O que pensa quem nasce em país onde a lei é levada a sério, quando quer atravessar a rua

Eu estava em Lisboa esperando o carro que ia nos levar para o aeroporto quando uma moça se aproximou de mim e começou o seguinte diálogo em inglês:

Ela: Com licença, sabe onde eu posso atravessar a rua?

Eu: (olhando de um lado para o outro da avenida procurando uma faixa) Humm… eu acho que em qualquer lugar…

Ela: É sério? Nenhuma punição?

Eu: Portugal não é tão rigoroso.

E ela atravessou a avenida no ponto onde estávamos.

Quando chegou o motorista de aplicativo, um português, perguntei a ele se havia multa por atravessar fora da faixa em Portugal e ele disse que o mais provável, se você fosse flagrado, seria que o guarda ia chamar sua atenção. Eu sei que em muitos lugares nos EUA (se não for no país todo) é arriscado pois você pode levar uma multa por “jaywalking” e até ser preso na hora se teimar. O filme Máquina Mortífera 3 tem uma cena engraçada a respeito. Em Dublin também é ilegal atravessar fora da faixa se existir uma numa distância de 15 metros. E não esperar pelo sinal verde para pedestres pode render uma multa de 800 euros e prisão se for reincidente.

800 euros são R$4640 na cotação que usamos (R$5.78) na hora de comprar os nossos. Mas para deixar a punição ainda mais clara, saiba que o salário mínimo irlandês é de 1600 euros, ou seja: metade do seu salário em uma única multa por atravessar a rua onde/quando não devia.

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Atualização do Avast está bloqueando Outlook e Windows Live Mail no Windows 7

As mensagens no Outlook 2010 podem ser como estas:

“Nenhum dos métodos de autenticação aceitos por este cliente é aceito pelo seu servidor.”

“Seu servidor não oferece suporte ao tipo de criptografia de conexão especificado”

Eu não lembrei de anotar as mensagens dadas pelo Windows Live Mail, mas são bem diferentes.

Todos os problemas são resolvidos desligando o módulo de e-mail do Avast.

Clientes dizem que o problema começou na terça e um deles confirmou que nesse dia instalou uma atualização do antivírus.

É sempre bom ter em mente que sempre que um programa de e-mail acusar um erro bizarro, desconfie do antivírus. Infelizmente isso aconteceu quando eu estava inacessível em Lisboa e um de meus clientes passou um dia inteiro trocando mensagens com o suporte do provedor e em nenhum momento este lembrou de fazer essa recomendação. A incompetência do suporte dessas empresas nunca deixa de me surpreender.

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Como uma mudança de atitude me tirou da mesa de cirurgia

“Vamos ter que operar”.

Esta frase dita pela minha neurocirurgiã (Dra. Márcia) em 18/03/2021 enquanto examinava as imagens da última ressonância magnética da minha coluna cervical me deixaram em choque. Eu passei mal no consultório após ouvir isso. Eu sabia que meu caso era cirúrgico, mas a mesma médica havia me dito cinco anos antes que a gente poderia empurrar com a barriga indefinidamente desde que não se agravasse. Eu tenho três hérnias na coluna cervical (pescoço) e uma delas pressiona um nervo que me faz sentir desde simples dormência e formigamento até uma dor insuportável no braço esquerdo, que só pode ser contida com remédios controlados como a Pregabalina. As crises duram semanas mas depois eu volto a viver normalmente. Curiosamente, dor não é motivo para alarme nesse caso, pois o sintoma que requer cirurgia imediata é perda de força no braço ou mão. Entretanto o “conserto” além de poder me deixar tetraplégico vai me deixar três meses sem poder trabalhar e requer a instalação de próteses que vão limitar o movimento do meu pescoço. Eu nunca mais terei uma vida normal depois da operação.

Mas aí Dra. Márcia viu um possível comprometimento da minha medula surgir nos exames e a coisa ficou séria. Ela pediu um novo exame, chamado de “Potenciais Evocados Somato-Sensitivos” (não parece haver consenso sobre a forma correta de escrever o nome desse exame) que não pareceu confirmar as suspeitas dela ou, pelo menos, não apontava urgência para a cirurgia. Mas só não marcou mesmo a operação por causa da pandemia.

Me conformei e avisei a família e amigos que minha cirurgia era iminente, mas por motivos completamente distintos decidi fazer um esforço maior para sair do sedentarismo, começando com as caminhadas de pelo menos 12km por dia, que me fizeram perder 13kg. Em janeiro deste ano, dez meses após o choque, uma coisa aconteceu (contarei outro dia) e minha atitude em relação à vida mudou. Toda a minha personalidade começou a mudar, aparentemente para melhor. No mês seguinte eu entrei em uma nova fase e comecei a fazer musculação, mas semanas depois um novo problema surgiu: comecei a sentir os mesmos problemas que antes se limitavam ao braço esquerdo agora no braço direito. Você sabe que é a coluna quando a dor no braço depende da posição do seu pescoço.

Pensei: Desta vez a cirurgia sai mesmo com a pandemia. Marquei uma consulta de urgência com a cirurgiã no dia 12/03/22, quase um ano após ter recebido a notícia chocante que me fez sair do sedentarismo. Mas o que aconteceu nessa consulta foi uma das maiores surpresas de minha vida. No momento em que abriu a porta do consultório para mim Dra. Marcia, que sempre foi bastante séria, abriu um sorriso que não saiu do rosto dela enquanto eu detalhava as “complicações” que eu eu estava sentindo e continuou sorrindo enquanto me explicava que a mudança nos meus sintomas eram comuns e não eram nada de mais e que eu estava visivelmente diferente na aparência e no comportamento e não era mais candidato para cirurgia.

Isso vindo de quem vai ganhar dinheiro operando você e já havia convencido você a operar é digno do mais alto crédito.

A última vez que ela me vira fora sete meses antes, em agosto. Eu realmente devo ter mudado muito, principalmente nos três meses anteriores.

