 Jefferson,  20 de dezembro de 2021, PorDentro, reviews Você pode querer ler isto antes: Por que instalar seus próprios relés de subtensão pode ser importante.
Neste texto eu vou estar me referindo ao modelo TOVPD1-60-VA (que tem medição de corrente) exceto em caso de observação em contrário. As fotos externas são do modelo TOVPD1-60-EC, mas é idêntico ao TOVPD1-60-VA por fora.
Este aparelho não pode ser usado em regiões de 127V. A tensão mínima ajustável nos parâmetros é 140V. Sua tensão nominal é 220V com frequência de 50 ou 60Hz.
É feito para ser montado em um trilho DIN do tipo usado no Brasil e monitora subtensão, sobretensão e sobrecorrente. Existem dois modelos: 40A e 63A. Custa no máximo 10 dólares na Aliexpress.

Pode não ser fácil ver na foto, mas os terminais de entrada são devidamente marcados com N (neutro) e L (fase). Vai funcionar se for ligado invertido, mas não é uma boa prática, vai criar uma situação de perigo e você não vai poder fazer uso da dica que vou dar adiante. Respeite a polaridade.

Durante a operação normal os displays mostram a tensão e a corrente medidas pelo dispositivo. Como o indicador de corrente só tem uma casa decimal não consegue registrar nenhum consumo inferior a 0.1A, como o de uma lâmpada de 8W (0.045A em 220V). Então você precisa ficar atento, pois “00.0A” no display não significa “nada ligado”. Durante o ajuste, mostram os parâmetros que você está alterando em cima e o respectivo valor embaixo. Ao energizar, mostram a contagem regressiva para a ativação do relé. Ao contrário de um DR, onde fase e neutro precisam passar pelo dispositivo para que ele faça seu trabalho, em um relé de subtensão isso não é necessário e até contraproducente. Você vai ver a razão na próxima foto.
 TOVPD1-40-V (sem medição de corrente). O relé usado é o JQX-15F(T90) de 40A.
- A – Condutor neutro
- B – Condutor fase
- C – Placa de potência
- D – Relé do tipo normalmente aberto (NA)
- E – Placa de controle e interface com o usuário
Como se pode ver, o condutor destinado ao neutro passa direto pelo dispositivo e apenas um fio fino é ligado dele para a placa de potência. Na verdade a única necessidade de conectar o neutro a esse dispositivo é poder alimentá-lo e dar uma referência para a medição de tensão. Então você pode ligar o dispositivo ao neutro da instalação por um fio igualmente fino, que pode ser conectado tanto em IN quanto em OUT. Já o fase precisa entrar por IN e sair por OUT do contrário o dispositivo nem vai ligar.
 TOVPD1-40-V
A fonte é do tipo sem transformador.
A seguir, o modelo TOVPD1-60-VA por dentro.
 TOVPD1-60-VA
Remontar esse relé requer uma grande dose de paciência, principalmente se você não tiver prestado muita atenção na hora da desmontagem. Você precisa observar como os contatos são assentados nas cavidades, o lado em que fica o condutor neutro e onde é entrada e saída tanto na placa quanto no fundo plástico.
As instruções abaixo são para o modelo que tem medição de corrente (TOVPD1-60-VA)
Para configurar, aperte e segure o botão SET. O display superior vai exibir “A1”. Aperte SET de novo para pular para o próximo parâmetro. Mude o valor exibido no display inferior apertando as teclas de seta para baixo e para cima. Eu tenho uma unidade aqui que parece estar com defeito e para entrar no modo de ajuste você precisa dar um breve toque em SET. Apertar e segurar nunca vai entrar no modo de ajuste.
- A1 – Retardo de religamento ao energizar, em segundos (1-500);
- A2 – Tensão de desligamento por sobretensão, em volts (230-300). Para desligar a função defina um valor maior que 300. O display exibirá “OFF”;
- A3 – Tensão de religamento por sobretensão, em volts (225-295);
- A4 – Retardo de religamento por sobretensão, em segundos (1-500);
- A5 – Retardo de desligamento por sobretensão, em segundos (0.1-30);
- A6 – Tensão de desligamento por subtensão, em volts (140-210). Para desligar a função defina um valor menor que 140. O display exibirá “OFF”;
- A7 – Tensão de religamento por subtensão, em volts (145-215);
- A8 – Retardo de religamento por subtensão, em segundos (1-500);
- A9 – Retardo de desligamento por subtensão, em segundos (0.1-30);
- A10 – Corrente de desligamento por sobrecorrente, em amperes (1-40/63). Não é possível desligar a função, mas você pode configurar para o valor máximo;
- A11 – Retardo de religamento por sobrecorrente, em segundos (1-500);
- A12 – Retardo de desligamento por sobrecorrente, em segundos (0.1-30);
- A13 – Calibração da medição de tensão. Se você achar que o aparelho não está medindo corretamente.
Para salvar, continue apertando SET até ser exibido “End” no display ou aperte e segure SET até sair do modo de ajuste.
Não existe calibração da corrente e eu não creio que esse aparelho meça a corrente corretamente.
A proteção contra sobrecorrente pode causar desligamentos inesperados. O relé mesmo ajustado para uma corrente bem superior à necessária estava desligando toda vez que eu ligava o disjuntor da minha oficina/escritório. Você pode ter que aumentar A12 e A11 até isso parar de ocorrer ou deixá-los no máximo se achar, como eu, que a proteção oferecida pelos disjuntores já existentes na casa é suficiente.
O funcionamento do relé na proteção contra subtensão foi confirmado usando um transformador variável (variac). Eu não tenho como testar sobretensão, porque o mínimo ajustável deste aparelho são 230V e para obter isso eu precisaria montar um elevador de tensão, o que eu não tenho disposição para fazer no momento.
Funcionamento básico – Subtensão
- Se o relé for energizado em uma condição de subtensão ele nem chega a começar a contagem regressiva para ligar e entra no ciclo de subtensão a seguir;
- Quando a tensão cai abaixo do valor definido em A6 pelo tempo definido em A9, os contatos são abertos e o display superior fica alternando entre “LU” e a tensão medida;
- Alcançada a tensão de religamento definida em A7, o display superior começa a exibir a contagem regressiva definida em A8 para ligar. Se a tensão voltar a baixar a contagem é cancelada e volta a alternar entre “LU” e a tensão medida;
- Se o relé for energizado em uma condição normal de operação o display superior exibe “PUP” e o inferior uma contagem regressiva para ligar definida em A1.
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  19 de dezembro de 2021, Neste post, vou dividir as cargas possíveis em três categorias:
- Cargas resistivas;
- Motores;
- Fontes de alimentação.
O caso das cargas resistivas
Para cargas puramente resistivas (e hoje em dia praticamente isso só existe no chuveiro elétrico, cafeteira e ferro de passar) quando a tensão cai a corrente também cai. Se você estiver tomando um banho quente com um chuveiro sem controle eletrônico e a tensão na sua residência que deveria ser de 220V de repente cai para 150V, nada de ruim vai acontecer com o chuveiro seja a curto ou médio prazo. A água vai ficar mais fria e só. Se você pegar um chuveiro feito para 220V e instalar na sua casa em 110V, o único efeito disso é que ele só vai alcançar a metade um quarto (obrigado, Claudio!) da potência nominal e talvez durar mais. A potência nas cargas resistivas é linearmente proporcional à tensão aplicada. Antigamente todo mundo tinha um detector de queda de tensão na casa na forma da lâmpada incandescente: quando a tensão caía, até mesmo porque uma carga de alta corrente foi ligada em outra parte da casa, notava-se uma redução no brilho da lâmpada, porque esta também era uma carga puramente resistiva. Hoje com a onipresença das lâmpadas de LED você usualmente só percebe que há algo errado se estiver usando um ventilador.
Resumindo: você não precisa se preocupar com subtensão em cargas resistivas.
O caso dos motores
No caso dos motores, (geladeira, bomba d’agua, ar condicionado…) a coisa é contra-intuitiva. Um motor reage a uma queda de tensão com um aumento na corrente de modo a manter sua potência nominal. Então se por exemplo você pega um motor de geladeira com potência nominal de meros 74W projetado para 220V e o deixa operando em 150V eu acredito (nunca fiz um experimento) que seja essa a variação teórica na corrente:
- 74/220=0.336A
- 74/150=0.493A
E para um compressor de ar condicionado split de 600W:
- 600/220= 2.727A
- 600/150= 4A
Parece pouco. Afinal no primeiro caso estamos falando de menos de 160mA de diferença. Porém nos dois casos isso representa um acréscimo de ~50% na corrente de projeto e as perdas por calor são diretamente proporcionais ao quadrado da corrente (Efeito Joule). O motor vai esquentar mais e isso pode (não significa que vai) provocar danos imediatos ou a redução de sua vida útil. Uma complicação extra é que a velocidade do motor é proporcional à tensão, então se o motor refrigera a si mesmo (moto bombas tem uma ventoinha na outra extremidade do eixo) essa refrigeração fica prejudicada justamente numa situação em que ele vai esquentar mais.

