Eu não fazia idéia de que “sinusite” pudesse ser algo sério

A experiência que tive durante toda a minha vida com essa palavra deixou a impressão que se tratava de algo não muito pior que um resfriado. Você ouve em toda parte, incluindo comerciais de TV para remédios que não exigem receita médica.  Nada associado a algo que requeira atenção imediata.

Eu estava há meses sem nenhum problema de saúde. Nem mesmo um resfriado. Na quarta feira passada, à noite, o lado esquerdo do meu rosto começou a ficar levemente dolorido (apenas se pressionado) e inchado. Tive uma noite normal de sono e acordei com o rosto ainda mais inchado, desta vez chegando ao olho. Já havia uma pequena região que eu não podia ver com o olho esquerdo por causa do inchaço e meu sorriso estava deformado como fica após a anestesia de um dentista. Mas eu não sentia nada. Tirando o obstáculo se formando na minha visão o problema era puramente estético.

Eu não estava nem de longe parecendo o quasímodo ainda, mas não queria ir para a faculdade daquele jeito. Então às 17h11 eu dei entrada no Hospital da Unimed para ver o que danado era aquilo e ser medicado. Cinco tediosas horas depois (ainda bem que eu estava com notebook e celular carregados), após exame de sangue e tomografia, o diagnóstico me pegou de surpresa: eu tinha que ser internado por 48 a 72h para o tratamento de uma infecção no seio nasal esquerdo (uma “sinusite”). Fui internado na madrugada da sexta.

E eu continuava sem sentir absolutamente nada.

No fim das contas fiquei internado por 108h (quatro dias e meio) tomando remédios por via intravenosa (antibióticos e analgésicos, apesar de não sentir nenhuma dor) e tive que fazer um procedimento com anestesia geral (o primeiro da minha vida) para desobstruir meu seio nasal e remover a secreção acumulada. Pelo que eu entendi, se a ligação entre meu seio nasal e o nariz não estivesse obstruída a secreção poderia ter saído naturalmente pelo meu nariz e talvez o internamento pudesse ter sido evitado. Mas do jeito que estava e sem tratamento a infecção poderia ter afetado minha visão e em seguida meu cérebro.

Acho que dei muita sorte que aconteceu durante a semana. Se tivesse acontecido no fim de semana, sem sentir dor e sem sentir “pressão social” por ter que ir à faculdade com o rosto inchado, eu provavelmente teria esperado mais em casa para ver se o problema desapareceria sozinho.

O pós operatório também não foi nada de mais. O entubamento me deixou com um incômodo leve na garganta por algumas horas. O procedimento foi feito através do meu nariz com auxílio de câmera e, como o cirurgião havia me dito, não me causou nenhuma dor depois (mas é verdade que eu fui “dopado” com Tramal e Dramin depois da cirurgia). Porém alguma coisa chegou ao meu olho durante o procedimento (o seio nasal conecta tudo) e passei 24h com uma desagradável sensação de corpo estranho no olho que, por insistência minha em me livrar dela (eu esfreguei o olho) acabou me rendendo uma hora bem dolorosa. Mas foi só isso mesmo e o médico disse que era normal acontecer.

Mas ainda não acabou. Estou de atestado médico até a sexta, em casa mas ainda tomando um antibiótico relativamente caro (R$120 por duas caixas) com retenção de receita (não sei se hoje em dia todos exigem isso).

9 comentários
  • Vitor Rios - 1 Comentário

    Parabéns pela primeira sinusite, haha!
    Quando eu tive, ele começou de um resfriado mal curado. Semanas de nariz entupido, sensação de peso no rosto, um desconforto, nada alarmante. Eu realmente comecei a me preocupar quando senti cheiro de podre vindo das profundezas.
    Se não tivesse aparecido esse “cheiro” provavelmente chegaria no seu extremo. Em todo caso, gastei um dinheiro inesperado e tomei duas caixas de amoxicilina com clavulanato composto (hoje em dia todos eles são receita retida, sem exceção). Em todo caso sarei e nunca mais tive (tem gente que fica com isso de modo crônico e cada inverno ele aparece).

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      quando senti cheiro de podre vindo das profundezas.

      Isso me deixou pensando aqui.

      No dia em que tudo começou eu tive um outro problema incomum, mas que até agora eu não havia relacionado à sinusite.

      Pela manhã eu saí para trabalhar com uma calça jeans nova, que nem tinha sido lavada ainda. Ao sentar no escritório do cliente senti um mau cheiro que não posso mais descrever agora mas que na ocasião eu registrei como um cheiro forte de chulé misturado ao cheiro do jeans novo. Eu não conseguia determinar exatamente o que estava cheirando daquele jeito.

      O mau cheiro continuou me incomodando esporadicamente ao longo do dia até que eu voltei da faculdade exclusivamente para trocar de calça. Afinal, se estava me incomodando ainda depois de horas apesar do fenômeno da habituação, era possível que eu estivesse insuportável para quem chegasse perto de mim.

      Após a troca da calça eu não senti mais o cheiro ruim. Curiosamente, minha mãe “testou” o cheiro da calça e não reagiu como se estivesse fedendo.

      Não mais que duas horas depois eu comecei a sentir o rosto dolorido e inchado.

      Agora eu fico pensando se os eventos não estão relacionados.