Eu fiquei espantado e obviamente ainda mais sorridente. Ela nem pediu que eu fizesse novos exames e me garantiu que só o que ela estava vendo em mim fazia a diferença. Sorrindo o tempo todo ela se despediu de mim depois de apenas recomendar que eu tomasse cuidado na academia para não fazer nada que machuque a cervical e continuasse a observar o sintoma que era realmente sério: a perda de força.

E a dor no braço direito sumiu sozinha semanas depois.

 

4 comentários
  • Wagner de Castro - 1 Comentário

    Jefferson, muitos dos seus relatos parecem boas séries ou livros, deixando a gente preso aguardando os próximos capítulos. Minha impaciência me previne de assistir muitas delas, e geralmente assisto a temporada toda de cada série de uma vez, ao invés de um capítulo de várias séries por mês.
    Fico muito feliz pelo relato de não precisar mais de cirurgia, e mais ainda pela nova abordagem na vida, coisa que tento constantemente fazer e tenho observado que realmente gera frutos positivos.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Wagner, como cronista/escritor, técnico em eletrônica ou programador eu realmente me vejo abaixo da linha da mediocridade (de acordo com a correta definição de ¨medíocre¨). Não é falsa modéstia. Mas esses elogios me incentivam a continuar escrevendo. E apesar de ser algo que invade minha privacidade, falo sobre minha saúde porque tenho certeza de que vai ser útil para alguém. Se ajudar pelo menos uma pessoa já não terá sido perda de tempo eu ter parado para criar o texto.

      Fico muito feliz pelo relato de não precisar mais de cirurgia, e mais ainda pela nova abordagem na vida, coisa que tento constantemente fazer e tenho observado que realmente gera frutos positivos.

      Nunca é tarde demais para mudar. Nem para acreditar que alguém pode mudar. Esse tema sempre me faz lembrar do filme 16 quadras que apesar de ser um filme de ação, tem a frase ¨people change¨ como um tema central.

  • Marco Arthur Stort Ferreira - 28 Comentários

    Jefferson,
    Também tenho problemas de coluna que são um “mistério” pois não sofri trauma que pudesse ser a causa do problema. Só que no meu caso é coluna lombar e torácica.
    O que tenho tentado fazer é exatamente o mesmo que você, mudar hábitos e praticar atividade física. No meu caso, optei por fisioterapia com profissional especializado (clínica e fisioterapeuta) e também estou vendo resultados positivos.
    Mas enfim, vamos tentando melhorar a saúde e fugir da cirurgia.
    Abraço.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Acho importante ressaltar aqui que a doutora nunca me ofereceu o caminho da saída do sedentarismo como escapatória para a cirurgia. Eu decidi fazer isso porque, se eu não conseguia imaginar algo que tivesse feito (ou deixado de fazer) para justificar um problema tão sério, que ia mudar minha vida para pior definitivamente, imagine quando a conta pelo meu desleixo e irresponsabilidade com meu corpo e minha saúde começasse a chegar. Os resultados ruins dos meus exames de sangue eram uma constante há muitos anos: colesterol ruim alto, colesterol bom baixo, excesso de triglicerídeos, glicose na porta do diabetes… Eu pensei: “só faltava eu ficar também diabético para arruinar minha alegria de viver!”.

    Eu decidi fazer o que fiz (e continuo fazendo) para a situação não ficar ainda pior. E fui surpreendido com o presente de manter a necessidade da cirurgia na cervical como apenas uma possibilidade. Já se passaram quase três anos desde o choque do “vamos ter que operar”.

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Após quatro anos, de volta a Dublin

Este post poderá conter mais erros de ortografia que o habitual porque estou redigindo em um computador com defeito no teclado e configurações inadequadas de idioma.

Nossa viagem deveria ter ocorrido em agosto de 2020, mas foi cancelada por causa da pandemia. Desta vez minha irmã programou uma viagem mais longa, com 37 dias, cinco dos quais passaremos em Lisboa no retorno a Recife.

Assim como da outra vez, eu preferia não ir. Você precisa dar uma pausa na sua vida para viver uma vida completamente diferente por 37 dias enquanto a sua vida espera por você em casa. Para algumas pessoas isso pode ser desejável e até perfeito, mas não é o meu caso.

Só em passagens de avião foram gastos 12 mil reais não reembolsáveis e isso porque foi tudo comprado com muita antecedência. Os 37 dias da viagem viraram uma barreira no nosso calendário que era preciso contornar porque nada podia cair nesse período e algumas coisas nem mesmo nas semanas que o antecediam. É um problema bem maior que 37 dias.

  • Minha mãe tem duas cirurgias para fazer cuja burocracia leva semanas e era inviável tentar fazer qualquer uma das duas antes da viagem. Muita coisa podia dar errado;
  • Eu também tenho uma cirurgia simples para fazer mas o prazo entre descobrir que precisava fazer e a viagem ficou apertado;
  • Temos uma reforma grande para fazer em casa que deve levar dois meses e também precisou ser adiada. A reforma não pode ser feita ao mesmo tempo que uma das cirurgias de mamãe porque eu posso ser preso por amarrar ela na cama para ela não ir supervisionar a reforma ainda convalescendo, então vai ser uma coisa ou outra, o que só atrapalha mais;
  • Semanas antes da viagem eu tive que gradativamente mudar meus hábitos porque não podia correr o risco de ficar doente;
  • Eu precisei informar meus clientes sobre minha viagem com vários meses de antecedência. Seria um desastre se algum deles planejasse algo grande justamente para agosto contando com minha presença. E naturalmente qualquer empresário com juízo vai aproveitar esse período para encontrar meios de se tornar menos dependente de mim. Minha irmã está pouco se lixando para esses transtornos na minha vida profissional porque o que ela quer mesmo e que eu jogue tudo para o alto e vá viver na Europa;
  • Embora eu tenha vindo preparado para continuar o meu trabalho remoto, deixei meus clientes sem ninguém para ajuda-los se precisarem de ajuda presencial. Um deles já reservou a primeira semana após minha volta para um serviço de três dias cuja necessidade surgiu na semana anterior a minha viagem, mas eu precisei recusar porque havia muita coisa a fazer nos preparativos;
  • Aparentemente vou passar 37 dias sem ir para a academia porque custa caro aqui. Espero que isso não signifique um retrocesso grande quando eu voltar ao Brasil;
  • A viagem é um dos motivos para eu só poder falar aqui sobre o meu litigio com a Estácio em Outubro;
  • E por ultimo mas não menos importante, estou no meio de um processo para deixar de ser nerd e arrumar uma namorada e desaparecer por 37 dias definitivamente não vai ajudar. Eu certamente não vou arrumar uma aqui na Irlanda. Para começar, as garotas que conheço no Brasil são muito mais atraentes que as Irlandesas.

