Eu juro que tentei gostar de Star Trek: Beyond

Mas não deu.

A expectativa era elevada. Afinal decidiram fazer de conta que o segundo filme não existiu e não dava para fazer algo pior que Into The Darkness, certo?

Certo?

Aummmmm…

Por onde começo?

  • O filme tenta demais ser engraçado e exagera. O encontro de Kirk com os Teenaxi e o de Scott com Jayla são exemplos embaraçosos disso;
  • Eu entendo que apreciar um filme de ficção científica pode requerer altas doses de suspensão de descrença. Estou pronto para aceitar a gravidade artificial (porque é necessário para não engessar a maioria das tramas), que do espaço os sensores da Enterprise possam dizer ser há vida no planeta e onde e até localizar com precisão de metros um objeto minimamente radioativo (seguro para humanos) do tamanho de um ovo de codorna. Mas eu não acho que isso autorize o roteirista a me tratar como idiota e exigir que eu ignore tanto, tantas vezes e desnecessariamente os princípios fundamentais da física. Principalmente aqueles que um ser humano não pode ignorar se quiser viver. Eles nem tentam dizer que as naves, os salva-vidas e até os torpedos da enterprise são feitos de um tipo especial de borracha espacial capaz de anular os efeitos da inércia. Eles querem que eu veja gente saindo ilesa dos impactos sem que isso me distraia. Pior que isso é não haver consistência: Scott pode se salvar da queda de dezenas de quilômetros desde o espaço até a superfície do planeta dentro de um torpedo adaptado às pressas, mas aqueles últimos 200 metros de queda é que o teriam matado, né? Acho que “passar do chão” é o que mata no universo desse pessoal;
  • Não podemos esquecer os drones minúsculos que tem sua própria atmosfera e que podem abrir uma porta para o espaço sem sufocar Bones e Spock. Duas vezes!
  • O alto comando da federação é retratado como palerma. O quê? uma fêmea de uma espécie desconhecida chega pedindo ajuda que requer atravessar uma perigosa nebula que vai bloquear comunicações e ingressar em território nunca mapeado e o que fazem? Claro! Agora mesmo! Vamos mandar nossa melhor nave! E com a tripulação completa!
  • Kirk é retratado como um palerma. Ao chegar nas vizinhanças de um planeta desconhecido eles são recebidos por uma força desconhecida. O que um comandante da frota estelar (aquela organização que supostamente é não-militar e atua como força de paz interestelar) deveria fazer? Recuar imediatamente, certo? O que Kirk faz? Ataca com tudo o que tem o que bem poderia ser (e de certa forma era mesmo) a força de defesa do planeta. Macacos me mordam, eu fiquei pensando na cadeira: recue, recue, RECUE! (eu estava ainda acreditando na seriedade do roteirista) E Kirk só tentou fazer isso quando percebeu que não era o maior cachorro naquela briga e não tinha mais como;
  • Kirk tem uma idéia insana para fugir do planeta. Ele testa primeiro com a tripulação não essencial a salvo em algum lugar, já que o teletransporte está funcionando e o inimigo já está saindo do planeta mesmo? Claro que não. O filme só fica emocionante se você testar suas idéias insanas com toda a tripulação dentro da nave!
  • Se você é obrigado a atravessar uma nebula é porque ela é tão enormemente larga que mesmo a velocidade de warp contorná-la levaria tempo demais. Mas no final do filme o diretor dá a impressão de que a estação Yorktown foi construída bem pertinho da nebula, o que seria algo bastante questionável do ponto de vista da segurança de todos os que vivem ali. O espaço é enorme! Onde será que devemos construir nossa imensa estação espacial e entulhar com milhões de civis? Bem do lado dessa imensa parede cujo outro lado não podemos ver e nossos sensores não alcançam, claro!
  • Mas que “arma suprema” idiota…
  • E que vilão sem graça é esse, gente!? Tragam Khan de volta!

Assistir de novo a um episódio qualquer de Enterprise é um uso muito melhor do meu tempo que ver esse filme. E olha que eu assisti a Star Trek 2009 umas cinco vezes e apreciei todas elas.

O que se salva no filme? A cena em que Bones e Spock discutem sobre o colar de Uhura.

 

 

5 comentários
  • Jose Carneiro De Jesus Neto - 198 Comentários

    O roteiro é de Simon Pegg, não esperava outra coisa em relação à comédia.
    O filme é realmente fraco, mas ainda assim é melhor que o segundo, o que não é muito difícil.
    Acrescente o fato da história ser extremamente previsível, não tem como não juntar os fatos da nave perdida estar no planeta junto com os vilões.
    Não gosto da série, por isso talvez não tenha referência para comparar, mas pelas cenas de ação eu achei divertido.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      E não é que eu não notei a relação?

      Se o roteiro fosse mais inteligente eu provavelmente teria imaginado que havia mais alguma coisa ali. Mas quando chegou naquele ponto do filme minha reação foi apenas “noooossa… que conveniente…” e não pensei mais no assunto.

  • Rodrigo - 2 Comentários

    Caramba Ryan. Se vc gostou do de 2009 e não gostou desse. Acho que vou continuar a fingir que esse filme não existe

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Isso não quer dizer que você não gostaria. “Gosto” é um troço muuuuuuito subjetivo :)

      • Rodrigo - 2 Comentários

        É que o de 2009 eu não gostei.
        Into the Darkness saí ofendido do cinema (achando que o diretor não respeita a inteligencia de ninguem) e prometi a mim mesmo não ir mais ver essas novas versões no cinema.
        Pensei até em procurar para ver essa de 2016. Mas depois da sua crítica (que sempre respeitei pois concordo com elas normalmente. Sendo que eu me acho até mais “chato” que voce).
        Bem, tenho outras coisas para ver e esse novo reboot não vale a pena gastar tempo vendo.

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