  • VR5 - 397 Comentários

    Eu tive uma crise de sinusite anos atrás, mas daí saia tanta secreção misturada com sangue do nariz que por fim tomei antibióticos e daí curou. Mas tenho conhecidos que fizeram cirurgia para isso. Mas casos como o seu foi a primeira vez que li… melhoras!

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Apenas para fins de registro, apesar de no geral eu achar que fui bem atendido pela Unimed, meu diagnóstico não precisava ter levado cinco horas.

    A hora aproximada de chegada ao hospital foi 17h11. Na triagem não tinham certeza de que especialidade deveria cuidar do meu caso, mas por causa da aparente paralisia no rosto escolheram o neurologista. Recebi pulseira amarela de urgência.

    O neurologista estava ocupado em outro lugar do hospital por isso só fui atendido no consultório entre as 18h30 e as 19h, quando então ele pediu a tomografia e o exame de sangue.

    O resultado do exame de sangue só saia 2h30 depois. Esperei pacientemente até às 21h, quando então eu perguntei a um dos “humanizadores” se já aparecia no sistema. Mas pelo que eu vi depois, o resultado da tomografia, que saiu muito antes, já podia ser suficiente para dar andamento no meu caso.

    Novamente o neurologista, que já era outro, não estava no consultório. Levou pelo menos mais meia hora para aparecer. Contando com o tempo que levei para obter cópia da tomografia (apesar de estar no sistema do hospital, insistiram que eu levasse uma cópia impressa) somente às 21h50 eu estava a caminho do outro hospital da Unimed (são 10 minutos a pé) para consultar um otorrino. Fui atendido por volta das 22h40 e por volta das 23h fiquei sabendo que precisaria ser internado.

    • Snow_man - 310 Comentários

      Eita Jefferson, se cuida hein, e obrigado pelo alerta; que Deus te dê cura completa.

      Sobre o relato, parece relato de Sus, onde os procedimentos poderiam ser rápidos, mas a burrocracia (aliada ao recebimento por serviços e produtos desnecessariamente) faz com que o doente atravesse um percalço desgastante e desnecessário.

      Fica com Deus.

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Minha experiência em geral com o hospital da Unimed é melhor que isso. Além de ser praticamente regra fazerem logo uma tomografia computadorizada (nas três vezes que eu estive lá com algum problema na região da cabeça fizeram uma) os funcionários chamados de “humanizadores” parecem ficar “de olho” em quem dá entrada sem acompanhante.

        Na vez anterior, quando dei entrada com suspeita de cachumba. Antes do prazo para sair o exame de sangue a médica plantonista já tinha visto o resultado e colocou uma enfermeira à minha procura.

        Eu posso ter tido sorte nos atendimentos anteriores mas quero crer que desta vez o plantão neurológico estava ocupado com algo realmente urgente e os médicos desta vez não tiveram tempo de parar para prestar atenção no meu atendimento pendente. E como minha aparência não inspirava preocupação os humanizadores também não me deram atenção apesar da pulseira amarela no meu pulso.

        E, claro, eu não estava sentindo nenhum mal estar. Podia esperar pacientemente pela minha vez.

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Outra coisa que vale a pena mencionar é que existe uma chance não nula de que a demora no atendimento tenha sido benéfica para mim.

        O meu plano me dá direito apenas a enfermaria mas no momento da internação a enfermaria masculina estava lotada e me colocaram em um apartamento sem custo adicional. Eu poderia ter sido transferido posteriormente mas não fui. Passei quatro dias e meio em um apartamento que se eu tivesse que pagar por fora eu teria que desembolsar R$700 a cada três dias.

        Ficar quatro dias e meio isolado é uma experiência muito mais agradável para mim do que ter que tolerar as idiossincrasias aleatórias de estranhos pelo mesmo período. Basta a pessoa ao lado não ter a consideração de usar fone de ouvido no celular para começar a “me dar nos nervos”.

  • Fernando Di Ramos - 29 Comentários

    Melhoras!!!

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    A minha primeira sinusite foi em novembro de 2004, numa viagem para o extremo sul chileno, foi consequência de ter pego 3ºC no nariz com vento forte, depois de ficar com o nariz escorrendo durante todo o passeio (respirar ar bem frio pelo nariz me provoca este efeito), comecei progressivamente sentido um pouco de dor de cabeça e ficou meio dolorido em cima da sobrancelha direita (sempre é assim). E durante a minha viagem que terminou em Buenos Aires (mais de uma semana depois), depois de ter passado pela Região dos Lagos e Bariloche, foi ficando cada vez pior (mas estava perfeitamente tolerável até Buenos Aires), tanto que ao chegar lá toda manhã eu tinha uma bastante incomoda dor de cabeça (que me desanimava para bater perna por lá pela manhã), só aliviava pela tarde. Depois dessa nunca mais eu vacilei com frio, respirando ar gelado pelo nariz (e nunca mais tive sinusite iniciada por tomar ar frio), sempre cubro o nariz e não sou mais atacado nesta situação. Mas em quase toda gripe ela desanda para sinusite e me chateia mais algumas semanas (2 ou 3) do que seria esperado para uma gripe.

    A minha sinusite atualmente é quase crônica, costuma aparecer iniciada por uma gripe (quase sempre vem depois de uma), me chateia por uns tempos e vai embora normalmente depois de algumas semanas, não chega nem perto da gravidade do que te atingiu, ainda bem, mesmo assim o desconforto é bastante intenso, mas não vai além disso!

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