Eu já saí de Recife sabendo que o aeroporto de Frankfurt oferecia mais de 300 pontos de acesso Wi-Fi gratuito e ilimitado. Eu pensei em comprar um chip de celular em Frankfurt que funcionasse também em Dublin, mas os reviews que li sobre isso não me deixaram seguro, sendo o maior problema que eu ia comprar um chip em um país para usar primariamente em outro (roaming). Um monte de blogs de viagem recomenda já sair do Brasil com o EasySIM4u, mas as condições me pareceram péssimas: 67 dólares por apenas 10GB de dados e 14 dias de uso. E como todos esses blogs estavam ganhando dinheiro com isso (programa de afiliados) eu fiquei seriamente desconfiado de que não era a melhor opção.
Pesquisei as opções na Irlanda e fiquei interessado no plano da Lycamobile que dava 25GB de dados locais por 30 dias por 15 euros (vejam só a diferença para a oferta da EasySIM4u), mas minha irmã recomendou comprar o chip da Three Ireland, que por 20 euros oferece internet ilimitada e ela usa para assistir a filmes o tempo todo.
Então meu planejamento contava com ficar incomunicável durante as 10h do voo Recife-Frankfurt, restabelecer contato brevemente na chegada ao Terminal 1, ficar incomunicável por mais umas cinco ou seis horas enquanto estivesse passeando por Frankfurt e restabelecer contato ao chegar ao Terminal 2, de onde partiria nosso vôo.
Para me garantir, considerando que eu ia precisar usar GPS em Frankfurt, saí de casa com dois smartphones carregados e pedi a mamãe que fizesse o mesmo. O site da Condor informava que cada poltrona, mesmo na classe econômica, tinha acesso a uma “porta USB” e eu imaginei que isso poderia ser usado para carregar os celulares, o que acabou se confirmando. Toda poltrona tem acesso a um monitor LCD com um conector USB que fornece energia suficiente para manter carregadas as baterias, então ao final das 10h de vôo nosso aparelhos ainda estavam 100% carregados.

A porta USB no lado direito com meu cabo plugado. Sim, a temperatura lá em cima chega a -42C!
Em Frankfurt me surpreendi ao descobrir que o celular de minha mãe (Samsung J7) não conectava à rede do aeroporto de jeito nenhum. Isso estava mais ou menos coberto pelo meu planejamento de 4 aparelhos, mas eu não esperava que um aparelho funcional e completamente carregado que nunca apresentara um problema desse tipo pudesse ser inútil. Saí andando pelo terminal tentando conectar e não consegui. Isso gerou um inconveniente porque só o que ela usa de internet são redes sociais e o Whatsapp dela estava amarrado ao J7. Usando meu telefone (Samsung A5) eu também tive uma surpresa, mas positiva: no Terminal 1 eu sequer precisei me registrar para ter internet. Bastou conectar à rede e navegar. O registro, que só requer nome e endereço de email, só foi requerido horas depois, no Terminal 2.
Sabendo que não teria acesso à Internet durante o passeio, ainda em Recife eu instalei no meu telefone a app Here WeGo, que funciona completamente offline. Também pré-carreguei o mapa offline de Frankfurt no Google Maps, mas quando realmente precisei o danado do Google Maps apesar de me mostrar o mapa da cidade se recusou a fazer a rota enquanto eu estivesse offline. Pior ainda: o mapa que eu tinha feito no Google Maps com todos os pontos importantes (lanchonetes, restaurantes, banheiros, etc) não estava disponível offline, me obrigando a usar o meu plano B: uma lista textual com endereços. No final acabei usando apenas o Here WeGo.
Eu havia instalado uma app que supostamente localiza pontos de Wifi gratuito, a Wifi Map, mas esqueci completamente dela enquanto estava em Frankfurt.
