Em Automata, não é fácil torcer pelo mocinho.

Automata_posterNa verdade, não há na prática um “mocinho” na estória. O protagonista não luta por uma idéia, ideal, pela verdade nem por um grupo. Inicialmente ele está apenas movido pela curiosidade e talvez um desejo de provar que não está louco. Em seguida tudo o que faz é lutar pela própria sobrevivência e, bem no final, de sua família.

Ao assistir Automata, eu tive a sensação de estar revendo vários filmes e animações de ficção científica, de Blade Runner a Ghost In The Shell, passando por Cherry 2000 (graças a Melanie Grifiti com sua voz de gata miando) e Animatrix. O filme parte de uma premissa interessante e em grande parte é bem executado, mas a brutalidade gratuita da ROC não tem explicação plausível.

Atenção: eu vou revelar parte importante do filme.

No início parece que o executivo da ROC ( o fabricante dos robôs) está puramente escondendo algum crime cometido por sua companhia quando manda matar todo mundo envolvido com o incidente, mas não demora muito para percebermos que aparentemente não há crime algum quando o executivo revela que a inteligência artificial (IA) dos robôs é criação não do homem, mas de uma única entidade de IA ainda superior desenvolvida antes, que eles decidiram desligar mas sem explicar o motivo.

Fica por conta do espectador imaginar essa razão. Ora, a única razão que explica eles terem desligado essa IA superior e ao mesmo perseguirem sem pensar duas vezes suas criações que manifestaram um princípio de sentiência, é o medo da raça humana ser destruída depois de uma singularidade tecnológica (é o terceiro filme este ano que assisto a tocar nesse tema, mas este não o faz explicitamente). Nesse caso eu não posso culpá-los e eu até diria que a ROC representa os mocinhos, se não fossem os assassinatos de inocentes sem qualquer envolvimento com a sentiência dos robôs.

Mas o filme nem tenta tocar nesse assunto. O diretor poderia fazer um filme inteligente, mas decidiu reduzi-lo a mero filme de acão onde robôs inofensivos (por enquanto) são perseguidos por vilões.  Um desperdício.

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Transcendence poderia ter sido melhor, se evitassem certas besteiras.

Transcendence2014PosterEu não achei a idéia de Transcendence ruim. Pelo contrário:  por um momento eu achei que seria uma ótima estória pra o universo de Terminator. Serviria como explicação para a origem de Skynet se removessemos a viagem no tempo. E enquanto geralmente nós fazemos do assunto “skynet” uma piada, o filme faz ponderações sérias sobre os perigos da chamada “singularidade tecnológica“. De uma forma ou de outra, para o bem ou para o mal, a criação de uma inteligência desse tipo seria o fim da raça humana como a conhecemos.

Mas bem que poderia ter deixado algumas baboseiras de lado.

Toda a idéia ao redor da consciência do Dr. Caster ter sido transferida para a internet “mata” o filme. É implausível, foi conseguida em um tempo inacreditável (acho que o Brasil inteiro não tem a banda de uplink de satélite daquele armazém) e gerou uma série de conclusões idiotas no script:

  • Para eliminar a inteligência, temos que eliminar a internet (as nanomáquinas me pareciam algo bem mais assustador) ;
  • Eliminando a internet, até a energia do mundo acaba, porque somente nesse script mesmo para o setor de utilidades (tratado como ponto de segurança nacional em qualquer país sério) ter essa fraqueza

Bastava eliminar isso para o filme dar um grande salto em seriedade. Mas já que estamos falando nisso a última cena, no jardim, também não faz sentido algum.

2 comentários
  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Durante o filme duas vezes um humano pergunta a uma IA “você pode provar que tem consciência de si mesmo (do inglês: self-aware)”? e a IA responde perguntando se o humano pode provar sua própria. Pode parecer para o público em geral que a IA está se esquivando mas na verdade essa é realmente, como afirma a IA, uma questão filosófica muito difícil de responder.

    Você pode apontar com certeza o que não é self-aware, mas tudo o que você pensar como prova de que você é, pode ser codificado em um programa de computador.

  • VR5 - 397 Comentários

    Seria + – a mesma coisa da “Teoria da Martix (que prova temos que não estamos dentro de uma gigantesca realidade virtual)”?

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Lucy: o final estraga o filme.

Lucy_(2014_film)_posterAntes de mais nada, é preciso dizer que eu assisti a Lucy 100% ciente de que essa estória de que o ser humano somente usa 10% do cérebro é mito. O que me importa é como a estória é contada. Se não fosse isso eu nem conseguiria apreciar Star Trek, só para começar.

E eu nunca iria dispensar um filme de ficção científica estrelado por Scarlett Johansson (se precisa de link para lembrar quem é, você certamente não é um portador de cromossomo Y) e dirigido por Luc Besson (Leon – The Professional, The Fifth Element, The Transporter).

Muita coisa no filme não faz sentido, do que leva um barão de drogas a ter todo esse trabalho para traficar meros dois/quatro quilos de uma droga sintética desconhecida (coloca como areia ornametal para jarro e quem vai identificar como entorpecente?) à evolução/revolução de Lucy. Mas não importa. Para mim o filme é um espetáculo visual e de idéias. Aliás, uma das falas do personagem de Morgan Freeman, em resposta à pergunta de um aluno, sintetiza o estado mental necessário para assistir ao filme:

“…agora estamos entrando na esfera da ficção científica e não sabemos mais [sobre o que poderiamos fazer com tamanha capacidade cerebral] do que um cão que observa a lua”

O que pensaria um humano ao passar por cada um dos estágios que Lucy passou, de humano comum a ser omnipotente (sem exagero)? Ainda se importaria com a raça humana? Ainda se importaria consigo mesmo? Me lembra os capítulos finais do Livro The Revenge Of Seven, mas falarei sobre isso em outro post.

Lucy se comporta ao mesmo tempo como se ela se importasse (com a raça humana e consigo) e como se não fizesse diferença. O que não deixa de ser verossimil.

Mas vamos deixar de lado a filosofia (não há muito o que comentar mesmo) e discutir a execução: o danado do filme poderia ter sido melhor pensado. E não precisavam nem ter perguntado a Lucy como fazer. Além da estranha incompetência dos traficantes, que não conseguem passar com um saquinho pela alfândega, mas andam com metralhadoras e uma bazuca pelas ruas da França, temos o estranho comportamento dos cientistas. Não bastava o personagem de Morgan Freeman ter deixado o ceticismo de lado diante do que poderia muito bem ser uma piada muito bem preparada, mas o filme também tinha que mostrar outros cientistas se comportando como se tivessesm lido o manual da Globo para execução de reuniões de diretoria em novelas: junte um monte de figurantes, mantenha-os calados de cara séria e balançando a cabeça para tudo o que o personagem principal diz e pronto! E quando Lucy mostra algo realmente impressionante (não estou falando de ler a mente de um deles, aquilo foi ridículo) eles ficam olhando com cara de quem estava admirando alguém fazer uma manobra difícil de skate e não com o assombro requerido para o que estavam presenciando. Depois da chegada de Lucy na universidade o script vai ficando mais e mais idiota, infelizmente.

E o final deixou muito a desejar, como o deste texto ;)

 

3 comentários
  • Saulo Benigno - 279 Comentários

    Pior que é verdade, aquelas bolinhas azuis podiam passar como qualquer coisa, engraçado :)

    Boa.

  • Walter - 140 Comentários

    Curioso. Assisti ontem e não tinha visto sua postagem, mas foi exatamente o que eu e a PPM falamos. e ao mesmo tempo, quando subiram os créditos: “que final lugar comum”

  • Walter - 140 Comentários

    No The Transporter o Luc Beson não dirige, mas fez o roteiro e produziu.