Mas minha mãe não podia vir (e ficar aqui) sozinha e eu era a pessoa mais apropriada para traze-la. Desta vez foi bem menos estressante porque eu “liguei o fo**-se”. Eu me preparei muito menos porque além de muitas das minhas preocupações com a viagem anterior terem se mostrado desnecessárias e eu achar a probabilidade de ter o visto negado muito menor, desta vez a escala foi em Lisboa e não em Frankfurt. Meu inglês só foi necessário ao falar com o oficial de imigração em Dublin, já no final da viagem. E aparentemente os vários carimbos de quatro anos atrás nos nossos passaportes (Dublin, Lisboa, Paris, Frankfurt) fizeram diferença porque o oficial de imigração só fez três perguntas:

  • O que eu vinha fazer em Dublin;
  • Quanto tempo eu pretendia ficar;
  • Onde morava a minha irmã.

E não pediu para ver nada além do passaporte. Nem a carta convite, nem o nome da minha irmã, nem a passagem de volta, dinheiro, nada. Ter ligado o fo**-se valeu muito a pena.

Mas quem quiser acompanhar meu dia-a-dia em Dublin vai precisar checar minha conta (pública) no Instagram (jefferson.jeff.ryan). Vocês sabem que não gosto de redes sociais mas o Instagram me pareceu a mídia mais adequada para isso. Mas nada me impede de um dia reunir tudo em um ou mais posts aqui.

 

20 comentários
  • Snow_man - 310 Comentários

    Que relato! aguardando cenas do próximo capítulo….

    Surpresa pra mim você ter instagram, vou seguir agora.

    Desejo boa viagem, que ocorra tudo bem, e encha a mala de assunto aqui pro blog, inclusive
    das pendengas de trabalho na volta rs.

    Eu gostaria de me deslocar em definitivo para PTg mas no momento sem recursos e perspectiva de trabalho lá.

    Quando precisei me ausentar quando tinha cliente grande e com contrato, deixei um amigo em standby, mas era alguém que a empresa não iria considerar colocar no meu lugar.

    E sobre a academia, dependendo do clima, mantenha pelo menos uma caminhada/corrida ao ar livre, ainda é grátis =)

  • Snow_man - 310 Comentários

    ah, lembrei outra coisa:

    Certeza que você não comprou um Muama Rioko pra essa viagem :lol:

    Como vai ficar conectado por aí nesse período? Quais opções e alternativas?

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Manter-se em contato no trajeto não é difícil porque aparentemente todos os grandes aeroportos oferecem Wi-Fi gratuito. E não parecem faltar estabelecimentos comerciais no seu destino também. Por exemplo, ontem eu testei isso no supermercado onde eu estava e tudo o que era pedido era que eu fizesse o login com minha conta facebook ou google. Mas se você não quiser ficar limitado a procurar hotspots gratuitos, aqui em Dublin você tem opções pre-pagas de internet ilimitada no celular pagando de 10 (Lyca Mobile ,com chip gratuito ) a 20 euros (Vodafone e 3Ireland). 10 euros (58 reais) é menos do que eu pago ‘a TIM no Brasil.

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Não recomendo o plano da Lyca Mobile. Além de requerer configurar manualmente a APN, meus créditos sumiram sem explicação aparente e fiquem sem poder sequer fazer ligações em menos de uma semana. Não quis me estressar com um irlandês por causa de 10 euros, por isso deixei para lá. Na viagem anterior ficamos satisfeitíssimos com o serviço da 3Ireland.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      O bar onde eu estava anteontem (The Temple Bar) também tinha Wi-Fi gratuito. E sem nem ser preciso fazer login. E a permanência no bar também é gratuita.

  • Marcelo Neuri Haag - 111 Comentários

    Boa tarde. Cara, você falou que a tua irmã tá louca de vontade de você se mudar para a Irlanda… nunca pensou seriamente nisso? És um cara muito inteligente e trabalhador, e tenho certeza que você conseguiria uma posição muito boa (e lucrativa) no mercado de TI por aí… mas claro que isso é o MEU ponto de vista, não conheço todas as “nuances” de seus gostos para opinar bem disso…

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Isso é algo complicado. Por um lado, eu não tenho nenhuma afinidade com a cultura e a (falta de educação) brasileira e certamente a politica e a economia são um desastre aí. Por outro lado, mesmo o fato de morar com meus pais aí é comparativamente muito mais confortável do que a vida que eu poderia ter aqui. Aí eu vivo numa casa de dois andares com mais de 80m2 (não tenho certeza agora das dimensões) de terreno, com quatro banheiros, seis quartos, piscina, sete TVs… Aqui minha irmã vive no equivalente a um kitinete (aqui chamado de studio), com não mais que 25m2, que não oferece absolutamente nenhuma privacidade, a um custo de 800 euros mensais (uns R$4600 hoje). Minha irmã tem um apartamento maior a 150m da praia de Boa Viagem em Recife alugado a meros R$950 + condomínio.

