Notas:
- Antes dessa viagem eu nunca viajara de avião na vida;
- O viajante experiente provavelmente vai notar onde fui ingênuo com relação à bagagem de cabine bem antes de eu apontar isso. Mas talvez ache interessante ler sobre meus percalços com a bagagem de porão;
- Eu sempre fiz as contas antes e durante a viagem como se cada euro custasse R$5, apesar de termos comprado por valores entre R$4,75 e R$4,85.
A maldita bagagem foi, certamente, o maior motivo de estresse repetitivo que tive com essa viagem. Conseguindo superar até o planejamento para enfrentar as duas imigrações no caminho de ida. Eu estava estressado com a bagagem um mês antes da viagem de ida e só realmente relaxei cerca de dois dias antes da viagem de volta, quando finalmente o último problema foi resolvido.
Quando você viaja de avião sempre tem direito à chamada “bagagem de cabine” que leva consigo, como o próprio nome diz, na cabine. E às vezes tem direito à “bagagem de porão”, que precisa despachar no balcão de check-in da companhia aérea. Parte do problema é que não existe uma padronização, com cada companhia aérea tendo suas regras. E nós íamos fazer uma viagem com conexões tanto na ida quanto na volta ficando assim à mercê das disparidades entre três companhias.
Viagem Recife-Dublin: Condor e Aer Lingus
As regras da Condor estabelecem que cada passageiro da classe econômica pode levar na cabine uma mala de até 6kg e 55 x 40 x 20 e um “objeto pessoal”, como um notebook, de tamanho e peso indefinidos. Para a bagagem de porão cada passageiro, saindo do Brasil e independente da classe, pode levar duas malas de 32kg. Se eu estivesse indo apenas para Frankfurt isso estaria excelente, mas eu precisava pegar depois o vôo da Aer Lingus para Dublin;
As regras da Aer Lingus eram: na cabine uma mala de até 10kg e 55 x 40 x 24 e mais um objeto pessoal como um notebook com no máximo 25 x 33 x 20. E nenhuma bagagem de porão.

Eu precisei colocar em uma tabela para poder chegar a uma conclusão:
|
Mala – Dimensões |
Mala – Peso |
Item pessoal – Dimensões |
Item Pessoal – Peso |
| Aer Lingus |
55x40x24 |
10kg |
25x33x20 |
Indefinido |
| Condor |
55x40x20 |
6kg |
Indefinido |
Indefinido |
Os itens em vermelho determinavam o menor denominador comum. Mas eu pude “trapacear” um pouco. Já que na Condor tínhamos franquia de bagagem de porão eu considerei o limite como sendo de 10kg e fui ao aeroporto pronto para despachar até Frankfurt as malas que tivessem mais que 6kg e levá-las na cabine no vôo da Aer Lingus.
Mas não era tão “simples”.
O primeiro e mais óbvio problema era o peso das próprias malas. Uma das malas que tínhamos, daquele modelo de plástico com rodízios que você não precisa fazer esforço para conduzir, pesava vazia 2,8kg. A outra, vagabundinha, quase toda de tecido, pesava 1.5kg. Nessa diferença de 1.3kg dava para levar mais duas calças jeans! Compramos outra mala de tecido, um pouco menor que a primeira mas como os mesmos 1.5kg.

Nossas malas de cabine, que identifiquei em casa com símbolos da Irlanda para não ter jeito de pegar as malas erradas na esteira, se fossem despachadas.
O que eu só descobri quando começamos a realmente preparar as malas, 30 dias antes da viagem (ainda bem), é que é praticamente inviável enfiar 8.5kg de roupas em uma mala leve de 55x40x20 e fica mais difícil ainda quando você comprou uma mala menor. Depois de quebrar muito a cabeça com isso decidi trapacear, saindo de casa já vestido com os casacos mais pesados (até dois deles), mais um enrolado na cintura e todos os celulares e a câmera nos bolsos do jeans.