Geladeiras costumam ser equipamentos bem “frugais” operando propositalmente com pouca ou nenhuma eletrônica, mas idealmente equipamentos caros que já contam com eletrônica embarcada como condicionadores de ar do tipo split deveriam ter sensores para controlar tudo isso e deixar o fabricante se preocupar com isso seria perfeito pois o equipamento só desligaria quando as condições realmente não fossem mais toleráveis para ele. Mas eu acho muito arriscado apostar no fabricante estar se lixando para isso e a menos que esteja no manual que o aparelho tem proteção contra subtensão (ou que eu tenha dinheiro para comprar e instalar um novo a qualquer tempo), acho melhor não confiar. Existe uma regra geral que diz que para cada 10 graus Celsius em que o motor operar acima da temperatura máxima para a classe de isolamento do enrolamento, sua vida útil cai em 50%. Você pode conferir isso, por exemplo, na página 35 deste manual da WEG. Só o fabricante pode realmente saber que “folga” existe no seu produto para um aumento na temperatura, porque é ele quem sabe a classe de isolamento usada no motor e é ele quem está na posição de fazer as medições necessárias.
Proteção térmica para motores não é algo novo. O problema é que não parece ser algo obrigatório e muito menos obrigatório que seja conveniente para o consumidor doméstico.
Décadas atrás eu dormia com um ventilador na estante dividindo o espaço com livros e acordei com o quarto cheio de fumaça e o ventilador literalmente em chamas, porque um livro havia caído e prendido a hélice. Pensar em como isso poderia ter sido muito pior ainda me assusta. Ventiladores domésticos hoje (eu suponho que esteja na norma NBR11829) são equipados com fusíveis térmicos no enrolamento para evitar que incendeiem em caso de sobrecarga mas esse fusível não é substituível pelo usuário e, se abrir, o ventilador vai ficar inutilizado e requerer reparo especializado. O mesmo problema ocorre na cafeteira e no ferro de passar. E não é porque o ventilador seja barato, porque é assim no Arno VF40 de R$200. Motores maiores podem vir (não necessariamente vem) equipados com termostatos bimetálicos, que são dispositivos de proteção inteiramente mecânicos e simples. Quando a temperatura do termostato passa de um determinado valor, o material nos contatos expande por coeficientes diferentes (são metais diferentes, daí o nome) e então o contato abre e o motor desliga.
 Fonte: Wikipedia
Quando o termostato esfria os contatos voltam a encostar e o motor pode ser ligado novamente. Dependendo de como é feita a ligação do motor ele religa automaticamente, mas não é bom para o motor ficar nesse liga-desliga sem supervisão por horas e horas.
Alguns compressores e ventiladores usados em condicionadores de ar costumam vir com a inscrição “thermally protected” na etiqueta, que supostamente significa um tipo ainda mais inteligente de proteção. Mas como ter certeza de que o compressor que está lá dentro do seu condicionador tem essa proteção se não estiver escrito com todas as letras no manual?

E se for a mesma “proteção térmica” dos ventiladores domésticos, que efetivamente “mata” o aparelho, você não vai querer deixar seu equipamento à mercê dessa “proteção”.
Lá em cima, quando eu falei “sem controle eletrônico” ao falar dos chuveiros eu estava pensando em um pequeno detalhe que vale a pena mencionar agora. Caso o chuveiro (na verdade, qualquer sistema de aquecimento baseado em resistência elétrica) tenha um controle eletrônico que use sensores e controle de corrente para manter a temperatura da água constante, ele pode funcionar como motor para os efeitos deste texto. A tensão cai, o sensor detecta a redução na temperatura e o circuito de controle reage aumentando a corrente disponível para manter a potência. Mas supostamente o projetista do equipamento não vai deixar a corrente subir até um ponto acima do tolerado pelo equipamento, já que ele tem controle sobre ela.
O estudo da SCE Corporation
Em algum momento por volta de 2006 (os autores esqueceram de datar o documento e tive que deduzir) a concessionária de energia SCE Corp nos EUA fez uma investigação para determinar por que a tensão da energia fornecida por eles demorava dezenas de segundos para normalizar após uma queda de energia de fração de segundo, quando em condições normais deveria normalizar em menos de um segundo. O resultado foi publicado em um estudo de 59 páginas que afirma que isso era causado pelas unidades de ar condicionado dos consumidores, que “travavam” (stall) pela condição de sub-tensão, gerando um consumo maior até suas proteções internas atuarem. Imagine o problema da sua casa acontecendo na rua inteira, no bairro inteiro, na cidade inteira de uma vez.

