Samsung Galaxy I9300I sempre inicia no ODIN MODE após tentativa de root.

Me deu um baita susto.

GT-I9300I_OdinMode_ryan.com.br

Tela do ODIN MODE

Eu precisava de uma funcionalidade do telefone que só poderia ser obtida com o acesso root. Então eu fiz uma pesquisa e descobri que era muito fácil. Bastava usar o Odin Downloader para carregar um novo bootloader no aparelho. A própria Samsung diz que o processo funciona em quase todos os aparelhos e a única desvantagem é que uma funcionalidade criptográfica chamada Knox é perdida. Encontrei o processo bem explicado, mas uma coisa na página não me inspirou confiança: todas as vezes que o texto faz referência ao telefone, usa o nome completo “Samsung Galaxy S3 Neo GT-I9300I” em vez de usar da segunda vez em diante apenas “I300I” ou “o telefone”. Fica bem estranho quando você está lendo e para mim isso sugere uma coisa: criação automatizada de texto. Desconfiei de que podia quebrar a cara se usasse os arquivos fornecidos.

Então eu segui o link até o site de Chainfire, autor do processo, e de lá baixei o pacote que (eu achei que) correspodia ao meu telefone (MD5: 18e0691a6de99337d63a05b96e333f59). Somente havia um pacote para o I9300I. Não pode ser mais confiável que isso, né?

Mas deu errado.

Eu comparei byte a byte os arquivos fornecidos no site AndroidXDA e por Chainfire e tudo era idêntico exceto o arquivo com o bootloader. Segui todo o procedimento como descrito, usando o bootloader de Chainfire e tudo pareceu dar certo, mas o quando o telefone reiniciou, foi direto de volta ao ODIN Mode e não saiu de lá. Eu também notei que ele não foi detectado pelo Windows.

Esperei 10 minutos (era para durar 30 segundos), desconectei e conectei o cabo e reconectei, repeti o processo com o Odin (não lembro o que fazia, mas o telefone voltava a ser detectado me permitindo usar o Odin de novo), desconectei a bateria e liguei de novo. O telefone sempre voltava direto para o ODIN Mode, sem dar o menor sinal de que ia inicializar corretamente.

Download Mode - Acessível ligando o telefone apertando ao mesmo tempo VOL-,HOME e POWER

Download Mode – Acessível ligando o telefone apertando ao mesmo tempo VOL-,HOME e POWER

Fiz uma pesquisa online e nenhuma dica ajudou. Eu sabia que o telefone não estava perdido porque esse estado é conhecido como “soft brick” e pode ser consertado, mas eu não queria arriscar instalar outro firmware completo no aparelho se um simples auto-root baixado direto da fonte deu esse problema.

Então uma hora eu pensei: Se ele sempre volta para o ODIN Mode sozinho, o que acontece se eu tentar entrar no ODIN Mode maualmente?

Apertei ao mesmo tempo VOL-, HOME e POWER e surgiu a tela inicial do Download Mode / Odin Mode explicando os riscos de instalar firmware customizado e perguntando se eu queria continuar ou Cancelar. Apertar OK me levaria ao ODIN Mode. Eu olhei para o botão Cancel pensando que efeito poderia ter e toquei nele.

O telefone iniciou normalmente, como se nada tivesse acontecido. O SuperSu não foi instalado (o root não foi bem sucedido – Testei depois com o Root Checker). Reiniciei o telefone mais de uma vez e o problema realmente desapareceu.

Entrei no ODIN MODE de propósito mais uma vez para checar o statur e ele diz: CUSTOM. Raios… eu nem consegui o root e perdi o status de “original de fábrica” do telefone.

GT-I9300I_OdinMode_StatusCustom_ryan.com.br

Minha melhor explicação para isso é que o reinicio no ODIN Mode era proposital e o bootloader estava insistindo à espera por algo que não acontecia. Entrar no Download Mode e clicar em Cancel interrompeu o processo.

Mais tarde eu entendi o que pode ter impedido o processo de root de funcionar. O arquivo que baixei dizia que era para o Android 4.4.4. Como o telefone era recém comprado e só existia um arquivo no site, eu assumi que a minha versão do Android era essa (é, foi estúpido), mas na verdade o telefone veio com a versão 4.3. E agora que eu tentei fazer o root, a Samsung não me permite mais fazer atualização pelo próprio telefone. Talvez eu consiga pelo KIES, mas vou tentar outro dia.

11 comentários
  • Marcio - 14 Comentários

    Jefferson se você nao conseguir atualizar pelo Kies, você pode baixar a rom do site do sammobile e instalar manualmente via odin. Fiz muito isso no meu S2.
    Eu consultei lá e vi que ainda não tem uma versão 4.4 para o brasil. Pelo menos não no site, eles podem ter uma defasagem de umas duas semanas com relação aos releases da samsung.

    Outra dica, não sei o quanto você é familiarizado com celulares android da samsung, eles sempre disponibilizam varias versões de uma rom, contendo as personalizações das operadoras, o código para para saber isso está no csc da rom, o códigos são zvv para vivo, ztm para tim, zta para claro, ztr para oi e zto para retail, a versão sem personalização de operadora.

    Eu sempre troco o firmware dos meus cels samsung pela ultima zto, eliminando as tralhas que as operadoras frequentemente incluem nas roms.

    • Jefferson - 6.623 Comentários

      Marcio,

      Obrigado por participar. É sempre bom ver alguém conhecido reafirmando que o procedimento é seguro.

      Eu estou ciente desses códigos. Há um mês eu zerei meu Galaxy Grand Duos GT-I9082L para repassar para a minha mãe e aproveitei que estava tudo apagado mesmo para arriscar a atualização para a ROM mais recente 4.2.2. A atualização não funcionava de jeito nenhum pelo telefone mas pelo KIES funcionou. Porém eu já havia baixado a ROM para usar o Odin caso não desse certo e tive que me familiarizar com esses códigos.