Entretanto de certa forma foi bom termos ficado sem comunicação durante nosso passeio, porque quando eu consegui conexão no retorno ao Aeroporto, três horas antes do voo para Dublin, uma mensagem da minha irmã nos esperava avisando que o voo havia sido cancelado e que eu entrasse em contato assim que recebesse a mensagem. Foi melhor assim, porque não havia absolutamente nada que pudéssemos fazer, isso só teria nos preocupado desnecessariamente e de qualquer forma teríamos que ir ao balcão da Aer Lingus no aeroporto para obter instruções.
A maior parte das 24h seguintes passamos no Steigenberger Airport Hotel, com tudo pago pela Aer Lingus. E lá tínhamos Wi-Fi gratuito (a senha é “Steigenberger”) e até acesso livre e privado (a porta é de vidro, mas você pode fechar) a computador com acesso à internet e impressora no Business Center do hotel.

Eu só descobri que tinha acesso a isso quando perguntei na recepção se eles poderiam imprimir nossos novos cartões de embarque depois que eu refiz o check-in online. Se não me engano na outra sala a impressora era multifuncional.
A propósito, o teclado é alemão e deve ser tão comum os visitantes se enrolarem com isso (eu me perdi por alguns segundos) que a plaquinha que você vê à esquerda do monitor tem instruções em inglês de como digitar certos caracteres, como o “@”.
Então nesse período comunicação não foi nenhum problema. Nós tivemos que fazer o checkout ao meio dia e o voo era às 20h50 mas quando eu perguntei na recepção se poderíamos ficar algumas horas esperando no lobby do hotel o recepcionista não fez qualquer objeção. Ficamos lá até as 15h, só para não abusar muito, porque eu tinha certeza de que esperar no hotel era muito mais confortável do que no saguão do aeroporto. Não tive que pagar nada pelo transporte porque do Steigerberger sai uma van de 13 lugares a cada 20 minutos em direção ao Terminal 2 e um ônibus em direção ao Terminal 1.
No meu primeiro dia em Dublin minha irmã comprou meu chip da Three por 20 euros. Tanto eu como minha irmã podíamos ativar o hotspot e compartilhar com mamãe, mas dois dias depois, durante um passeio pelo centro de Dublin e depois de conversar com minha irmã sobre o que fazer para garantir que nossa mãe pudesse achar o caminho de volta (ela não sabe usar mapas) caso ela se perdesse de nós dois (uma possibilidade muito pequena mas que provocaria uma angústia geral) eu sugeri que era melhor que mamãe também tivesse seu próprio chip. No fim das contas 100 reais é muito por um plano pré-pago de 30 dias, mas muito pouco pela certeza de mamãe poder entrar em contato conosco, em português, de onde estivesse. Nem precisava depender de Whatsapp, porque os três chips eram da mesma operadora. O plano da Lycamobile sairia por R$75, mas aí as ligações para nosso grupo da Three ficariam mais caras. Eu havia cogitado inicialmente deixar com ela uma mensagem em inglês com o endereço e instrui-la para procurar pelas cores da Garda (polícia Irlandesa), mas quando lembrei do chip achei que era bobagem.
O que eu achei mais interessante na compra dos chips da Three é que é completamente anônimo. Você não apresenta nenhuma identificação para comprar o chip e nem para usar. Na primeira ligação de voz você é transferido para uma central de registro automático, mas tudo o que acontece é você ouvir uma mensagem gravada informando que esse registro automático está acontecendo. Nenhuma informação sua é pedida ou dada.
A minha impressão da velocidade de dados da Three ainda não foi boa, mas eu só parei até agora para precisar disso no apartamento da minha irmã.
E essa estória ainda tem 20 dias para acabar.
Eu não li o livro, mas assisti o filme no cinema, gostei bastante (mas eu sou suspeito, gosto muito de ficção científica)! Eu tenho uma cópia dele em 4K, eu só guardo em 4K os filmes que eu gostei realmente, pois me ocupam muito espaço no HD! E já assisti uma segunda vez pelo midia player!