Numa primeira análise você pode concluir que esse é um problema que afeta somente a concessionária, porém na realidade quando você empurra a correção da normalização da tensão para a casa das dezenas de segundos, outros equipamentos que de outra forma não teriam sido afetados pela falha começam a ser afetados pela demora na normalização da tensão e gera-se um efeito cascata.
Eles concluem o estudo propondo, entre outras possíveis soluções, a instalação pelos clientes de relés de subtensão com determinadas características.

Ao traduzir o gráfico do estudo eu introduzi uma adaptação. O estudo usa 240V como tensão na concessionária, mas a tensão aqui no Brasil é 220V mesmo entre fases nas regiões de 127V. Seria só uma questão de adaptar todos os números para 220V, mas existe uma pegadinha: se os mesmos compressores, com tensão nominal de 240V, são usados nos produtos vendidos aqui no Brasil, então é preciso fazer as contas como 240V mesmo quando a tensão nominal é 220V. O primeiro número refere-se a uma referência de 240V e o segundo a uma de 220V.
Parâmetros ideais segundo a SCE Corp. (usando uma referência de 240V)
- Valor da tensão de desligamento por subtensão em 78% da tensão nominal (187V)
- Tempo de resposta para desligamento (td1) de entre 6 e 15 ciclos (0.1 a 0.25s em 60Hz)
- Tensão de entrada em 85% da nominal (204V) por no mínimo 15s (td2) como condição para o religamento;
- Religamento do compressor em intervalos aleatórios de 3 a 5 minutos – O tempo mínimo é para evitar religar o condicionador logo após ser desligado para evitar dano ao compressor (meu condicionador split já faz isso) e aleatório para evitar que todos religuem de uma vez, o que já não é bom numa residência e fica ainda pior no contexto de ruas, bairros e cidades.
- Tensão mínima de operação de 40% da tensão nominal
- Contatos normalmente fechados (NF) – Isso é para evitar que uma falha no relé deixe o usuário sem o condicionador. Entretanto cria o problema de que uma falha no relé deixa o condicionador sem proteção. Eu prefiro usar com contatos Normalmente Abertos (NA)
É interessante acrescentar que na página 11 do estudo eles informam que na condição de travamento a corrente nos compressores subia rapidamente (até 0.3s) para cerca de 3x a nominal.
O caso das fontes de alimentação
No passado, todas as fontes eram do tipo linear, cujo principal componente era um pesado transformador. E para maximizar a eficiência (ou minimizar a ineficiência, dependendo do seu ponto de vista) precisavam ser projetadas de tal forma que não podiam tolerar grandes variações na tensão de entrada. Hoje você só vai encontrar esse tipo de fonte em produtos novos se forem equipamentos muito específicos nas áreas médica, de comunicação e talvez de som em faixas de preço proibitivas para o consumidor comum. Na prática quase todo equipamento eletrônico que você adquiriu para uso doméstico na última década e vai adquirir nas próximas usa fonte chaveada. E para baixas potências (menores que 120W?) elas são projetadas para operar de 100 a 240V sem que você precise ajustar nada. Assim como nos motores, quando a tensão de entrada cai a corrente aumenta automaticamente para manter a potência nominal especificada, mas ao contrário dos motores a fonte chaveada é projetada para esse comportamento e a máxima corrente de entrada, que ocorre na situação de menor tensão (100V) ainda está dentro dos seus limites. Fontes de maior potência como as usadas em computadores podem requerer (algumas são automáticas) que você mexa em uma chave para selecionar o uso em 127 ou 220V, mas ainda assim elas são capazes de operar normalmente em uma larga faixa de tensões. Essa tecnologia de fonte é naturalmente “estabilizada”. E, pelo menos no caso das fontes de baixa potência, essa vantagem é maior em redes de 220V.
Até lâmpadas LED contam com fontes chaveadas. Se você olhar as embalagens de Philips, Osram e Ourolux (por exemplo) vai constatar que são especificadas para operação de 100 a 240V. Pelo menos é assim aqui no Nordeste.

Condicionadores de ar que são anunciados como “inverter” (inversor) basicamente usam fontes chaveadas especializadas de grande potência para alimentar o compressor, mas não sei se o inversor alimenta também todos os ventiladores (existe um na unidade interna e outro na externa) ou apenas o compressor, então ainda é uma incógnita para mim se eles são naturalmente protegidos contra situações de subtensão.
Para terminar, acredito que se você mora numa região onde a tensão nominal é 127V, sua preocupação com subtensão em equipamentos eletrônicos deve ser bem maior do que a preocupação de quem mora numa região de 220V.
O relé de subtensão
Na minha opinião um equipamento que se destine a proteger outros contra subtensões idealmente precisa ter as seguintes características:
- Ter tensões configuráveis pelo usuário, já que classes diferentes de equipamento requerem cuidados diferentes;
- Que possa rearmar automaticamente para aqueles casos em que falta energia durante a noite e você vai preferir que geladeira e ar condicionado não permaneçam desligados até você acordar, suando;
- Que tenha um tempo configurável para que o rearme automático ocorra, ou no mínimo um tempo fixo suficientemente longo para evitar que aquele vai e volta da tensão que ocorre às vezes faça as cargas ficarem ligando e desligando;
- Que a tensão para desligar seja diferente da tensão para religar, para evitar que caso a tensão de entrada estabilize exatamente na tensão ajustada o relé fique ligando e desligando.
Normalmente relés de subtensão também monitoram sobretensão, mas eu vou dedicar pouca ou nenhuma atenção a esse recurso.
Veja em seguida: Análise dos relés TOMZN TOVPD1-40-V e TOVPD1-60-EC
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  04 de dezembro de 2021, PorDentro 
O alarme Pósitron Concept é um dos melhores investimentos em eletrônicos que já fiz. Está instalado há pelo menos 20 anos sem nunca ter antes me criado aborrecimento. Finalmente parou de funcionar recentemente e na tentativa de descobrir o que havia de errado levantei o esquema do danado. Após ter esse trabalho todo acabei concluindo que o problema deve ser nas baterias (dâaaaa…) e estou aguardando comprar CR2016 de boa qualidade para testar.
O que me colocou no caminho errado foi que eu testei com várias outras CR2016 (usadas) e até com CR2032 novas e nada funcionou. O transmissor pisca o LED indicando transmissão mas o receptor no carro ignora. Quando eu finalmente testei o transmissor usando meu receptor SDR, descobri que não estava transmitindo nada com as CR2016 usadas e com as CR2032 transmitia, mas com um desvio de frequência provavelmente provocado pelo contato com meu corpo, já que com elas o transmissor não fecha e tenho que ficar segurando as baterias no lugar.

O nome na placa, TX4Bv4, parece significar “Transmissor 4B versão 4”.
Notar a ausência de cristal oscilador. Modelos mais novos como o PX40 tem cristal, o que deve simplificar bastante o projeto da seção RF.

