Bright se passa em uma realidade alternativa onde personagens de fantasia como orcs, elfos, centauros e fadas são parte da sociedade e dois mil anos atrás em vez de Jesus Cristo (“The Lord”) o mundo conheceu (e derrotou) um elfo maligno chamado Dark Lord. O filme é rico em detalhes e cheio de possibilidades. Gostei da maquiagem, dos efeitos especiais, da música, da fotografia e dos personagens mas parte do roteiro, em especial as partes relacionadas com a varinha mágica, é um desastre de lógica que arrisca descarrilar nossa imersão o tempo todo.
Nota: eu acho que a tradução oficial de “magic wand” como “varinha mágica” é infeliz, já trazendo o peso de uma conotação infantil, apesar de wand ser um objeto real que essencialmente nada tem a ver com crianças. Mas para quem não gosta de fantasia isso não faz diferença mesmo porque todo o conceito vai parecer infantil de qualquer forma.
Os críticos detonaram o filme, mas como o modelo de mercado da Netflix não se importa com isso já foi anunciada a produção de Bright 2. Eu espero que nessa continuação eles evitem responder a grande questão que ficou no ar ao final de Bright: “como é que os orcs se reproduzem?”. 
Teria tido como certa inspiração o filme (e a série homônima) “Alien Nation”?
É difícil dizer, mas foi a primeira coisa em que pensei ao ver o trailer.
Eu vou apontar os vários problemas de roteiro relacionados com a varinha. SPOILER ALERT: Se pretende assistir ao filme, não leia.
Tikka claramente faz um carro explodir (acidentalmente) com a varinha. E no final do filme todo mundo fica surpreso ao saber que ela é uma Bright? Sim, ela está usando luvas quando isso acontece, mas como então ela explodiu o carro?
Tikka tem o treinamento para criar uma obra de arte pós-moderna com o corpo de sua perseguidora, regenerar o corpo de Jakoby e trazê-lo de volta à vida usando a varinha, mas não para fugir da polícia?
Se a varinha é um artefato tão poderoso e raro por que Leilah a entregou a outra elfo para caçar Tikka com ela. Não é que Leilah gostasse dessa outra elfo, pela forma como a matou. E a varinha não pode sequer ficar alguns minutos de carro longe de sua “dona” então que sentido faz delegar uma missão com ela?
Por que Tikka se rende e entrega a varinha à policia, mesmo tendo ficado claro no final que ela não confiava na polícia?
Se a varinha é um artefato tão poderoso, como a posse dela por uma elfo maligna como Leilah não gerou caos no mundo? Afinal o agente Kandomere diz que a está caçando há 20 anos.
Muitos problemas podem ser explicados se for estabelecido que usar a varinha tem “um preço”. Isso fica mais ou menos implícito depois que Tikka ressuscita Jakoby (não está claro, porque Tikka pode ter ficado doente por ter usado a varinha que já está “ligada” a outro Bright (Leilah), mas o roteiro precisa estabelecer esse preço, que aparentemente deve ser menor quando se usa a varinha para matar/destruir ou depende da experiência do usuário, o que pode também explicar porque a própria Leilah não podia ser o “Dark Lord” mas apenas um de seus seguidores.
Isso é do que me lembro agora, uma semana depois de ter assistido. Se eu assistir outra vez devo poder citar outros problemas.