Este post poderá conter mais erros de ortografia que o habitual porque estou redigindo em um computador com defeito no teclado e configurações inadequadas de idioma.
Nossa viagem deveria ter ocorrido em agosto de 2020, mas foi cancelada por causa da pandemia. Desta vez minha irmã programou uma viagem mais longa, com 37 dias, cinco dos quais passaremos em Lisboa no retorno a Recife.
Assim como da outra vez, eu preferia não ir. Você precisa dar uma pausa na sua vida para viver uma vida completamente diferente por 37 dias enquanto a sua vida espera por você em casa. Para algumas pessoas isso pode ser desejável e até perfeito, mas não é o meu caso.
Só em passagens de avião foram gastos 12 mil reais não reembolsáveis e isso porque foi tudo comprado com muita antecedência. Os 37 dias da viagem viraram uma barreira no nosso calendário que era preciso contornar porque nada podia cair nesse período e algumas coisas nem mesmo nas semanas que o antecediam. É um problema bem maior que 37 dias.
- Minha mãe tem duas cirurgias para fazer cuja burocracia leva semanas e era inviável tentar fazer qualquer uma das duas antes da viagem. Muita coisa podia dar errado;
- Eu também tenho uma cirurgia simples para fazer mas o prazo entre descobrir que precisava fazer e a viagem ficou apertado;
- Temos uma reforma grande para fazer em casa que deve levar dois meses e também precisou ser adiada. A reforma não pode ser feita ao mesmo tempo que uma das cirurgias de mamãe porque eu posso ser preso por amarrar ela na cama para ela não ir supervisionar a reforma ainda convalescendo, então vai ser uma coisa ou outra, o que só atrapalha mais;
- Semanas antes da viagem eu tive que gradativamente mudar meus hábitos porque não podia correr o risco de ficar doente;
- Eu precisei informar meus clientes sobre minha viagem com vários meses de antecedência. Seria um desastre se algum deles planejasse algo grande justamente para agosto contando com minha presença. E naturalmente qualquer empresário com juízo vai aproveitar esse período para encontrar meios de se tornar menos dependente de mim. Minha irmã está pouco se lixando para esses transtornos na minha vida profissional porque o que ela quer mesmo e que eu jogue tudo para o alto e vá viver na Europa;
- Embora eu tenha vindo preparado para continuar o meu trabalho remoto, deixei meus clientes sem ninguém para ajuda-los se precisarem de ajuda presencial. Um deles já reservou a primeira semana após minha volta para um serviço de três dias cuja necessidade surgiu na semana anterior a minha viagem, mas eu precisei recusar porque havia muita coisa a fazer nos preparativos;
- Aparentemente vou passar 37 dias sem ir para a academia porque custa caro aqui. Espero que isso não signifique um retrocesso grande quando eu voltar ao Brasil;
- A viagem é um dos motivos para eu só poder falar aqui sobre o meu litigio com a Estácio em Outubro;
- E por ultimo mas não menos importante, estou no meio de um processo para deixar de ser nerd e arrumar uma namorada e desaparecer por 37 dias definitivamente não vai ajudar. Eu certamente não vou arrumar uma aqui na Irlanda. Para começar, as garotas que conheço no Brasil são muito mais atraentes que as Irlandesas.
Mas minha mãe não podia vir (e ficar aqui) sozinha e eu era a pessoa mais apropriada para traze-la. Desta vez foi bem menos estressante porque eu “liguei o fo**-se”. Eu me preparei muito menos porque além de muitas das minhas preocupações com a viagem anterior terem se mostrado desnecessárias e eu achar a probabilidade de ter o visto negado muito menor, desta vez a escala foi em Lisboa e não em Frankfurt. Meu inglês só foi necessário ao falar com o oficial de imigração em Dublin, já no final da viagem. E aparentemente os vários carimbos de quatro anos atrás nos nossos passaportes (Dublin, Lisboa, Paris, Frankfurt) fizeram diferença porque o oficial de imigração só fez três perguntas:
- O que eu vinha fazer em Dublin;
- Quanto tempo eu pretendia ficar;
- Onde morava a minha irmã.
