Eu estava precisando do certificado de conclusão do ensino médio e não estava achando a minha cópia. A última vez que eu o vira tinha sido no mínimo há 20 anos. Eu tenho certeza de que ele está em alguma pasta em um lugar seguro aqui em casa, juntamente com todos os outros certificados que obtive depois. O problema é descobrir onde.
Então eu decidi procurar uma cópia onde concluí o ensino médio, a Escola Técnica Federal de Pernambuco, hoje IFPE. A primeira impressão foi ruim, porque fui ao site da instituição e não encontrei lá qualquer informação sobre como proceder. Não achei sequer um telefone de contato ou endereço de e-mail apropriado para obter informações. Então eu fui pessoalmente. E preocupado porque as únicas coisas que eu lembrava eram meu curso e quando concluí: o segundo semestre de 1989. Vinte e nove anos atrás. E só sabia o ano porque usei como referência o ano em que fui servir ao exército: 1990. Não lembrava sequer o meu número matrícula. Acostumado com repartições públicas que usam todo tipo de desculpa para não te atender eu fiquei apreensivo.
Na entrada me indicaram como ir até a recepção e de lá me mandaram para a sala 14. Não esperei nem cinco minutos para ser atendido e me deram um formulário de requerimento para preencher. O problema: o único documento aceito era uma cópia do RG (carteira de motorista não serve) por isso tive que voltar no dia seguinte. O segundo problema: me avisaram que o prazo para atender o meu requerimento era de 20 dias úteis. O que caía um pouco depois do prazo limite que eu tinha.
No dia seguinte voltei com o requerimento preenchido e o documento pedido. Fui atendido assim que cheguei e rapidamente. A moça me disse que eu poderia pedir o certificado e o histórico no mesmo requerimento, mas o prazo para emitir o certificado era o maior. Perguntei se podia pegar separadamente e ela me disse que não. Quando eu apontei que o prazo de 20 dias úteis era muito arriscado para mim ela disse que não me preocupasse, porque eles davam aquele prazo mas usualmente os documentos eram entregues bem antes disso e pediu que eu telefonasse uma semana depois para o telefone que ela ia indicar perguntando se os documentos estavam prontos. Meu número de matrícula não foi exigido apesar de ser perguntado no formulário de requerimento.
Isso foi na semana passada. Hoje eu liguei e estava pronto. Perguntei se eles fechavam para o almoço e disseram que não. Mas não pude ir nesse horário e liguei de novo já pensando que eles iam dizer que fechavam às 17h (não ia dar para mim), mas a resposta foi 19h. Não fecha para o almoço e ainda fica aberto até as 19h? Cheguei lá por volta das 17h15 e novamente fui atendido em cinco minutos e já estou com a cópia de meus documentos que foram arquivados 29 anos atrás.
E não me cobraram um centavo por isso.
Como o atendimento poderia ser melhor? Se a informação sobre o procedimento estivesse presente no site ou existisse um contato para obter informações eu não teria desperdiçado a primeira viagem até lá.
Trabalhei num IF anteriormente (em outro estado) e o padrão de atendimento e trabalho não é o clássico do funcionalismo público. Existe um esforço ativo e constante para se distanciar dessa imagem e de ter uma imagem positiva para a população (muita gente não conhece as IFs e acham que são só mais uma escola pública). Nas aulas os alunos são prontamente punidos ou até expulsos por falhas que passam batido nas escolas públicas, atualmente dominados por delinquentes em formação. E os prazos seguem a política do prazo folgado, melhor prometer em 20 dias e entregar em 7 (avaliação positiva) do que prometer em 5 dias e demorar oito.
Mesmo durante o período de 1986 a 1989, enquanto estive lá, a instituição não parecia com uma “escola pública”.
A propósito, eu sei a diferença porque frequentei duas estaduais. A primeira (5a série) tinha um ensino até razoável, com uma biblioteca de encher os olhos. Mas a segunda (1o Científico) era uma verdadeira “zona”.
Antes que alguém faça uma observação: sim eu sei que a carteira de motorista, mesmo vencida, deveria ser aceita como documento de identificação. Mas eu não estava disposto a criar um problema estando em busca de um documento com 29 anos de idade e de fato a carteira de identidade tem dois itens a mais: a anotação sobre minha certidão de nascimento e minha digital.
Eu presumo que isso tenha alguma importância, porque de outra forma é uma regra estúpida.