O HCS201 é um codificador de “código rolante” (nunca transmite o mesmo código duas vezes) da Microchip. O datasheet está aqui. O chip só suporta três botões diretamente e o método mostrado no esquema para adicionar um quarto botão (AUX) é o sugerido no datasheeet.
Notas sobre o meu esquema
- Eu não garanto que esteja certo. Para ter certeza seria preciso arrancar os componentes para poder ver as trilhas por baixo, o que não fiz;
- Para mim não há muita diferença entre RF e magia. Eu não faço idéia de como a seção RF do transmissor funciona. O que eu sei é que não é o HCS201 que determina a frequência então são os valores dos componentes, suas posições e até a espessura e posição das trilhas (além do ajuste em P1) que devem determinar a transmissão em 433.92MHz;
Estou apenas assumindo que P1 seja um resistor variável. Não tenho evidências disso; P1 é um trimmer (capacitor variável). Veja comentários;
- Estou assumindo que o componente marcado 4R7J que denominei de L1 seja um indutor porque é o que faz sentido para mim. Entretanto eu posso estar errado;
- Não consegui identificar Q1. Assumi que seja um transistor NPN comum baseado em medições;
- Inicialmente eu assumi que a grande trilha que denominei arbitrariamente de L3 fosse meramente uma trilha carregando o positivo da alimentação de um lado a outro do circuito, mas ao levantar o esquema isso deixou de fazer sentido. Representá-la simplesmente como um “curto” estava dando um nó no meu juízo. Ela tinha que ter um papel diferente e maior do que um simples condutor. Então eu procurei desenhá-la de forma a retratar o mais próximo possível a placa e então outras coisas começaram a se encaixar. O ponto em que L1 se conecta a L3 fica fisicamente na metade do comprimento de L3 e isso não parecia ser coincidência. Além disso, o comprimento da parte mais grossa de L3 é de cerca de 8cm e contando com as partes mais finas fica muito próximo de 8.5cm para ser total coincidência que esse valor seja metade dos 17cm que geralmente tem uma antena portátil de 433Mhz. Então eu medi o comprimento da trilha que forma L2 e constatei que também é de aproximadamente 8.5cm. Concluí que juntos, L2 e L3 são a antena do transmissor.
Notas sobre alimentação
- Alimentado com uma fonte chaveada de 6V funciona (testado com SDR, não com o carro), mas a frequência fica em torno de 433.400MHz. Usando baterias CR2032 fica bem perto de 433.9MHz;
- Usando duas baterias CR2032 Rayovac novas com uma tensão aberta de 6.49V, a tensão cai para cerca de 6.2V quando está transmitindo;
- Com duas baterias velhas que não transmitem, a tensão é de 5.7V aberta e cai para 5.1V quando apertamos o botão;
- Segundo o datasheet o HCS201 opera de 3.5 a 12V, então mesmo contando com a queda de tensão no LED o chip deveria transmitir. E o fato do LED piscar indica que está transmitindo mesmo. Mas nada é captado nem pelo carro nem pelo receptor SDR;
- Por causa da forma como o LED é ligado, o chaveiro provavelmente é imune à inversão da polaridade das baterias.
Possíveis substitutos
A Pósitron oferece uma tabela mostrando que 15 outros modelos são compatíveis e três deles ainda eram oficialmente comercializados em 2018:

Da tabela acima podemos ver que são compatíveis os modelos DB30, DP21, DP33, DP35, DP37, PX27, PX30, PX32, PX37, DP45, PX42, PX44, PX40, DP47 e PX80. Então tudo o que você precisa fazer é adquirir um desses e cadastrar no receptor do carro usando o procedimento descrito no manual.
Provavelmente não pode ser substituído por qualquer transmissor baseado em HCS201 que opere em 433.92MHz. Como se pode ver na página 3 do datasheet, a EEPROM interna do HCS201 é programável pelo fabricante do controle com número de série e chave de criptografia. O número de série é usado apenas para identificar se o remoto está na tabela de cadastrados no receptor
mas a chave de criptografia é o grande obstáculo.
Procurando por HCS201 na Aliexpress você encontra poucas opções mas procurando por “Positron” (sem acento mesmo) você encontra um monte. Você pode comprar o clone do CP04 por 4 dólares cada, em pacotes de 5 unidades.
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  26 de novembro de 2021, Redes, vpn Este texto vai servir de suporte a outros textos que estou preparando sobre o OpenVPN.
O Easy-RSA pode ser baixado e instalado como um programa independente ou como parte de uma instalação completa do OpenVPN para Windows. Se instalou junto com o OpenVPN, mova a pasta C:\Arquivos de Programas\OpenVPN\easy-rsa para c:\easy-rsa. Isso é necessário porque Easy-RSA tem um bug que o faz falhar se o caminho tiver espaços. Se esta pasta não existir, você provavelmente não escolheu todas as opções na instalação customizada do OpenVPN. Esta pasta é instalada ao habilitar a opção “Easy RSA 3 Certificate…”.
A máquina onde são criados os certificados pode ser completamente distinta da que vai usá-los. Eu poderia criar aqui e passar para qualquer um que pedisse, que funcionaria do mesmo jeito.
O arquivo vars
Ainda usando o explorer, renomeie o aquivo “vars.example” como “vars” (remova a extensão)

Esse arquivo possui a configuração que vai ser usada por Easy-RSA para gerar os certificados. Você não precisa mexer em nada se não quiser mudar o default. Vale a pena dar uma olhada nele com um editor compatível com quebras de linhas unix (como o Notepad++) para ver as opções disponíveis. Duas configurações candidatas a personalização são os prazos de validade, mas você não precisa realmente alterar nada para que funcione para o propósito deste texto.
# In how many days should the root CA key expire?# In how many days should the root CA key expire?
#set_var EASYRSA_CA_EXPIRE 3650
# In how many days should certificates expire?
#set_var EASYRSA_CERT_EXPIRE 825
Você precisa remover o # do início de cada linha que você editar.
Criando os certificados
Abra um prompt de comando como administrador e execute EasyRSA-Start.bat. Nos meus testes clicar com o botão direito no .bat e pedir pra executar como administrador não bastou (o programa pisca e fecha). Foi preciso abrir um prompt primeiro.

No shell que se abre você vai executar os seguintes comandos em sequência:
./easyrsa init-pki
./easyrsa build-ca
./easyrsa build-server-full nome_do_certificado_servidor
./easyrsa build-client-full nome_do_certificado_cliente
./easyrsa gen-dh
Mas você vai ter que responder algumas perguntas durante o processo, por isso vou mostrar passo a passo tudo o que acontece e onde você precisa responder. Vamos supor que o certificado servidor tenha o nome “servidor-vpn” e que o cliente tenha o nome “cliente-vpn”. Os comandos ficam assim:
./easyrsa init-pki

./easyrsa build-ca
Se ocorrer o erro “extra arguments given” após digitar a senha duas vezes, você provavelmente não seguiu minha recomendação de mover a pasta para c:\easy-rsa.
A digitação de senhas em todos os passos é feita às cegas. Parece que o programa está travado, mas não está.