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Guardians of the Galaxy: eu fui o único que não gostou?

Gamora

Este é o modelito padrão de gamora nos quadrinhos. Sexista? Com certeza! Improvável que uma assassina se vestisse assim? Somente porque não tem onde guardar (mais) armas!

Eu não sei o que é mais estranho em Guardians of the Galaxy. A música cantada dos anos 80 em um filme que se passa em outros mundos (ainda se fosse só a melodia…)? A comédia embaraçosa? A evidente mão da Disney transformando Drax the Destroyer e Gamora, dois assassinos brutais nos quadrinhos em personagens quase “fofos”? Os vilões quase caricatos? Gamora completamente vestida? O filme ter alcançado nota 8.4 no IMDB (The Matrix tem 8.7)? Ver um Thanos “soft”?

Não me interpretem mal: eu gosto de ação com comédia. Mas não desse jeito. Na minha opinião o script exagera e transforma a coisa em um pastelão embaraçoso.

Os efeitos especiais impressionam, principalmente na animação de Grok e Rocket Racoon e sua interação com os personagens reais, mas isso não conseguiu compensar o resto.

Mas eu provavelmente estou sozinho nessa opinião, porque praticamente todo mundo parece ter gostado do filme e justamente pelas mesmas razões!

13 comentários
  • Alisson Teles Cavalcanti - 77 Comentários

    Bem, eu estou gostando do filme. Não terminei de assisti-lo ainda. Como não conheço nada mais dos personagens do que está sendo apresentado, estou achando um bom filme-diversão-sessão da tarde.

  • Walter - 140 Comentários

    Como eu já não esperava grandes coisas desse aí, e já não acompanhava mais os quadrinhos da marvel há tempos quando a equipe foi relançada, acabei até me surpreendendo. Concordo com o Alisson, é um bom filme diversão.

    Por outro lado, um filme que me decepcionou bastante foi o segundo Capitão América. Cheguei a ler e ouvir que era o melhor filme de super herói já feito até então. Que coisa chata, cheia de furos e com péssima continuidade. O problema aqui é que o filme se leva a sério demais.

    • Saulo Benigno - 279 Comentários

      Cheio de furos?

      Eita, quais foram os furos do filme?

      • Walter - 140 Comentários

        Poxa, Saulo, são muitos mesmo. Só pra ficar em alguns:

        Na luta com o líder dos piratas, o cara não tem nenhum poder além do treinamento, mas não voa longe como todos os outros quando apanha. Tá, isso acontece muito em filme de ação, mas lodo na primeira sequência de luta fica meio forçado.

        O diretor da mega blaster ultra super divisão de espionagem e inteligência do mundo anda de carro sozinho pela cidade, sem nenhuma segurança e apoio logístico e cai em uma emboscada infantil que usa veículos da polícia em pleno centro da cidade? E pior, a própria polícia da cidade não aparece pra intervir? Ele quebra o braço, mesmo dentro de um veículo que é praticamente um tanque de guerra, mas os condutores dos outros carros que batem no dele não saem nem arranhados?

        O Soldado Invernal aparece do nada depois de uma baita perseguição pra resolver tudo sozinho de uma forma tosca? E como o Fury fugiu?

        Nessa sequência eu já perdi o gosto pelo filme, e confesso que nem prestei mais muita atenção. Mas tem mais furos, sem contar cenas que deixaram de fora do corte final para o cinema, só pra colocar na versão estendida depois, como por exemplo a do resgate das asas do Falcão, ficou um buraco enorme ali.

        Toda a sequência do encontro com o Zola e a destruição da base também são bem ruins. Não havia ninguém protegendo a grande mente por trás da Hydra e eles destroem o criador do algoritimo assim, sem mais nem menos? Ruim de acreditar, hein?

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Eu assisti no cinema e também gostei muito do filme (como a maioria), gostei tanto que já baixei por torrent uma versão em fullhd para assistir mais algumas vezes.

    Toda unanimidade é burra, e gosto é uma coisa pessoal. Já teve muito filme que gostei muito e foram ruins em bilheteria, como por exemplo: Sombras da Noite (fantástico! e eu nem gosto de filme de terror, mas gostei muito do humor negro que é bastante inteligente), Oblivion (excelente !), Elisium (foi um dos melhores que eu ví), e outros, mas eu sou suspeito, sou fanático por ficção cientifica.

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Tem também um filme argentino (Relatos Selvagens), que também é de humor negro (humor bem negro e bem engraçado), que ainda está passando nas salas de cinema, faz tempo que eu não dou tanta risada com um filme (Sombras da Noite foi a última vez).

    Se puderem assistam, ele vai realmente surpreender.

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Mas falando em filme barra pesada, um dos mais mais foi o Distrito 9 (que por sinal foi quem apresentou ao mundo o ator que é o vilão em Elisium mas não lembro o nome dele, sou um cinéfilo de memória curta).

    Distrito 9 foi uma tremenda crítica ao Aparteid com a temática de ficção científica, não sei como conseguiram fazer um filme tão bom com tão poucos recursos (talvez porque tenha sido feito fora de Hollywood ???).

  • Saulo Benigno - 279 Comentários

    Jefferson, faz um favor, vá assistir Interestelar em IMAX :)
    Fila G ou H, pelo meio. E sinta um cinema com “force feedback”

    Você já foi em um cinema IMAX?

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Eu também já assisti, mas infelizmente aqui em Salvador não tem IMAX, é realmente uma pena, o filme realmente vale a pena (se lançassem um cine com IMAX por aqui com Interestelar eu iria assistir de novo).

    Considero ele quase tão bom como 2001 Uma Odisseia no Espaço (chega bem perto, mas 2001 é o clássico dos clássicos), quase tenho vontade de assistir uma segunda vez no cinema (acho que já fiz isso uma vez com outro, mas não lembro para qual filme).

    Tem algum IMAX e Recife ?

    • Saulo Benigno - 279 Comentários

      Tem sim, abriu esse ano no Shopping Recife. É outra coisa, outro tipo de cinema. Fora a tela ter a altura de um prédio de quatro andares o som é sensacional.

      Mas IMAX é imagem mesmo. É basicamente uma nova imagem, existem cameras especiais para IMAX, não é só “aumentar a resolução” elas captam mais, é tipo aqueles cortes que fazem para telas full screen. No IMAX tem mais.

      O bom de interestelar é que não é 3D, foi o primeiro filme que vi em IMAX sem 3D, sensacional. Eu sei que assisti bem no centro, a cadeira tremia com o som, é magnifico.

      Vale a pena :)

      • Intruder_A6 - 194 Comentários

        Não sei vai ter aqui em Salvador um IMAX algum dia, mas quem sabe ???

        Eu sempre achei Salvador meio atrasada, agora eu tenho certeza.

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Interestelar é tão bom como ficção científica que chega até a ser bastante plausível, o que é bem raro em filme de ficção científica. O filme chega quase a dar uma aula de Teoria da Relatividade. Acho que o filme só pisa na bola quando considera que a gravidade se propaga de forma instantânea (mais rápido que a luz), que não é o que dizem as mais novas teorias sobre a gravidade, que dizem que até a gravidade tem que se submeter a velocidade da luz. Até já existe uma provável descoberta da onda gravitacional (ainda precisa ser confirmada por outras fontes), que em acontecendo vai confirmar que a gravidade realmente se propaga na velocidade da luz e é conduzida por uma partícula chamada gráviton.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Assistir ao filme a partir da segunda vez, sem as expectativas que eu trouxe dos quadrinhos, já foi uma experiência muito melhor. Hoje eu posso disser que não sou mais uma exceção.

