02/05/2025: Eu cometi um erro grosseiro na análise que faço neste post mas ainda assim é absurdamente vantajoso. Veja meus comentários mais recentes.
Finalmente estamos instalando energia solar aqui em casa. Consegui uma capacidade instalada de 1200kwh mensais (18 painéis) por R$21mil à vista.
As contas que fiz foram as seguintes:
Nossa conta de energia oscila entre R$500 (inverno) e R$700 (verão) mensais, sem luxo exagerado. Nosso consumo é de até 700kwh mensais. Eu vou fazer as contas considerando uma média de R$600. E veja bem: nosso consumo é de 700kwh e estou instalando uma capacidade de 1200kwh com o intuito de aumentar o conforto.
Sem energia solar
Com 21mil na poupança, rendendo 0,6% mensais, em quatro anos eu terei R$27984,81. Use essa calculadora de juros compostos para conferir.
Mas nesses mesmos quatro anos, sem mexer na poupança mas retirando R$600 mensais de outras fontes de renda para pagar a conta de energia, gastamos (600×48=) R$28800.
É preciso lembrar que a conta vai ficar mais cara em quatro anos, mas vamos ignorar isso, porque no fim você verá que é irrelevante.
Em quatro anos você vai ter um saldo negativo de R$815,00. Tem R$28mil na sua conta, mas você jogou fora 29mil.
Com energia solar
Começamos com R$0 na poupança porque investimos no sistema, mas todos os meses depositamos na conta os mesmos R$600 que iríamos pagar de energia. Use a mesma calculadora do exercício anterior e você vai ver que no final de quatro anos terá na conta R$33mil.
Se você olhar apenas os dois números das imagens você vai achar que ganhou “apenas” R$5mil. Grande engano! Preste atenção: em um cenário você ficou negativo em R$815. O fato de ter R$28mil na conta é enganador. No outro você fica de fato positivo em R$33mil. O ganho real foi de mais de R$32mil.
Quando eu fiz essas contas pela primeira vez eu pensei: “não é possível. Minha lógica deve estar falhando em algum lugar”. Aí eu passei minhas contas para o meu amigo José Carneiro, que tem solar há anos e é bem mais inteligente do que eu e ele confirmou tudo.
E tem mais: isso com uma capacidade instalada de 1200kwh e fazendo as contas como se estivesse gastando 700kwh. Com essa capacidade instalada eu certamente vou aumentar o conforto da casa e consumir mais energia. Eu fiz as contas colocando no banco “apenas” R$600 por mês, mas certamente vou estar usufruindo de mais de R$1000 em energia. Se eu refizer as contas considerando o aumento do meu conforto, meu ganho real vai ser de pelo menos R$55mil!
E para finalizar, eu fiz as contas com quatro anos porque está dentro da garantia do inversor, que é de cinco anos. Se o inversor pifar fora da garantia você vai ter que fazer um desembolso grande, porque somente o inversor de 10kw pode custar entre R$6mil e R$10mil. mas se você tiver se preparado para isso devolvendo mensalmente o dinheiro para a poupança como estou mostrando não vai sentir o impacto e vai ver que é insignificante, até porque daqui a quatro anos os inversores estarão melhores e mais baratos. Se você pensar mais à frente, calculando 8 anos, a diferença é ainda mais brutal.



Excelente decisão Jéfferson, em vários pontos:
– Boa a ideia de sobredimensionar porque sim, uma vez que você tem energia “de graça” (durante o dia, porque importar créditos à noite tem um certo custo), você tende a mudar alguns hábitos, usar mais o ar-condicionado, etc. Então seu consumo médio aumenta um pouco depois da instalação do sistema.
– No cálculo do retorno do investimento considerar a conta como “zerada” não é apropriado (sei que vc não fez isso, mas tem gente que faz), por conta de coisas como taxa de iluminação pública, custo de disponibilidade (a taxa mínima, que depende do tipo de ligação), impostos, etc. Na minha experiência prática em média minha conta mensal é de aproximadamente 30% do valor que me custaria sem o sistema de geração.
– Falando em custo de disponibilidade: quando não se tem geração não faz diferença (no custo) ter um sistema mono-fásico, bi-fásico ou tri-fásico, já que a “franquia” do sistema você sempre acaba consumindo. Com geração isso muda de figura porque há uma cobrança mínima independente de vc ter créditos, de 30, 50 ou 100 kWh/mês dependendo do tipo de ligação. Por conta disso eu fiz o “downgrade” da minha ligação de 3 para 2 fases ao instalar o sistema.
– Retorno do investimento: sem considerar juros, inflação, etc., nos primeiros 24 meses de sistema instalado eu economizei já 1/3 do custo do sistema. Ou seja, ignorando custo de disponibilidade, juros, etc., em seis anos o sistema se paga e daí em diante é só lucro (poderia ser mais rápido, mas eu tenho o sistema instalado num endereço onde não moro e o consumo local é mínimo, daí eu basicamente exporto para a rede 95% da geração e re-importo como créditos em dois locais, meu endereço e o da minha mãe).
