Switch Gerenciável Linksys SRW224G4 (24 portas + 4 gigabit) – Primeiras Impressões

O papelão com o Intelbras SF800 VLAN Ultra me lembrou que já havia passado da hora de me familiarizar com VLANs.  Procurando opções de switch gerenciável (normalmente o tipo de switch que suporta VLANs) no ML me deparei com um anúncio por um preço surpreendentemente baixo para as características do produto, pois enquanto a maioria dos switchs gerenciáveis de 24 portas custa mais de R$1000, este estava custando apenas R$436 com NFe (você encontra mais barato sem nota) e ainda tinha quatro portas gigabit (total de 28 portas). A existência de portas gigabit era um diferencial grande, que me permitiria aproveitar o switch em mais aplicações.

Quando pesquisei sobre o modelo na internet descobri a razão do preço baixo: o modelo saiu de linha há anos e provavelmente era um produto usado sendo vendido como novo. Não é novidade mas parece ter acontecido muito mais ultimamente.

Como o ML oferece uma garantia de devolução de sete dias para eletrônicos decidi arriscar. Estava preparado para examinar o switch com uma lupa, procurando pelos sinais de uso como poeira e oxidação nas portas. Não estava preparado para o que recebi.

O switch não podia ser mais novo. Caixa original em papelão branco plastificado, com a marca linksys, brilhando de nova. Switch com aquele cheiro de plástico novo. Todos os acessórios…

Deu até vontade de comprar outro (o vendedor ainda tem sete hoje) mas estou me segurando para não fazer despesas à toa.

Sobre a possível idade do switch

Esta página sugere que o modelo foi vendido pela última vez pelo fabricante em abril de 2018. “Apenas” três anos. Porém esta página sugere que foi fabricado antes de 2010, porque a versão do firmware instalada pelo usuário na época, 1.2.1b, é igual à minha. Aí o switch já tem pelo menos 11 anos.  Isso é corroborado pelo documento da Cisco (que comprou a Linksys) 75335-SRW224G4-248G4_V1.1_Firmware_V1.2.3.0.pdf, disponível nesta página, que informa que a versão mais recente do firmware foi lançada em 25/11/2008. Então ou switch passou pelo menos 13 anos guardado em um depósito ou foi propositalmente fornecido com uma versão mais antiga do firmware e nesse caso pode ter apenas três anos mesmo. O que faz sentido, já que o documento informa que a versão mais recente do firmware tem um monte de bugs. Não parece ser prudente atualizar para ela.

