Aqui em Recife a BR101 está passando por uma reforma e longos trechos de uma das pistas estão sendo alternadamente interditados e enquanto isso a outra pista vira mão dupla. Eu passo pouco pelo local e mesmo assim flagrei motoristas dirigindo pelos trechos interditados para evitar o engarrafamento, ignorando as placas de proibição. E na contramão. Na ausência de alguém com poder de multar os maus exemplos vão se multiplicando.
Hoje eu precisei passar pelo local e por sorte minha um desses trechos, de 2.5km, tinha sido liberado para o tráfego. Ia chegar mais cedo ao meu destino que o esperado. O que eu encontrei na pista foi de cair o queixo: um veículo vindo em minha direção na contramão, às 7 da manhã de uma sexta com céu claro. Eu fiquei tão espantado que achei que eu é que estava errado e conferi à minha esquerda: não, eu não estava na contramão, pois a pista da esquerda estava liberada e com tráfego. Saí da frente do sujeito, que passou por mim e por todos os outros carros como se não estivesse fazendo nada de errado. Olhei pelo retrovisor e vi um funcionário uniformizado da empreiteira fazendo sinais com os braços pro veículo, mas parece que ele também foi ignorado.
Vamos listar os problemas:
- Naquela pista nunca foi permitido trafegar naquele sentido;
- Rodovia nova. Todo mundo poderia estar trafegando em alta velocidade (mas ninguém estava, provavelmente com receio do que pudesse encontrar);
- A outra pista não estava congestionada;
- O sol já tinha aparecido há duas horas;
- Não chovia;
- Hora do rush;
- Recife não tem neblina;
- Por causa das obras não havia mato entre as pistas.
De dia, sem neblina, sem chuva e sem obstáculos o motorista podia ver claramente à sua frente as duas pistas por pelo menos 500m mesmo sendo um trecho sinuoso. Eu vi o veículo na contramão quando ele ainda estava bem longe. Mesmo que aquele trecho tivesse sido liberado exatamente naquela hora e aquele fosse simplesmente um dos espertalhões que corriqueiramente estavam usando o trecho irregularmente na contramão, com aquele mundo de veículos na direção contrária e toda a visibilidade qualquer espertalhão “são” teria dado meia volta antes mesmo de percorrer 50m.
Eu já me deparara outras vezes com motoristas dirigindo na contramão em rodovias, mas sempre à noite e havia uma razão “justa” para o erro (mudança mal sinalizada de pista única para dupla em trecho com iluminação deficiente).
O que eu encontro menos de um minuto depois? Outro veículo na contramão!
É uma experiência surreal.
Fui até o fim do trecho liberado tentando ver como alguém poderia ter entrado ali por acidente e não consegui. Todas as placas estavam no sentido correto e no único lugar onde eles poderiam entrar por engano havia uma grande placa voltada para eles dizendo que o sentido era proibido. Só que no Brasil essas placas são só para “trouxas”, né?
Pena que hoje eu não estava com a minha câmera veicular ligada 
O que me deixa mais irritado é a certeza de que o único jeito de dar punição para esses sujeitos é se acabarem batendo de frente com alguém.
Este tipo de animal não merece viver, pois a vida duma desgraça destas é uma ameaça as outras pessoas. Eu só torço para que este tipo de “gente” acabe batendo contra uma carreta de frente, só assim ele teria um destino mais do que merecido, e se existe inferno, o diabo o receberia de braços abertos!
O que você sugere parece radical mas se pensarmos que esse é o tipo de infração onde o sujeito estar sóbrio é agravante…
Radical até você ter alguém da sua família vítima de um criminoso desses!
Eu quase morri na década de 80 por causa de um IMBECIL deste tipo, fazendo uma contramão numa pista de velocidade e de mão única, AV. Magalhães Neto aqui em Salvador, batendo na minha moto. Por causa deste evento eu fraturei os dois ossos do braço direito, o rádio e o cúbito na altura do punho, empenei totalmente uma moto CB400. Este foi o evento que me fez largar em definitivo as motos mesmo ainda gostando muito delas. Não morri por pouco, muito pouco! Mas o trauma psicológico e uma pequena sequela física ficaram para sempre!
Um IMBECIL quando decide andar na contramão é a mesma coisa que atirar numa multidão sem mirar, em algum momento vai acabar matando alguém, é só questão de tempo! Este tipo de crime tem que ser combatido com o máximo rigor!
Pô, e o motorista da carreta, não tem família?
O sujeito tinha é que bater numa mureta de concreto, bem rígida, pra não sobrar nada mesmo!
Em teoria, as peças de concreto usadas em divisão de rodovias são desenhadas, por incrível que pareça, para amortecer o impacto “defletindo” o veículo. A base é mais grossa e com uma inclinação na altura certa para fazer com que o veículo ao bater amasse a lataria mas ao chegar nas rodas o veículo tenda a subir.
Se a idéia é fazer com que o sujeito ganhe um prêmio Darwin, desejar que ele bata em um caminhão de lixo tem um resultado muito melhor!
Eu sei, e nesse caso, faz sentido que a barreira seja feita para minimizar o dano no carro.
Eu estava falando de uma barreira como esta aqui:
Minha revolta (talvez esta seja uma palavra até forte, mas na falta de outra…) é que, mesmo que em teoria o caminhão seja menos propenso a ser totalmente destruído do que um carro de passeio numa colisão dessas, ainda assim o motorista pode sofrer algum ferimento, sem contar a consciência pesada de ter participado da morte de alguém, mesmo que não tenha culpa. Mesmo sem matar a outra pessoa, não deixa de ser uma sacanagem de quem se mata dessa forma. Eu considero o mesmo quando alguém se mata pulando na frente de um trem. Por mais que o maquinista não tenha nenhuma culpa, eu acredito que ele acaba mexido de alguma forma.
Assim seria perfeito! Mas eu acho que excetuando a entrada de um túnel as chances de encontrar uma barreira maciça desse tipo às margens de uma rodovia são muito pequenas.
E isso também é esperado.
Não acho que quem vai na contramão como você e o Intruder descreveram vá encontrar obstáculos do tipo da barreira de concreto no caminho, somente os demais carros e caminhões. Só estou dizendo que se ele quer fazer uma merda dessas, seria muito bom se ele pudesse se matar sozinho.
A propósito, a engenharia por trás dos guard rails é fascinante.
Esta avenida na época tinha o limite de velocidade de 80km/h (hoje é 70), e eu só não morri porque eu sempre andava razoavelmente protegido na moto (hoje o pessoal usa quase uma armadura para proteger a coluna), com capacete, calça jeans grossa, e blusão de couro.
Além das fraturas, eu fiquei roxo nas cochas por causa do impacto contra os tanque de combustível da moto e acabei projetado fora da moto por cima do carro, o que me salvou de verdade, além do capacete que trincou mas fez a sua função, e o blusão, que me protegeram do asfalto na queda!