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Uma tarde em uma UPA. Pena que eu não tenha carteirinha do Sírio Libanês.

O nosso ex presidente Lula, em visita a uma UPA da Região Metropolitana de Recife, disse que dava até vontade de ficar doente para ficar internado ali, mas horas depois quando passou mal aqui mesmo (ahhh, o destino…) foi atendido no Hospital Português (um dos mais caros de Recife) e depois foi tratar do câncer no sírio libanês.

Na semana passada eu descobri em primeira mão o motivo (como se não fosse óbvio).

Machuquei a coluna atendendo a um cliente. Precisei passar em um vão muito apertado para passar um cabo de rede e ao espremer a perna contra o corpo senti a pontada na lombar. Depois disso a coluna começou a travar. Aconteceu por volta das 9 da manhã mas me esforcei para terminar o serviço do cliente e só sai às 14h30. Eu tenho plano de saúde da Unimed, mas o hospital de referência ficava a cerca de 17km e no caminho para ele eu passava por duas UPAs (aos 6 e 12km). E até elas o trânsito e o estacionamento eram fáceis, mas chegar até o hospital da Unimed seria uma loteria. Como a dor era pequena mas crescente (às 10h eu ainda conseguia me abaixar, mas ao meio dia eu já tive que almoçar de pé porque sentar já era um problema) e eu estava com medo de que agravasse e comprometesse até minha capacidade de dirigir e/ou sair do carro no tempo que eu ia levar para alcançar o hospital, decidi arriscar a UPA mais próxima.

Cheguei às 15h. Em um ou dois minutos passei pela triagem, recebi a fitinha verde e pediram que eu aguardasse no corredor de trauma. Não havia lugar para todo mundo se sentar e muita gente já estava de pé (no setor de trauma, imagine…). Para mim não era grande problema porque no estado em que eu estava eu preferia ficar em pé, porque se eu me sentasse poderia não conseguir me levantar mais. Se você nunca teve um problema na coluna lombar nem pode imaginar.

Fiquei lá olhando para o painel esperando que chamassem meu número (aparece também o nome junto). O primeiro problema que você nota é que não há absolutamente nenhuma ordem previsível, pois alguém pode receber um número maior que o seu mas se tiver condição amarela ou for preferencial (gestantes e idosos) será atendido antes.  Minha ficha era TR070 (eu suponho que TR signifique “trauma”). E só havia um ortopedista atendendo. Os números saltavam de TR039 para TR047 e depois pra TR041 (só um exemplo). Era impossível prever quantas pessoas estavam na minha frente.

O sistema de chamada impacienta. O mesmo número é chamado repetidas vezes por o que parece um longo minuto. Em algumas raras ocasiões alguém gritava o nome do paciente (eu imagino que era o responsável pela Imobilização, porque nunca vi o ortopedista sair da sala) mas muitas vezes esse era um tempo perdido porque o paciente simplesmente não estava lá. Até aí, pode parecer que é a favor dos pacientes para que eles não perderem sua vez, mas continuem lendo para ver que não é bem assim.

Durante uma hora eu ainda pude tolerar ficar exclusivamente vigiando o painel e observar as pessoas que passavam, mas depois disso tive que sacar o celular para tentar me entreter com alguma leitura. O tráfego para meu TIM beta estava leeento, mas como o tempo estava sobrando ainda consegui me inteirar dos acontecimentos do dia.

Por volta das 16h50 (1h50min após minha chegada) o painel simplesmente parou de chamar pacientes para o consultório (continuava chamando para o Raio-X e imobilização) e só voltou a chamar por volta das 17h20. Parece que o doutor foi fazer um lanche e ninguém é avisado. Eu estava com a bexiga cheia e não podia ir ao banheiro com medo de perder minha vez.

Aproximadamente às 17h25 meu número foi chamado (se meu número fosse um pouco menor teria sido atendido antes do Coffee Break do médico). Quando eu abri a porta do consultório, o médico disse o nome de uma mulher. Eu expliquei ao doutor que eu tinha sido chamado mas ele insistiu que era outra pessoa, incrédulo, sai da sala e olhei o painel. O painel já estava mesmo chamando outra pessoa. No tempo que eu levei para colocar os pés dentro dos sapatos (tenho pé chato e ficar de pé muito tempo é menos doloroso se eu estiver descalço) e dar 10 passos o sistema já havia desistido de mim, levou menos de 15s para isso embora eu tivesse cansado de ver o mesmo sistema insistir obstinadamente no nome de outras pessoas. Lá constava de fato o meu nome na lista de últimas fichas chamadas e eu disse isso ao médico, mas ele insistiu secamente, sem nem olhar para mim, dizendo “aqui consta fulana de tal”.

E eu esperei 2h25 em pé, sentindo dor e a bexiga cheia para ser ignorado desse jeito. E provavelmente o médico achou que estivesse mentindo ou simplesmente não estava prestando atenção ao painel. Eu estava. O painel toca um aviso sonoro toda vez que troca o nome. E quando fui chamado eu já tinha guardado o telefone há vários minutos. Minha atenção estava toda na minha espera.

Fui ao balcão da recepção explicar o que havia acontecido. Você fala com as recepcionistas por um buraco no vidro que fica mais alto que a altura da minha boca. Eu tenho 1m69, o que é até alto para o padrão nordestino, mas tinha que me esticar para poder falar pelo buraco ou me abaixar para falar pela fenda que fica na altura da cintura por onde são passados documentos (quem projetou isso?). Nenhuma das duas opções era boa para a minha coluna. Acabei falando alto e como era uma reclamação, parecia que eu estava agitado. A moça pediu calma e disse que constava “que eu já havia sido atendido” (é mole?) e que ia fazer uma coisa que eu “não podia contar a ninguém”. Mas enquanto ela digitava algo, meu nome apareceu de novo no painel. Agradeci e fui tão rápido quanto pude com minha dificuldade de locomoção torcendo para o nome não mudar de novo.

Fui finalmente atendido e o médico me mandou para a medicação e em seguida para o Raio-X. Esses dois passos pareceram organizados. Ele teve o cuidado de me mandar para uma sala de medicação em outra ala comentando que havia ocorrido um óbito na ala onde estávamos (eu já sabia disso). No caminho para a medicação eu aproveitei e usei o mictório tão rápido quando minha condição permitia e literalmente sai do banheiro fechando a calça com medo de perder a chamada no painel dessa ala. É importante salientar que na UPA você só pode entrar com acompanhante se for idoso ou menor. Pelas regras eu não poderia ter alguém me acompanhando. Bateu fome ou vontade de ir ao banheiro? Que triste…

O sistema realmente deveria colocar uma lista dos próximos a serem chamados para você poder fazer uma estimativa do tempo que tem.

10 minutos depois sou chamado para a medicação. Tudo transcorreu normalmente e devo ter ficado uns 40 minutos lá. Foi a primeira vez que sentei, porque segundo a auxiliar de enfermagem eu não podia receber a medicação de pé. Enquanto estava sentado recebendo o remédio na veia e imaginando o que poderia acontecer quando eu me levantasse (se você não tem problema na coluna lombar, não faz idéia), decidi que era melhor guardar o smartphone e as chaves do carro no bolso.  Eu estava sozinho, rodeado de estranhos. Melhor evitar que minha situação ficasse pior do que o estritamente inevitável.