      • Denise - 1 Comentário

        Olá Jeferson boa noite,

        Tentei restaurar meus Galaxy Ace com as explicações que informou porém sem conectar ao computador pelo cabo USB, e não deu certo. Eu preciso baixar o Odin e os dados da Sansung como vcs explicam?

  • osires - 1 Comentário

    Cometi o mesmo erro e agora o meu cel não quer sair da tela do odin será que tenho alguma chance de telo de volta

  • bruno - 1 Comentário

    cara vc me salvou ! kkkk

  • maria aline - 1 Comentário

    Oi,eu instalei um app chamado zero launcher ele travou todo meu celular. Desinstalei e tentei zerar para padrão de fabrica apertando vol+desl+botao iniciar mas so fica nesse odin mode a o app se instalou no S.O como eu faço para recuperar o celular?

  • Jefferson - 6.623 Comentários

    Hoje o problema aconteceu de novo comigo. De dentro do Android pedi para restaurar as configurações de fábrica e ele voltou parado no Odin Mode, exatamente como antes. Também resolvido exatamente como antes, mas o telefone não apagou as configurações como eu pedi. Aparentemente o que minha malsucedida tentativa de root fez foi justamente bloquear o acesso ao reset de fábrica do telefone.

  • renato - 1 Comentário

    deu certo foi sensacional

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Harry Potter and The Methods of Rationality (HPMOR) é extraordinário.

hpmor_snap-cover-small

Somente lendo o livro você entende por quê essa mão numa posição de estalar os dedos foi escolhida para simbolizar a estória.

Não, não é o título de um novo livro de J.K. Rowling. HPMOR é uma obra de fanfiction (escrito por um fã), gratuita (todo fanfiction por natureza tem que ser) que infelizmente ainda não tem tradução completa em português (você pode conferir a tradução dos primeiros 11 capítulos aqui). Mas é algo que em muitos aspectos supera o original. O livro é uma obra em andamento que segundo o autor será concluída no início de 2015. Você pode ler em HTML direto no site ou baixar a versão em PDF que até agora tem 1633 páginas. Se isso em vez de intimidar te empolgou, eu acho que estou falando para a pessoa certa :)

Se você é fã de Harry Potter (os livros), leia HPMOR.

Se você não é fã, mas gosta de “papo cabeça”, leia HPMOR.

Eu descobri a existência desse livro por puro acaso, quando esbarrei em um comentário do hacker Eric Steven Raymond, cuja opinião eu respeito, sem poupar elogios. Eu tinha que conferir.

HPMOR conta a estória de um Harry Potter em uma realidade alternativa, onde Petúnia em vez de casar com o palerma do Dudley, casou-se com um professor de bioquímica da universidade de Oxford e Harry cresceu sendo amado, cercado de livros e intelectualmente super dotado (como Voldemort). Em HPMOR Harry não é o garoto apalermado que vence o mal basicamente por “dumb luck” (como diz McGonagall após a derrota do troll no primeiro filme). Ele é uma força a ser temida. HPMOR mostra como seria Harry como um garoto de 12 anos que acaba de descobrir que pode fazer magia, com uma mentalidade de adulto (possivelmente fruto do fragmento de alma do Voldemort residindo dentro dele), super dotado e acima de tudo, racional.

Aliás, esse é o objetivo do livro. A estória de Harry Potter serve como pano de fundo para que o autor, o gênio Eliezer Yudkowsky (sob o pseudônimo LessWrong), dê uma incrível aula sobre racionalidade. Conceitos que eu simplesmente teria pouca ou nenhuma paciência de tentar entender em um livro didático são explicados com exemplos práticos, fáceis de entender e muitas vezes hilários.

A estória de HPMOR mostra o primeiro ano de Harry em Hogwarts e o cenário geral é bem parecido com o da estória oficial, mas com algumas diferenças conceituais e outras de enredo. A mais importante das diferenças conceituais e algo que me incomoda na estória original é que no universo de HPMOR a magia cansa.  Isto é: não basta você saber o feitiço para poder ficar uma hora balançando a varinha em um duelo como na obra oficial. Feitiços mais poderosos exigem mais energia física e você tem que decidir durante o combate o que pode fazer sem desmaiar de exaustão. Somente essa diferença já muda muita coisa, mas não é a única.

Em HPMOR, o professor Quirrel também se torna professor de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts. Mas a semelhança praticamente acaba aí. O Quirrel de HPMOR é um mago de incrível poder que pode ou não ser Voldemort (existe muitra controvérsia na lista de discussão, por causa do seu comportamento ambivalente) e que se torna mentor e “amigo” (ele mesmo não aprecia a idéia) de Harry. Quando os dois se juntam para discutir a racionalidade do que acontece em Hogwarts, eu acho que posso ser flagrado de boca aberta babando na frete do tablet. E Quirrel não se contenta em ensinar uns feitiços chinfrins para seus alunos. Ele institui em Hogwarts eventos de Battle Magic onde os alunos de Hogwarts são divididos em exércitos sem separação por casas (você vê a Sonserina lutando ao lado da Grifinória e isso funciona) sob o comando de três “generais” escolhidos por ele: Potter, Malfoy e… (eu não vou contar quem é o terceiro. A surpresa é deliciosa :)

A descrição das batalhas é fantástica. E o suspense geralmente fica por conta do que o general Potter vai inventar (uma combinação de ciência e magia) para tentar vencê-las (ele nem sempre consegue, por causa das regras que muitas vezes são criadas por Quirrel justamente para dar uma chance aos outros generais) .

E não há falta de motivos para dar grandes risadas com o livro. Uma cena memorável é a em que Hermione dá um um beijo em Harry. Em outra Dumbledore e Snape se sentam para discutir um paradoxo temporal (sim, HPMOR também tem um dispositivo de viagem no tempo, sob o controle de Harry). É hilário!

