É do tipo que eu mais gosto: o que mesmo sem ser pretensioso faz você pensar e te obriga a prestar atenção senão você perde alguma coisa.
Eu me surpreendi ao reconhecer Gaff idoso e depois notar sua semelhança com Edward James Olmos. Fiquei mas espantado ainda ao descobrir que o mesmo ator fez o papel em 1982. Eu nunca notara qualquer semelhança entre Gaff e o Comandante Adama.
No filme original o tema da escravidão quase não era notado por causa da ênfase no fato de que Deckard caçava seres perigosos. O filme já começa com um dos replicantes matando um humano violentamente e pelo que me recordo o ponto de vista da estória é basicamente o dos humanos. Já BR2049 é praticamente do ponto de vista dos replicantes e o tema da escravidão é explicito. Até quando Wallace chama suas criações de “anjos” isso parece ter uma ambiguidade proposital. No início você pensa que ele as chama assim por serem mulheres lindas ou algo assim, mas quando você se dá conta de que ele almeja ser (ou superar) Deus, fica claro o duplo sentido. Afinal anjos não são “escravos” também?
Assisti entre ontem e hoje: realmente muito bom. Apenas acho que o personagem de Gosling (K) deveria ter um pouco mais de emoção… sei que foi proposital, mas ele ficou “sisudo” demais no filme. No mais ele retratou magistralmente o mundo tecnológico, mas ao mesmo tempo “retrô” e decadente que a humanidade se transformou… um mundo onde paradoxalmente a personagem mais “humana” é justamente uma IA holográfica (Joi)… e viu que bacana a recriação digital de Rachel (Sean Young)?
Eu não me incomodei porque acho apropriado. Nesse universo emoção é algo praticamente restrito aos replicantes ilegais.
Note que no Blade Runner original Rachel era supostamente o único replicante “legal” que vimos em todo o filme e sua falta de emoção também era de um contraste claro com os replicantes ilegais.
Certamente foi melhor que a da Princesa Leia e aquela coisa grotesca que fizeram com Tarkin em Rogue One. Mas note que a falta de emoção de Rachel ajuda.