Ready Player One (Jogador N°1 – 2018) me deixou desapontado

Custa me crer que foi dirigido por Steven Spielberg. Mas talvez eu ainda tenha uma visão “adolescente” da qualidade do trabalho desse diretor.

Eu gostei da música, dos efeitos especiais e da nostalgia, mas fizeram uma adaptação bem ruinzinha do livro, os atores são muito fracos, não consegui gostar dos personagens (são muito melhores no livro) e a direção (Spielberg) é lamentável em certos pontos como a fuga de Wade do esconderijo de Art3mis. Mal encenada do início ao fim.

Alguns problemas da adaptação:

  • Toda a IOI é retratada de forma quase caricata, ao contrário da seriedade do livro que a retrata como uma corporação maligna, metódica e eficiente. O que remete aos próximos seis pontos;
    • A segurança do quartel general da IOI é patética. No livro Wade, sozinho, elabora um complicado plano correndo o risco de encarar uma vida de escravidão para poder entrar lá e minar a IOI por dentro;
    • A IOI não percebeu que Wade não estava no stack, apesar dele ter saído de lá claramente e em plena luz do dia;
    • A IOI não tinha colocado os explosivos ainda quando fez a ameaça a Wade e dava tempo suficiente para ele fugir se estivesse lá;
    • A IOI com todo o seu aparato tecnológico que inclui drones não consegue interceptar os garotos fugindo em uma grande van na fuga do esconderijo de Art3mis. Caramba, aquele veículo parecia tão lento que dava para interceptar a pé!
    • A IOI não consegue matar nenhum de seus alvos na vida real;
    • Sorrento tem sua senha de acesso ao OASIS escrita em um papel colado no console;
  • Não se dão ao trabalho de explicar por que os jogadores simplesmente não se desconectam para evitar a morte dos avatares;
  • As pessoas são vistas logadas no OASIS em plena rua. Isso não faz nenhum sentido, até porque é perigoso;
  • Aquele console gigante e “confortável” de Sorrento é ridículo para uso em um simulador mas os personagens olham com cara de “UAU, quero um!”;
  • Reescrever Art3mis como membro (líder?) da “resistência” na vida real não convenceu;
  • Reescreveram toda a dinâmica do concurso para ser necessário conhecer a vida íntima de Halliday para ganhá-lo, quando no livro o objetivo era compartilhar de sua obsessão pelos jogos, filmes e músicas dos anos 80. OK, isso foi provavelmente para ganhar a atenção da mulherada;
  • O filme não consegue realmente convencer ao mostrar o amor de Wade por Art3mis. Isso é bem mais fácil de entender no livro;
  • A crítica social é praticamente deixada de lado.

Mas o filme tem uma recriação do adorado Gigante de Ferro então a gente precisa ignorar tudo isso, né?

Eu imagino que muitas outras diferenças existam porque não conseguiram assegurar os direitos necessários para uso das músicas e personagens citados no livro, mas a inclusão proeminente de “The Shining” (O Iluminado), um filme que não é sequer citado na obra em detrimento de tantos outros, me incomoda até agora. Simplesmente não se encaixa na atmosfera do resto do filme. A razão para terem feito isso? Ready Player One e The Shining são da Warner Bros. Aliás, não é preciso ser gênio para deduzir por que o Gigante de Ferro tem destaque no filme apesar de ser apenas mais um elemento secundário no livro.

Dou nota 6/10.

 

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