Processador Core i3 e Core i5 “OEM” significa “usado” agora?

Já há algum tempo eu venho desconfiado da disponibilidade de processadores Core i5 e i3 de terceira geração na Lognet classificados como “OEM”. Afinal já estamos na décima geração e a Lognet tem histórico de vender produtos usados sem deixar isso claro. Mas só hoje parei para fazer uma checagem. A página da Intel deixa claro que se trata de um produto descontinuado (não é mais fabricado). Mas se isso existe realmente como produto novo, lojas grandes como a Kabum devem vender, certo? Procurando eu até achei um “kit upgrade” lá, mas olhando com atenção você descobre que na verdade é “vendido e entregue por Amorim Shop”.

OBS.: Para quem não está a par de como se checa a geração do processador, é o primeiro dígito do modelo. Por exemplo, um Core i3-3220 é da terceira geração. Se o primeiro dígito for “1” provavelmente vai estar acompanhado de um “0” porque é da décima geração.

Na Balão da Informática só existem processadores de nona e décima geração. E a Pichau sequer lista processadores socket 1155.

Para esses processadores a Lognet também oferece placas-mãe (socket 1155). Mas apenas das marcas TCN, Valianty e Kronnus. Francamente, assumindo que essas sejam novas (não tenho razão pra crer que não sejam), eu ainda iria preferir comprar uma ASUS usada.

E só para aumentar minha desconfiança com “vendido e entregue por”, no site das Americanas se você fizer uma busca por “computador Core i3” você encontra ofertas de R$1100 a mais de R$2000 de computadores de marcas de que nunca ouvi falar que tem uma coisa em comum: nenhuma menção à geração do processador nem em letra miúda na descrição. Já as ofertas Dell deixam claro “10a geração” já no título.

O que vocês acham? Alguma chance desses processadores “OEM” da Lognet serem novos? E esses computadores cujos fabricantes não revelam a geração?

 

8 comentários
  • Claudio - 84 Comentários

    Não que eu conheça muita coisa de hardware, mas pra mim foi uma novidade aprender que o 1o dígito indica a geração do processador, muito grato!

    Meus dois micros mais recentes aqui realmente tem processadores atuais (i7-9850H e i5-8250u)

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Quando o amigo José Carneiro me apontou isso, anos atrás, foi um momento “dâaaaa…” para mim. :lol: :rtfm:

      Isso pode ser lido no site da Intel. Mas existe um “edge case” que a documentação não cobre: A 1a geração, cujo modelo tem três dígitos apenas.

      Nota para os pedantes como eu: Estou propositalmente considerando apenas o que vem depois de “i3”, “i5” e “i7” como “modelo”, sem entrar no mérito disso estar “certo” ou não. Talvez “submodelo” esteja um pouco mais certo (ou menos errado).

  • Snow_man - 310 Comentários

    página da venda não informa a geração, eu já recomendo o cliente não comprar.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Vou aproveitar para explicar o que entendo por “OEM”:

    “OEM” é  uma expressão que atribuímos aos itens que não vem na caixa “de prateleira”, porque supostamente foram vendidos a integradores de sistemas (o termo mais apropriado para a maioria dos “fabricantes” de computadores) e não são destinados ao consumidor final. Supostamente é exatamente o mesmo produto, sem embalagem bonita e manual ou CD, mas novo. Se você já montou computadores com alguma frequência deve ter notado que o simples desembalar das peças individualmente acarreta uma perda de produtividade e no final do dia deixa uma montanha de lixo para jogar fora. Entretanto é justamente essa característica do OEM que permite a qualquer um tentar passar um item usado como se fosse novo.

  • Richard - 21 Comentários

    Essas placas-mãe desconhecidas que você encontrou na Lognet e no “kit” do marketplace da Kabum são novas, mas também fazem parte desse ecossistema de peças usadas. Por algum motivo (ou vários), a oferta de processadores usados é maior que a de placas-mãe usadas, então importadores/muambeiros/sejá-lá-quem-for descarregam essas placas de origem chinesa em nosso mercado, placas sem marca, meio duvidosas, e que você acha (ou achava) com facilidade no AliExpress; porque os grandes fabricantes não fazem mais placas 1155, ou ainda fazem mas só para alguns mercados como o asiático, que também trabalha muito com peças usadas. Essa filosofia de “placa nova para suprir outras peças usadas” se estende até a peças de servidor, com os “kits Xeon do AliExpress” que são discutidos em certos cantos da YouTubosfera, por exemplo.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Por algum motivo (ou vários), a oferta de processadores usados é maior que a de placas-mãe usadas

    Nos mais de 20 anos desde que aprendi a montar e consertar computadores, eu não consigo me lembrar de uma única vez que encontrei um processador com defeito. Não quer dizer que não tenha acontecido, principalmente nos primeiros anos, mas que o número é tão pequeno a ponto de ser insignificante. E com o passar dos anos eu certamente passei a dar mais atenção a essa “curiosidade” então tenho certeza de não ter encontrado nenhum com defeito pelo menos na última década. Mas foi na primeira década que trabalhei em assistência técnica.

    Eu me lembro de uma época em que era fácil condenar erroneamente o processador: a época em que era possível remarcar a CPU. O processador parecia com defeito mas na verdade sua inscrição original tinha sido raspada e trocada pela de um modelo com clock maior. Mas mesmo nessa época eu nunca condenei uma CPU, porque eu estava informado e a falsificação era fácil de notar na assistência. Mas se tornou um embaraço quando eu contei o que estava acontecendo para o dono da loja. Na ocasião eu não sabia disso mas mais tarde ficou claro que ele tinha comprado as CPUs sabendo que eram remarcadas. Isso funcionava porque muitas CPUs Intel de um mesmo lote eram resistentes ao overclock. Só as que não eram é que acabavam dando dor de cabeça na assistência.

    Já placas-mãe… eu já devo ter condenado centenas. Desde as famigeradas “PC Shits” (PC Chips) que já eram defeituosas de nascença.

    • Richard - 21 Comentários

      Já li sobre essa história dos processadores remarcados. Era comum no Pentium 1, mas do Pentium II em diante o multiplicador passou a ser travado de fábrica, dificultando o overclock e portanto a remarcação.

      Eu também sempre acabo conseguindo mais processadores que placas-mãe para eles. O último causo foi há 1 ano, quando a placa-mãe da minha máquina de uso foi queimada por um raio, mas o Core i7-6700 saiu ileso. Acabei vendendo o processador e fazendo um upgrade, porque não consegui encontrar outra placa 1151 “v1” digna para ele; na época, o mercado estava inundado de placas de mineração, que no fundo são placas de entrada.

    • Matuto - 129 Comentários

      A título de curiosidade, desde que trabalho no ramo com assistência técnica em informática, eu só me lembro de ter visto dois Processadores supostamente queimados. Um era socket 775 e o outro foi agora a pouco, um Core i5 de um notebook Samsung que testei em 3 placas-mãe diferentes e nada. Não lembro a geração, mas acho que era da segunda.

      Mas realmente pra ver um Processador queimado ou sem funcionar é bem raro.

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