Cashback: uma esperteza que só é vantajosa para o lojista

Na primeira vez que ouvi falar do tal cashback, anos atrás, a primeira coisa que me passou pela minha cabeça foi: “e por que eu iria querer isso em vez de um desconto?”.

E eu continuo pensando a mesma coisa.

Não me entenda mal: entre ter o cashback e não ter o cashback (edit: nem desconto), é claro que é vantajoso para o consumidor que a compra tenha o danado do cashback. O problema é que os lojistas estão deixando de oferecer um preço com desconto (que na verdade é o preço real do produto) para oferecer cashback, que é uma esperteza do lojista.

Em números:

Se você fizer uma compra de R$1000 com 10% de desconto, você deixou de gastar R$100 e o lojista deixa de receber os mesmos R$100.

Na mesma compra de R$1000 com 10% de cashback, você gastou R$100 a mais do que gastaria se o lojista desse o desconto. O lojista embolsou os seus R$100, que você poderá trocar por mercadorias no futuro, pelo preço cobrado pelo lojista, porque não pode usar o dinheiro em outro lugar.

E com a grande chance de que o comprador “esqueça” do dinheiro ou morra antes de resgatar.

Mas o oba-oba que eu vejo na mídia faz o cashback parecer algo fantástico. Dá até a impressão de que é algo melhor do que simplesmente pagar mais barato. É surreal.

 

 

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7 comentários
  • Diogo - 13 Comentários

    Fora que não da pra usar o valor disponível para pagar toda uma compra, apenas uma parte dela…

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  • Fabio Esteves - 1 Comentário

    Hoje, só uso essa modalidade para abastecimento de combustivel, onde você querendo ou não os preços são praticados em régua.. acabo tendo uma ligeira vantagem por abastecer toda semana e o cash fica disponivel em uma semana… no caso de compras em lojas virtuais essa modalidade cai na situação que você citou… A mesma prática se aplica a cartões de loja, que cobram taxa para pagar a fatura no banco.. criando uma fidelização forçada levando o cliente de volta pra loja…

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  • Marcelo Neuri Haag - 60 Comentários

    Comigo é simples: se não tem a opção de desconto à vista e tenho mais opções de lojas, tempo, etc. simplesmente viro as costas e vou embora…

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  • Claudio - 36 Comentários

    Interessante como pegaram um conceito que existe a anos nos EUA, usaram o mesmo nome, mas implementaram uma coisa completamente diferente …

    Até ler esse post eu não tinha parado para entender como funciona esse “cashbak tupiniquim”, mas eu conheço o modelo dos EUA, que é basicamente um terminal de saque por conveniência. Funciona assim:

    Em vários lugares (que aceitam fazer isso, normalmente supermercados), ao finalizar a compra vc pode solicitar “cashback” ao pagar com o cartão, e é exatamente isso: Se a tua conta fechou em $250 e você pede $100 de cashback, o seu cartão é debitado em $350 e o vendedor tira $100 do caixa e dá para você. É uma forma de estabelecimentos que não tem terminal ATM atenderem ao publico que precisa sacar uns trocados.

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    • Jefferson - 6.106 Comentários

      Claudio, segundo o Dicionário Cambridge, cashback tem esses dois significados lá fora. O que você conhece e o usado/corrompido pelos brasileiros.

      A Investopedia lista três significados para o termo.

      Eu conheço no sentido de “dinheiro de volta” provavelmente há décadas, em anúncios que eu lia na Computer Shopper. A diferença é que nos EUA você recebe literalmente o dinheiro de volta, às vezes por depósito bancário. Nada dessa enganação de receber como crédito na loja, que para mim é só uma forma mais honesta e clara do famigerado “programa de pontos”.

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  • Jefferson - 6.106 Comentários

    Tem uma coisa que esqueci de acrescentar: quem também se beneficia com a oferta de cashback em vez de desconto é o governo, pois recebe os impostos calculados sobre o valor mais alto.

    Por exemplo, numa compra de R$1000 com desconto de 10% você paga impostos sobre os R$900 e depois eventualmente pode pagar impostos sobre os outros R$100.
    Numa compra de R$1000 com cashback de 10% você paga impostos sobre os R$1000 e depois certamente vai pagar impostos sobre os R$100.

    Em uma compra você paga impostos sobre R$900 (na pior das hipóteses sobre R$1000) e na outra você paga impostos sobre R$1100.

    A não ser que o cashback esteja na nota fiscal e não entre na conta dos impostos, o que acho difícil.

    Não consigo encontrar qualquer cenário em que cashback (versus desconto) seja vantajoso para o consumidor.

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