      Em Recife apesar de morar com a família eu consigo passar o dia inteiro sem ver ninguém e desfrutando de privacidade e silêncio. Meu quarto é colado com meu depósito/escritório/oficina e tem até uma porta para o quintal por onde posso entrar e sair sem passar pelo resto da casa. Aqui em Dublin eu sequer poderia ter uma oficina. Eu teria que realmente abandonar minha vida anterior e começar uma nova. Com 51 anos isso não é impossível mas é muito difícil. Ter acesso a uma casa maior em Dublin a um custo mais razoável ou sair de Recife já com emprego certo aqui certamente tornaria a decisão mais fácil. Eu não tenho em mim a coragem que minha irmã tem de largar tudo e começar de novo, nem de viver uma vida espartana indefinidamente.

      Obrigado pelos elogios, mas eu não me sinto qualificado a disputar um emprego aqui. Não no que eu gostaria de fazer (software). A concorrência com os mais jovens deve ser brutal e eu certamente não quero, na minha idade, ganhar a vida lavando pratos ou fazendo delivery só para viver no primeiro mundo.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Um exemplo de como a falta de privacidade e a necessidade de conviver em um espaço apertado me incomodam: minha irmã chegou do trabalho e colocou um programa do youtube para assistir na TV que acho dolorosamente estúpido. Não falei nada e coloquei música nos fones de ouvido enquanto trabalhava ao computador. Minutos depois minha mãe veio até mim para me chamar a atenção e reclamar que o som dos meus fones de ouvido estava muito alto e a incomodando. Minha irmã ao fundo fazendo um comentário sobre como eu ia acabar surdo. A TV continuava ligada.

      :dashhead1:

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Nem o Banco do Brasil nem o Bradesco estranharam eu estar me conectando de fora do país. Fiz pagamentos em ambas as contas sem problemas. É claro que eu estar usando o celular cadastrado ajuda.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Uma coisa curiosa: eu achei mais fácil entender o que o piloto português da TAP falava quando ele começava a falar a fazer anúncios em inglês do que quando os fazia em português. Uma amiga de minha irmã começou a rir quando eu disse isso e afirmou que é assim mesmo. Ela me disse que os portugueses entendem tudo o que nós falamos mas é comum não entendermos uma palavra do que eles falam.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    xvideos e pornhub são bloqueados na Irlanda. Nem aparecem numa busca pelo Google, o que efetivamente faz parecer que nem existem. Se você for… ¨dependente¨ desses serviços é melhor já sair do Brasil com um plano B (e um C e D) :lol:

  • Luciano - 493 Comentários

    “Mas nada me impede de um dia reunir tudo em um ou mais posts aqui.”

    Aguardo este dia o post com tudo reunido aqui, pois não tenho conta no “Instragado” nem acesso e nem quero ter conta lá. B)

    Quero é mais distância de redes sociais, abandonar o FB foi a melhor coisa que já fiz. :yahoo:

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    A gente se depara com problemas curiosos e inesperados ao precisar comprar os suprimentos do dia-a-dia em Dublin. A primeira surpresa é que mesmo no verão alguns supermercados, como o Aldi, podem ser tão gelados quanto uma câmara frigorifica. Na rua você passeia impunemente de short e camiseta mas se entrar assim no Aldi não vai aguentar o frio ao passar pela seção de carnes. Em parte porque a maioria dos balcões frigoríficos deles não tem portas.

    A segunda surpresa é não encontrar itens que são onipresentes no Brasil. Por exemplo:

    Adoçante – Se seu paladar depende de uma determinada marca é melhor voce levar o seu do Brasil porque aqui você sequer encontra adoçantes líquidos e muito menos a marca de nossa preferencia.

    Leite em pó – A maioria dos mercados só oferece leite liquido (e em grande variedade), que precisa ser conservado na geladeira e que é um saco na hora de fazer bebida quente. Para achar leite em pó você precisa ir a mercados específicos.

    Sabonete – O sabonete que minha irmã compra é o Dove, que deixa uma camada escorregadia na pele. Eu não me sinto confortável com isso pois não me acho limpo enquanto estiver assim, por isso tive que procurar outro. No Aldi a única outra marca disponível parece mais o sabão que usamos para lavar roupa no Brasil. No Tesco a variedade é muito maior mas conseguir adivinhar que marca comprar que não provoque o mesmo problema é dureza. Os termos usados nas embalagens não ajudam quem não está acostumado.

    Terminologia – Eu tenho um grande vocabulário em inglês mas no supermercado, notadamente quando se trata de comida, eu me sinto quase um analfabeto. O que danado é Soft Pitted Dates? Qual a diferença entre Orange e Grapefruit? O que danado é Blueberry e qual a diferença para Raspberry? Você vai precisar do Google (o Aldi dá acesso gratuito à internet) e paciência, principalmente quando tem alguém ainda mais analfabeto te aporrinhando (no caso, minha mãe).

    A terceira surpresa é com o quanto a comida aqui parece insossa. Descobri que a comunidade europeia vem reduzindo os níveis de sal na comida gradativamente há anos. Quem vive aqui há muito tempo não nota mais.

    A quarta surpresa é a aparente falta do tipo de estabelecimento especializado que conhecemos no Brasil. Onde comprar os itens que normalmente encontramos em Armarinhos? Nem minha irmã sabe.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Feijão – Não adianta procurar por aquelas pilhas de sacos. O feijão em Dublin é habitualmente vendido em latas.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Remédios – Você pode acabar se surpreendendo como o que não pode ser comprado sem receita aqui. Um simples relaxante muscular requer uma prescrição de um médico irlandês. Então se você sequer desconfiar que pode precisar de um mero Dorflex, leve do Brasil. E não economize nisso. Mamãe trouxe uma caixa do Brasil com 36 comprimidos e faltando 10 dias para o fim da viagem só restam oito. Lembrando que os remédios precisam estar nas embalagens originais. Você não vai querer ser retirado da fila por suspeita de estar traficando drogas. E se tiver bagagem de porão deixe o “excesso” de remédios nela. A inspeção por raio-x é bem menos rigorosa para ela e nós nunca tivemos uma bagagem revistada após apanhá-la na esteira.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Alguns sites brasileiros podem não ser acessíveis daqui por decisão de seus próprios administradores. Por exemplo, do site da Kabum eu só consigo acessar a página inicial e mais nada. E o site da Hapvida nem abre. Para mim isso não é um grande problema porque eu posso acessar o servidor de algum cliente no Brasil via anydesk (e isso só é minimamente conveniente em um notebook ou desktop – nada de celular) e fazer minha pesquisa sem incomodar ninguém, mas quem não tem essa facilidade precisa planejar para essas situações.

