O filme Annihilation (2018) é melhor que o livro

Não que isso signifique grande coisa se você der uma olhada na minha opinião sobre a trilogia. Mas o roteiro do filme é muito diferente e apesar de criar novos problemas ele evita os dos livros, que ao meu ver são piores.

Principais diferenças

  • No livro quem volta não é a bióloga, é sua cópia. E isso apenas no livro 2. E esta deixa claro isso desde o começo apesar da agência não entender o que ela quer dizer com a lacônica declaração “não sou a bióloga”;
  • No livro ninguém na expedição é chamado pelo nome, só pelo cargo na equipe: bióloga, psicóloga, antropóloga, lingüista e “surveyor” (não estou certo de como traduzir, já que essa também era a única militar e a única realmente bem armada da equipe). As pessoas são estritamente condicionadas a não usarem nomes desde o treinamento, porque supostamente foi determinado que “nomes tem poder” dentro da Area X e que é melhor que nomes próprios não sejam pronunciados lá dentro, mas o autor também não se deu ao trabalho de descrever o que acontece;
  • No livro só é possível entrar na área X por uma “porta”, que apareceu algum tempo após a criação da região e a passagem por ela tem um efeito que requer que as pessoas passem sob hipnose. O autor não se deu ao trabalho de explicar que efeito é esse além de uma sugestão no terceiro livro de que as pessoas vêem alucinações. Qualquer tentativa de entrar na área por outro ponto resulta em desaparecimento exceto no terceiro livro onde a cópia da bióloga revela outra passagem pelo chão que dá para a praia dentro da área X. Voltar também só é possível pela porta;
  • No livro a palavra “Annihilation” é o gatilho da sugestão hipnótica para que os membros da expedição cometam suicídio. Que eu me recorde não é mencionada em nenhum outro momento;
  • No livro o marido dela já está morto, enterrado, exumado e enterrado de novo antes mesmo dela partir para a expedição;
  • A trilogia inteira termina com apenas duas pessoas vivas: a cópia da bióloga e a diretora assistente Grace. No filme a ameaça supostamente é eliminada. Por conta disso o número de personagens no filme também é bastante reduzido.

Alguns problemas com o filme:

  • Não explicam como a agência ficou sabendo da chegada do sargento. Podemos deduzir que monitoravam o telefone da casa mas em um roteiro com outros furos isso conta negativamente;
  • O filme não explica por que eles não tentam voltar imediatamente ao descobrir que estão dentro. Se “ninguém nunca voltou” a primeira coisa que você gostaria de testar não seria se você conseguiria sair por onde entrou?
  • O filme não explica por que, se ninguém nunca voltou, elas levam tão pouco armamento e muito menos por que não entram dentro de blindados e/ou vestindo roupas de proteção;
  • O filme não explica por que são todas mulheres. O mais perto disso é dizer que são todas “cientistas”;
  • Eu tinha acabado de pensar: “boa decisão de ficar num lugar elevado” e aí descubro que o posto de guarda era no chão e na hora de enfrentar um perigo desconhecido todo mundo desce em vez de aproveitar a vantagem da elevação;

Mas a partir de um certo ponto reclamar das ações dos personagens deixou de fazer sentido, já que a Área X pode ter afetado a sanidade de todos eles. Só não gosto de ter que aceitar isso como desculpa para toda e qualquer bobagem de um roteiro.

2 comentários
  • VR5 - 397 Comentários

    Boa tarde. Assisti ao filme agora. No geral gostei.
    Existem teorias na internet que no filme quem na verdade voltou não foi a bióloga, mas a cópia. Ou que então de algum modo a cópia se “transferiu” (talvez até parcialmente) para o corpo da bióloga. Repare na cena final quando os dois se abraçam: na íris de ambos aparece um “brilho” semelhante ao fenômeno. E o que restou da cópia dentro do farol deliberadamente queimou tudo para garantir que os outros dois seguissem suas vidas lá fora.
    Outra dúvida: já que o farol estava à beira-mar não teria mais sido chegar lá de barco, ao invés de uma longa caminhada?

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Repare na cena final quando os dois se abraçam: na íris de ambos aparece um “brilho” semelhante ao fenômeno.

      No livro a bióloga de verdade toda “brilha” depois de ser contaminada pouco depois de entrar na área X. Por outro lado, as cópias não brilham. São indistinguíveis dos originais a não ser pelo comportamento.

      Ela *pode* ser uma cópia, mas se comporta como a original.

      Outra dúvida: já que o farol estava à beira-mar não teria mais sido chegar lá de barco, ao invés de uma longa caminhada?

      Eu mencionei esse problema lá no post quando falei que nos livros só é possível entrar na área X por uma “porta”. A área X é inexpugnável, incluindo pelo mar. O filme não se preocupa em explicar nada disso.

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