A ETFBA, daqui de Salvador também era uma instituição muito séria e com ensino de qualidade na década de 80, hoje imagino que já não seja a mesma coisa!
Neste ano (2018), eu tive que pedir ao IFF-RJ (antiga ETFC – Escola Técnica Federal de Campos), declaração de conclusão dos dois cursos técnicos que fiz lá: Eletroténica (conclusão em 1991) e Segurança do Trabalho (conclusão em 1994). Pedi a um sobrinho que fizesse a requisição na secretaria, pois não moro na cidade de Campos dos Goytacazes. Atualmente moro no Rio de Janeiro (capital). A secretaria informou ao meu sobrinho que seriam 90 dias para a entrega destas declarações. Na ficha de solicitação, informei apenas nome e CPF. E na retirada, apenas o próprio ex-aluno ou pessoa com autorização expressa para tal com firma reconhecida em cartório. O prazo para a retirada, foi durante a realização da copa do Mundo da Rússia. Daí viajei para a cidade e acabou coincidindo no dia útil para a retirada, num dia de jogo do Brasil. Aí eu pensei:
– Duvido que vai ter alguém para me atender neste dia.
Mas ainda assim com este pensamento, fui até a secretaria. E qual não foi a grande surpresa que a secretaria estava aberta e com funcionários. Me identifiquei e peguei as duas declarações sem pagar um mísero centavo à secretaria.
Fiquei estupefato! Quase não acreditei que havia conseguido retirar as declarações num dia de jogo do BRASIL.
Após ler o texto e os comentários, fiquei com algumas dúvidas sobre a necessidade de manter uma cópia do certificado de conclusão.
Quem é formado (faculdade) precisa ter o certificado de conclusão do segundo grau ?
Se eu entrar para outra faculdade, um novo curso, vou precisar do certificado ?
O meu diploma universitario já não seria um certificado ? Ou tem mais algum documento que eu preciso ter ?
O meu caso é “especial”. Eu não tenho diploma de curso superior.
E o caso genérico também é. O certificado das ETFs/IFs sempre vai ser importante a não ser que você tenha feito um curso superior na mesma área que o curso técnico.
Quanto ao seu caso, é um tanto complicado responder.
Esse “curso técnico” a que te referes, Jefferson, seria o equivalente aos cursos técnicos ministrador pelo SENAI? Eu tenho (além do superior) um curso técnico, que equivale ao meu 2° Grau (atualmente conhecido como “Ensino Médio).
Não sei se entendi sua pergunta.
Se você está perguntando se faz diferença ter um curso técnico do SENAI ou de uma ETF quando tem um curso superior na mesma área, eu não creio que faça alguma.
Agora, se você quer saber se há diferença entre um curso técnico do SENAI e o de uma ETF, eu acho que é grande. O vestibular difícil e extremamente concorrido das ETFs/IFs já dá uma boa idéia disso. Uma vez (muito tempo atrás, é verdade) eu fiz o teste para um curso técnico do SENAI e concluí duas coisas:
1)Se você não tirar 10 já está eliminado
2)Como o número dos que tiram 10 deve ser muito grande, a seleção é praticamente pela ordem de inscrição
Eu era considerado inteligentíssimo por muita gente quando adolescente e ainda assim só consegui vaga na minha quarta opção de curso na ETFPE. Ou seja, de 120 a 159 adolescentes (considerando turmas de 40 alunos) tiraram nota mais alta que eu e escolheram as mesmas opções que eu.
Foi a segunda opção. Obrigado! Eu fiz o exame de seleção em 1985 e pelo menos naquela época o SENAI era considerado referência na minha região (comparado com um 2° Grau “normal”). Tanto é que as pessoas que depois iam melhores nos cursos superiores na área eram as que tinham curso técnico (que pensando bem, deveria ser lógico mesmo!). Meu curso técnico eram em turno integral (manhã e tarde), tanto é que nos anos finais (apesar de morar relativamente perto da cidade do SENAI) eu dividi um alojamento lá com outros estudantes. Ele me ajudou muito no meu curso superior depois apesar de não ter NADA a ver com o que estudei (mas a base científica era muito boa!). Creio que hoje em dia eles decaíram um pouco (como aliás toda a educação em geral): naquela época tínhamos um SENAI que ainda tinha cosas herdadas (POSITIVAMENTE, ressalto!) do Regime Militar…