    • Marcelo Neuri Haag - 111 Comentários

      “Alguns sites brasileiros podem não ser acessíveis daqui por decisão de seus próprios administradores.”… ué, que decisão estranha… O_o

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Não é tao estranha assim hoje em dia. Bloqueando países e continentes inteiros você reduz muito a carga nos seus servidores e a possibilidade de hacks. Nos meus blogs eu bloqueio (ou tento bloquear) a China. Se eu fosse o CIO de um site de e-commerce brasileiro (Kabum) ou operadora de saúde local (Hapvida) eu provavelmente faria o mesmo. Talvez eu desse a opção para usuários logados que já fizeram compras anteriormente passarem pelo bloqueio, mas eu no minimo poria uma página de boas vindas explicando as restrições, que não é o que ocorre no caso da Kabum e Hapvida.

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Eu esqueci de comentar isso aqui, mas em 2015 um leitor de meus blogs instalou um script no servidor dele para facilitar o acompanhamento dos meus blogs (e de terceiros) via RSS, Mas por um erro no script ele estava sozinho e silenciosamente gerando um tráfego de mais de 1GB *por dia*, desnecessariamente. Em 2015. Imagine uma única pessoa, acidentalmente, drenando de sua banda mais do que você conseguiria baixar por dia. Ficou assim por semanas e eu só descobri por acaso. O meu provedor (hostgator) poderia acabar suspendendo meu site por isso.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Eu não pegaria um carro para dirigir aqui em Dublin nem de graça. O fato deles dirigirem do lado oposto da rua já me deixa suficientemente confuso como pedestre.

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Após dois anos de espera e duas decisões judiciais a Estácio finalmente entrega meu diploma

Eu tenho uma estória história inacreditável para contar a vocês, mas vai ter que esperar. Eu vou adiantar apenas o seguinte: eu cumpri todas as minhas obrigações acadêmicas e financeiras com a Estácio em junho de 2020 e a faculdade levou inacreditáveis um ano e sete meses para reconhecer isso, o que exigiu uma decisão judicial via mandado de segurança para que fizessem minha colação de grau. E ainda foi necessária outra sentença quatro meses depois para eles pararem de enrolar e entregar o meu diploma.

Alguns podem pensar: “Já vi essa estória antes. O cara só conseguiu se formar mediante decisão judicial provavelmente porque não cumpriu todas as obrigações acadêmicas e depois ficou com mi-mi-mi para não cumprir e levou para a justiça. Ganhar não significa que o cara tem razão, só que tem advogado melhor.” Mas eu asseguro a meus leitores que quando eu começar a contar essa estória história a palavra “inacreditável” não vai sair da cabeça de vocês enquanto estiverem lendo. Mesmo quando a justiça foi envolvida, coisas inacreditáveis continuaram acontecendo. Vocês só vão acreditar mesmo porque eu eu tenho provas para mostrar. Sem elas, nem eu acreditaria nos meus relatos.

Só que eu só vou poder começar a contar isso em setembro ou outubro.

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Decepcionado e intrigado com a ducha eletrônica Hydra ND Blindada 220V 6600W

Estávamos há anos sem chuveiro elétrico aqui em casa, mas a água anda fria “de torar” aqui em Recife e tomar banho vinha sendo um castigo diário. Comprei a ducha eletrônica Hydra ND Blindada por três razões:

  • Controle gradual de temperatura – Eu não gosto de banho frio, mas também não gosto de banho quente. Com duchas com poucas opções de temperatura corro o risco de saltar de “frio demais para o meu gosto” para “quente demais para o meu gosto”;
  • Resistência blindada – Nunca havia testado um chuveiro desse tipo e tive experiências ruins com a durabilidade dos últimos não blindados;
  • O preço não estava muito alto. – Por R$190 na Ferreira Costa também não estava “barato”, mas eu tinha pressa.

Mas o consumo de energia parece excepcionalmente alto! Os disjuntores que eu tinha instalado antes e funcionavam normalmente com o chuveiro anterior (ducha 8T Hydra 6600W não blindada) eram:

  • 10A para o circuito do banheiro (tomadas e chuveiro);
  • 16A para o circuito da cozinha (de onde é derivado o do banheiro)
  • 25A para a casa inteira

Note que isso parece bem sub-dimensionado, mas como a ducha 8T era ajustada para uma temperatura a meu gosto, bem longe da máxima, era o suficiente. Com a instalação da ducha ND blindada, eu tive que mudar emergencialmente para:

  • 25A para o circuito do banheiro (tomadas e chuveiro);
  • 25A para o circuito da cozinha (de onde é derivado o do banheiro);
  • 32A para a casa inteira

E olha que o chuveiro foi ajustado para uma temperatura no limiar entre frio e quente. O medidor de corrente no relé de sub-tensão principal da casa acusa um aumento na corrente de 25A (5500W em 220V) quando o chuveiro está ligado, então é bem possível que o disjuntor não tenha desarmado ainda porque não tomamos banhos demorados e certamente porque ninguém decidiu ligar o microondas ou a Air Fryer na hora errada. E esse é o banheiro com a melhor instalação elétrica. Tentar instalar um chuveiro com um consumo desses nos outros banheiros seria um problema maior.

Estou cotando um chuveiro não blindado agora para instalar em outro banheiro e ver se o problema é esse.