E por falar em Snape, sua presença em HPMOR começa idêntica à da série original. Mas se você leu os livros ou assistiu aos filmes deve ter se perguntado como Dumbledore e McGonagall permitiam que um professor fizesse bullying em todos os alunos exceto os da sua casa tão descaradamente. Pois o Harry racional também se perguntou isso logo na primeira aula de Poções. O resultado é que o Snape de HPMOR é proibido de tratar mal seus alunos, graças a uma impressionante (embora não muito sábia) intervenção de Potter. E centenas de páginas adiante você descobre que isso não foi nada. Em HPMOR, Harry aprende a meter medo até nos dementadores. E tudo é explicado racionalmente.

SPOILER ALERT

SPOILER ALERT

SPOILER ALERT

SPOILER ALERT

SPOILER ALERT: O que vou contar adiante é importante para que você entenda realmente o livro, mas você não vai gostar de saber com antecedência.

Se você não percebeu até agora, um aviso: HPMOR não é estória para crianças. Os temas são adultos e o ápice dessa diferença surge como um soco no estômago do leitor no encontro de Hermione com o troll: Hermione morre, devorada da cintura para baixo. E Harry passa o resto do livro arquitetando seu caminho até a omnipotência (para desespero de todo o corpo docente de Hogwarts e todo mundo que tem juízo) para poder ressuscitá-la. O corpo de Hermione inclusive desaparece um dia depois. Todo mundo sabe que só pode estar com Harry (dos personagens aos leitores), mas ele nega e ninguém entende como ele pode ter escondido. Há quem ache que Hermione foi morta justamente para colocar Harry no caminho “do lado negro da força”, justamente porque Herminone era a única âncora que ele tinha. A única coisa que o segurava no caminho do bem.

Mas a estória, assim como esta sinopse, ainda não terminou :)

1 comentário
  • Jefferson - 6.623 Comentários

    Finalmente (e infelizmente) a estória chegou ao fim ontem, com o último capítulo sendo publicado no dia e hora “do Pi”. Agradeço a Eliezer Yudkowsky pela oportunidade de ter lido algo tão extraordinário e de graça, mas eu teria pago com prazer.

    Deixando de lado a aula sobre racionalidade, a precisão com que EY amarra a estória é impressionante. Logo na primeira página ele já sabia como a estória iria terminar e mesmo os eventos mais absurdos (geralmente obra de Dumbledore, que de insano não tinha nada)são explicados no final. Só por causa dos pequenos detalhes que passaram despercebidos o livro já merece ser relido. HPMOR é algo que eu vou lembrar e comentar por muitos anos ainda.

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Serenity em quadrinhos: leitura obrigatória para os fãs de Firefly

Serenity_Leaves_on_the_Wind_HC_coverTemos que admitir que a essa altura é bem pouco provável que um novo filme no universo da cultuada série Firefly seja produzido. No mínimo porque a série não vai ter a mesma graça se os atores forem trocados. E todos estão ficando velhos. Mas se você quiser saber como a estória continua basta procurar uma cópia da versão em quadrinhos oficial. São várias estórias, variando em qualidade. Mas o ponto alto mesmo é a série em seis capítulos Leaves on The Wind, de 2014, escrita pelo irmão de Joss Whedon, cuja estória começa onde a do filme termina. Com a revelação do segredo da origem dos Reapers, a tripulação da Firefly se torna inimiga número 1 da Aliança. Algumas surpresas esperam o leitor e há uma boa chance de que haja uma continuação.

A propósito, fiquei decepcionado com o volume 3: The Shepherd’s Tale, que conta a origem do Pastor (você sempre quis saber a razão daquela carteirada ter dado tão certo, né?). A estória é interessante e bem contada, mas não é convincente quando você tenta encaixar com o comportamento dos soldados da Aliança no episódio Safe.

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Batman: Assault on Arkhan é mais do mesmo. Mas confira!

Batman_Assault_on_Arkham_coverBatman : Assault on Arkhan é um longa metragem de animação com 1h16min e apenas mais uma estória do Batman versus Esquadrão Suicida. Não acrescenta nada ao universo DC Comics mas mesmo assim vale a pena assistir. E se você tiver surround DTS assista com o som alto.  A premissa é fraca, como a maioria das estórias de quadrinhos, mas é uma estória adulta e gostei do som, dos diálogos (principalmente as piadas) e da representação de alguns personagens. Principalmente Harley Quinn.

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Em Automata, não é fácil torcer pelo mocinho.

Automata_posterNa verdade, não há na prática um “mocinho” na estória. O protagonista não luta por uma idéia, ideal, pela verdade nem por um grupo. Inicialmente ele está apenas movido pela curiosidade e talvez um desejo de provar que não está louco. Em seguida tudo o que faz é lutar pela própria sobrevivência e, bem no final, de sua família.

Ao assistir Automata, eu tive a sensação de estar revendo vários filmes e animações de ficção científica, de Blade Runner a Ghost In The Shell, passando por Cherry 2000 (graças a Melanie Grifiti com sua voz de gata miando) e Animatrix. O filme parte de uma premissa interessante e em grande parte é bem executado, mas a brutalidade gratuita da ROC não tem explicação plausível.

Atenção: eu vou revelar parte importante do filme.

No início parece que o executivo da ROC ( o fabricante dos robôs) está puramente escondendo algum crime cometido por sua companhia quando manda matar todo mundo envolvido com o incidente, mas não demora muito para percebermos que aparentemente não há crime algum quando o executivo revela que a inteligência artificial (IA) dos robôs é criação não do homem, mas de uma única entidade de IA ainda superior desenvolvida antes, que eles decidiram desligar mas sem explicar o motivo.