./easyrsa build-server-full servidor-vpn

./easyrsa build-client-full cliente-vpn

./easyrsa gen-dh

Feche o prompt de comando.
Copie os certificados criados (em c:\easy-rsa\pki\issued\*.crt)

e suas chaves (em c:\easy-rsa\pki\private\*.key) exceto a chave do certificado CA, que nunca deve ser divulgada.

Você precisa copiar também ca.crt e dh.pem. Ambos de C:\easy-rsa\pki\.

(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  26 de novembro de 2021, Redes, vpn Este texto servirá de suporte a outros textos que estou elaborando e meu foco é a implementação de VPNs (realmente) particulares e gratuitas. Não vou tratar aqui de serviços profissionais pagos.
Considere que este texto está em rascunho. Muita coisa pode mudar por estar errado, incompleto, ou eu decidir redigir de outra forma; mas eu tentarei avisar sobre as mudanças nos comentários.
Meu primeiro contato com VPNs foi com um cliente que comecei a atender em 2019. A empresa tinha a matriz com todos os servidores em uma cidade e a filial em outra. Em cada ponta uma conexão com a internet e um computador rodando PFsense que agia como gateway VPN. Havendo internet nas duas pontas as máquinas PFsense estabeleciam um “túnel” ligando as redes das duas localidades, para todos os efeitos práticos como se existisse um cabo realmente longo ligando as duas. Isso permitia coisas interessantes, sem que nenhuma aplicação tenha sido feita com isso em mente:
- Os “busca preço” (aqueles terminais com leitor de código de barras disponibilizados para clientes) na loja obtinham o preço atualizado de cada produto consultando no servidor na outra cidade;
- Cada funcionário do administrativo trabalhava o dia inteiro no servidor remoto, cada um usando uma conexão RDP;
- De qualquer uma das pontas eu podia administrar roteadores e outros dispositivos de rede da outra simplesmente digitando o endereço IP correspondente no navegador.
Nesse ponto você pode estar pensando: “não preciso de VPN para fazer nada disso”. Não, não precisa mesmo. Você pode criar acessos individuais para cada um desses usos e encaminhar portas no roteador para eles. Mas além de você precisar saber precisamente que portas precisa encaminhar em cada aplicação (que porta o busca preço usa?), rapidamente fica muito inconveniente administrar isso. Por exemplo, cada interface web de roteador e impressora de rede por default usa a porta 80, mas você não pode ter duas aplicações usando a mesma porta de entrada no roteador. Para poder ter acesso simultâneo a cada um dos dispositivos precisa arbitrar novas portas e encaminhar de acordo*. Por exemplo, dispositivos que você acessaria assim de qualquer lado de uma VPN:
- http://10.129.40.100
- http://10.129.40.130
- http://10.129.40.147
- http://10.129.40.168
- …
Sem VPN vai continuar acessando assim localmente mas vai ter que acessar da ponta remota com algo assim (um encaminhamento diferente no roteador para cada):
- http://matriz-olinda.dyndns.org
- http://matriz-olinda.dyndns.org:3070
- http://matriz-olinda.dyndns.org:3071
- http://matriz-olinda.dyndns.org:3072
- …
E o problema se repete na outra direção.
(*) Se seu roteador suportar uma porta externa diferente da interna no encaminhamento. Se não suportar você vai ter que mudar as portas default nos dispositivos e aí a complicação sobe a outro nível.
Ainda temos o problema da segurança. Qualquer indivíduo fazendo um portscan no endereço IP referente a matriz-olinda.dyndns.org vai eventualmente encontrar as portas abertas por mais que você tente obfuscar usando números de porta incomuns (só existem 65536 possibilidades). Além do fato de que o provedor de acesso em cada ponta pode bisbilhotar todo o tráfego que não seja naturalmente criptografado.
Quando você usa uma VPN apenas uma porta precisa ser encaminhada no roteador. Dentro do túnel suas aplicações podem usar as portas que queiram sem você estar nem ciente de quais são. E mesmo que você não criptografe o túnel, bisbilhotar no seu tráfego ou fazer um portscan para saber que portas estão abertas requer outro nível de conhecimento e acesso à sua rede.
E quando eu finalmente entendi como a configuração OpenVPN nos PFSense funcionava, a flexibilidade alcançou outro nível. Instalei clientes OpenVPN no meu desktop em casa e no notebook e com dois cliques eu podia estabelecer uma conexão de onde eu estivesse e trabalhar como se estivesse dentro da empresa. Administrar a coisa toda ficou muito mais fácil. Eu pude até desenvolver um software de consulta de preços acessando o servidor Winthor do cliente como se ele estivesse na minha casa.
Então só tem vantagens?
Não. A principal desvantagem é a complexidade para instalar e configurar a VPN (pelo menos usando opções gratuitas). Começa apenas “bem pouco amigável” e vai crescendo em complicação dependendo do seu objetivo. Uma vez que você consiga, basta salvar as configurações das duas pontas que refazer se torna muito fácil. Mas chegar a esse ponto pode ser uma luta. Eu pretendo criar uma série de textos explicando como fazer isso para diversos cenários, detalhando as armadilhas em que caí no caminho.
Por que não usar software de controle remoto como Anydesk e Teamviewer?
VPN e controle remoto resolvem problemas distintos e na maioria das vezes você vai usar ambos. Implementar uma VPN não vai necessariamente fazer você deixar de precisar do controle remoto.
Vantagens da VPN:
- Para monitorar de casa quem está conectado ao roteador Wi-Fi da empresa, por exemplo, com o Anydesk você precisa fazer uma conexão Anydesk a uma das máquinas da empresa que ninguém esteja usando, abrir um navegador e acessar a Web UI do roteador. Com uma VPN estabelecida você pode ter o endereço do roteador na empresa como um favorito no seu navegador em casa e clicar nele. E isso fica muito mais ágil mesmo em conexões lentas porque o que está trafegando pela internet até sua casa são as páginas do roteador e não a imagem do computador remoto;
- Também com o anydesk você pode acessar um computador remoto para trabalhar nele, mas outra pessoa não pode fazer isso ao mesmo tempo. Usando uma VPN você pode em muitas situações levar o seu computador da empresa para casa, estabelecer a conexão com o servidor no escritório e trabalhar como se não tivesse saído de lá. Isso nem sempre é verdade pois aplicações que fazem uso desleixado dos recursos de rede podem ficar extremamente lentas se o tráfego tiver que ocorrer via internet;
- Dá medo pensar no desastre global que seria se um dia um zeroday for descoberto no anydesk/teamviewer que permita login sem precisar da senha. Até descobrirem e disponibilizarem um patch (e todo mundo aplicar) o estrago vai ser grande;
- Você não depende de que mais um serviço de terceiros esteja funcionando. Eu já precisei ter que esperar os servidores anydesk voltarem a funcionar para poder fazer um acesso remoto;