E não pediu para ver nada além do passaporte. Nem a carta convite, nem o nome da minha irmã, nem a passagem de volta, dinheiro, nada. Ter ligado o fo**-se valeu muito a pena.
Mas quem quiser acompanhar meu dia-a-dia em Dublin vai precisar checar minha conta (pública) no Instagram (jefferson.jeff.ryan). Vocês sabem que não gosto de redes sociais mas o Instagram me pareceu a mídia mais adequada para isso. Mas nada me impede de um dia reunir tudo em um ou mais posts aqui.
Que relato! aguardando cenas do próximo capítulo….
Surpresa pra mim você ter instagram, vou seguir agora.
Desejo boa viagem, que ocorra tudo bem, e encha a mala de assunto aqui pro blog, inclusive
das pendengas de trabalho na volta rs.
Eu gostaria de me deslocar em definitivo para PTg mas no momento sem recursos e perspectiva de trabalho lá.
Quando precisei me ausentar quando tinha cliente grande e com contrato, deixei um amigo em standby, mas era alguém que a empresa não iria considerar colocar no meu lugar.
E sobre a academia, dependendo do clima, mantenha pelo menos uma caminhada/corrida ao ar livre, ainda é grátis =)
ah, lembrei outra coisa:
Certeza que você não comprou um Muama Rioko pra essa viagem
Como vai ficar conectado por aí nesse período? Quais opções e alternativas?
Manter-se em contato no trajeto não é difícil porque aparentemente todos os grandes aeroportos oferecem Wi-Fi gratuito. E não parecem faltar estabelecimentos comerciais no seu destino também. Por exemplo, ontem eu testei isso no supermercado onde eu estava e tudo o que era pedido era que eu fizesse o login com minha conta facebook ou google. Mas se você não quiser ficar limitado a procurar hotspots gratuitos, aqui em Dublin você tem opções pre-pagas de internet ilimitada no celular pagando de 10 (Lyca Mobile ,com chip gratuito ) a 20 euros (Vodafone e 3Ireland). 10 euros (58 reais) é menos do que eu pago ‘a TIM no Brasil.
Não recomendo o plano da Lyca Mobile. Além de requerer configurar manualmente a APN, meus créditos sumiram sem explicação aparente e fiquem sem poder sequer fazer ligações em menos de uma semana. Não quis me estressar com um irlandês por causa de 10 euros, por isso deixei para lá. Na viagem anterior ficamos satisfeitíssimos com o serviço da 3Ireland.
O bar onde eu estava anteontem (The Temple Bar) também tinha Wi-Fi gratuito. E sem nem ser preciso fazer login. E a permanência no bar também é gratuita.
Boa tarde. Cara, você falou que a tua irmã tá louca de vontade de você se mudar para a Irlanda… nunca pensou seriamente nisso? És um cara muito inteligente e trabalhador, e tenho certeza que você conseguiria uma posição muito boa (e lucrativa) no mercado de TI por aí… mas claro que isso é o MEU ponto de vista, não conheço todas as “nuances” de seus gostos para opinar bem disso…
Isso é algo complicado. Por um lado, eu não tenho nenhuma afinidade com a cultura e a (falta de educação) brasileira e certamente a politica e a economia são um desastre aí. Por outro lado, mesmo o fato de morar com meus pais aí é comparativamente muito mais confortável do que a vida que eu poderia ter aqui. Aí eu vivo numa casa de dois andares com mais de 80m2 (não tenho certeza agora das dimensões) de terreno, com quatro banheiros, seis quartos, piscina, sete TVs… Aqui minha irmã vive no equivalente a um kitinete (aqui chamado de studio), com não mais que 25m2, que não oferece absolutamente nenhuma privacidade, a um custo de 800 euros mensais (uns R$4600 hoje). Minha irmã tem um apartamento maior a 150m da praia de Boa Viagem em Recife alugado a meros R$950 + condomínio.