Fica por conta do espectador imaginar essa razão. Ora, a única razão que explica eles terem desligado essa IA superior e ao mesmo perseguirem sem pensar duas vezes suas criações que manifestaram um princípio de sentiência, é o medo da raça humana ser destruída depois de uma singularidade tecnológica (é o terceiro filme este ano que assisto a tocar nesse tema, mas este não o faz explicitamente). Nesse caso eu não posso culpá-los e eu até diria que a ROC representa os mocinhos, se não fossem os assassinatos de inocentes sem qualquer envolvimento com a sentiência dos robôs.

Mas o filme nem tenta tocar nesse assunto. O diretor poderia fazer um filme inteligente, mas decidiu reduzi-lo a mero filme de acão onde robôs inofensivos (por enquanto) são perseguidos por vilões.  Um desperdício.

3 comentários
Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Transcendence poderia ter sido melhor, se evitassem certas besteiras.

Transcendence2014PosterEu não achei a idéia de Transcendence ruim. Pelo contrário:  por um momento eu achei que seria uma ótima estória pra o universo de Terminator. Serviria como explicação para a origem de Skynet se removessemos a viagem no tempo. E enquanto geralmente nós fazemos do assunto “skynet” uma piada, o filme faz ponderações sérias sobre os perigos da chamada “singularidade tecnológica“. De uma forma ou de outra, para o bem ou para o mal, a criação de uma inteligência desse tipo seria o fim da raça humana como a conhecemos.

Mas bem que poderia ter deixado algumas baboseiras de lado.

Toda a idéia ao redor da consciência do Dr. Caster ter sido transferida para a internet “mata” o filme. É implausível, foi conseguida em um tempo inacreditável (acho que o Brasil inteiro não tem a banda de uplink de satélite daquele armazém) e gerou uma série de conclusões idiotas no script:

  • Para eliminar a inteligência, temos que eliminar a internet (as nanomáquinas me pareciam algo bem mais assustador) ;
  • Eliminando a internet, até a energia do mundo acaba, porque somente nesse script mesmo para o setor de utilidades (tratado como ponto de segurança nacional em qualquer país sério) ter essa fraqueza

Bastava eliminar isso para o filme dar um grande salto em seriedade. Mas já que estamos falando nisso a última cena, no jardim, também não faz sentido algum.

2 comentários
  • Jefferson - 6.623 Comentários

    Durante o filme duas vezes um humano pergunta a uma IA “você pode provar que tem consciência de si mesmo (do inglês: self-aware)”? e a IA responde perguntando se o humano pode provar sua própria. Pode parecer para o público em geral que a IA está se esquivando mas na verdade essa é realmente, como afirma a IA, uma questão filosófica muito difícil de responder.

    Você pode apontar com certeza o que não é self-aware, mas tudo o que você pensar como prova de que você é, pode ser codificado em um programa de computador.

  • VR5 - 397 Comentários

    Seria + – a mesma coisa da “Teoria da Martix (que prova temos que não estamos dentro de uma gigantesca realidade virtual)”?

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Lucy: o final estraga o filme.

Lucy_(2014_film)_posterAntes de mais nada, é preciso dizer que eu assisti a Lucy 100% ciente de que essa estória de que o ser humano somente usa 10% do cérebro é mito. O que me importa é como a estória é contada. Se não fosse isso eu nem conseguiria apreciar Star Trek, só para começar.

E eu nunca iria dispensar um filme de ficção científica estrelado por Scarlett Johansson (se precisa de link para lembrar quem é, você certamente não é um portador de cromossomo Y) e dirigido por Luc Besson (Leon – The Professional, The Fifth Element, The Transporter).

Muita coisa no filme não faz sentido, do que leva um barão de drogas a ter todo esse trabalho para traficar meros dois/quatro quilos de uma droga sintética desconhecida (coloca como areia ornametal para jarro e quem vai identificar como entorpecente?) à evolução/revolução de Lucy. Mas não importa. Para mim o filme é um espetáculo visual e de idéias. Aliás, uma das falas do personagem de Morgan Freeman, em resposta à pergunta de um aluno, sintetiza o estado mental necessário para assistir ao filme:

“…agora estamos entrando na esfera da ficção científica e não sabemos mais [sobre o que poderiamos fazer com tamanha capacidade cerebral] do que um cão que observa a lua”

O que pensaria um humano ao passar por cada um dos estágios que Lucy passou, de humano comum a ser omnipotente (sem exagero)? Ainda se importaria com a raça humana? Ainda se importaria consigo mesmo? Me lembra os capítulos finais do Livro The Revenge Of Seven, mas falarei sobre isso em outro post.

Lucy se comporta ao mesmo tempo como se ela se importasse (com a raça humana e consigo) e como se não fizesse diferença. O que não deixa de ser verossimil.

Mas vamos deixar de lado a filosofia (não há muito o que comentar mesmo) e discutir a execução: o danado do filme poderia ter sido melhor pensado. E não precisavam nem ter perguntado a Lucy como fazer. Além da estranha incompetência dos traficantes, que não conseguem passar com um saquinho pela alfândega, mas andam com metralhadoras e uma bazuca pelas ruas da França, temos o estranho comportamento dos cientistas. Não bastava o personagem de Morgan Freeman ter deixado o ceticismo de lado diante do que poderia muito bem ser uma piada muito bem preparada, mas o filme também tinha que mostrar outros cientistas se comportando como se tivessesm lido o manual da Globo para execução de reuniões de diretoria em novelas: junte um monte de figurantes, mantenha-os calados de cara séria e balançando a cabeça para tudo o que o personagem principal diz e pronto! E quando Lucy mostra algo realmente impressionante (não estou falando de ler a mente de um deles, aquilo foi ridículo) eles ficam olhando com cara de quem estava admirando alguém fazer uma manobra difícil de skate e não com o assombro requerido para o que estavam presenciando. Depois da chegada de Lucy na universidade o script vai ficando mais e mais idiota, infelizmente.