- Os softwares de controle remoto somente são gratuitos de verdade para uso doméstico. E o custo só é realmente barato num aplicação “um para muitos” (uma pessoa apenas acessando muitos computadores).
Vantagens do controle remoto:
- Como o próprio nome diz, VPN não é para controle remoto. Você não pode ver o que outro usuário está fazendo ou mostrar a ele como se faz algo usando (apenas) uma VPN;
- A facilidade com que você instala e usa o anydesk/teamviewer é extraordinária;
- Você pode transferir arquivos entre máquinas com extrema facilidade.
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  16 de novembro de 2021, Os leitores de longa data talvez se lembrem do que eu pensava do Twitter em 2009. De lá para cá não acho que muito tenha mudado, mas eu sinto muita falta da agilidade e do consequente engajamento que eu tinha com os leitores no Buzz. Por um lado, tem o problema de requerer que meus leitores tenham conta lá para me acompanhar, enquanto aqui os comentários podem ser completamente anônimos. Algo que considero importante, quando usado com responsabilidade. Por outro lado, o Twitter tem 400 milhões de usuários…
Isso pode nem vingar. Estou tratando como um experimento para ver se adquiro novamente o hábito de colocar por escrito mais do que se passa na minha cabeça diariamente, como acontecia no Buzz. E assim como acontecia naquela época definitivamente não tem o objetivo de substituir o blog. Só poder escrever até 280 caracteres de cada vez e sem opções de formatação é um grande limitador. Ainda bem que pelo menos dá para colocar imagens.
Confiram em @JeffersonRyan
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  15 de novembro de 2021, Redes O papelão com o Intelbras SF800 VLAN Ultra me lembrou que já havia passado da hora de me familiarizar com VLANs. Procurando opções de switch gerenciável (normalmente o tipo de switch que suporta VLANs) no ML me deparei com um anúncio por um preço surpreendentemente baixo para as características do produto, pois enquanto a maioria dos switchs gerenciáveis de 24 portas custa mais de R$1000, este estava custando apenas R$436 com NFe (você encontra mais barato sem nota) e ainda tinha quatro portas gigabit (total de 28 portas). A existência de portas gigabit era um diferencial grande, que me permitiria aproveitar o switch em mais aplicações.
Quando pesquisei sobre o modelo na internet descobri a razão do preço baixo: o modelo saiu de linha há anos e provavelmente era um produto usado sendo vendido como novo. Não é novidade mas parece ter acontecido muito mais ultimamente.
Como o ML oferece uma garantia de devolução de sete dias para eletrônicos decidi arriscar. Estava preparado para examinar o switch com uma lupa, procurando pelos sinais de uso como poeira e oxidação nas portas. Não estava preparado para o que recebi.
O switch não podia ser mais novo. Caixa original em papelão branco plastificado, com a marca linksys, brilhando de nova. Switch com aquele cheiro de plástico novo. Todos os acessórios…
Deu até vontade de comprar outro (o vendedor ainda tem sete hoje) mas estou me segurando para não fazer despesas à toa.
Sobre a possível idade do switch
Esta página sugere que o modelo foi vendido pela última vez pelo fabricante em abril de 2018. “Apenas” três anos. Porém esta página sugere que foi fabricado antes de 2010, porque a versão do firmware instalada pelo usuário na época, 1.2.1b, é igual à minha. Aí o switch já tem pelo menos 11 anos. Isso é corroborado pelo documento da Cisco (que comprou a Linksys) 75335-SRW224G4-248G4_V1.1_Firmware_V1.2.3.0.pdf, disponível nesta página, que informa que a versão mais recente do firmware foi lançada em 25/11/2008. Então ou switch passou pelo menos 13 anos guardado em um depósito ou foi propositalmente fornecido com uma versão mais antiga do firmware e nesse caso pode ter apenas três anos mesmo. O que faz sentido, já que o documento informa que a versão mais recente do firmware tem um monte de bugs. Não parece ser prudente atualizar para ela.
O que aprendi sobre o switch até agora
- Consumo de energia: 13.8W (9.9kwh mensais) com tráfego leve. Medido com um PMM2206. Para se ter uma idéia, eu tenho um switch vagabundo de oito portas aqui que consome 1.9W (1.4kwh mensais) nas mesmas condições. Pode ser tolice deixar um switch desses ligado na sua casa “só porque está disponível” pois em um ano a diferença na conta de luz paga por um switch comum de oito portas;
- Possui ventilador interno, ligado permanentemente, que é audível à distância em ambiente silencioso. Como estou testando em casa, no escritório/oficina, o ruído é evidente;
- Versão do firmware 1.2.1b;
- Compatível com rack padrão. Apesar da foto, vem com os suportes laterais já instalados;
- Alimentação 110-220V automática;
- As portas gigabit funcionam como um switch gigabit de 4 portas. Na prática o switch tem 28 portas;
- Tem duas portas miniGBIC (fibra óptica) compartilhadas com as portas G3 e G4. Mas é altamente improvável que eu use isso;
- Portas gigabit sinalizam conexão 1000Mbps com cor de LED diferente;
- Quaisquer portas podem ser agrupadas para criar uma porta que tem a soma das capacidades individuais. Por exemplo, você pode agrupar 4 portas de 100Mbps para ter uma conexão de 400Mbps com outro switch. E aparentemente isso serve para oferecer redundância também (se uma porta ou cabo do grupo falhar, as outras mantém o link, embora mais lento);
- Se tem uma bateria interna, possivelmente está morta a esta altura. Se eu configuro a data e hora nele, isso se perde ao desligar a energia;
- IP default 192.168.1.254. Você pode configurar para DHCP depois;
- Credenciais default: admin/
- Configuração via interface web compatível apenas com Internet Explorer e provavelmente foi projetado para uso com o IE8. Para a configuração funcionar no IE11 basta adicionar o IP do aparelho na lista de compatibilidade;
- Leva cerca de 1 minuto para dar boot. Apesar dos LEDs correspondentes a cada porta acenderem segundos depois de ligado, só há conectividade quando o boot termina;
- Gerenciamento por linha de comando via console serial com conector DB9. Mas só me parece realmente necessário usar essa porta se você esquecer a senha ou IP do aparelho e precisar resetá-lo. Todas as funções do dia a dia estão disponívels via Web-GUI; Uma das versões do firmware tem um bug que, até onde pude entender, impede você de usar algumas funções da web GUI se o único usuário for o admin. É bom criar logo um novo usuário;
- Ao criar um novo usuário, o usuário admin é apagado automaticamente, por isso certifique-se de que sabe a senha que está configurando;
- A proteção contra loops (STP) funciona, se habilitada;
- Alterar certas configurações, como STP, faz com que a conectividade de todo o switch seja paralisada por vários segundos;
