O primeiro contato que tive com GoT foi o primeiro volume da série que ganhei de presente do meu amigo José Carneiro. Até então eu desconhecia completamente a obra e seu autor.
Não consegui ir longe. Não devo ter chegado à página 100 (o livro tem 587 contando o apêndice). E olha que eu teimosamente (ainda bem) suportara a maçante primeira metade de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”.
O problema é que intriga me incomoda e isso é abundante na obra, sem nem um fiapo de humor para descontrair. GoT é uma leitura pesada e complicada de acompanhar com tantos personagens de nomes e sobrenomes parecidos, lembrando-me de “O Senhor dos Anéis” apenas nesse aspecto. Sem um gráfico com a árvore genealógica das casas eu não teria ido longe mesmo que conseguisse digerir as intrigas.
Fiquei adiando assistir à série pensando “um dia eu arrumo estômago para ler o livro”. Acabei desistindo do livro este mês por causa da massiva propaganda da quinta temporada na HBO. Assisti a alguns capítulos esparsos quando o canal HBO Signature ficou com sinal aberto para transmitir uma maratona GoT dia e noite e acabei renovando meu interesse pela estória.
Mas continua não sendo fácil. E os “duelos de espadas” nas muitas camas do reino são o menor dos meus problemas.
Do livro eu só lembro da intriga. Na série de TV a violência, a maldade e a crueldade são tão onipresentes que até as cenas de sexo perdem a graça. Temos um que gosta de queimar gente viva, outro que gosta de esfolar gente nada morta… Não se passam 20 minutos sem que você queira estrangular um ou mais personagens confiante de que isso faria um grande bem para a raça humana (ou seja lá o que eles forem em Westeros). Você poderia argumentar que “psicopatas em abundância não são novidade em outras séries”, mas o que torna GoT menos palatável é que os poucos mocinhos raramente tem vitórias. Não existe um equilíbrio entre o bem e o mal em Westeros. E George R. R. Martin tem especial prazer em não ser previsível. Até mesmo quando certos personagens personagens “do mal” morrem é de forma quase mundana ou casual e não por vingança dos mocinhos que eles atormentaram. A audiência assiste um episódio atrás do outro sem sentir o prazer de uma vitória sequer (a não ser que você esteja torcendo por tipos como Joffrey e Ramsay, é claro). Não perdoa J. K. Rowling por ter matado Dumbledore? George R. R. Martin é capaz de matar uma dúzia de Dumbledores por volume da série! Qualquer semelhança com o Senhor dos Anéis nesse aspecto é mera alucinação.
Por outro lado a estória é interessante e os valores de produção são altos. Do puro dinheiro mesmo à competência dos atores e direção. GoT me cria o estranho problema de ser uma estória que quero acompanhar, mas tenho que “respirar fundo” para assistir.

SPOILERS: Gosto muito da série, mas sempre me parece que falta um “algo a mais” para ela ser épica… sei lá: queria mais batalhas, mais efeitos especiais (a batalha na Muralha com os gigantes foi uma excelente exceção!)… queria uma coisa mais “Senhor dos Anéis”, se é que me entendem… e mais uma: pela quantidade de personagens, suas características e as informações passadas, a série deveria ter muitos episódios a mais por temporada…