E o final deixou muito a desejar, como o deste texto ;)

 

3 comentários
  • Saulo Benigno - 279 Comentários

    Pior que é verdade, aquelas bolinhas azuis podiam passar como qualquer coisa, engraçado :)

    Boa.

  • Walter - 140 Comentários

    Curioso. Assisti ontem e não tinha visto sua postagem, mas foi exatamente o que eu e a PPM falamos. e ao mesmo tempo, quando subiram os créditos: “que final lugar comum”

  • Walter - 140 Comentários

    No The Transporter o Luc Beson não dirige, mas fez o roteiro e produziu.

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Guardians of the Galaxy: eu fui o único que não gostou?

Gamora

Este é o modelito padrão de gamora nos quadrinhos. Sexista? Com certeza! Improvável que uma assassina se vestisse assim? Somente porque não tem onde guardar (mais) armas!

Eu não sei o que é mais estranho em Guardians of the Galaxy. A música cantada dos anos 80 em um filme que se passa em outros mundos (ainda se fosse só a melodia…)? A comédia embaraçosa? A evidente mão da Disney transformando Drax the Destroyer e Gamora, dois assassinos brutais nos quadrinhos em personagens quase “fofos”? Os vilões quase caricatos? Gamora completamente vestida? O filme ter alcançado nota 8.4 no IMDB (The Matrix tem 8.7)? Ver um Thanos “soft”?

Não me interpretem mal: eu gosto de ação com comédia. Mas não desse jeito. Na minha opinião o script exagera e transforma a coisa em um pastelão embaraçoso.

Os efeitos especiais impressionam, principalmente na animação de Grok e Rocket Racoon e sua interação com os personagens reais, mas isso não conseguiu compensar o resto.

Mas eu provavelmente estou sozinho nessa opinião, porque praticamente todo mundo parece ter gostado do filme e justamente pelas mesmas razões!

13 comentários
  • Alisson Teles Cavalcanti - 77 Comentários

    Bem, eu estou gostando do filme. Não terminei de assisti-lo ainda. Como não conheço nada mais dos personagens do que está sendo apresentado, estou achando um bom filme-diversão-sessão da tarde.

  • Walter - 140 Comentários

    Como eu já não esperava grandes coisas desse aí, e já não acompanhava mais os quadrinhos da marvel há tempos quando a equipe foi relançada, acabei até me surpreendendo. Concordo com o Alisson, é um bom filme diversão.

    Por outro lado, um filme que me decepcionou bastante foi o segundo Capitão América. Cheguei a ler e ouvir que era o melhor filme de super herói já feito até então. Que coisa chata, cheia de furos e com péssima continuidade. O problema aqui é que o filme se leva a sério demais.

    • Saulo Benigno - 279 Comentários

      Cheio de furos?

      Eita, quais foram os furos do filme?

      • Walter - 140 Comentários

        Poxa, Saulo, são muitos mesmo. Só pra ficar em alguns:

        Na luta com o líder dos piratas, o cara não tem nenhum poder além do treinamento, mas não voa longe como todos os outros quando apanha. Tá, isso acontece muito em filme de ação, mas lodo na primeira sequência de luta fica meio forçado.

        O diretor da mega blaster ultra super divisão de espionagem e inteligência do mundo anda de carro sozinho pela cidade, sem nenhuma segurança e apoio logístico e cai em uma emboscada infantil que usa veículos da polícia em pleno centro da cidade? E pior, a própria polícia da cidade não aparece pra intervir? Ele quebra o braço, mesmo dentro de um veículo que é praticamente um tanque de guerra, mas os condutores dos outros carros que batem no dele não saem nem arranhados?

        O Soldado Invernal aparece do nada depois de uma baita perseguição pra resolver tudo sozinho de uma forma tosca? E como o Fury fugiu?

        Nessa sequência eu já perdi o gosto pelo filme, e confesso que nem prestei mais muita atenção. Mas tem mais furos, sem contar cenas que deixaram de fora do corte final para o cinema, só pra colocar na versão estendida depois, como por exemplo a do resgate das asas do Falcão, ficou um buraco enorme ali.

        Toda a sequência do encontro com o Zola e a destruição da base também são bem ruins. Não havia ninguém protegendo a grande mente por trás da Hydra e eles destroem o criador do algoritimo assim, sem mais nem menos? Ruim de acreditar, hein?

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Eu assisti no cinema e também gostei muito do filme (como a maioria), gostei tanto que já baixei por torrent uma versão em fullhd para assistir mais algumas vezes.

    Toda unanimidade é burra, e gosto é uma coisa pessoal. Já teve muito filme que gostei muito e foram ruins em bilheteria, como por exemplo: Sombras da Noite (fantástico! e eu nem gosto de filme de terror, mas gostei muito do humor negro que é bastante inteligente), Oblivion (excelente !), Elisium (foi um dos melhores que eu ví), e outros, mas eu sou suspeito, sou fanático por ficção cientifica.

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Tem também um filme argentino (Relatos Selvagens), que também é de humor negro (humor bem negro e bem engraçado), que ainda está passando nas salas de cinema, faz tempo que eu não dou tanta risada com um filme (Sombras da Noite foi a última vez).

    Se puderem assistam, ele vai realmente surpreender.

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Mas falando em filme barra pesada, um dos mais mais foi o Distrito 9 (que por sinal foi quem apresentou ao mundo o ator que é o vilão em Elisium mas não lembro o nome dele, sou um cinéfilo de memória curta).

    Distrito 9 foi uma tremenda crítica ao Aparteid com a temática de ficção científica, não sei como conseguiram fazer um filme tão bom com tão poucos recursos (talvez porque tenha sido feito fora de Hollywood ???).

  • Saulo Benigno - 279 Comentários

    Jefferson, faz um favor, vá assistir Interestelar em IMAX :)
    Fila G ou H, pelo meio. E sinta um cinema com “force feedback”

    Você já foi em um cinema IMAX?