Ao sair da medicação (consegui ficar de pé sem problemas), já vi de longe o meu número no painel da outra ala. Eu estava sendo chamado para o Raio-X. Novamente, fui tão rápido quanto pude e ao entrar na sala o operador do Raio-X me perguntou onde eu estava. Na hora eu não entendi o motivo da pergunta, pois deveria ser óbvio para quem tem um computador da UPA na sua frente onde eu estava, mas eu respondi simplesmente “na medicação” e ele não falou mais nada. Fiz as duas chapas da minha lombar e fui avisado que elas seriam enviadas direto para o médico e eu deveria aguardar ser chamado novamente.

E assim fiz. Aguardei pacientemente a chamada que parecia não vir nunca. Eu não podia usar mais o smartphone para me entreter porque a bateria estava acabando e eu podia precisar dele para pedir ajuda e para não perder contato com minha família. Eu tinha como carregar no carro, mas me ausentar estava fora de cogitação. O corredor foi esvaziando e às 20h20 (5h20min após minha chegada) quando só haviam quatro pessoas no corredor, estava realmente desconfiado de que o sistema havia perdido meu número e descobri que meus colegas de espera estavam esperando por pessoas na Imobilização e eu era realmente o último para o consultório. Até uma funcionária da UPA (creio que outra operadora do Raio-X) que já havia passado por mim umas duas ou três vezes no corredor ficou curiosa. Insistiram que eu batesse na porta (eu realmente não gosto disso) e assim o fiz. Expliquei ao doutor que não havia mais ninguém além de mim e achava que tinha sido esquecido mas o médico disse algo como: “seu nome é o próximo, você é realmente o último” e pediu que eu esperasse chamar. Saí e esperei. Nada. Ele me mandou entrar verbalmente e fez nova tentativa de me chamar pelo sistema, pedindo que eu olhasse se havia saído meu nome. Apareceu outro número e outro nome no painel.

Foi aí que eu notei que perdi possivelmente uma hora ali por causa de outro erro no sistema. Poderia ter perdido mais ainda, se houvesse mais gente no corredor. Se o sistema de chamada da UPA não merece confiança o resultado óbvio é que as pessoas acabam tendo toda razão quando batem na porta do médico ou reclamam da demora na recepção, não é mesmo? E essa não é a primeira vez. Eu lembro de há anos ter levado minha mãe na UPA e uma hora depois de ser atendida pelo médico e não ser chamada para medicação eu fui bater na porta do consultório me oferecendo para comprar o remédio se estivesse faltando, para então descobrir que a demora não era falta de remédio (aparentemente você nem é mandado para a medicação se o remédio não existir em estoque) a ficha dela é que tinha sido perdida no sistema e nunca ia ser chamada de novo.

Voltando o meu caso, desta vez o médico foi bem mais educado e atencioso. Mas no total foram 5h30min apenas para tomar uma medicação (que não serviu para nada, eu precisava de anti-inflamatório e só recebi um analgésico), tirar um Raio-X (que não mostrou nada) e receber uma receita de um anti-inflamatório e um relaxante muscular (isso serviu para alguma coisa). E olha que a UPA é uma PPP e os funcionários não são servidores públicos. Se não fosse uma PPP acho que estaria na fila até agora.

Ainda bem que minha condição era verde.

6 comentários
  • Saulo Benigno - 279 Comentários

    Que bom que deu tudo certo? Pena que você só publicou aqui, isso no Facebook ia ser a maior algazzarra, todo mundo falando, comentando… :)

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Bom, acabo de copiar para meu perfil, mas não creio que gere polêmica lá por algumas razões:

      1)É um texto, e longo. O povo do Facebook gosta de se comunicar por imagens.
      2)Não gosto do Facebook e por isso tenho poucas pessoas “me seguindo” lá. Acho que até menos do que tenho aqui.

      • VR5 - 397 Comentários

        Nesse ponto gostava bem mais do “finado” Orkut: pelo menos lá tinham comunidades onde podia-se discutir sobre os mais variados temas… :(

      • Saulo Benigno - 279 Comentários

        Verdade, bem longo… mas aí é trabalho de marketing/SEO ehhehe, mas agora ja foi.

        Começar com uma imagem da UPA, de qualquer UPA, para mostrar quem passa a vista do que se trata o texto sem precisar ler… isso chama 90% de atenção, prende mesmo.

        De resto o texto está sensacional… governo chama gente e conversas no Facebook.

      • Chris Lemos - 1 Comentário

        Boa Tarde,Jefferson!
        Lamento pelo o que você passou e isso acontece com todos,infelizmente.
        Gostaria de saber o que a sigla PPP é,desculpe a ignorância!
        Obrigada.Abraços
        Chris Lemos

        • Jefferson - 6.606 Comentários

          Parceria Público-Privada
          As UPAs geralmente são administradas por uma organização privada e recebem dinheiro do estado.
          Se me recordo bem, na pulseirinha que você recebe aparece o nome da organização que administra.

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Expendables 3: descartável ao cubo

Expendables_3_posterEmbora Mercenários 1 e 2 não tenham sido lá grande coisa, pelo menos foram engraçados e tiveram passagens memoráveis. Eu não consigo esquecer do Chuck Norris contando o que aconteceu depois que foi picado por uma cobra. E quando vi que o terceiro filme tinha mais astros ainda da velha guarda da ação, encarei com as expectativas elevadas. Quebrei a cara.

O filme, pelo menos na versão estendida (talvez a versão com cortes me incomodasse menos), é ruim que dói. Mal dirigido, mal editado e mal interpretado.

  • Wesley Snipes e Antonio Banderas foram desperdiçados (embora eu até tenha gostado do Banderas como doido);
  • As várias cenas da fase de recrutamento foram coladas de forma tão amadora que até eu que presto pouca atenção nisso notei as transições abruptas;
  • O merchandising, particularmente o da Ford, é grosseiro. A cena em que Stallone vai até o carro (Ford) que está parado literalmente no meio do caminho na frente de um hangar (46m10s) , é de doer os olhos;
  • Os novos atores são fracos e Ronda Rousey, apesar de na vida real ser campeã de MMA e ex-judoca, como atriz não me convenceu nem por um momento, não importando quantas caretas ela fizesse;
  • Aliás, tantos atores novos foram usados que dá a impressão que Stallone quer deslanchar uma série baseada nos filmes, com os novatos como protagonistas. Má idéia;
  • Mercenários veteranos se sensibilizando ao ver fotos “softcore” de violência? HAHAHAHAHAHA. Teria sido melhor que o diretor nunca mostrasse nenhuma das fotos e deixasse para o espectador imaginar o que havia no dossiê;
  • Então mercenários veteranos sequestram um milionário traficante de armas e não jogam fora toda a roupa e acessórios dele, para acabar sendo apanhados por um rastreador GPS no relógio? HAHAHAHAHA. Seria legal, se a intenção da cena fosse cômica. Não é que Mercenários 1 e 2 não tenham furos. Tem. Mas você presta mais atenção quando o resto do filme falha miseravelmente em entreter você;
  • E etc, etc, etc…

Total desperdício de 2h do meu tempo. Não, na verdade foi menos. No combate final eu já estava assistindo com o dedo no fast forward porque não aguentava mais as baboseiras.

1 comentário
  • rodrigomotta - 114 Comentários

    Bom saber.
    O primeiro já não curti, mas tava pensando em ver esse último.
    Menos duas horas perdidas.

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A comunidade Linux em “guerra civil”. Nenhuma surpresa nisso.

Eu quero lembrar que sou grande admirador do Linus Torvalds. Meu problema é com a grande densidade de “haters” que gravita em torno da criação dele. Não é que não exista arrogância e ódio fora da comunidade. É que a densidade nela é enorme. São apenas 2% dos usuários de computadores, mas você não consegue caminhar em meio a um grupo deles sem esbarrar em alguém que pregue o fim das alternativas em nome de uma tal “liberdade” cujo significado ele redefiniu.