31 comentários
  • Marcelo Neuri Haag - 111 Comentários

    Bom dia! Aproveitando a “deixa elétrica”: eu sei que AGORA com essas chuvas todas aí na sua região não é o momento mas como estão as coisas da geração de energia fotovoltaica por aí? Muitos clientes seus já usam? Na sua residência será rentável? Aqui usamos na minha empresa já a alguns anos e anos passado coloquei na minha residência. Acho ser uma tendência irreversível essa…

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Meu amigo José Carneiro instalou há 30 dias e tenho um cliente comercial que instalou há mais tempo. Eu só não instalei ainda porque estou esperando uma reforma na casa que vai permitir termos um telhado estável e na orientação correta para a instalação.

      As contas mostram que o investimento se paga em 4 anos e depois é só alegria. O que seria perfeito mesmo é uma instalação off-grid, mas o custo das baterias ainda não compensa.

  • José Santos - 3 Comentários

    Como essas duchas são eletrônicas (tem circuito de controle e acionamento), então deve ligar na potência máxima para fazer a “resistência”/água chegar na temperatura adequada mais rápido e depois fica só regulando.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Faz sentido, mas o meu problema não é uma corrente muito alta de “partida”. É uma corrente muito alta continuamente, com a temperatura da ducha já estabilizada.

      • Luciano - 493 Comentários

        Acho que você está desacostumado com chuveiro elétrico mesmo! O consumo desses bichos é absurdamente alto. Mesmo sendo uma ducha eletrônica, acredito que poucas ou atá ariscaria dizer quase nenhuma mede a temperatura da água e faz ajuste da potencia. A maioria esmagadora das eletrônicas é um simples dimmer pra controlar a potencia a gosto do cliente.

        • Jefferson - 6.606 Comentários

          Eu assumiria que estou desacostumado, se o disjuntor que atendia o circuito do banheiro quando eu usava uma ducha Hydra 8T não-blindada devidamente ajustada para uma temperatura agradável não fosse de 10A e o disjuntor principal da casa não fosse de 16A.

        • Jefferson - 6.606 Comentários

          Oops… 16A para atender à cozinha e o banheiro.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Relendo o que escrevera (“acusa um salto de 25A (5500W em 220V) quando ligo o chuveiro, “) percebi que ficou ambíguo. Vou reescrever o trecho para ficar mais claro que estava falando de consumo contínuo.

  • Alex - 15 Comentários

    Ei, talvez o “medidor de corrente” seja projetado para medir corretamente apenas senoidal. Se o “dimmer” no chuveiro for triac ou diac, será diferente de senoidal.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      É perfeitamente possível que a medição esteja errada, mas eu troquei o disjuntor original do banheiro duas vezes, de 10 para 16A e em seguida para 25A, não por ter visto a medição alta, mas por estarem desarmando em menos de um minuto com o chuveiro ligado. Para o disparo térmico de um disjuntor termomagnético, até onde posso enxergar, não faz diferença a forma de onda da corrente. A corrente média no ajuste atual do chuveiro pode não ser os 25A medidos (não está desarmando), mas certamente é maior que 16A.

      Pode ser “mania” minha, mas me incomoda bastante usar disjuntores maiores que o estritamente necessário.

      • Luciano - 493 Comentários

        Geralmente na caixa do chuveiro e até mesmo no corpo de alguns costuma vir anotado qual a capacidade do disjuntor necessário. E adianto pra um chuveiro de 6KW eu não espero nada menor do que 25A. Aqui uso um de 32A DIN da Siemens e olha que o chuveiro é 5,5KW na potencia máxima.

        Alias, não sei que tipo de disjuntor você usa ai. Se forem disjuntor Nema, esses dificilmente desarma, alias eu não gosto dele, acho pouco seguro. Já os modelos DIN costuma ser mais “sensíveis”. Os Nema são muito lentos pra desarmar, precisa de uma corrente absurda. E o desarme dele por pelo térmico leva até 10 minutos. Nisso já deu pra por fogo na instalação a tempo. O DIN não aceita desaforo. Se é de 32A, passou um pouquinho disso, desarma fácil. Por curto então, geralmente não dá nem tempo de fazer o estouro.

        Não sei como é a Cia Elétrica ai, mas aqui onde moro a Elektro já pede de cara disjuntor de 63A pra um padrão bifásico. Se não colocar isso, eles reprovam o padrão e não fazem a ligação (no caso de ligação nova ou reforma). Então a casa inteira fica pendurada em um disjuntor bifásico de 63A.

        • Jefferson - 6.606 Comentários

          Não sei como é a Cia Elétrica ai, mas aqui onde moro a Elektro já pede de cara disjuntor de 63A pra um padrão bifásico. Se não colocar isso, eles reprovam o padrão e não fazem a ligação (no caso de ligação nova ou reforma). Então a casa inteira fica pendurada em um disjuntor bifásico de 63A.

          A CELPE tem uma tabela que vai de 16 a 70A dependendo da carga instalada.
          https://servicos.neoenergiapernambuco.com.br/residencial-rural/Documents/padrao-de-entrada/muro/materiais-padrao-de-ligacao-muro.png

          Eu não descarto que seja “ignorância” minha, mas para mim é preciso haver uma alternativa. Colocar um disjuntor mais alto que o estritamente necessário é o que, na minha opinião, leva museu a virar cinzas por causa de sobrecarga em um condicionador de ar.

          Eu até posso manter a contragosto um disjuntor principal de capacidade elevada para satisfazer o chuveiro, mas vou precisar refazer a fiação de modo que agora existam dois disjuntores “principais”: um exagerado, para os chuveiros, e um “são” de 16A para o resto da casa.

          • Tailan - 12 Comentários

            Você já deve saber disso, mas a função do disjuntor é proteger os condutores do circuito (contra sobrecargas e curto-circuitos). Então, desde que a corrente nominal do disjuntor esteja abaixo (ou igual, mas sejamos conservadores) da capacidade de condução de corrente dos condutores para o método de instalação adotado e a curva de disparo seja adequada ao tipo de carga, tá tudo certo.