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Eu também já assisti, mas infelizmente aqui em Salvador não tem IMAX, é realmente uma pena, o filme realmente vale a pena (se lançassem um cine com IMAX por aqui com Interestelar eu iria assistir de novo).

    Considero ele quase tão bom como 2001 Uma Odisseia no Espaço (chega bem perto, mas 2001 é o clássico dos clássicos), quase tenho vontade de assistir uma segunda vez no cinema (acho que já fiz isso uma vez com outro, mas não lembro para qual filme).

    Tem algum IMAX e Recife ?

    • Saulo Benigno - 279 Comentários

      Tem sim, abriu esse ano no Shopping Recife. É outra coisa, outro tipo de cinema. Fora a tela ter a altura de um prédio de quatro andares o som é sensacional.

      Mas IMAX é imagem mesmo. É basicamente uma nova imagem, existem cameras especiais para IMAX, não é só “aumentar a resolução” elas captam mais, é tipo aqueles cortes que fazem para telas full screen. No IMAX tem mais.

      O bom de interestelar é que não é 3D, foi o primeiro filme que vi em IMAX sem 3D, sensacional. Eu sei que assisti bem no centro, a cadeira tremia com o som, é magnifico.

      Vale a pena :)

      • Intruder_A6 - 194 Comentários

        Não sei vai ter aqui em Salvador um IMAX algum dia, mas quem sabe ???

        Eu sempre achei Salvador meio atrasada, agora eu tenho certeza.

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Interestelar é tão bom como ficção científica que chega até a ser bastante plausível, o que é bem raro em filme de ficção científica. O filme chega quase a dar uma aula de Teoria da Relatividade. Acho que o filme só pisa na bola quando considera que a gravidade se propaga de forma instantânea (mais rápido que a luz), que não é o que dizem as mais novas teorias sobre a gravidade, que dizem que até a gravidade tem que se submeter a velocidade da luz. Até já existe uma provável descoberta da onda gravitacional (ainda precisa ser confirmada por outras fontes), que em acontecendo vai confirmar que a gravidade realmente se propaga na velocidade da luz e é conduzida por uma partícula chamada gráviton.

  • Jefferson - 6.623 Comentários

    Assistir ao filme a partir da segunda vez, sem as expectativas que eu trouxe dos quadrinhos, já foi uma experiência muito melhor. Hoje eu posso disser que não sou mais uma exceção.

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Uma tarde em uma UPA. Pena que eu não tenha carteirinha do Sírio Libanês.

O nosso ex presidente Lula, em visita a uma UPA da Região Metropolitana de Recife, disse que dava até vontade de ficar doente para ficar internado ali, mas horas depois quando passou mal aqui mesmo (ahhh, o destino…) foi atendido no Hospital Português (um dos mais caros de Recife) e depois foi tratar do câncer no sírio libanês.

Na semana passada eu descobri em primeira mão o motivo (como se não fosse óbvio).

Machuquei a coluna atendendo a um cliente. Precisei passar em um vão muito apertado para passar um cabo de rede e ao espremer a perna contra o corpo senti a pontada na lombar. Depois disso a coluna começou a travar. Aconteceu por volta das 9 da manhã mas me esforcei para terminar o serviço do cliente e só sai às 14h30. Eu tenho plano de saúde da Unimed, mas o hospital de referência ficava a cerca de 17km e no caminho para ele eu passava por duas UPAs (aos 6 e 12km). E até elas o trânsito e o estacionamento eram fáceis, mas chegar até o hospital da Unimed seria uma loteria. Como a dor era pequena mas crescente (às 10h eu ainda conseguia me abaixar, mas ao meio dia eu já tive que almoçar de pé porque sentar já era um problema) e eu estava com medo de que agravasse e comprometesse até minha capacidade de dirigir e/ou sair do carro no tempo que eu ia levar para alcançar o hospital, decidi arriscar a UPA mais próxima.

Cheguei às 15h. Em um ou dois minutos passei pela triagem, recebi a fitinha verde e pediram que eu aguardasse no corredor de trauma. Não havia lugar para todo mundo se sentar e muita gente já estava de pé (no setor de trauma, imagine…). Para mim não era grande problema porque no estado em que eu estava eu preferia ficar em pé, porque se eu me sentasse poderia não conseguir me levantar mais. Se você nunca teve um problema na coluna lombar nem pode imaginar.

Fiquei lá olhando para o painel esperando que chamassem meu número (aparece também o nome junto). O primeiro problema que você nota é que não há absolutamente nenhuma ordem previsível, pois alguém pode receber um número maior que o seu mas se tiver condição amarela ou for preferencial (gestantes e idosos) será atendido antes.  Minha ficha era TR070 (eu suponho que TR signifique “trauma”). E só havia um ortopedista atendendo. Os números saltavam de TR039 para TR047 e depois pra TR041 (só um exemplo). Era impossível prever quantas pessoas estavam na minha frente.

O sistema de chamada impacienta. O mesmo número é chamado repetidas vezes por o que parece um longo minuto. Em algumas raras ocasiões alguém gritava o nome do paciente (eu imagino que era o responsável pela Imobilização, porque nunca vi o ortopedista sair da sala) mas muitas vezes esse era um tempo perdido porque o paciente simplesmente não estava lá. Até aí, pode parecer que é a favor dos pacientes para que eles não perderem sua vez, mas continuem lendo para ver que não é bem assim.

Durante uma hora eu ainda pude tolerar ficar exclusivamente vigiando o painel e observar as pessoas que passavam, mas depois disso tive que sacar o celular para tentar me entreter com alguma leitura. O tráfego para meu TIM beta estava leeento, mas como o tempo estava sobrando ainda consegui me inteirar dos acontecimentos do dia.