- A CISCO parece ter apagado tudo o que havia de suporte para o aparelho em seu site. Você depende de quem tem o aparelho e escreveu sobre ele para tirar suas dúvidas.
Minhas notas sobre o recurso VLAN
Tenha em mente que ainda estou aprendendo a usar isso e o que vou escrever aqui pode nem fazer sentido.
Conceitos
- Access Port – Só pode fazer parte de uma VLAN e esta tem que ser untagged;
- Trunk port – Pode fazer parte de mais de uma VLAN e precisa usar tags para a identificação;
- General port – Pode fazer parte de mais de uma VLAN. Ainda não estou certo de qual a diferença para o modo Trunk.
- VLAN de gerenciamento – A VLAN que dá acesso à configuração do switch. Por default é a VLAN 1 e todas as portas fazem parte dela.
No momento em que você atribui uma porta no modos Access ela é apagada da VLAN de gerenciamento, por isso cuidado ao mexer na porta que você está usando para acessar o switch.
Isso também pode tornar inviável a administração remota do switch. Normalmente, o acesso à internet vai estar numa VLAN separada, então nenhuma máquina que tenha acesso à internet vai ser capaz de acessar o gerencimento do switch.
Ao colocar uma VLAN no modo Trunk e atribuir a uma segunda VLAN ela não deveria ser apagada da VLAN de gerenciamento, até mesmo porque ao adicionar VLANs à porta só deveria estra disponível a opção “tagged”, mas aconteceu com a primeira porta que configurei de a primeira VLAN adicionada ser “untagged”, o que removeu a porta da VLAN1. Talvez a primeira porta trunk criada precise não fazer parte da VLAN1.
Como é uma característica do uso de VLANs que usando-as você pode restringir o acesso à configuração do próprio switch e o usuário anterior pode ter restringido o acesso à VLAN de gerenciamento a apenas uma porta que você não sabe qual é, tentar adivinhar o IP em que o switch está configurado pode ser absoluta perda de tempo se não estiver configurado para DHCP.
Se você apagar uma VLAN, todas as portas associadas a ela passam a fazer parte da VLAN1 se não forem membros de outra.
Apenas portas no modo Trunk e General podem fazer parte de mais de uma VLAN. E apenas em uma ela pode ser Untagged.
Para mudar o modo da porta entre Acces, Trunk e General: VLAN Management -> Port Setting
Para incluir uma porta em uma VLAN existem dois caminhos:
- Vlan Management -> Ports to Vlan -> Escolha a VLAN e mude a configuração de “Exclude” para “Untagged”
- Vlan Management -> VLAN to Ports -> Escolha a porta e clique em Join VLAN
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  15 de novembro de 2021, programacao, SSD Nos meus computadores eu nunca senti nenhuma necessidade de usar SSD, principalmente diante do problema espaço em disco. Meu HDD de boot do desktop usualmente tem de 1TB a 2TB e na época que comprei meus HDDs de 2TB (2011) eles custaram R$229. Vai tentar comprar um SSD hoje com essa capacidade. O outro problema é que uso todas as portas SATA da máquina e relocar os 2TB para outro lugar não é tão simples.
Mas o fator realmente importante: nunca achei meu computador lento. Uso Core i3-3220 (terceira geração) com 16GB de RAM e placa-mãe Intel DH67CL.
Aí veio a necessidade de usar o Android Studio. Pense num negócio lento! Era simplesmente inviável desenvolver com ele do jeito que ficou ao ser instalado na minha máquina. Parecia até estar ignorando meus cliques ou travado. O único indício de que havia algo rolando que eu precisava esperar (note o evidente problema na interface com o usuário) era a atividade do meu disco C: ficar colada em 100%. Abrir o emulador era coisa para ir visitar o banheiro enquanto esperava.
Não é realmente uma surpresa, visto que esse mostrengo é baseado no IDE (Integrated Development Environment) Intellij IDEA, que é desenvolvido em Java (além do propósito dele ser programar em Java, o próprio programa é escrito nessa linguagem). E os meus leitores da época do G&G devem lembrar o que penso da p**ra do Java como usuário Windows e técnico de manutenção. Na época que estava na faculdade o Intellij era o “melhor” IDE para quem tinha a paciência de um monge e como eu não sou nem monge nem masoquista usava o Eclipse, que também não é lá essas coisas no quesito agilidade.
Mas fazer o quê? Coloquei um de meus HDDs em um adaptador SATA-USB 3.0 para liberar uma porta SATA e clonei minha instalação do Windows para um SSD Kingston A400 de 240GB. O Android Studio ficou tolerável. Não me atrevo a dizer que ficou rápido, pois rápido mesmo é o Delphi 7. E vale salientar algo interessante: minha máquina não pareceu ficar mais rápida em nenhuma outra atividade. Ou seja: se acabar minha necessidade de usar o Android Studio o SSD cai fora.
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  15 de novembro de 2021, manutenção, SSD Um cliente tem um notebook ASUS que estava apresentando os seguintes tempos de boot:
- 1min para a mensagem de boas vindas;
- 2min para exibir o desktop;
- 2min50s para abrir o explorer (Win+E logo ao exibir o desktop);
- 4min para destravar o Gerenciador de Tarefas (abria antes disso, mas as tarefas ficavam sem atualização) ;
- 4min45s para aparecer a janela do Google Drive (abria automaticamente a cada boot);
- 6min para a atividade de disco cair a 95%;
- 14min para atividade de disco cair a menos de 50%.
Indiquei que ele comprasse um SSD Imation na Lognet, por ser o mais barato de uma marca que para mim tem alguma credibilidade. Quando me chamaram para fazer a instalação, o que me entregaram foi um Multilaser Axis 400 de 120GB, que hoje, por R$164, é o mais barato SSD à venda na lognet. Eu fiquei olhando para a caixa avaliando se deveria ou não dizer ao cliente que não podia garantir o resultado ao instalar “aquela desgraça”. Acabei decidindo por instalar, porque só o que ele ia perder com o cancelamento da minha visita era quase o valor do SSD e a decisão de comprar “aquela desgraça” não fora minha.
Após fazer a clonagem do HDD original e instalar o SSD no notebook, fiquei de queixo caído: o tempo para alcançar o ponto 4 da lista acima caiu para 35 segundos.
“Aquela desgraça” pode até ter outros problemas, mas ser lerdo ao dar boot não é um deles.
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
 Jefferson,  31 de outubro de 2021, Atualização: depois dos comentários dos leitores concluí que esse deve ter sido um caso isolado, mas parte de minhas críticas continua valendo.
Neste fim de semana estive com o amigo José Carneiro e sua família no Shopping Center Recife e na hora de sair, quando ele foi pagar o estacionamento com cartão de crédito num dos totens de auto atendimento, se distraiu e retirou o cartão de estacionamento quando deveria ter retirado o cartão de crédito. Por causa disso, a informação de que o estacionamento havia sido pago não foi gravada no cartão de estacionamento. Reinserir o cartão não adiantou.