Viagem Dublin-Recife: Aer Lingus e TAP
Eu precisava me submeter novamente às regras da Aer Lingus mas a TAP adicionava complicadores, com as regras mais confusas entre as três:

É possível ler a exceção da TAP para o Brasil de duas maneiras:
- Que eu podia levar uma peça de bagagem e somente uma peça de bagagem (nada de “item pessoal”) com até 10kg;
- Que eu podia levar uma peça de bagagem de 10kg e o item pessoal de até 2kg. Total de 12kg
A nova tabela:
|
Mala – Dimensões |
Mala – Peso |
Item pessoal – Dimensões |
Item Pessoal – Peso |
| Aer Lingus |
55x40x24 |
10kg |
25x33x20 |
Indefinido |
| Condor |
55x40x20 |
6kg |
Indefinido |
Indefinido |
| TAP |
55x40x20 |
8-10kg |
Indefinido |
2kg |
De um jeito ou de outro essas eram as regras mais problemáticas. Nenhuma das outras duas companhias aéreas determinava o peso do item pessoal e 2kg é muito pouco. Sabe quantos notebooks eu conheço que pesam 2kg ou menos? Talvez o macbook air. E certamente nenhum dos notebooks que eu possuo, principalmente quando adicionamos o peso da fonte com o cabo. Caramba: o peso de uma bolsa/mochila apropriada para transportar um notebook com segurança já passa fácil de meio quilo. Eu tive que ligar para o suporte da TAP (e gravei a ligação) para conseguir a confirmação de que eram 12kg no total. Mas o funcionário que me atendeu não me passou muita confiança de que eu não teria problemas com isso. Por conta disso eu resolvi levar comigo um notebook que não fosse me fazer falta, já pronto para ser deixado de presente para minha irmã em Dublin. E acabei deixando mesmo.
Mas sabe, no final das contas, que importância tinha toda essa minha preocupação com bagagem de cabine?
Absolutamente nenhuma!
O primeiro indício foi no check-in da Condor. Despachamos a mala de minha mãe que estava com 8,5kg, mas quando eu perguntei se podia levar para a cabine minha mala que tinha 7kg (o limite da Condor é 6kg) a funcionária disse que eu podia. E me deu uma etiqueta da companhia para colar na bagagem que dizia que esta estava dentro dos limites permitidos. O que mais tarde eu concluí que é “apenas teatro”.

Possivelmente por causa do check-in online, ninguém na porta do avião verifica essa etiqueta.
Dentro do avião fiquei espantado ao ver uma moça literalmente espancando uma mochila de viagem tão grande que não conseguia entrar nos armários suspensos, até desistir e levar para o assento. Aquela mochila claramente desrespeitava os limites da Condor e claramente era um problema para acomodar na cabine, mas ninguém pareceu se importar. A verdade é que apesar de existirem dois pontos em que a companhia aérea verifica seu cartão de embarque e poderia também verificar sua bagagem, mesmo quando você faz check-in online: o gate e a porta do avião, ninguém parece estar preocupado com isso e desde que você não tente passar com algo de tamanho absurdo, que claramente não vai poder ser acomodado nem nos armários nem aos seus pés no assento (e o exemplo da moça com sua mochila me faz duvidar até disso), você pode levar para a cabine do avião uma bagagem com qualquer peso que você possa carregar. Nessa viagem eu embarquei no total em sete aviões e em nenhum momento apareceu alguém com um gabarito na fila de embarque para ver se a bagagem tinha as dimensões permitidas e muito menos com uma balança. Isso pode acontecer, entretanto. Eu não estou recomendando que você ignore completamente as regras, porque você pode ser apanhado em um dia de azar.
Mais que isso: a realidade é tão bagunçada que parece até ser possível trapacear algumas companhias aéreas para também não pagar por bagagem de porão, desde que seja no máximo do peso oficialmente permitido para a bagagem de cabine.
Na Aer Lingus, por exemplo, você sempre pode ir ao balcão de check-in despachar sua bagagem de cabine para o porão, mesmo sem ter direito a bagagem de porão. Eu só descobri isso quando uma senhora irlandesa, me vendo todo enrolado com as malas lá em Frankfurt, me disse que eu poderia ter despachado. Faz sentido, porque afinal não faz nenhuma diferença para a companhia aérea com relação ao peso e é até vantajoso para a mesma quando o vôo está lotado, porque comumente não há espaço nos armários se cada passageiro embarcar com seu limite.
Mas aí você em teoria pode chegar ao balcão com um conjunto de bagagens de cabine para despachar e depois se dirigir ao portão de embarque com mais um! Com o advento do check-in online qualquer pessoa pode ir direto para o portão de embarque, daí aquela etiqueta que eles prendem na sua bagagem de mão para dizer que esta está dentro das regras não é algo que o pessoal do portão de embarque vá exigir.