Por volta das 16h50 (1h50min após minha chegada) o painel simplesmente parou de chamar pacientes para o consultório (continuava chamando para o Raio-X e imobilização) e só voltou a chamar por volta das 17h20. Parece que o doutor foi fazer um lanche e ninguém é avisado. Eu estava com a bexiga cheia e não podia ir ao banheiro com medo de perder minha vez.

Aproximadamente às 17h25 meu número foi chamado (se meu número fosse um pouco menor teria sido atendido antes do Coffee Break do médico). Quando eu abri a porta do consultório, o médico disse o nome de uma mulher. Eu expliquei ao doutor que eu tinha sido chamado mas ele insistiu que era outra pessoa, incrédulo, sai da sala e olhei o painel. O painel já estava mesmo chamando outra pessoa. No tempo que eu levei para colocar os pés dentro dos sapatos (tenho pé chato e ficar de pé muito tempo é menos doloroso se eu estiver descalço) e dar 10 passos o sistema já havia desistido de mim, levou menos de 15s para isso embora eu tivesse cansado de ver o mesmo sistema insistir obstinadamente no nome de outras pessoas. Lá constava de fato o meu nome na lista de últimas fichas chamadas e eu disse isso ao médico, mas ele insistiu secamente, sem nem olhar para mim, dizendo “aqui consta fulana de tal”.

E eu esperei 2h25 em pé, sentindo dor e a bexiga cheia para ser ignorado desse jeito. E provavelmente o médico achou que estivesse mentindo ou simplesmente não estava prestando atenção ao painel. Eu estava. O painel toca um aviso sonoro toda vez que troca o nome. E quando fui chamado eu já tinha guardado o telefone há vários minutos. Minha atenção estava toda na minha espera.

Fui ao balcão da recepção explicar o que havia acontecido. Você fala com as recepcionistas por um buraco no vidro que fica mais alto que a altura da minha boca. Eu tenho 1m69, o que é até alto para o padrão nordestino, mas tinha que me esticar para poder falar pelo buraco ou me abaixar para falar pela fenda que fica na altura da cintura por onde são passados documentos (quem projetou isso?). Nenhuma das duas opções era boa para a minha coluna. Acabei falando alto e como era uma reclamação, parecia que eu estava agitado. A moça pediu calma e disse que constava “que eu já havia sido atendido” (é mole?) e que ia fazer uma coisa que eu “não podia contar a ninguém”. Mas enquanto ela digitava algo, meu nome apareceu de novo no painel. Agradeci e fui tão rápido quanto pude com minha dificuldade de locomoção torcendo para o nome não mudar de novo.

Fui finalmente atendido e o médico me mandou para a medicação e em seguida para o Raio-X. Esses dois passos pareceram organizados. Ele teve o cuidado de me mandar para uma sala de medicação em outra ala comentando que havia ocorrido um óbito na ala onde estávamos (eu já sabia disso). No caminho para a medicação eu aproveitei e usei o mictório tão rápido quando minha condição permitia e literalmente sai do banheiro fechando a calça com medo de perder a chamada no painel dessa ala. É importante salientar que na UPA você só pode entrar com acompanhante se for idoso ou menor. Pelas regras eu não poderia ter alguém me acompanhando. Bateu fome ou vontade de ir ao banheiro? Que triste…

O sistema realmente deveria colocar uma lista dos próximos a serem chamados para você poder fazer uma estimativa do tempo que tem.

10 minutos depois sou chamado para a medicação. Tudo transcorreu normalmente e devo ter ficado uns 40 minutos lá. Foi a primeira vez que sentei, porque segundo a auxiliar de enfermagem eu não podia receber a medicação de pé. Enquanto estava sentado recebendo o remédio na veia e imaginando o que poderia acontecer quando eu me levantasse (se você não tem problema na coluna lombar, não faz idéia), decidi que era melhor guardar o smartphone e as chaves do carro no bolso.  Eu estava sozinho, rodeado de estranhos. Melhor evitar que minha situação ficasse pior do que o estritamente inevitável.

Ao sair da medicação (consegui ficar de pé sem problemas), já vi de longe o meu número no painel da outra ala. Eu estava sendo chamado para o Raio-X. Novamente, fui tão rápido quanto pude e ao entrar na sala o operador do Raio-X me perguntou onde eu estava. Na hora eu não entendi o motivo da pergunta, pois deveria ser óbvio para quem tem um computador da UPA na sua frente onde eu estava, mas eu respondi simplesmente “na medicação” e ele não falou mais nada. Fiz as duas chapas da minha lombar e fui avisado que elas seriam enviadas direto para o médico e eu deveria aguardar ser chamado novamente.

E assim fiz. Aguardei pacientemente a chamada que parecia não vir nunca. Eu não podia usar mais o smartphone para me entreter porque a bateria estava acabando e eu podia precisar dele para pedir ajuda e para não perder contato com minha família. Eu tinha como carregar no carro, mas me ausentar estava fora de cogitação. O corredor foi esvaziando e às 20h20 (5h20min após minha chegada) quando só haviam quatro pessoas no corredor, estava realmente desconfiado de que o sistema havia perdido meu número e descobri que meus colegas de espera estavam esperando por pessoas na Imobilização e eu era realmente o último para o consultório. Até uma funcionária da UPA (creio que outra operadora do Raio-X) que já havia passado por mim umas duas ou três vezes no corredor ficou curiosa. Insistiram que eu batesse na porta (eu realmente não gosto disso) e assim o fiz. Expliquei ao doutor que não havia mais ninguém além de mim e achava que tinha sido esquecido mas o médico disse algo como: “seu nome é o próximo, você é realmente o último” e pediu que eu esperasse chamar. Saí e esperei. Nada. Ele me mandou entrar verbalmente e fez nova tentativa de me chamar pelo sistema, pedindo que eu olhasse se havia saído meu nome. Apareceu outro número e outro nome no painel.