            O caso do museu que você citou (e tantos outros por aí que a gente vê acontecendo) provavelmente é um daqueles em que se adotou um disjuntor de capacidade maior que a dos condutores do circuito. Já vi “eletricistas” instalando disjuntores de capacidade maior que o devido em circuitos de condicionadores de ar, simplesmente porque estavam com a curva errada (disjuntores com curva de disparo B trocados por disjuntores “maiores”, mas de mesma curva, quando deveriam usar da mesma capacidade de antes, porém com curva de disparo C, tendo em vista os picos de partida dos compressores dos ACs), e ficavam desarmando na hora de ligar as máquinas.

            Um erro primário, bobo, mas que pode ter consequências trágicas.

            • Jefferson - 6.606 Comentários

              Você já deve saber disso, mas a função do disjuntor é proteger os condutores do circuito (contra sobrecargas e curto-circuitos).

              Sim, e isso só é evidente para o público geral no nome em alemão: leitungsschutzschalter, que é literalmente chavedeproteçãodefios

              Então, desde que a corrente nominal do disjuntor esteja abaixo (ou igual, mas sejamos conservadores) da capacidade de condução de corrente dos condutores para o método de instalação adotado e a curva de disparo seja adequada ao tipo de carga, tá tudo certo.

              Para estar dentro da norma, sim. Numa instalação que eu faça para terceiros seguindo a norma, sim. Mas na minha casa, onde eu tenho o controle de tudo eu procuro ser mais conservador que isso. Por exemplo, pela norma, eu tenho que instalar cabos de 1.5mm2 para iluminação, que tem uma corrente máxima de 17.5A (3850W em 220V) . E preciso de um disjuntor exclusivo para iluminação. Ora, colocar até mesmo um disjuntor de 10A num circuito de iluminação moderno (LED) me parece absurdo. Infelizmente disjuntores de 4A são ainda mais caros que os de 10A. A própria bitola do cabo é exagerada, mas temos o problema da resistência mecânica e quanto mais fino o cabo, mais sujeito a quebrar dentro do eletroduto.

              Mudando de exemplo, vamos para o circuito de tomadas, que pela norma precisa ser feito com um cabo de 2.5mm2, cuja capacidade máxima é de 24A (5280W em 220V). Se eu sei que em nenhuma situação razoável eu vou ter mais que 2200W (10A em 220V) naquele circuito, por que eu instalaria um disjuntor maior que 10A nele? As tomadas de uso geral só suportam 10A.

              Eu administro o aluguel do apartamento de minha irmã, que não mora mais no Brasil. O disjuntor principal do apartamento, lá no quadro de medição, sempre foi de 16A e além de minha irmã ter morado lá durante anos diversos inquilinos passaram por lá sem que isso fosse um problema. Aí um dia, com um novo inquilino, o disjuntor principal desarmou de manhã cedo. Eles acionaram o zelador, que acionou um eletricista, que “resolveu” colocando um disjuntor de 63A no quadro de medição, porque supostamente os cabos saindo de lá suportam isso.

              Mas o que danado aconteceu no apto? Ninguém instalou chuveiro elétrico lá e os inquilinos eram beeemmm “espartanos” no quesito mobília e eletro-eletrônicos.

              Eu fui até lá, removi o disjuntor de 63A, instalei o de 16A de volta no lugar e durante essa operação constatei que a fiação no quadro estava muito mal emendada e dando mau contato daquele tipo que você ouve antes de ver. Consertei isso e mesmo com o disjuntor de 16A nunca mais desarmou. O que ia acontecer com aquele mau contato com um disjuntor maior? Ia faiscar até incendiar? Não sei e prefiro não descobrir.

              Reiterando: Eu sei o que diz a norma e também sei qual o papel do disjuntor, mas eu me sinto mais confortável sendo conservador.

              • Tailan - 12 Comentários

                Ser mais conservador que a norma não chega a fazer mal, não :lol:

                Quanto ao caso do apartamento, a folga dos cabos deve ter gerado um aquecimento suficiente para acionar o disparador térmico do disjuntor (de 16 A), felizmente antes que “cozinhassem” demais.

                E a solução adotada foi correta: resolver o problema das folgas, que causavam o aquecimento. Poderia até ser o caso de o disjuntor de 63 A ser adequado para a capacidade dos condutores, mas o que o tal eletricista fez foi mascarar/empurrar o problema (se é que ele realmente investigou minimamente).

              • Luciano - 493 Comentários

                Espera ai… 16A pra segurar uma residência toda??? Eu não acredito muito nisso, acho muito pouco.

                • Jefferson - 6.606 Comentários

                  Aqui em Recife, em 220V? Perfeitamente viável. Basta não usar chuveiro elétrico. E olha que somos da classe média.

                  Se somar as cargas e assumir que tudo seja ligado de uma vez, não dá. Mas na prática isso raramente acontece.

            • Jefferson - 6.606 Comentários

              Ahhh… mais uma coisa: eu sou distraído demais. Quanto menor o “pipoco” quando eu provoco um curto-circuito acidental, melhor para o meu coração :D

              Eu nunca testei se disjuntor menor significa pipoco visivelmente menor, claro. Mas isso me parece lógico. :lol:

            • Jefferson - 6.606 Comentários

              Esbarrei em outro exemplo hoje.

              Estou recolocando a piscina da casa em operação depois de mais de cinco anos parada. Instalei um quadro de disjuntores próprio já pensando numa melhoria que vou fazer no circuito do quintal. O quadro conta com DR, rele de sub-tensão
              e disjuntor especifico para a bomba. Como essa bomba em operação normal está acusando 5.5A no amperímetro do TOVPD1-40 (4.6A no meu alicate amperímetro vagabundo), coloquei um disjuntor C6 para ela.

              Hoje, ao ligar a bomba fiquei surpreso. Piscina cheia e não saía água. A segunda coisa que me chamou a atenção foi o amperímetro acusando 9.4A. A terceira foi a pressão no filtro encostando na faixa “não faça isso”.

              Eu havia esquecido de fazer uma manobra requerida no filtro e o caminho para a água estava fechado.