Eu não testei isso, é claro, mas você pode ser apanhado se ao fazer o despacho a companhia colocar uma observação no seu bilhete informando que a sua bagagem de cabine foi despachada, porque no gate algumas companhias, como a própria Aer Lingus, passam o seu cartão de embarque em um leitor. Eles não se limitam a ler o que está escrito e deixar você passar. Você também pode ser apanhado se o vôo estiver lotado e no portão de embarque solicitarem que sua bagagem de cabine seja enviada para o porão (o que aconteceu no vôo de volta pela TAP), o que é um pouco mais difícil porque se você disser que existem objetos de valor na bagagem em teoria as regras das próprias companhias o proíbem de despachá-la.
A bagagem de porão
Nesse item a TAP foi responsável por muito estresse e noites mal dormidas. Resolvemos pagar extra por uma bagagem de porão na volta, porque nenhuma de nossas passagens dava direito a uma e gostamos do preço e da qualidade das roupas em Dublin. Para o vôo da Aer Lingus de Dublin para Frankfurt tivemos que pagar 45 euros extras e isso pôde ser feito facilmente (a lógica me diz que pagar deveria ser sempre fácil) mas no vôo da TAP de Frankfurt para Recife as coisas foram beeeem mais complicadas.
Primeiro eu tive que passar pela descrença da minha irmã, que não acreditava que nossas passagens (que ela comprou) não dessem direito a bagagem de porão. Eu vinha avisando-a disso desde antes de sair de Recife, porque estava escrito nas reservas e não via sentido em não termos bagagem de porão na volta (quem passa 30 dias no exterior e não traz nada?) mas minha irmã, sendo minha irmã, me ignorava. Somente 10 dias antes da volta eu consegui convencê-la de que ela precisava pagar pela bagagem (era o cartão de crédito dela, mas não o dinheiro dela). O motivo da descrença é que as regras mudaram em setembro de 2017, bem depois do seu último vôo intercontinental. Até essa data todo bilhete da TAP dava direito a uma peça de bagagem de porão, mas depois disso as passagens da tarifa “discount” não davam mais.
O custo de uma peça de até 23kg em um vôo intercontinental da TAP era de 70 euros se contratado até 36 horas antes do vôo e 85 euros se deixássemos para fazer isso após a abertura do check-in online. Isso somado ao custo na Aer Lingus colocava o custo da nossa mala em algo entre 115 e 130 euros (R$575 a R$650). Sim, cada quilo custava no mínimo R$25 e eu lembrava minha mãe constantemente disso a cada peça de roupa comprada.
O grande susto, que começou a me deixar realmente estressado, foi quando fiz uma ligação via skype para a TAP para confirmar que não tínhamos direito a uma bagagem de porão (exigência de minha irmã, apesar de todas as evidências que eu havia apresentado em contrário). Meu diálogo com o atendente foi mais ou menos assim:
- EU: [passei as informações da reserva] Gostaria de saber se essas passagens dão direito a bagagem de porão;
- TAP: Não, senhor, não dão. Gostaria de reservar agora?
- EU: Não, porque não tenho o cartão de crédito comigo agora, mas por favor poderia confirmar o valor?
- TAP: Sim, 22 euros por peça de 23kg
- EU: [espantado] Tem certeza? O meu vôo é intercontinental (como é que ele não sabe disso?)
- TAP: Ahh… sim. Desculpe. [algum tempo digitando] Estou vendo aqui que nesse caso, como o vôo é operado por uma companhia aérea parceira, a Hi-Fly, eu não tenho como fazer a reserva.
- EU: Mas pode me dizer quanto vai custar?
- TAP: Não, senhor. Só no aeroporto.
Eu já havia notado em uma das listagens da reserva da TAP que uma das pernas do vôo era operada por outra companhia, mas o fato de que isso seria um complicador com a bagagem era inesperado. Lá estava eu, com uma mala de 23kg pronta, sem fazer idéia de quanto ia custar para embarcá-la em Frankfurt e nem se poderia embarcar, quando eu já estaria a milhares de quilômetros da residência de minha irmã e teria como única outra opção abandonar no aeroporto centenas de euros em roupas e as dezenas de horas, acredite, de nossos passeios gastas para escolhê-las. Perder essa mala seria traumatizante! Eu só consegui ficar mais tranqüilo quando pesquisei no Google por alguém reclamando de ter que abandonar sua mala no aeroporto e não encontrei nada, em português ou inglês. O problema então ficaria por conta do quanto isso iria custar.