Eu costumo dizer para quem quiser ouvir e desta vez vou deixar por escrito que se a “comunidade” Linux:

  • Conseguir a destruição da Microsoft vai atrás da destruição da Apple;
  • Conseguir a destruição da Apple vai atrás do Unix (afinal, não é livre);
  • Conseguir a destruição do Unix vai brigar por filosofia de distribuição (Debian versus não Debian);
  • Quando só restar um tipo de distribuição, as distros (ou seus usuários) vão brigar entre si
  • E depois vem a briga pelos detalhes.

Mas não necessariamente nessa ordem. Para quem olha de fora, convivência pacífica simplesmente não é uma qualidade dessa gente.

A comunidade está em uma guerra interna há meses. Tudo por causa de um tal “systemd” que está sendo adotado por várias distros importantes como “system init” padrão. Usuários que não querem abrir mão da inicialização via scripts combatem a adoção do systemd porque ele se parece muito mais com o svchost do Windows, onde serviços podem ser parados e iniciados até fora de ordem e simultaneamente.  Ao que parece, a troca do tradicional método por scripts pelo método com systemd favorece mais usuários de desktop e os que criam serviços “cloud” (odeio esse termo), mas os system admins detestaram a novidade. E como não conseguiram convencer os mantenedores das distros, parece que intimidar o principal desenvolvedor se tornou opção. Não faltou nem ameaça de morte.

Usando como argumento a própria propaganda da comunidade eu sou obrigado a perguntar (retoricamente, é claro) por quê isso?

Afinal não é mantra do open source que se você não gosta de algo do jeito que está, você pode mudar o código fonte e fazer seu próprio fork de uma distro inteira se quiser? Por quê de repente é tão dificil? Por quê brigas e ameaças?

Ouso dizer que é porque mentiras, arrogância, ódio, brigas e ameças são uma constante na “comunidade”. E não precisa levar em conta apenas minha opinião porque o autor do systemd, que está lá dentro, afirmou que “a comunidade é cheia de c*zões” e “um lugar doente para se estar”.

E essa não é a primeira briga interna, claro. Emacs versus vi, KDE versus Gnome… O que não falta é briga na história do Linux. Parecem torcidas de futebol e não as pessoas de grande inteligência e altamente iluminadas que dizem ser. Mas pelo menos enquanto eles estão ocupados se esfaqueando param de encher o saco dos outros 98% dos usuários de computadores.

E para mim nessa discussão não importa se o systemd é bom ou não. Isso deveria ser irrelevante. Quem gosta, usa. Quem não gosta, não usa. Você é ou não é “livre” ao escolher o Linux como SO?

Aviso: Eu aviso, principalmente aos pára-quedistas, que conforme minha política anti-troll já em vigor há muito tempo eu me reservo o direito de ignorar (sem publicação) comentários por qualquer motivo.

3 comentários
  • Marcio - 14 Comentários

    Eu tenho acompanhado essa discussão já faz algum tempo.

    O problema principal aqui é que o systemd é muito diferente de outros sistemas de init disponíveis no linux.

    O kernel do linux, depois de inicializado, faz alguns testes, monta o sistema de arquivos e então passa o controle do sistema para o processo init que se encarrega de inicializar todos os outros serviços do sistema.

    O mais tradicional deles é o SysVinit que existe desde o inicio dos tempos, existem outros, como por exemplo o openrc e o upstart, esse ultimo desenvolvido pela canonical e usado no ubuntu.

    O systemd é um init que começou a ser desenvolvido pela redhat, uma das mais tradicionais distribuições de linux e muito usada principalmente em ambientes corporativos, que como o Jefferson deve saber muito bem, é bastante avessa a mudanças.
    A principal reclamação do pessoal é contra o systemd é que ele não segue a filosofia
    Unix do “Programas que fazem apenas uma coisa e fazem bem”, o systemd incorporou muitas outras funções além de inicializar, parar e reiniciar processos.

    Eles absorveram o dbus, o principal mecanismo de IPC usado no linux, possuem um gerenciador de login, gerenciador de logs do sistema, controle de interfaces de rede, agendador de tarefas entre outras coisas.

    Tradicionalmente para cada um desses serviços você tinha mais de um programa para escolher para usar.

    Devido a essa integração de diversos serviços básicos, o systemd começou a oferecer algumas funcionalidades que não estavam presentes anteriormente e diversos projetos começaram a utilizar essas funcionalidades, criando uma dependência com o systemd. Em geral estão implementando isso como opcionais que ficam desativados se o systemd não está presente, mas no futuro podem aparecer aplicativos que tenham uma dependência direta com algum módulo do systemd.

    Para a grande maioria dos usuários essa mudança é transparente, se as distribuições fizerem a migração corretamente, os usuários vão ver que o computador continua iniciando normalmente e esta tudo certo.

    A maioria do pessoal que está tentando boicotar o systemd é principalmente o pessoal mais ligado a administração em ambientes corporativos, muitos deles inclusive clientes da redhat, muitos desses caras possuem sistemas personalizados, ferramentas próprias, etc e vão ter muito trabalho para migrar para o systemd.

    Há outras questões levantadas como o fato do sistema de logs do systemd armazenar os dados em forma binária e não em modo texto como é tradicional, o próprio Linus acha isso uma ideia ruim.
    Todas essas novas funcionalidades do systemd também o deixam muito mais complexo e há o temor de que um bug em um módulo possa derrubar o sistema inteiro essa preocupação é agravada pelo fato que a qualidade do código do systemd em varias partes ser considerada abaixo do que se espera de um programa com esse nível de importância.

    Eu não tenho uma opinião totalmente formada sobre o systemd e nem estou aqui defendendo ninguém, esses caras que ficam fazendo ameaças não colaboram em nada para a solução dos problemas e os desenvolvedores do systemd estão tentando resolver alguns problemas bem complexos, realmente espero que algo de bom surja disso tudo.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Obrigado pela contribuição!

      e muito usada principalmente em ambientes corporativos, que como o Jefferson deve saber muito bem, é bastante avessa a mudanças.

      E com razão. Durante o debate após a descoberta do shellshock de um lado vinham palermas com aparentemente zero experiência em administração de servidores dizendo “já existe patch. É só fazer um apt-get update…” e do outro sysadmins respondendo algo como “você é louco?”.

      Tradicionalmente para cada um desses serviços você tinha mais de um programa para escolher para usar.

      O que cria um problema no Linux usado por pessoas que não são sysadmins (desktops, sistemas embarcados…). Se o programa precisa inicializar junto com o sistema é preciso testar para diversas configurações de inicialização possíveis e ainda assim a auto instalação pode falhar e o usuário vai precisar fazer manualmente. Entre outras coisas o systemd oferece um modo padronizado de conseguir isso que é bem vindo para usuários de desktop.

      Não estou defendendo o systemd. Mas eu já perdi bastante tempo no Linux tendo que instalar “na munheca” um programa ou corrigir uma instalação que falhou.

      Há outras questões levantadas como o fato do sistema de logs do systemd armazenar os dados em forma binária e não em modo texto como é tradicional, o próprio Linus acha isso uma ideia ruim.

      Por um lado eu também acho ruim. Eu sou fã dos arquivos INI para configurar aplicações e não usar o Registro. Mas por outro lado o Linux e seus múltiplos arquivos de configuração dão um nó danado na cabeça do usuário que simplesmente quer usar o sistema. De uma distro para outra e de uma versão para outra muda o lugar onde fica a configuração ou arquivo de configuração inteiro que você procura. Da última vez que tive problemas com isso se não estou enganado foi para definir os servidores DNS manualmente. Eu fazia a configuração seguindo à risca o tutorial mas esta era ignorada, depois descobria que era ignorada porque nessa versão podia estar em outro arquivo e depois desisti porque não funcionava.