Foi aí que eu notei que perdi possivelmente uma hora ali por causa de outro erro no sistema. Poderia ter perdido mais ainda, se houvesse mais gente no corredor. Se o sistema de chamada da UPA não merece confiança o resultado óbvio é que as pessoas acabam tendo toda razão quando batem na porta do médico ou reclamam da demora na recepção, não é mesmo? E essa não é a primeira vez. Eu lembro de há anos ter levado minha mãe na UPA e uma hora depois de ser atendida pelo médico e não ser chamada para medicação eu fui bater na porta do consultório me oferecendo para comprar o remédio se estivesse faltando, para então descobrir que a demora não era falta de remédio (aparentemente você nem é mandado para a medicação se o remédio não existir em estoque) a ficha dela é que tinha sido perdida no sistema e nunca ia ser chamada de novo.

Voltando o meu caso, desta vez o médico foi bem mais educado e atencioso. Mas no total foram 5h30min apenas para tomar uma medicação (que não serviu para nada, eu precisava de anti-inflamatório e só recebi um analgésico), tirar um Raio-X (que não mostrou nada) e receber uma receita de um anti-inflamatório e um relaxante muscular (isso serviu para alguma coisa). E olha que a UPA é uma PPP e os funcionários não são servidores públicos. Se não fosse uma PPP acho que estaria na fila até agora.

Ainda bem que minha condição era verde.

6 comentários
  • Saulo Benigno - 279 Comentários

    Que bom que deu tudo certo? Pena que você só publicou aqui, isso no Facebook ia ser a maior algazzarra, todo mundo falando, comentando… :)

    • Jefferson - 6.623 Comentários

      Bom, acabo de copiar para meu perfil, mas não creio que gere polêmica lá por algumas razões:

      1)É um texto, e longo. O povo do Facebook gosta de se comunicar por imagens.
      2)Não gosto do Facebook e por isso tenho poucas pessoas “me seguindo” lá. Acho que até menos do que tenho aqui.

      • VR5 - 397 Comentários

        Nesse ponto gostava bem mais do “finado” Orkut: pelo menos lá tinham comunidades onde podia-se discutir sobre os mais variados temas… :(

      • Saulo Benigno - 279 Comentários

        Verdade, bem longo… mas aí é trabalho de marketing/SEO ehhehe, mas agora ja foi.

        Começar com uma imagem da UPA, de qualquer UPA, para mostrar quem passa a vista do que se trata o texto sem precisar ler… isso chama 90% de atenção, prende mesmo.

        De resto o texto está sensacional… governo chama gente e conversas no Facebook.

      • Chris Lemos - 1 Comentário

        Boa Tarde,Jefferson!
        Lamento pelo o que você passou e isso acontece com todos,infelizmente.
        Gostaria de saber o que a sigla PPP é,desculpe a ignorância!
        Obrigada.Abraços
        Chris Lemos

        • Jefferson - 6.623 Comentários

          Parceria Público-Privada
          As UPAs geralmente são administradas por uma organização privada e recebem dinheiro do estado.
          Se me recordo bem, na pulseirinha que você recebe aparece o nome da organização que administra.

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »

Expendables 3: descartável ao cubo

Expendables_3_posterEmbora Mercenários 1 e 2 não tenham sido lá grande coisa, pelo menos foram engraçados e tiveram passagens memoráveis. Eu não consigo esquecer do Chuck Norris contando o que aconteceu depois que foi picado por uma cobra. E quando vi que o terceiro filme tinha mais astros ainda da velha guarda da ação, encarei com as expectativas elevadas. Quebrei a cara.

O filme, pelo menos na versão estendida (talvez a versão com cortes me incomodasse menos), é ruim que dói. Mal dirigido, mal editado e mal interpretado.

  • Wesley Snipes e Antonio Banderas foram desperdiçados (embora eu até tenha gostado do Banderas como doido);
  • As várias cenas da fase de recrutamento foram coladas de forma tão amadora que até eu que presto pouca atenção nisso notei as transições abruptas;
  • O merchandising, particularmente o da Ford, é grosseiro. A cena em que Stallone vai até o carro (Ford) que está parado literalmente no meio do caminho na frente de um hangar (46m10s) , é de doer os olhos;
  • Os novos atores são fracos e Ronda Rousey, apesar de na vida real ser campeã de MMA e ex-judoca, como atriz não me convenceu nem por um momento, não importando quantas caretas ela fizesse;
  • Aliás, tantos atores novos foram usados que dá a impressão que Stallone quer deslanchar uma série baseada nos filmes, com os novatos como protagonistas. Má idéia;
  • Mercenários veteranos se sensibilizando ao ver fotos “softcore” de violência? HAHAHAHAHAHA. Teria sido melhor que o diretor nunca mostrasse nenhuma das fotos e deixasse para o espectador imaginar o que havia no dossiê;
  • Então mercenários veteranos sequestram um milionário traficante de armas e não jogam fora toda a roupa e acessórios dele, para acabar sendo apanhados por um rastreador GPS no relógio? HAHAHAHAHA. Seria legal, se a intenção da cena fosse cômica. Não é que Mercenários 1 e 2 não tenham furos. Tem. Mas você presta mais atenção quando o resto do filme falha miseravelmente em entreter você;
  • E etc, etc, etc…

Total desperdício de 2h do meu tempo. Não, na verdade foi menos. No combate final eu já estava assistindo com o dedo no fast forward porque não aguentava mais as baboseiras.

1 comentário
  • rodrigomotta - 114 Comentários

    Bom saber.
    O primeiro já não curti, mas tava pensando em ver esse último.
    Menos duas horas perdidas.

Clique para comentar
(Prefira clicar em "Responder" se estiver comentando um comentário)

Deixe um comentário

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code class="" title="" data-url=""> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> <pre class="" title="" data-url=""> <span class="" title="" data-url="">

  

  

  

:) :( ;) O_o B) :lol: :huh: :S :D :-P 8-O :yahoo: :rtfm: :dashhead1: :clapping: more »