Em Recife apesar de morar com a família eu consigo passar o dia inteiro sem ver ninguém e desfrutando de privacidade e silêncio. Meu quarto é colado com meu depósito/escritório/oficina e tem até uma porta para o quintal por onde posso entrar e sair sem passar pelo resto da casa. Aqui em Dublin eu sequer poderia ter uma oficina. Eu teria que realmente abandonar minha vida anterior e começar uma nova. Com 51 anos isso não é impossível mas é muito difícil. Ter acesso a uma casa maior em Dublin a um custo mais razoável ou sair de Recife já com emprego certo aqui certamente tornaria a decisão mais fácil. Eu não tenho em mim a coragem que minha irmã tem de largar tudo e começar de novo, nem de viver uma vida espartana indefinidamente.
Obrigado pelos elogios, mas eu não me sinto qualificado a disputar um emprego aqui. Não no que eu gostaria de fazer (software). A concorrência com os mais jovens deve ser brutal e eu certamente não quero, na minha idade, ganhar a vida lavando pratos ou fazendo delivery só para viver no primeiro mundo.
Um exemplo de como a falta de privacidade e a necessidade de conviver em um espaço apertado me incomodam: minha irmã chegou do trabalho e colocou um programa do youtube para assistir na TV que acho dolorosamente estúpido. Não falei nada e coloquei música nos fones de ouvido enquanto trabalhava ao computador. Minutos depois minha mãe veio até mim para me chamar a atenção e reclamar que o som dos meus fones de ouvido estava muito alto e a incomodando. Minha irmã ao fundo fazendo um comentário sobre como eu ia acabar surdo. A TV continuava ligada.
Nem o Banco do Brasil nem o Bradesco estranharam eu estar me conectando de fora do país. Fiz pagamentos em ambas as contas sem problemas. É claro que eu estar usando o celular cadastrado ajuda.
Uma coisa curiosa: eu achei mais fácil entender o que o piloto português da TAP falava quando ele começava a falar a fazer anúncios em inglês do que quando os fazia em português. Uma amiga de minha irmã começou a rir quando eu disse isso e afirmou que é assim mesmo. Ela me disse que os portugueses entendem tudo o que nós falamos mas é comum não entendermos uma palavra do que eles falam.
xvideos e pornhub são bloqueados na Irlanda. Nem aparecem numa busca pelo Google, o que efetivamente faz parecer que nem existem. Se você for… ¨dependente¨ desses serviços é melhor já sair do Brasil com um plano B (e um C e D)
“Mas nada me impede de um dia reunir tudo em um ou mais posts aqui.”
Aguardo este dia o post com tudo reunido aqui, pois não tenho conta no “Instragado” nem acesso e nem quero ter conta lá.
Quero é mais distância de redes sociais, abandonar o FB foi a melhor coisa que já fiz.
A gente se depara com problemas curiosos e inesperados ao precisar comprar os suprimentos do dia-a-dia em Dublin. A primeira surpresa é que mesmo no verão alguns supermercados, como o Aldi, podem ser tão gelados quanto uma câmara frigorifica. Na rua você passeia impunemente de short e camiseta mas se entrar assim no Aldi não vai aguentar o frio ao passar pela seção de carnes. Em parte porque a maioria dos balcões frigoríficos deles não tem portas.
A segunda surpresa é não encontrar itens que são onipresentes no Brasil. Por exemplo:
Adoçante – Se seu paladar depende de uma determinada marca é melhor voce levar o seu do Brasil porque aqui você sequer encontra adoçantes líquidos e muito menos a marca de nossa preferencia.
Leite em pó – A maioria dos mercados só oferece leite liquido (e em grande variedade), que precisa ser conservado na geladeira e que é um saco na hora de fazer bebida quente. Para achar leite em pó você precisa ir a mercados específicos.
Sabonete – O sabonete que minha irmã compra é o Dove, que deixa uma camada escorregadia na pele. Eu não me sinto confortável com isso pois não me acho limpo enquanto estiver assim, por isso tive que procurar outro. No Aldi a única outra marca disponível parece mais o sabão que usamos para lavar roupa no Brasil. No Tesco a variedade é muito maior mas conseguir adivinhar que marca comprar que não provoque o mesmo problema é dureza. Os termos usados nas embalagens não ajudam quem não está acostumado.