      E tem também o problema da organização hierárquica da informação. Para criar uma hierarquia em arquivos ASCII o jeito tradicional é usar XML que, francamente, acaba se tornando quase tão incompreensivel quanto binário rapidamente. E para ler esse XML em um programa os métodos costumam ser tão confusos que, pelo menos no Windows, eu prefiro criar um arquivo de configuração hierárquico binário a um em XML. E se o formato do binário do systemd for bem documentado (e tem código-fonte para você olhar se não houver documentação) não vejo gande problema nisso.

  • JavaNunes - 1 Comentário

    Perdão, mas as coisas não são assim: quem não quer usa, quem quiser usa. Por trás de sistemas operacionais livres como Linux, OpenBSD e FreeBSD existem padrões, cultura e costumes. Falar que cada um faz o que quiser por que o sistema é livre é demagogia pois o sistema é baixado de uma forma padrão que incentivará todos o usarem daquela forma.
    Veja um exemplo: o Linux é livre, mas nem por isso algum doido incentivou aos usuários usarem o usuário root (UID 0) como padrão para facilitar a vida deles. O Linux é livre sim mas existe o padrão LSB que tenta padronizar as distribuições para que elas não fiquem ruins para a compatibilidade como eram no passado. Existe o posix também.
    Nem sempre quando as pessoas reclamam de algo novo é por que elas são ranzinzas , ninguém de TI por exemplo reclama de lagar o seu notebook velho com windows 8 para usar um MacBook Retina. Isso é preconceito.
    As vezes algumas novidades não são boas mesmo.
    O systemd não agrada muito pois ele se mete a querer fazer tudo na desculpa de ser paralelo e oferecer um boot veloz , nisso eu vejo que ele perde para o upstart.
    Sem se falar que um computador com systemd não é garantido iniciar , as vezes ele trava em um processo que não consegue subir e não passa dali.
    Terá um tempo, se continuar assim, que o systemd vai até abrir o Libre Office para a gente.
    Belo era o tempo dos inits tradicionais onde eu tava um C^ para finalizar um processo emperrado.

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Atualização de drivers do Windows danificando hardware. Péssima idéia da FTDI.

Você é proprietário de Arduino (duemilanove ou mega 1280), conversores USB-serial ou qualquer coisa que se conecte ao PC via porta USB? Tome cuidado pois a comunicação com seu aparelho pode ficar inoperante após uma rodada do Windows Update. O fabricante de chips USB FTDI, com o intuito de combater a falsificação de seus chips, teve a incrivelmente estúpida idéia de colocar código em seu driver que ao detectar que o chip é falsificado reprograma o chip para que não funcione mais. Isso foi originalmente reportado no HackADay e a FTDI admitiu prontamente.

O sintoma é que a inserção do hardware é detectada, mas o dispositivo não é reconhecido. Em nenhum computador.

O problema para a FTDI é que é incrivelmente difícil distinguir o chip falso do original. Até mesmo empresas sérias podem ter sido enganadas com a falsificação. O chip pode ter marcação laser idêntica à original e se comporta igualzinho ao original, sendo capaz de passar em praticamente qualquer controle de qualidade que não envolva analisar o chip por dentro com um microscópio eletrônico.  Como você tem certeza que comprou original? Comprando na Farnell? Na Digikey? HA! Já perdi a conta das empresas com reputação no mercado que se envolveram em baitas “roubadas” (às vezes literalmente) por negligência ou má-fé de seus gerentes. Lembram do Carrefour vendendo celulares roubados? Recentemente uma grande cadeia de lojas de Pernambuco se envolveu com carga roubada também. Vender falso? Mais fácil ainda. O chip falso pode estar em qualquer lugar, em qualquer tipo de aparelho. E intencionalmente danificar propriedade alheia é algo muito difícil de defender.  O correto para a FTDI seria, ao detectar o chip falso, exibir uma mensagem de falsificação e desabilitar o driver.

Em fevereiro deste ano a zeptobars fez uma análise com microscópio eletrônico que mostra claramente a diferença entre um FTDI legítimo e um falso. Por dentro, é claro. Na ocasião eles puderam distinguir o falso visualmente pelo fato da marcação não ser a laser (mesmo olhando lado a lado na foto não é fácil notar diferença) mas não duvido nada que existam cópias com gravação a laser. Afinal, o que é uma gravação a laser para quem consegue fazer uma falsificação tão sofisticada? Isso lembra as falsificações de pilhas recarregáveis da Sony que são visualmente tão perfeitas que você só descobre que o produto é falso por causa dos erros de inglês na embalagem. Corrija os erros de inglês e…

A comunidade de segurança está p*ta com a FTDI porque isso é um golpe sério na credibilidade das atualizações automáticas. Eu não me importo porque nunca gostei delas mesmo. É esperado que a MS retire a atualização do ar e não me surpreenderia se isso pudesse resultar em uma pesada multa para a FTDI por violação de contrato com a MS. No mínimo a FTDI pode ser proibida de oferecer novas atualizações pelo Windows Update.

Para quem é técnico, o aparelho não está definitivamente perdido. O que a FTDI faz é reprogramar o USB PID para zero. Isso pode ser desfeito usando um utilitário da própria FTDI que já existia antes desse evento, porque a reprogramação do VID/PID é uma das funcionalidades do chip.  Mas incontáveis técnicos vão se deparar com o problema e achar que a interface simplesmente está morta por não estarem sabendo dessa presepada da FTDI. Imagine o consumidor normal.

Caramba… posso apostar que muito chip FTDI falso nem está marcado “FTDI” em cima. E como está morto você não tem como identificar imediatamente por software. O técnico preciso mesmo estar “ligado” nesse problema e testar toda interface serial defeituosa que passar pelas suas mãos com o utilitário da FTDI. Isso hoje, amanhã, daqui a seis meses…

Como a inserção do hardware é detectada ainda é possível identificar que trata-se de uma interface FTDI olhando o par VID/PID exibido. Se tiver algo assim:

VID_0403

É um chip FTDI. Que pode ser original ou falso, já que ambos podem ser maliciosamente reprogramados. É interessante notar que o VID também pode ser alterado. Isso faz parte do design do chip porque o fabricante do equipamento pode querer fornecer seu próprio driver e para isso tem que usar seu próprio par VID/PID. Supostamente a atualização da FTDI só verifica dispositivos comVID 0403 então supostamente fabricantes/montadores que estejam usando chip falso (sabendo ou não) e tenham alterado o VID devem estar imunes.

9 comentários
  • Claudio - 13 Comentários

    Ainda bem que o driver foi retirado do ar …

    A grande vantagem em deixar o VID/PID intacto para qualquer fabricande de dispositivos que não seja um “gigante” é que mudar o par tem custos … Alocar um PID tem custos, e além disso força o fabricante a distribuir um driver próprio, que precisa ser qualificado pela MS (mais custos).

    Logo, sempre que possível, é melhor ficar com o VID/PID original e aproveitar o driver pré-instalado – ao menos esse era o raciocínio até essa mancada fenomenal :-)

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Alocar um PID tem custos,

      Rigorosamente falando o custo de um PID é irrisório. O problema é que pra ter um VID (requerimento para se ter um PID) você precisa desembolsar um mínimo de 5000 dólares. Tendo desembolsado isso, cada PID sai por 5000/65535= 8 centavos de dólar.