Fui consultar a página da TAP sobre a bagagem de porão para ver se encontrava informações sobre esse caso e fiquei animado ao ver isto:

Bem, se eu comprei a passagem à TAP e o site da TAP diz que o preço no aeroporto também é de 85 euros, não importa quem está operando o vôo, certo?
Mas aí eu encontro isso lá no fundo da página:
aaaaaiiiiii…
Eu pesquisei o que eu poderia fazer nas três horas que tinha de conexão em Frankfurt se o despacho no check-in não fosse viável. Mandar a mala como carga? Como fazer isso? Tinha que agendar com antecedência? O balcão de check-in da TAP se encarregaria disso? Teria que procurar o balcão da TAP Cargo no aeroporto? Quanto isso custaria? Para meu espanto, ao pesquisar quanto custaria enviar uma mala desacompanhada de 23kg de Dublin para Recife em empresas especializadas que anunciavam “não pague por excesso de bagagem” me deparei com um custo de 250 euros. Inviável.
Essas questões ocuparam minha cabeça por dias. Enquanto isso eu decidi tentar outra coisa: sempre é possível que eu tenha sido atendido, na minha conversa pelo skype, por um estagiário (aquele cara que sempre consegue te dar a informação errada na empresa) então eu ia tentar um novo contato telefônico para tentar resolver isso mas antes mandei uma mensagem para a TAP via página da empresa no Facebook, fazendo de conta que nunca recebera uma negativa. A única reposta que recebi inicialmente foi uma automática dizendo que a resposta “poderia demorar”. Eu sabia disso porque na página já dizia que eles respondiam tipicamente em três horas, mas eu não imaginava o quanto estava enganado.

A resposta útil só chegou após inacreditáveis cinco dias, mas pelo menos era positiva!

Como naquele momento estávamos no nosso último dia em Paris e em roaming sem fazer idéia de quanto a ligação iria durar e quanto iria acabar custando, pedi que ligassem no dia seguinte, mas isso acabou não sendo opção porque íamos perder quase R$75 para fazer esse adiamento. O custo do roaming entre países europeus não deveria custar mais que isso [1].

Nessa troca de mensagens estávamos no metrô de Paris. E começou outra rodada de estresse, com minha irmã receosa de passar as informações do cartão de crédito dela [2] por telefone para alguém que estava ligando para ela e não o oposto. Ela disse que nunca fizera isso antes. Eu expliquei para ela que eu não era nenhum idiota (é impressionante como após décadas eu ainda tenho que ficar repetindo isso para ela) e aquela era mesmo a TAP porque eu chegara até o contato deles no Facebook via link no site oficial da empresa, que eu também sabia reconhecer. E que qualquer eventual lançamento indevido no cartão dela podia ser cancelado até 90 dias depois com uma ligação para a administradora do cartão. Nota: apenas em transações onde não é usada a senha, que não deve ser dada por telefone ou via web de qualquer forma.
Mas ela só ficou mais tranqüila quando ouviu a voz do outro lado da linha falando em português de Portugal. Vá entender…
Após esse contato no Messenger a TAP começou a agir como uma empresa profissional e prestativa. Ligaram a primeira vez mas minha irmã não ouviu porque tinha esquecido o telefone no modo silencioso. Ligaram a segunda vez e minha irmã pediu que ligassem 10 minutos depois porque já estávamos dentro do vagão do metrô (e ela não ia passar as informações do cartão com todo mundo ouvindo). E ligaram a terceira vez quando estávamos no pátio do Museu do Louvre, quando então finalmente nossos problemas com bagagem chegaram ao fim.

A ligação durou um tempão, porque depois que minha irmã passou todos os seus dados, incluindo endereço de cobrança do cartão, ficou um longo tempo ouvindo música de espera enquanto eles finalizavam a operação, mas conforme fiquei sabendo depois a ligação em roaming não teve custo algum.
Minha irmã só ficou tranqüila mesmo quando recebeu um email vindo da TAP confirmando a alteração na reserva. Isso me tranqüilizou também, claro, mas por outra razão. Agora o envio da mala estava garantido.