O que aprendi sobre o switch até agora

  • Consumo de energia: 13.8W (9.9kwh mensais) com tráfego leve. Medido com um PMM2206. Para se ter uma idéia, eu tenho um switch vagabundo de oito portas aqui que consome 1.9W (1.4kwh mensais) nas mesmas condições. Pode ser tolice deixar um switch desses ligado na sua casa “só porque está disponível” pois em um ano a diferença na conta de luz paga por um switch comum de oito portas;
  • Possui ventilador interno, ligado permanentemente, que é audível à distância em ambiente silencioso. Como estou testando em casa, no escritório/oficina, o ruído é evidente;
  • Versão do firmware 1.2.1b;
  • Compatível com rack padrão. Apesar da foto, vem com os suportes laterais já instalados;
  • Alimentação 110-220V automática;
  • As portas gigabit funcionam como um switch gigabit de 4 portas. Na prática o switch tem 28 portas;
  • Tem duas portas miniGBIC (fibra óptica) compartilhadas com as portas G3 e G4. Mas é altamente improvável que eu use isso;
  • Portas gigabit sinalizam conexão 1000Mbps com cor de LED diferente;
  • Quaisquer portas podem ser agrupadas para criar uma porta que tem a soma das capacidades individuais. Por exemplo, você pode agrupar 4 portas de 100Mbps para ter uma conexão de 400Mbps com outro switch. E aparentemente isso serve para oferecer redundância também (se uma porta ou cabo do grupo falhar, as outras mantém o link, embora mais lento);
  • Se tem uma bateria interna, possivelmente está morta a esta altura. Se eu configuro a data e hora nele, isso se perde ao desligar a energia;
  • IP default 192.168.1.254. Você pode configurar para DHCP depois;
  • Credenciais default: admin/
  • Configuração via interface web compatível apenas com Internet Explorer e provavelmente foi projetado para uso com o IE8. Para a configuração funcionar no IE11 basta adicionar o IP do aparelho na lista de compatibilidade;
  • Leva cerca de 1 minuto para dar boot. Apesar dos LEDs correspondentes a cada porta acenderem segundos depois de ligado, só há conectividade quando o boot termina;
  • Gerenciamento por linha de comando via console serial com conector DB9. Mas só me parece realmente necessário usar essa porta se você esquecer a senha ou IP do aparelho e precisar resetá-lo. Todas as funções do dia a dia estão disponívels via Web-GUI; Uma das versões do firmware tem um bug que, até onde pude entender, impede você de usar algumas funções da web GUI se o único usuário for o admin. É bom criar logo um novo usuário;
  • Ao criar um novo usuário, o usuário admin é apagado automaticamente, por isso certifique-se de que sabe a senha que está configurando;
  • A proteção contra loops (STP) funciona, se habilitada;
  • Alterar certas configurações, como STP, faz com que a conectividade de todo o switch seja paralisada por vários segundos;
  • A CISCO parece ter apagado tudo o que havia de suporte para o aparelho em seu site. Você depende de quem tem o aparelho e escreveu sobre ele para tirar suas dúvidas.

Minhas notas sobre o recurso VLAN

Tenha em mente que ainda estou aprendendo a usar isso e o que vou escrever aqui pode nem fazer sentido.

Conceitos

  • Access Port – Só pode fazer parte de uma VLAN e esta tem que ser untagged;
  • Trunk port – Pode fazer parte de mais de uma VLAN e precisa usar tags para a identificação;
  • General port – Pode fazer parte de mais de uma VLAN. Ainda não estou certo de qual a diferença para o modo Trunk.
  • VLAN de gerenciamento – A VLAN que dá acesso à configuração do switch. Por default é a VLAN 1 e todas as portas fazem parte dela.

No momento em que você atribui uma porta no modos Access ela é apagada da VLAN de gerenciamento, por isso cuidado ao mexer na porta que você está usando para acessar o switch.
Isso também pode tornar inviável a administração remota do switch. Normalmente, o acesso à internet vai estar numa VLAN separada, então nenhuma máquina que tenha acesso à internet vai ser capaz de acessar o gerencimento do switch.

Ao colocar uma VLAN no modo Trunk e atribuir a uma segunda VLAN ela não deveria ser apagada da VLAN de gerenciamento, até mesmo porque ao adicionar VLANs à porta só deveria estra disponível a opção “tagged”, mas aconteceu com a primeira porta que configurei de a primeira VLAN adicionada ser “untagged”, o que removeu a porta da VLAN1. Talvez a primeira porta trunk criada precise não fazer parte da VLAN1.

Como é uma característica do uso de VLANs que usando-as você pode restringir o acesso à configuração do próprio switch e o usuário anterior pode ter restringido o acesso à VLAN de gerenciamento a apenas uma porta que você não sabe qual é, tentar adivinhar o IP em que o switch está configurado pode ser absoluta perda de tempo se não estiver configurado para DHCP.

Se você apagar uma VLAN, todas as portas associadas a ela passam a fazer parte da VLAN1 se não forem membros de outra.

Apenas portas no modo Trunk e General podem fazer parte de mais de uma VLAN. E apenas em uma ela pode ser Untagged.

Para mudar o modo da porta entre Acces, Trunk e General: VLAN Management -> Port Setting

Para incluir uma porta em uma VLAN existem dois caminhos:

  • Vlan Management -> Ports to Vlan -> Escolha a VLAN e mude a configuração de “Exclude” para “Untagged”
  • Vlan Management -> VLAN to Ports -> Escolha a porta e clique em Join VLAN

 

 

 

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