      O danado é que todo o esquema de VID/PID foi mal pensado. O VID é um número de 16 bits e por isso só é possível existirem pouco mais de 65 mil fabricantes de dispositivos USB no mundo. Essa escassez de VIDs força a coisa a ser cara mesmo, senão já nem existiriam VIDs disponíveis. E cada um deles pode ter até 65535 dispositivos, o que é uma quantidade absurda para muitos. De cara se vê que a coisas foi muito mal balanceada. Se pelo menos a USB-IF tivesse seguido o antigo exemplo dos endereços MAC, o VID teria 24 bits e o número possível de VIDs estaria na casa dos milhões.

      E a USB-IF não permite que você forme uma comunidade, faça uma vaquinha e compre um VID para distribuir PIDs entre os membros. Parece draconiano ou ganancioso, mas acho que faz sentido considerando como a coisa funciona. Se o “fabricante” é reconhecido pelo VID e não pelo conjunto VID/PID, quem organiza a bagunça resultante? Faltou novamente sabedoria da USB-IF para seguir o exemplo do endereçamento IPv4 (novamente, algo estabelecido consagrado muitos anos antes do padrão USB) e ter alocado uma faixa de VIDs para uso particular.

      e além disso força o fabricante a distribuir um driver próprio, que precisa ser qualificado pela MS (mais custos).

      Eu vejo um cenário em que seria possível usar o mesmo driver, mas com o arquivo INF contendo o seu VID particular e a identificação do seu dispositivo. Isso seria perfeitamente possível se empresas como a FTDI licenciassem o driver dessa maneira. Eu não tenho certeza agora se alterar o INF quebra a assinatura digital do driver, mas imagino que não. Nesse caso a certificação não seria problema.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    A FTDI tentou empurrar essa presepada até mesmo no kernel do Linux.

    Mas como ela não tentou esconder o propósito do patch, este foi rejeitado.

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Isto é uma puta sacanagem. Ainda bem que eu não atualizei o Windows estes dias. Nem sei quantos equipamentos com chip FTDI eu devo ter, mas um deles é um Arduino Mega chinês, então realmente não dá para botar a mão no fogo.

    Espero ter escapado dessa.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Acho que cabe aqui um esclarecimento.

    A FTDI é uma empresa familiar escocesa e provavelmente uma completa desconhecida para o grande público, mas é famosa no meio técnico por criar chips USB-UART de grande estabilidade e funcionalidade. O mais conhecido é o FT232. Os concorrentes mais próximos da FTDI nesse campo são Prolific e Silabs que fabricam chips mais baratos.

    Aliás, preço é o grande problema do FT232 e em parte o motivo da massiva falsificação. Um único chip custa 5 dólares na Digikey, sem contar o frete. Eu me lembro de ter feito uma pesquisa no ebay a mais de um ano e cada chip custar 10 dólares. Daí não é surpresa nenhum que o Arduino Duemilanove vendido hoje na china por $8 venha com um FT232 falso. Afinal o FT232 nem sequer é a peça mais importante do projeto. E também não é supresa alguma que o projeto Arduino tenha substituído o caro FT232 por um Atmel 8u2 no UNO.

  • José Domingos - 1 Comentário

    Boa noite a todos!
    Acho que tive a infelicidade de cair neste conto do vigário. Tenho um microscópio digital que uso para análises e de um tempo para cá, o winsdows não reconhece o dispositivo conectado na porta USB. Aparece a mensagem “usb vídeo device não reconhecido”.
    Alguém pode me dar um help pois preciso que este equipamento funcione para realizar algumas análises que estão paradas me causando prejuízos.
    Obrigado.

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Nova vulnerabilidade no MS Office põe em risco todas as versões do Windows

O boletim de segurança da Microsoft não menciona o XP nem o server 2003. O XP pode não estar na lista por não ser mais suportado, mas é curioso não ver o Sever 2003. Isso pode querer dizer que XP e 2003 são imunes (2003 e XP são similares), mas até isso ficar claro é melhor tomar muito cuidado.

Todas as versões do Windows indicadas no boletim, mesmo completamente atualizadas, são vuneráveis. Seria realmente interessante descobrir que o XP é imune.

A vulnerabilidade é explorada através de documentos do Office carregando um objeto OLE malicioso. Vulnerabilidades no OLE não são nenhuma novidade e até possível argumentar que desde o início foi uma péssima idéia da MS criar o OLE porque é mais usado por criadores de malware que pelos usuários. E esse tipo de coisa põe até power users em risco porque afinal é um documento que você está abrindo. Imagine o que pode acontecer com usuários comuns.

E pouco ou nada adianta dizer que o usuário não abra documentos vindos de origem desconhecida quando se trata do departamento de vendas de uma empresa. Se você recebe um pedido de orçamento  com um anexo que não é um executável você vai deixar de abrir o documento só porque não conhece o remetente? Nenhuma empresa se sustenta por muito tempo assim.

Por precaução, é melhor eu reativar meu firewall com HIPS. o HIPS avisa toda vez que um processo tenta abrir outro e teoricamente isso impede um usuário que presta atenção às mensagens de ser infectado. A mesma coisa com o UAC, mas o danado do UAC é tão chato que nas minhas máquinas rodando o Windows 7 ele é desativado. O HIPS eu pelo menos posso ensinar a não fazer a mesma pergunta para o mesmo programa novamente. Já se eu executar 100 vezes o mesmo programa no mesmo dia, 100 vezes o UAC vai me perguntar se eu tenho certeza.

 

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Nova tentativa de usar o Firefox 31 fracassou. O danado usa memória RAM demais.

Eu sei que meu caso é complicado, mas mesmo assim…

Como o Gmail passou a implicar comigo por ainda estar usando o Firefox 11, decidi tentar outra versão. Apesar da mais recente ser a 33, comecei pelo Firefox 31, que eu já havia tentado usar em setembro sem sucesso. por ser a última versão disponível ESR. No momento eu estou com 2100 abas no Firefox e a sessão é carregada em cerca de 30 segundos. Veja o consumo de RAM logo depois do FF estar pronto para uso:

ProcessExplorer_FirefoxPortable11_ryan.com.br

“Apenas” 911MB de RAM. A memória total que tenho disponível no meu XP de 32 bits é 3.21GB.

Apesar disso não estar aparecendo na imagem, a versão usada é a portable. Por razão desconhecida o “stub” loader da Portable Apps nesta minha instalação se encerra logo depois de Firefox.exe ser carregado.

Nesta versão eu uso onze complementos

Fechei a versão 11, copiei o arquivo .session com minha sessão de 2100 abas para o diretório correto do Firefox 31 ESR recém instalado (instalei apenas os complementos Session Manager, Flashgot e All tabs Helper) e dei partida. De cara eu senti a diferença no tempo para carregar a sessão. Levou muito mais tempo, que eu não pensei em cronometrar. Mas o que me assustou mesmo foi isso aqui:

ProcessExplorer_FirefoxPortable31ESR_ryan.com.br

O Firefox 31 ESR, nas mesmas condições que o Firefox 11, consome 500MB a mais. Vendo de outra maneira: consome 50% a mais de RAM! E para quê?

E olha que nestes testes eu só carreguei uma das 2100 abas abertas.

No segundo teste que fiz para cronometrar, o tempo de carregamento da sessão foi ainda pior. Depois de 10 minutos esperando, desisti e matei o Firefox 31.

Eu pensei: será que essa minha versão do FF 11 tem algum ajuste lá em about:config que fiz e esqueci? Alguma extensão está ajudando em vez de atrapalhar? Instalei então uma nova cópia do Firefox 11 portable, com os mesmos três complementos e a mesma configuração básica. O resultado foi este:

ProcessExplorer_FirefoxPortable11_limpo_ryan.com.br

Perceba que o “stub” loader da Portable Apps está aí, mas mesmo somando o consumo de RAM dos dois, ainda consome menos que na minha instalação principal.