– Mudança de hábitos: certamente acontece. Temos usado mais A/C no verão (e isso gera mais conforto), e agora estou pensando em comprar um cooktop de indução de duas bocas para testar e ver se me adapto ao produto. Não que o gás esteja caro (mas está), mas porque ter o sol brilhando e os painéis produzindo quase 6000W (12 placas) dá uma pena de queimar gas para cozinhar. Além do que a tecnologia de indução é muito legal por sí só, com melhor aproveitamento da energia e menos perda de calor para o ambiente :-)
Bons dias de sol para você :-)
Tenho ouvido muita gente reclamar que a energia solar não está mais compensando. Isso procede?
Até onde estou sabendo, quando você lê notícias sobre energia solar tem que ter em mente que existem dois grandes grupos de interessados:
1)Consumidores como eu, que geralmente tem a usina na própria casa ou estabelecimento comercial e no máximo vão dividir o *excedente* de geração com outra.
2)Grandes usinas. Gente que aproveitou terrenos baratos, montou centenas de painéis solares e está consumindo longe da unidade geradora ou mesmo vendendo a geração.
A legislação mudou recentemente e está sendo cobrada uma taxa pela transmissão chamada de “Fio B”. A energia que você tem que transmitir para outro local agora tem um custo crescente. Até onde sei isso não vale para a energia que você usa no mesmo endereço da usina.
Então para mim ainda vale muito a pena. Mas eu preciso de um ano gerando para ter certeza. Passar por um inverno. Como ainda estamos no início do outono minha geração está de sorrir de orelha a orelha. Como nós não mudamos nosso padrão de consumo, em 70 dias de geração consumimos da Neoenergia 1000kwh (basicamente, consumo noturno) e fornecemos para a empresa 2600kwh (esse é excedente, que não foi consumido durante o dia).
Esses números são do próprio medidor.
Considerando que nosso consumo mensal é de aproximadamente 500kwh fora do verão, temos um acumulado que nos permitiria, mesmo parando de gerar hoje, ficar perto de *cinco meses* com a conta quase zerada. Isso sugere que não há motivo para se preocupar com o inverno.
Tendo dito isso, parece que cometi um erro fundamental de lógica na minha análise feita no post e não é *tão* vantajoso quanto fiz parecer. O retorno do investimento demora mais. Mas ainda assim é vantajoso.
O erro que cometi na minha análise foi desconsiderar o valor de R$28mil existente na poupança no primeiro caso ao fim de quatro anos.
Eu não sou contador e a lógica financeira definitivamente não é o meu forte, mas decidi fazer a conta por outro ângulo, mais conservador.
Vamos assumir que eu comecei com duas fontes de dinheiro. Uma com R$28800 em fundos, sem render juros, da qual só posso tirar R$600 por mês para pagar a conta de energia, e a poupança de R$21 mil rendendo juros.
Então na verdade eu comecei com 49mil e terminei os quatro anos com R$28mil.
Instalando a energia solar e abrindo mão da poupança de R$21mil, mas podendo investir os R$600 mensais, eu termino os quatro anos com R$33mil
Ou seja, em quatro anos eu terei ganho apenas R$5mil e não os quase R$33mil. Nesse cenário os aumentos da conta de energia que descartei durante os quatro anos passam a ser relevantes porque devem tornar o ganho significativamente maior. Mas R$5 mil é o preço do inversor e se este pifar em quatro anos lá se foi o seu lucro. Mas nas minhas contas eu também deixei de lado outra vantagem: eu considerei um consumo estável de ~600kwh mas estou gerando uns 1000kwh por mês. Ou seja, minha conta poderia ser de R$1000 e não de R$600 que não afetaria o resultado. Ao lembrar do aumento significativo do seu conforto sem aumento da conta a coisa volta a ficar atraente.
Mas vamos considerar agora oito anos:
Sem energia solar seria um inicial de R$57.600(R$600*96) + os R$21 mil da poupança (78mil totais) que ao fim dos oito anos seriam R$37 mil (dreno total dos R$57600 com 21mil rendendo juros).
Com energia solar eu teria os R$600 aplicados mensalmente que ao final de oito anos me dariam R$77mil na poupança.
Uma diferença positiva para mim de R$40mil
Ou seja: o retorno do investimento, desconsiderando completamente o aumento de conforto, só começa efetivamente por volta dos três anos e meio, mas depois disso é só alegria.
Lembrando que em oito anos eu provavelmente vou ter que ter gasto aumentando a capacidade por causa do envelhecimento dos painéis ou trocado o inversor. Mas a tendência é que o preço de tudo isso caia e, melhor ainda, acredito que em oito anos já valerá a pena ter baterias e ficar completamente off grid durante a maior parte do ano ou, no mínimo, ser a única casa da rua com conforto total quando faltar energia, sem o ruído e o gasto de um gerador diesel.
Vamos considerar agora que eu aumente o meu padrão de consumo de energia para R$1000 por mês, que é a capacidade que os R$21mil do meu investimento proporciona.
Para quatro anos sem energia solar eu precisaria começar com um patrimônio de R$48mil (R$1000 *48) + R$21mil = R$69 mil. E terminaria os quatro anos com R$28mil.
Com energia solar eu começo com R$48mil e tirando R$1000 por mês para aplicar na poupança termino com R$55mil.
Usando de fato a capacidade que instalei, em apenas quatro anos eu já ganhei R$27 mil e o danado do custo da manutenção do inversor já se torna irrelevante.
Em oito anos eu termino com um saldo positivo [b]R$129mil[/b].