdot meses atrás sobre isso. Vi argumentos dos dois lados e a conclusão a que cheguei é que era palhaçada. O ICANN está loteando a internet para uns poucos big players criarem ainda mais confusão do que já temos.

            Colocar todos os bancos sob .bank poderia ter sido útil nos primórdios da internet, mas hoje é inócuo. Só funcionaria se todos os bancos fizessem a mudança. E os problemas criados são maiores que os benefícios.

            Quem vai comprar o .ryan? A Ryan Air é uma possibilidade. Mas porque ela precisa? Não. Para evitar que algum “aventureiro” o faça.

            Esse é o resultado da proliferação de TLDs. As empresas se sentem compelidas a comprarem múltiplos domínios, mesmo sem precisar deles, para protegerem suas marcas.

            • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

              O ruim nesta história é pensar no seguinte: se o ICANN regula demais e não fornece os TLDs por compra, é acusada de “comunista”, de “reguladora”. Entre “vender-se” ou ser chamada de “fominha” (e com isso permitir a criação de uma nova entidade de regulagem de nomes), acho que a questão de vender acaba sendo a primeira. Até porque se falhar, aí o mercado se autoregula e fala para o ICANN para começar a regular os nomes. :)

              No Brasil, houve muito problema por causa de loteamento de domínio. Salvo engano, a Nic.br já tem procedimentos para evitar este tipo de coisa e também para apaziguar disputas de nome (como quando o globo.com.br era das Panelas Globo por exemplo :) ).

              Quanto a questão de segurança, é isso que fico me perguntando: por que não se adota sistemas padronizados em definitivo para sites que precisam de confiabilidade todal, como sites de bancos e órgãos públicos? É previsto no sistema de TLD brasileiro o b.br que serve para internet banking. Mas não há divulgação ou empenho nisso.

              Pelo menos sabemos que .gov.br e .jus.br são TLDs de serviços públicos, e estes são bem usados :).

              • Jefferson - 6.606 Comentários

                Globo.com.br era das Panelas Globo? Eles receberam uma fortuna pela venda do domínio certo? Porque tomar deles seria uma grande injustiça.

                Na minha opinião, a Rede Globo que registrasse redeglobo.com.br depois e deixasse a Panelas Globo em paz. E é o que a maioria faz. Se uma empresa cria uma marca e o domínio .com está ocupado ela vai atrás do .net? do .info? Claro que não. É mais fácil a empresa mudar de marca ou fazer um jogo de palavras porque os .com tem MUITO mais valor. Os outros TLDs estão lá só para o que eu disse: você compra para se proteger, mas não usa.

                • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

                  Acho que era, posso estar enganado.

                  (pesquisando no WayBackMachine)

                  Realmente estava enganado. Peço desculpas por minha falha. Devo ter visto esta história em algum lugar… ;)

                  O Globo.com.br era do “Sistema Globo de Rádios” (da própria Rede Globo) e depois passou para a mão da própria Globo

            • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

              Complemento: acho que no caso de nomes, vale o marketing também. Para muitos leigos, basta ter o nome na caixa de endereços e está valendo. Tipo sitedebanco .sitequalquerrusso .ru/virus_clique. Basta uma campanha de educação inteligente e a população leiga fica bem mais atenta.

          • Jefferson - 6.606 Comentários

            Por exemplo, o ICANN aprovou e vendeu o gTLD .sucks. Com um nome desses, o que poderia dar errado, né? Pois depois que o comprador começou a lotear por 2500 dólares cada domínio, o ICANN finalmente percebeu a **rda que havia feito. E foi chorar no colo do FTC. Avisos não faltaram.

            • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

              O ICANN falhou “sucks” depois de ter vendido “sucks” :p haha :D Pior se fosse “f**k”, que aí…

              Mas isso é o mercado! Este tipo de coisa não dá para proíbir ou controlar ao extremo, a não ser que a sociedade o queira. Se tal situação acabaria constrangendo alguém, aí sim que se barre.

              E até é bom que o valor de oferta de sub-loteamento seja caro mesmo, já que é um termo bem usado para ofender. Só compraria quem realmente quisesse ofender (e aguentar os processos :p )

              E quanto a valores, tou pensando em uma piada besta com “Sucks”, “F**ks” e locais de aquisição, mas não sou muito fã de fazer (e ler) piadas pesadas e é aquela coisa de respeito. Vai que vem algum moleque e veja a piada que escrevi? :p

            • Vagner Ligeirinho - 29 Comentários

              QUanto a coisa de “comprar para se proteger”, entendi melhor depois de ver uma matéria relacionada: http://www.v3.co.uk/v3-uk/it-sneak-blog/2401099/taylor-swift-and-microsoft-buy-own-name-porn-and-adult-domains

              Nos Estados Unidos, não entendo muito de legislação, mas sei que lá o que manda mais é o dinheiro. Se alguém prejudicar a honra de alguém e esta pessoa tem dinheiro suficiente para acionar o advogado e a justiça, isso já basta para pegar ações de pessoas que fazem besteira na internet. Um outro motivo para ser alvo da justiça lá é pisar no calo do governo, seja com piadinhas infames (ou ameaças de brincadeiras) ou críticas sérias.

              Se bem que certas coisas estão mudando – basta lembrar do caso do cara que ganhou dinheiro com “revenge porn” e hoje está sendo processado e a ponto de ficar um bom tempo na cadeia (acho que já foi o julgamento).

              Aqui, temos uma legislação que permite que se processe pessoas por “crimes contra a honra e a dignidade”. Ou seja, se a pessoa monta um site tipo “ator.c**ao”, se a polícia estiver com vontade e a justiça estiver de olho, o cara vai preso e responde.

              Claro que sabemos que as ações de segurança e justiça no Brasil estão ainda aquém do esperado, mas salvo engano, basta uma boa repercussão, e tudo corre. Pelo menos anda.

  • DQ - 1 Comentário

    Sim, é uma velha convenção Java (alias, anterior à compra da Sun pela Oracle). O mais esquisito (para mim) é que isto se estende à organização de diretório dos fontes. Que tal subdiretórios com nome src/br/com/ryan/projeto onde apenas o último nível tem arquivos? No ambiente de desenvolvimento não existe nenhuma necessidade de você ser dono do domínio (não sei se a loja impõe algo).

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Seja bem vindo de volta, Daniel!

      alias, anterior à compra da Sun pela Oracle

      Putz… eu esqueci que Java não é uma invenção da Oracle!

      O mais esquisito (para mim) é que isto se estende à organização de diretório dos fontes. Que tal subdiretórios com nome src/br/com/ryan/projeto onde apenas o último nível tem arquivos?

      Eu iria xingar todos os dias o autor dessa idéia maldita. Isso é uma perversão!
      Eu acharia estranho, mas aceitável src/br.com.ryan.projeto/

Deixe um comentário para Jefferson Cancelar resposta

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »