Eu não estou falando de “errar”. Isso, durante uma missão, não é direito do astronauta mesmo.
Alguma coisa a que assisti recentemente fez menção a “todo mundo tem direito a uma segunda chance” e eu estava ponderando sobre essa idéia quando me lembrei do caso da astronauta especialista em robótica Lisa Nowak de 43 anos que em 2007 espantou a NASA e o resto do mundo com uma inacreditável crise de ciúmes. Resumindo, ela dirigiu 1700km supostamente usando fraldas geriátricas para não ter que parar em lugar nenhum, com a intenção de seqüestrar ainda no aeroporto sua rival no relacionamento com um oficial da força aérea. No seu carro a polícia encontrou peruca, capa, facas, uma pistola de ar e spray de pimenta entre outros itens.
Ora, o caso não poderia ter menos a ver com sua condição de astronauta, mas você mandaria outra vez para uma missão no espaço uma pessoa capaz de fazer algo desse tipo de uma hora para outra? O pessoal da NASA certamente não e um mês depois da prisão ela não era mais astronauta. Ela pode ser perdoada pelo seu erro, claro (em um certo nível), mas não existe nenhuma quantidade de desculpas e acompanhamento psicológico/psiquiátrico que a tornem apta a dividir de novo uma cápsula espacial de milhões de dólares com outros seres humanos. Menos de um ano antes ela passara treze dias na estação espacial internacional (que tem um custo estimado de cem bilhões de dólares) como engenheira de vôo.
Astronautas, para todos os efeitos práticos, tem um tipo muito especial de loucura para se submeterem a passar semanas ou meses isolados do resto do mundo e permanentemente sob risco de vida. A loucura deles é especial por ser absolutamente previsível. Qualquer outro tipo de comportamento insano não pode ser perdoado pela agência responsável por trazer todo mundo de volta vivo.
E certamente não é o único caso onde “todo mundo tem direito a uma segunda chance” não faz sentido.
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