Eu só fiquei sabendo dessa presepada depois do comentário de Intruder_A6 em outro post. Houve novo adiamento mas isso não me deixa mais contente com a decisão que determina que toda a frota tenha as novas placas até 2023. Ou seja, em cinco anos todo mundo vai ter que mudar as placas do seu carro. E pagar pelo privilégio com tempo e dinheiro do cidadão.
Ainda se fosse barato e fácil… mas definitivamente não é. No mínimo custa R$151 em Recife e da última vez que tive que fazer isso, já vigorando as novas placas refletivas, perdi uma manhã inteira e tive que entrar em fila sete vezes só no Detran (duas para vistoria do veículo), fora a fila na empresa de emplacamento. É certo que o fato de eu ter decidido re-emplacar depois de ter sido multado por placa “ilegível” (só porque o agente queria propina, que não dei) pode ter complicado o processo, mas não creio que mude muita coisa, porque trocar a placa traseira sempre exige vistoria do veículo.
Alguém se lembra dos bons tempos quando para comprar uma placa nova bastava ir a uma empresa de emplacamento com o veículo?
E essas placas tem “chip”. É óbvio que vão custar mais caro e vai ter mais burocracia, né?
Eu me pergunto: por que raios essa obrigatoriedade não vale apenas para quem desejar cruzar uma fronteira com seu carro? Por que o Brasil inteiro? Eu não poderia estar mais longe de uma fronteira, morando aqui em Recife.
Como sempre, é preciso adotar a metodologia policial para entender uma decisão dessas e se perguntar “who benefits?” (“quem se beneficia?”). Meus palpites: as empresas de software que estão fazendo o upgrade do sistema do governo (tenho grande chance de estar certo ao suspeitar que não é o Serpro), os Detrans, cuja ânsia por taxas está ficando cada vez mais óbvia, e os fabricantes de placas.
Benefício para a população? Não consigo ver.
Se o Brasil fosse sério o procedimento de reemplacamento seria feito exclusivamente nas empresas de placas, que teriam funcionário qualificado para conferir documentos do veículo e o proprietário registrado receberia um telefonema do Detran em telefone registrado no cadastro para confirmar a confecção das placas. Ora, na pior das hipóteses (R$ 87 por ano ainda é muito caro) assinar a compra das placas com um certificado digital pessoal deveria ser o bastante, mais seguro e com muito mais eficiência que o processo atual. Mas sempre seria bom mandar um aviso para o proprietário registrado (e anexar essa informação ao histórico do veículo visível em consultas públicas) de que placas foram confeccionadas em seu nome, para evitar fraudes.
Eu não sei qual o propósito da vistoria prévia do veículo além da óbvia conferência do número do chassis com a placa, mas isso é algo que a empresa emplacadora poderia ter o treinamento para fazer. Na vistoria eles tiram uma foto do número do chassis para anexar ao processo, que é algo que qualquer um pode fazer.
Olá Jefferson,
Eu acompanho seu blog faz vários anos (desde a época do falecido Buzz) mas acho que nunca comentei.
Sobre as placas, concordo com você que o procedimento de renovação é um saco e precisa ser melhorado. Muita burocracia e perda de tempo em fila, além da localização do detran, que na minha cidade é quase fora da cidade, e de ser caro.
Mas acho que deveria trocar sim, as nossas placas não tem identificação de qual país elas são e as pessoas ficam confusas em outros lugares da América do Sul. Além do que pra tentar fortalecer essa integração regional com o Mercosul. A Argentina já tem e estamos atrasados em vários anos nessa implantação.
Ab
Você está falando apenas de um carro brasileiro circulando em outro país, certo?
Porque aí eu acho o óbvio ululante. Sequer consigo compreender como é possível um carro emplacado no Brasil circular livremente na argentina.
EU que não me arrisco a circular na Argentina de carro (nem com essa placa nova)… no Uruguai tudo bem: tive amigos que foram para lá de carro e beleza, mas a Argentina é famosa pala corrupção dos seus agentes rodoviários, onde se tu for parado por eles SEMPRE vão achar um motivo para tentar te passar uma multa e daí pedir uma “ajudinha” para não o fazer… TALVEZ isso ajudaria a polícia dos estados do Sul a fiscalizar melhor os argentinos que vem para cá na época de verão e fazem verdadeiras barbaridades no trânsito… aqui no RS conhecemos bem os “Hermanos”…
Na verdade, se você for pesquisar em blogs de viagem e etc. Os relatos dos mais corruptos estão, na verdade, na Bolívia. Na Argentina os policiais são, em geral, mais corretos.
Para colocar a coisa em perspectiva, dependendo da fonte que você consulte a frota de veículos no Brasil é de entre 43 milhões e 65 milhões de veículos. Por alto isso dá uma receita de entre 1.3 e 2 bilhões de reais por ano até 2023 somente para essa troca absurda de placas.
É importante reiterar que minha bronca é a com a troca obrigatória de toda a frota. Eu não vejo nenhum problema (pois acho o óbvio gritante) com o brasileiro que quer circular nos países vizinhos com seu veículo ter que fazer um emplacamento internacional.
O MPF do Amazonas instaurou inquérito mas não estou contente com os motivos dados na reportagem, que sugere que basta que o Contran/Denatran prove que as bases de dados de todos os países do Mercosul estão interligadas para esse abuso ter o sinal verde da instituição.
Hoje vi uma reportagem onde um representante do Detran de Pernambuco afirmou que por a nova placa não ter selo nem película refletiva espera-se que ela custe 50% do que custa a placa atual.
Só acredito vendo.
Parece que a medida foi adiada, e só vale pros carros novos. Os antigos não vão ter que trocar…
Se os antigos não vão ter que trocar e as placas custarem mais barato, acabam minhas objeções.