Nos 25 dias em que estive em Dublin raros, talvez dois ou três, foram os dias em que saí na rua e não pude ouvir alguém falando em português do Brasil. O mais comum são pessoas sozinhas falando com algum familiar ou amigo ao celular, mas também era fácil identificar grupos de brasileiros conversando em lojas. No dia que peguei o ônibus com minha mãe para Howth eu pude identificar, só no primeiro andar do ônibus, quatro grupos diferentes de conversas em português. E olha que não se tratava de um ônibus de viagem: era uma linha regular de ônibus que pegamos na rua no Centro de Dublin.
Um outro dia estávamos voltando para casa conversando e uma reação de um jovem que passou silenciosamente por nós e entrou na propriedade vizinha a algo que foi dito fez minha irmã comentar “acho que ele é brasileiro”. Ele ouviu e respondeu “sou mesmo!”.
Essa inclusive foi uma recomendação que minha irmã fez no primeiro dia de passeio na cidade: “Cuidado com o que vocês dizem. Não falem nada achando que ninguém vai entender porque existe muito brasileiro aqui”.
E se você realmente quiser encontrar com brasileiros em Dublin, basta ir ao bar Dicey’s Garden nos dias e horários onde a taça de cerveja sai por “apenas” 2 euros (10 reais). Em todos os outros bares o preço “normal” é de 6 euros (30 reais), por isso não é de admirar que o Dicey’s atraia tanta gente do Brasil.
E olha que oficialmente os brasileiros (13 mil) perdem feio para os poloneses (122 mil) em número segundo o censo irlandês. Eu suponho que a maioria dos poloneses fale inglês porque raramente consegui distinguir alguma língua “estranha” nos meus passeios. Quase sempre foi inglês ou português brasileiro, com uma pitadinha de francês e português de Portugal. É fácil imaginar que o censo esteja errado mas difícil entender como já que a Irlanda é uma ilha.
Já os motoristas de táxi, a julgar pelos nomes, são em sua maioria de origem árabe.
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