Isso ocorreu em 2010. Eu tinha ido atender a um cliente novo em sua residência em um bairro distante que eu não conhecia e normalmente não atenderia, se não fosse a sobrinha de um cliente antigo.
O atendimento terminou por volta das 23h30. Eu decidi não voltar por Boa Viagem porque apesar de ser um caminho “nobre” seria mais lento, com muitos sinais de trânsito e por isso mesmo muitas oportunidades de ser assaltado. O outro caminho, por rodovias, era deserto mas rápido. E eu conhecia o caminho por já ter passado por ele umas duas ou três vezes. Mas nessas vezes sempre usara esse caminho no sentido oposto.
Meu objetivo era a Estrada de Curcurana, que você vê indo de um lado a outro do mapa abaixo. São cerca de 4km de extensão. Clique para abrir no Google Maps.
O problema começou quando eu virei à esquerda no ponto A onde deveria ter virado à direita. Meu objetivo era chegar a D. De dia no mínimo eu teria identificado onde era o mar pelo horizonte, mas à noite não deu.
Depois de ter rodado bastante sem encontrar nada familiar e indo parar numa rua sem saída em B decidi que havia me perdido e voltar por Boa Viagem mesmo. Porém na volta eu passei direto pelo ponto A e a coisa desandou de vez. Foi o meu segundo e mais sério erro. Eu não sabia mais como voltar nem que já estava na Estrada de Curcurana, que eu conhecia vagamente apenas de dia. Com isso eu saberia que bastava seguir em frente. Eu tinha um mapa na mala do carro mas nem parecia seguro eu parar para tentar me orientar nem eu tinha certeza de que conseguiria, sem saber onde estava.
À minha direita não havia nada além de um grande vazio pontuado por árvores aqui e ali. No escuro parecia com o litoral mas para estar com o litoral à minha direita sem ter encontrado ainda o caminho por onde eu tinha vindo algo tinha que estar muito errado no meu senso de orientação.
A paisagem como se vê hoje, no Google Street View. Mesmo de dia é fácil confundir com o caminho para o litoral:

À minha esquerda residências, bares, pontos comerciais, ruas…
Mas não se via uma única pessoa em lugar nenhum.
Eu comecei a entrar em pânico. Que espécie de bairro residencial de periferia é esse onde às 23h30 não se vê ninguém nas ruas? No meu bairro você chega às duas da manhã e ainda tem gente conversando nas esquinas ou bebendo em bares.
E eu tinha que rodar devagar porque na estrada onde não tinha buracos tinha lombadas. Não era hora nem lugar para perder um pneu. E parecia não terminar nunca!
Finalmente eu vi as luzes traseiras de um carro à distância e acelerei. Pelo menos eu não estava sozinho. Quando cheguei perto o bastante o alívio: era uma viatura da polícia! Desacelerei e decidi acompanhá-lo até algum lugar que tivesse vida. Algumas dezenas de metros depois, aproximadamente no ponto C a viatura encostou e fez sinal para que eu ultrapassasse. Então eu parei do lado para pedir instruções. Nunca vou esquecer a cena.
O carro estava lotado e a única pessoa que não estava olhando para mim por trás de uma máscara era o motorista!
Sem querer demonstrar nenhuma surpresa, falei que estava perdido e perguntei como chegar ao primeiro ponto de referência que eu conhecia. Mascarados e motorista responderam com tranquilidade: era só seguir em frente. Agradeci e fui embora.
Que espécie de lugar é esse onde a polícia faz ronda mascarada?!
Aí eu comprei meu navegador GPS. Foi a primeira e última vez em que eu me meti numa situação dessas.

Caramba, que tenso!

Pra melhorar, um monte de mascarado que você certamente não quer passar a imagem errada
Exato. Depois eu fiquei pensando se eles mandaram que eu ultrapassasse porque estavam desconfiados de mim. E que quando eu encostei do lado provavelmente havia uma escopeta apontada para mim de dentro da viatura.
Ainda que você foi bem “atendido” pela Policia.
Com pequenos problemas elétricos no carro, em um bairro nobre (Alphaville) – coisa de 10 km de onde eu moro. Durante uma madrugada – junto com um amigo após sair e comer um lanche no Mac – o carro não queria pegar. Bateria me deixou na mão. E nada da partida funcionar.
Com um amigo empurrando rua abaixo na tentativa de que aquilo iria resolver o problema. Eis que vejo a viatura da PM. Fiz a mesma coisa encostei ao lado, dei o boa noite e pedi orientação de algum posto de gasolina ou mesmo socorro (bairro nobre tem apoio e etc coisa de primeiro mundo) por um acaso sempre tenho o cabo pra situações assim – usei com o policial a expressão.
Preciso de ajuda pra fazer uma chupeta e o carro funcionar. Os senhores podem me auxiliar.
Rapaz – as 3 da matina – fui revistado abordado e quase tomei um tiro ou apanhei. Estava cansado com sono, empurrando carro – olho vermelho ( afinal deveria estar dormindo né ) e imagina – além de perguntas como: o que você fumou, essa erva ai … vagabundo a essa hora empurrando carro, cade os documentos. bla bla bla. A tal da chupeta foi a gota pro cara.
Que diabos vc pensa que somos, viados, que vamos te fazer uma chupeta sua bicha … o nome do diabo do cabo é – cabo de ligação direta em corrente continua.
Jamais esquecerei … só escapei porque um estabelecimento ( balada ) abriu as portas e muita gente na tal rua deserta resolveu sair. Segurança do local viu a situação e os PMs se foram. E fui auxiliado pelos seguranças sem o menor problema.
Ygor, lamento que isso tenha acontecido com você. O policial com esse comportamento deveria ser severamente punido. Uma guarnição inteira? Expulsão. E isso sem contar com a responsabilidade civil e criminal.