O que aprendi nesse episódio:
- Mexa-se para resolver o problema da bagagem com muita antecedência. Eu só consegui viajar sem essa dúvida na minha cabeça porque comecei a ir atrás disso mais de 10 dias antes da viagem de volta;
- Nunca confie na negativa de apenas um palerma do atendimento da companhia. Tente outros horários e/ou outros canais de atendimento
Eu estava inclinado a acrescentar “procure assegurar a bagagem de porão já durante a reserva, se possível”, mas acabo de fazer uma simulação de reserva de um vôo Recife – Lisboa pela TAP para Agosto de 2019 e o preço a acrescentar por cada bagagem de 23kg ficou em 86 euros. Não há então incentivo nenhum para reservar isso com antecedência, até mesmo porque é mais dinheiro que você perde caso não possa fazer a viagem (a reserva na classe econômica não é reembolsável).
Na viagem de Dublin para Paris não houve estresse algum com bagagem. Nós só íamos passar três dias e os 10kg + item pessoal eram mais que suficientes. Pelo menos para mim e mamãe, que dividimos uma mala. Minha irmã levou uma mala abarrotada de roupas só para ela mas na volta admitiu que não precisara nem da metade.
[1] Mais tarde eu descobri no site da nossa operadora que as ligações recebidas em roaming eram gratuitas e as originadas custavam apenas 38c por minuto para qualquer lugar da Europa).
[2]Eu havia levado dois cartões de crédito internacionais na viagem e poderia ter feito o pagamento caso minha irmã se recusasse. Mas eu já estava na Europa há mais de 24 dias e ainda não havia testado os cartões, porque levamos 4 mil euros em espécie que eram mais do que suficientes para cobrir todas as nossas despesas e ainda sobrava dinheiro. E ia ser ainda mais estressante ver os cartões sendo recusados. Além disso minha irmã ganha em euro e não precisa se submeter como eu às múltiplas conversões, impostos e à imprevisível cotação do dia no fechamento da fatura.
Ryan,
Li a resolução e entendi que foi sim criada a categoria Engenheiro(a) de software.
Ao que parece, apenas foi enquadrado dentro da macro categoria “Engenheiro Eletricista” e não simplesmente “eletricista”, conforme cita o Parágrafo único:
“Parágrafo único. O respectivo título profissional será inserido na Tabela de Títulos Profissionais do Sistema Confea/Crea conforme disposto no caput deste artigo e da seguinte forma:
I – título masculino: Engenheiro de Software;
II – título feminino: Engenheira de Software; e
III – título abreviado: Eng. Soft.”
Temos várias categorias de engenheiro que estão dentro desta categoria, para diferenciá-la das demais engenharias, como civil, mecânica, química, etc…”.
veja a resolução no link a seguir: “http://normativos.confea.org.br/downloads/anexo/0473-02.pdf”
Não seria apenas isso? mesmo o “apenas” representando muito…
Marco, eu notei cada uma das coisas que você observou antes de escrever meu post. O trecho que eu citei não deixa margem para engano. Eu só deixei de lado o “engenheiro” para dar ênfase ao absurdo “eletricista”. Se eu fosse engenheiro eletricista eu não gostaria de ser chamado de engenheiro eletricista. Eu diria que “estudei engenharia elétrica”.
Eu acho que você concorda que não tem qualquer cabimento. Essa “subordinação”, mesmo que só exista em uma tabela, chega a ser ofensiva. E não estou falando de minha percepção da conotação pejorativa do termo “eletricista”. Poderiam colocar na modalidade “mecânico” que eu faria a mesma objeção.
Notar que eu não sou nem pretendo ser engenheiro de software.
Jefferson,
Concordo com você, sou formado em engenharia elétrica, por consequência, sou “engenheiro eletricista”. Acho esta denominação horrível, porém é o que temos pra hoje. rsrsrsrs.
Mas você tem toda razão.
Saudações.
Uai, mas qual seria o termo “correto”??
“Engenheiro de eletricidade”?
É já que estamos nisso o que é um “engenheiro civil”? Aquele que não é militar?
Segundo a Wikipedia, é isso mesmo:
Eu tive um professor na Engenharia Elétrica que falava que Engenheiro Elétrico era aquele que precisava estar ligado na tomada pra funcionar. E o correto era Engenheiro Eletricista mesmo. Eu concordo com ele.
Mas seguindo essa lógica você deveria ser engenheiro civil também.
Note que eu sugeri “Engenheiro de Eletricidade”, que é uma forma similar a “Engenheiro de Software” ou ao mais tradicional “Engenheiro de Minas”. Essa última categoria deve dar graças a Deus todos os dias por algum burocrata (ou um comitê deles) não ter decidido que deveria ser “Engenheiro Mineiro”.