Consertar isso levou 20 minutos, exigiu percorrer um longo caminho a pé e provocou uma longa fila num dos poucos guichês de atendimento humano ainda existentes, porque foram conferir a estória do meu amigo, possivelmente olhando em filmagens. E ainda assim não gravaram o cartão com a informação de que estava pago porque “não podiam”. Retiveram o cartão de estacionamento e disseram que ele se dirigisse com o carro a uma saída qualquer, ligasse o pisca alerta e acionasse o interfone para entrar em contato com a central, que liberaria a saída do veículo sem cartão. Foi o que fizemos e ainda foi necessário acionar o interfone umas quatro vezes, enquanto se formava uma fila atrás do nosso veículo, até que eles finalmente atenderam e abriram a cancela.
Tudo isso por causa de R$11,50.
Eu me pergunto:
- Por que a informação de pagamento não é gravada imediatamente, quando a transação do cartão de crédito/débito é aprovada? Por que quando o sistema pede para retirar o cartão de crédito, o cartão de estacionamento ainda está esperando pela gravação?
- Se por qualquer razão isso tem mesmo que ser feito assim, por que a informação de pagamento não foi gravada quando meu amigo reinseriu o cartão? O cartão do estacionamento é a primeira coisa que você insere, porque ele precisa ser lido para saber a hora que você entrou e calcular o quanto você deve. O cartão pode perfeitamente ser inequivocamente identificado nesse momento (não falta tecnologia para isso) e, se for removido por qualquer razão, não vejo por que o sistema não possa ficar parado esperando que o mesmo cartão seja inserido de novo para gravar, desistindo apenas caso um cartão diferente seja inserido;
- Se por qualquer razão (2) é impossível, por que é então possível remover o cartão do estacionamento antes da transação terminar? Qualquer um que use caixa automático sabe que automação para reter o cartão não é exatamente uma novidade;
- Se tudo isso aí é inevitável (eu duvido), por que não existe um canal de comunicação direto do totem com a central de segurança para resolver esses problemas? Por que é tão demorado conferir que o totem “X” acusou erro de gravação do cartão “Y” no horário “Z”?
Isso seria porque do jeito que é feito hoje a maioria das pessoas não se daria a esse trabalho todo por causa de R$11,50, preferindo pagar de novo? Talvez na primeira vez, por não saber o quanto eles complicam o processo, mas não na segunda?
E não é exatamente por que falte dinheiro para o SCR, que em 1998 se gabava de ser o maior shopping da América Latina, investir em soluções tecnológicas. O SCR tem 5800 vagas de estacionamento com uma tarifa mínima de R$9,50. No mínimo 55 mil reais por dia (ou 1.65 milhões por mês) de estacionamento cheio.
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)
|
|
Muito bom, não conhecia! A única coisa que me deixa com uma “pulga atrás da orelha” é esse relé pequeno, a corrente toda precisa passar por ele. Por mero $1 de diferença eu recomendaria comprar sempre a versão de 63A, mesmo que seja para usar em um circuito individual de 15A por exemplo.
Cargas indutivas, especialmente as “burras” como geladeira não-inverter tendem a causar um pico de corrente razoável quando o motor é acionado, então quanto mais super-dimensionado o relé, melhor. Alias, imagino que esse possa ter sido o motivo dos disparos acidentais quando estavas testando a limitação de corrente.
Eu concordo e ponderei muito a respeito na hora de fazer minha compra. O problema dessas coisas chinesas é: a versão de 63A realmente suporta 50% a mais de corrente ou usa o mesmo relé de (supostos) 40A remarcado para 63A? Ó dúvida cruel…
Uma dúvida: na foto não fica muito claro, mas me parece que o condutor de fase B está preso aos bornes IN/OUT apenas por pressão entre o condutor e a capa. É isso mesmo? Não consegui ver indícios de solda ou crimpagem
É soldado.
Olá, estou usando um aparelho desses.. porém no meu caso ele está ligado FASE+FASE… ele vai servir? Outra pergunta, você teria uma relação com os erros apresentados? No meu apareceu HU e deu falha (led vermelho) depois de desligar e ligar novamente, ele voltou a funcionar… quero acreditar que (HU quer dizer High Voltage)….só queria confirmar…
Não vejo razão para não funcionar.
Isso mesmo.
Olá!
Excelentes artigos, muito obrigado por compartilhar!
Minha região é alimentada por 127V. Por acaso você conhece algum dispositivo desse para esta classe de tensão?
Muito obrigado!
Ao desmontar e remontar o TOMZN é preciso de um cuidado extra: a base encaixa em qualquer posição e se você encaixar invertida, a marcação de quem é fase e neutro na face vai estar errada, comprometendo o funcionamento.
Como eu estava ligando o neutro apenas embaixo, o sintoma era de que o TOMZN nem acendia. Se eu estivesse ligando o neutro em cima o TOMZN provavelmente ia acender, mas qualquer operação que abrisse o relé ia desligar o TOMZN, fazendo o relé fechar de novo, o que ia ligar o TOMZN e assim ficar em um loop infinito.
Antes de desmontar, marque com uma caneta na base que é o F e o N, para evitar isso. Você também pode se certificar na hora de fechar que debaixo de onde está marcado N tem que estar passando a grande malha do neutro e não a placa.
Boa tarde
Tenho uma dúvida aqui eu preciso de um para pegar a tensão de fase fase 220v aqui a tensão da 250volts eu consigo tá usando ele
Eu acredito que sim. O máximo que pode ser ajustado nele para desligamento por sobretensão é 300V então supostamente ele pode operar até bem perto dessa tensão.
Achou alguma versao 127V? Aqui tenho um sistema Trifasico 127V + 127V + 200V + Neutro. Comprei um Tomzn TRI mas nao me atentei a ser somente 220.
Na China energia é 220 Fase + Neutro (2 fios) diferente do nosso 127+127 = 220.
Minha intencao somente proteger a rede pois a Enel esta entregando 239V e meus nobreaks tem o limite de 240V (APC), estudando a troca por outros IBM que vao ate 265V.
Qual a quantidade de erros esse rele registra?
Sei que os tipos são Hu,Hi e Lu., mas quantidade de erros não consegui saber.
Sabe informar?
Os equipamentos testados não fazem registro de ocorrências.
Pelo que vi no manual do relé TOVPD1-60-EC, ele registra a falha mais recente precionando a tecla de ajuste para cima por 6 segundos.
Não é isso?
Boa tarde. Depois de muito cosultar verifiquei que um chinês fez um teste bem completo sobre esse relé e o mesmo dentre outras diversas falhas menos graves, identificou ao menos uma grave. Essa falha é o tempo em ms que o relé desliga a carga após uma sobretenção, que chegou a até 700ms. Ou seja, muitos equipamentos sensíveis ligados a esse relé poderão não resistir a esse tempo, que deveria estar na faixa de 70 a 80ms.
Entendo que um relé tão barato, hoje por volta de 20 reais na China, realmente não poderia fazer milagre. Isso corrobora com o teste do chinês.