Terminologia – Eu tenho um grande vocabulário em inglês mas no supermercado, notadamente quando se trata de comida, eu me sinto quase um analfabeto. O que danado é Soft Pitted Dates? Qual a diferença entre Orange e Grapefruit? O que danado é Blueberry e qual a diferença para Raspberry? Você vai precisar do Google (o Aldi dá acesso gratuito à internet) e paciência, principalmente quando tem alguém ainda mais analfabeto te aporrinhando (no caso, minha mãe).
A terceira surpresa é com o quanto a comida aqui parece insossa. Descobri que a comunidade europeia vem reduzindo os níveis de sal na comida gradativamente há anos. Quem vive aqui há muito tempo não nota mais.
A quarta surpresa é a aparente falta do tipo de estabelecimento especializado que conhecemos no Brasil. Onde comprar os itens que normalmente encontramos em Armarinhos? Nem minha irmã sabe.
Feijão – Não adianta procurar por aquelas pilhas de sacos. O feijão em Dublin é habitualmente vendido em latas.
Remédios – Você pode acabar se surpreendendo como o que não pode ser comprado sem receita aqui. Um simples relaxante muscular requer uma prescrição de um médico irlandês. Então se você sequer desconfiar que pode precisar de um mero Dorflex, leve do Brasil. E não economize nisso. Mamãe trouxe uma caixa do Brasil com 36 comprimidos e faltando 10 dias para o fim da viagem só restam oito. Lembrando que os remédios precisam estar nas embalagens originais. Você não vai querer ser retirado da fila por suspeita de estar traficando drogas. E se tiver bagagem de porão deixe o “excesso” de remédios nela. A inspeção por raio-x é bem menos rigorosa para ela e nós nunca tivemos uma bagagem revistada após apanhá-la na esteira.
Alguns sites brasileiros podem não ser acessíveis daqui por decisão de seus próprios administradores. Por exemplo, do site da Kabum eu só consigo acessar a página inicial e mais nada. E o site da Hapvida nem abre. Para mim isso não é um grande problema porque eu posso acessar o servidor de algum cliente no Brasil via anydesk (e isso só é minimamente conveniente em um notebook ou desktop – nada de celular) e fazer minha pesquisa sem incomodar ninguém, mas quem não tem essa facilidade precisa planejar para essas situações.
“Alguns sites brasileiros podem não ser acessíveis daqui por decisão de seus próprios administradores.”… ué, que decisão estranha…
Não é tao estranha assim hoje em dia. Bloqueando países e continentes inteiros você reduz muito a carga nos seus servidores e a possibilidade de hacks. Nos meus blogs eu bloqueio (ou tento bloquear) a China. Se eu fosse o CIO de um site de e-commerce brasileiro (Kabum) ou operadora de saúde local (Hapvida) eu provavelmente faria o mesmo. Talvez eu desse a opção para usuários logados que já fizeram compras anteriormente passarem pelo bloqueio, mas eu no minimo poria uma página de boas vindas explicando as restrições, que não é o que ocorre no caso da Kabum e Hapvida.
Eu esqueci de comentar isso aqui, mas em 2015 um leitor de meus blogs instalou um script no servidor dele para facilitar o acompanhamento dos meus blogs (e de terceiros) via RSS, Mas por um erro no script ele estava sozinho e silenciosamente gerando um tráfego de mais de 1GB *por dia*, desnecessariamente. Em 2015. Imagine uma única pessoa, acidentalmente, drenando de sua banda mais do que você conseguiria baixar por dia. Ficou assim por semanas e eu só descobri por acaso. O meu provedor (hostgator) poderia acabar suspendendo meu site por isso.
Eu não pegaria um carro para dirigir aqui em Dublin nem de graça. O fato deles dirigirem do lado oposto da rua já me deixa suficientemente confuso como pedestre.