Por isso chamam o pessoal de T.I. para ver pq o ar condicionado não gela, rs
Sem querer estragar a piada, um dia por causa de IdiOTice generalizada vai ser comum ter que chamar mesmo!
Parabéns ao CONFEA por adicionar a Engenharia de Software.
Sou graduado em Engenharia de Software, não vejo a hora de tirar a carteira do CREA, e poder recolher ART dos programas que riar, modificar ou eliminar.
Anotação de Responsabilidade Técnica por SOFTWARE?!
Isso vai ser lindo!
De acordo com a Segunda Lei de Weinberg, se contrutores construíssem prédios da mesma forma que programadores escrevem programas o primeiro pica-pau a aparecer destruiria a civilização.
“If builders built buildings the way programmers wrote programs, then the first woodpecker that came along would destroy civilization. ”
Você deve ser extraordinariamente competente para desejar isso. Parabéns!
Outras frases “inspiradoras”:
“Existem dois modos de escrever programas livres de erros; somente o terceiro funciona”
There are two ways to write error-free programs; only the third one works.
Alan Perlis, “Epigrams on Programming”
“Software e catedrais são idênticos – primeiro nós construímos, então nós rezamos.”
Software and cathedrals are much the same – first we build them, then we pray.
Sam Redwine
Boa, Jefferson, por mais que estudemos, sempre sabemos pouco, por isto resolvi partir para minha 5ª e 6ª graduação em TI, no caso Ciências da Computação (Claretiano), e Engenharia da Computação (Uninter).
Quero entender melhor a interação entre hardware e software, todas outras graduações que fiz são muito voltadas para software.
De todas quatro graduações concluídas, e mais os 44 anos de experiência (sou um programador jurássico, da época dos PCs sem monitor, comandados por cartão, em plena década de 70), concluí que o software perfeito é como um limite na matemática, isto aprendemos em cálculo diferencial e integral, simplesmente a perfeição é impossível, sempre ocorrerão erros ou terão de ser feitas melhorias.
Mas de nossa humilde parte, devemos reconhecer nossos erros e melhorar, e nada melhor do que banco de faculdade.
Sigam o exemplo do velho e jurássico programador dos anos 70.
Teyman, vamos ignorar sua experiência por um momento: cada um dos colegas que se formaram junto com você pode assinar uma “responsabilidade técnica” por um software, não pode?
Assim como cada um dos graduados em engenharia de software no país inteiro. Um monte de “garotos” (e garotas) de uns 24 anos.
Nas outras engenharias ser “responsável” é relativamente fácil. Se você não se formou trapaceando, tem o conhecimento necessário para executar um projeto sem erros. E na dúvida basta acrescentar uma margem de segurança. Na engenharia civil isso é até chamado jocosamente de “coeficiente de cagaço”.
Mas e em software? O que você faz? Joga mais software em cima do projeto? Ironicamente isso aumenta as chances de dar algo errado. Se simplesmente colocar mais gente qualificada e mais dinheiro em um projeto de software resolvesse esse problema o Windows, o Firefox e o Chrome não teriam pacotes de correção de bugs saindo todos os meses. Esse é um problema para o qual ainda não foi encontrada solução nem mesmo em um país onde a educação formal na área de computação é de um nível muito mais elevado que o nosso.
Aí de repente eu descubro que esses “garotos” podem assumir “responsabilidade técnica” por um software. E isso nos dias de hoje, quando se tornou generalizado o hábito, com a justificativa de não reinventar a roda, de usar código de terceiros em seu projeto. Como você se “responsabiliza” pelo framework e por cada uma das bibliotecas que usar?
Você vai ter que me perdoar, mas eu não tenho como levar isso a sério!
Eu imagino que tudo vai depender de como o CONFEA define “responsabilidade técnica” certo?
Se com uma mão o engenheiro assina a ART e com a outra mão entrega o contrato/licença ao cliente onde define limites de sua responsabilidade então para mim fica claro que apesar de todo o blá-blá-blá do CONFEA a intenção é aumentar a arrecadação e o poder da entidade.
Caro Jefferson, a engenharia de software é engenharia exatamente por usar técnicas de engenharia, assim evitando bugs e criando softwares com alta qualidade. Assim como vc escreve aqui sem autoridade no assunto, muitos programadores sem técnicas de engenharia também escrevem programas de computador sem qualidade, dai os bugs…
HAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHA
A propósito, esse post eu escrevi mais de 5 anos atrás. Engenheiro de software já assina ART?