Como se pode ver claramente, para alguém com os meus requerimentos o Firefox 31 é um retrocesso.

20 comentários
  • Ricardo Macagnan - 5 Comentários

    é verdade, já não é de hoje que tenho reparado que o FF está cada vez mais pesado a cada nova versão. Está quase tão pesado quanto o IE. Já estamos ficando sem muitas opções de navegadores para usar, já que o Chrome é praticamente o “primo pobre” do IE…

  • Intruder_A6 - 194 Comentários

    Infelizmente a versão 33.0 é tão ruim como! Cada vez que sai uma nova atualização eu tenho a esperança (vã) de que desta vez eles resolvam o terrível consumo de memória (e os problemas com o flashplayer), mas este não é o problema pior, o pior mesmo é o terrível Adobe Flashplayer, que frequentemente trava ou apenas consome recursos demais (e a minha máquina tem 12 GB), tem momentos que fica tão ruim que sou obrigado a fechar e abrir novamente o FF para poder usar ele e para que não atrapalhe o funcionamento dos outros programas. Se existisse uma boa alternativa sem perder os recursos do FF eu mudava na hora. E Flashplayer é muito útil, pena que ele funciona tão mal com o FF, será que tem alguma alternativa decente?

    Eu também uso o FF portable, mas mesmo na máquina em que ele está instalado a situação não é melhor.

    Não sei onde vai parar o FF, mas a impressão que tenho é que está dando problema de estouro de memória e travando no flashplayer cada vez mais rápido, está cada vez mais difícil de utilizar o FF.

    • Renan - 6 Comentários

      Não é das melhores soluções, mas o que eu faço é usar o Firefox para tudo que não envolva Flash (o que é 99% da minha navegação) e uso esse plug-in no Chrome apenas.

  • VR5 - 397 Comentários

    O que os colegas acham do Safari?

    • Saulo Benigno - 279 Comentários

      Safari? No windows? Sei que ele é morto. Tem mais de ano que ele morreu.

      Mas Jefferson, eu não entendi muito, o que é o Firefox ESR? Qual a diferença dele para o ‘original’?

  • Matuto - 129 Comentários

    Jefferson, tu já testou isso daqui:

    http://www.rizonesoft.com/firemin/

    Eu usei durante um tempo e depois esqueci de instalar novamente. Então vi agora meu Firefox 33.0.1 consumindo 450mb de RAM e instalei novamente. Caiu pra 12mb imediatamente com as mesmas janelas abertas.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Obrigado pela dica!

      Já baixei e estou testando. De cara ele parece provocar uma redução absurda. Neste momento meu Firefox tem 1.5GB em “Private bytes” e devia ter algo próximo disso em “working set” (WS). Mas ao rodar o Firemin o WS caiu para espantosos 20MB.

      Ao abrir uma página o WS fica oscilando entre 6MB e 300MB, como se o Firemin brigasse com o Firefox. Ao desligar o Firemin o WS subiu lentamente até 1GB. Eu ainda preciso verificar se isso é uma ilusão que provoca mais problemas que vantagens por isso só vou poder opinar mesmo depois de alguns dias de uso.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Já foi reprovado no primeiro teste. Meu Firefox periodicamente trava, consumindo uns 30% de CPU atribuída a um processo de kernel (fica vermelho no Process Explorer) e fecha sozinho depois de alguns minutos. Eu esperava que isso fosse devido ao uso de memória mas aconteceu a mesma coisa usando o Firemin e com o Firefox reportando meros 40MB de WS.

  • Marcio - 14 Comentários

    Jefferson, você está usando o adblock plus?
    Ele consome quantidades massivas de memoria, dependendo da quantidade de ads que uma página tem.
    Eu ficava intrigado com o meu firefox frequentemente estar na casa dos 800mb e pesquisando na net vi muita gente falando do adblock plus, devido a forma que ele usa para bloquear as propagandas mandendo o layout da pagina, acaba consumindo muita memoria.
    Removi o adblock plus e vi a quantidade de memoria usada pelo firefox cair pela metade com o mesmo padrão de uso.
    Claro que tem o incoveniente da volta dos ads.
    Estou pesquisando alternativas, mas ainda nao cheguei a um substituto a altura em termos de funcionalidade.

  • Matuto - 129 Comentários

    Bom… no meu Firefox aqui está tudo normal e com o consumo baixo.

    Uso o Adblock Plus e no momento estou com quatro abas abertas e uma delas no Youtube rodando um show (Edson Lima canta pra caralho!).

    O plugin do Flash Player tá usando 78mb e o Firefox oscila entre 17 e 12mb.

    Lembrando que o meu Firefox não é portable, uso no Windows 7 Pro de 64bits, e a versão é a última.

  • Snow_man - 311 Comentários

    Jeff, descobri esse remédio hoje:

    https://www.rizonesoft.com/downloads/firemin/ Firemin

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      O Firemin existe pelo menos desde 2011. O próprio autor admite que sua eficácia é “motivo de debate que irá se estender até o final dos tempos”:

      The method Firemin uses to decrease Firefox memory usage is not proven and the debate over if it works or not will go on until the end of time, but the logic remains; if it works for you, use it and if it does not, don’t use it. It is really that simple.

      Quando testei, anos atrás, eu estava no grupo “não funciona para mim”.

      • Luciano - 493 Comentários

        Curiosamente eu vim cair aqui neste post, por causa dos comentários na barra lateral.

        Eu nem me lembrava desse post e dos comentário do FireMin. Dai arrisquei instalar aqui, e… que BAITA diferença!

        Você sabe que eu sou o oposto de você com abas ehehe, aqui quando chega a umas 20 eu vou caçar o que posso fechar ou jogar no bookmarks.

        Antes o Firefox ESR 45.9.0 como sempre a seus antecessores, estava abocanhando nada mais nada menos que 1,5GB de RAM (eu uso um medidor de RAM em tempo real ali na bandeja do sistema), porem a maior parte disso era memory leaks, ou seja, no medidor o consumo era de 1.5GB da RAM, mas no gerenciador de tarefas do Windows, o processo do Firefox e seus asseclas, mesmo somados nunca davam os 1.5GB, dava menos.

        Com o FireMin instalado aqui, 11 abas abertas, adblock a todo vapor, fica oscilando entre 15 e 40MB.

        Pra quem vivia rodando aqui com 700MB livres de 3.3GB usáveis, estou agora com 2.3GB livres!

        Então… pra mim aqui, eu estou no grupo “pra mim foi a salvação da lavoura, digo.. da RAM”.

        • Luciano - 493 Comentários

          Ah… esse comentário está saindo após algumas horas de testes, por enquanto nenhuma anormalidade detectada. Daqui alguns dias eu digo se continua tudo como se fosse o paraíso aqui. :D

  • VR5 - 397 Comentários

    Já testaram o “revolucionário” Firefox Quantum 57.0?

    • Matuto - 129 Comentários

      Estou usando aqui, com o Firemin ligado. Tudo normal… com quatro abas abertas e consumindo 8.000K somente.

  • Matuto - 129 Comentários

    Pessoal, pra quem tem problemas de consumo de memória com o Google Chrome, eu estou testando um plugin chamado “The Great Suspender”. De acordo com a descrição, ele simplesmente deixa só a aba que está em uso aberta, deixando o restante das abas “suspensas” e o consumo caiu bastante. Eu não sei se vocês perceberam, mas deixando o Chrome aberto com uma aba só por um tempo, ela começa a consumir uma memória da porra! Sem motivo aparente.

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