              Se eu tivesse ligado e saído, o disjuntor apropriado para proteger a fiação (C10) ia segurar até a bomba pegar fogo. O que eu instalei eventualmente ia desarmar.

              Entretanto, eu só coloquei esse disjuntor C6 porque tinha um sobrando no meu estoque de disjuntores. Esses custam facilmente o triplo (uns R$22 ou mais) do que um disjuntor de 10A (uns R$8) custa. Em alguns casos, pode ser melhor avaliar a instalação de um dispositivo eletrônico para monitorar a corrente. O próprio TOVPD1-40 faz isso, mas ocupa o espaço de duas unidades e sai bem mais caro (R$63 hoje), embora também seja bem mais útil.

              Nota: A bomba é de 1/2CV, cuja corrente nominal é de 4.9A em 220V

              • Tailan - 12 Comentários

                Mas aí, para proteção do motor, entraria o uso de algum dispositivo como um relé térmico, ou um disjuntor motor (que, resumidamente, é um disjuntor termomagnético com ajuste da corrente de atuação do disparador térmico e – não sei se todos os modelos – sensibilidade à falta de fase). Ou mesmo um relé como o TOVPD1-40.

                • Jefferson - 6.606 Comentários

                  Os disjuntores domésticos já costumam ser do tipo termomagnético. Ou seja: já incorporam a função de relé térmico. Você acha que um disjuntor termomagnético comum, unipolar, não serve para proteger um motor monofásico? Quando a bomba da piscina deu defeito o primeiro sinal de que havia algo errado foi o cheiro de verniz aquecido. O segundo, o disjuntor que desarmava após alguns minutos.

                  • Jefferson - 6.606 Comentários

                    Esse defeito a que me referi ocorreu no ano passado e foi necessário refazer o enrolamento da bomba. Ela funcionava, mas a corrente ficava acima de 7A, o cheiro de verniz tomava conta do ambiente e eventualmente desarmava o disjuntor

                  • Tailan - 12 Comentários

                    Sim, os disjuntores domésticos são termomagnéticos, e, sim, podem proteger um motor monofásico.
                    O ponto é que o disparador térmico desses disjuntores é fixo, de modo que eles cumprem bem a função de proteger a instalação (os condutores), quando corretamente dimensionados, mas não necessariamente vão proteger, individualmente, os equipamentos alimentados por aquele circuito.
                    Isso é um “problema” maior quando se trata de circuitos de uso geral, em que o disjuntor alimenta mais de um equipamento por vez. Para circuitos de uso específico, de fato é mais fácil dimensionar o disjuntor de modo a conseguir o efeito de proteger a carga.

                    O uso de relés térmicos específicos se dá porque neles é possível ajustar exatamente o valor de corrente acima do qual eles atuam, efetivamente protegendo a carga em questão (ajusta-se o relé para abrir caso a corrente exceda a normal do motor, já considerando o fator de serviço, etc.).
                    O mesmo efeito pode ser atingido, por exemplo, com o uso do disjuntor-motor, que também permite o ajuste da corrente de atuação do disparador térmico, ao invés de ter que “confiar” no valor fixo, como nos disjuntores comuns.

                    • Jefferson - 6.606 Comentários

                      A título de complemento, aqui em casa temos três condicionadores de ar split Electrolux de 9000BTUs, mas apenas dois deles são usados diariamente. Fui checar os disjuntores que coloquei neles, cerca de 10 anos atrás, e um é B6 e o outro é B10. Provavelmente eu não tinha nenhum disjuntor da curva C adequado no momento da instalação. E um é de 10A porque eu não tinha outro de 6A sobrando (são caros).

                      Nenhum deles desarma à toa. O que sugere que eu poderia usar um C4 em cada um. Para conferir eu acabo de medir a corrente em um deles e ficou em torno de 2.8A com compressor ligado.

                      Quando você vai comprar um “kit de caixa de disjuntor para ar condicionado” o disjuntor já começa em C10, que é também o recomendado no manual de instalação do fabricante para esse aparelho. Acho natural que ninguém vá fabricar ou estocar kits com disjuntor C4 ou C6 porque isso encarece bastante o produto sem apresentar algo mais atraente para o consumidor médio. Quem sabe o que está procurando monta o seu próprio kit.

      • Luciano - 493 Comentários

        Complementando, se quiser eu posso medir o consumo do meu aqui. E não é eletronico, e apenas um simples modelo de 4 temperaturas. Mas se não me falha a memória é mesmo de 5,5KW (na potencia maxima, super quente) e ligado em 220V.

        • Jefferson - 6.606 Comentários

          O consumo na máxima é fácil de deduzir pois está escrito no chuveiro. Mas eu não uso o chuveiro na máxima. Aqui em Recife mesmo quando está fazendo um “frio de lascar” (para os nossos padrões) isso ainda não é necessário.

  • Alex - 15 Comentários

    Defeito na ducha? (“Fuga de corrente interna”? “Semi-curto” interno?) Consegue solicitar troca na loja/assistência por outra igual ou similar? Fale que ela está desarmando o disjuntor, e que a ducha antiga não desarmava.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Hoje eu desinstalei a Hydra blindada e instalei uma ducha não blindada Lorenzetti Loren Shower Ultra eletrônica, 6800W.

    Antes de remover a Hydra eu conferi o medidor de corrente com a mesma ligada: 25A
    A Lorenzetti com uma temperatura similar ajustada: 12A O_o

    Ainda não sei se isso é defeito da minha ducha blindada ou uma “característica” da mesma.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Eu parei para fazer as contas da diferença de consumo dos dois chuveiros.

    Assumindo que:

    A diferença seja de apenas 10A (2200W em 220V)
    Sejam seis banhos por dia
    Cada banho dure apenas 5 minutos (duração ideal definida pela OMS)
    O kWh custe R$1

    5 minutos * 6 banhos * 30 dias = 900 minutos (15 horas)

    15 horas * 2.2kw = 33kWh

    33kWh * R$1 = R$33 desperdiçados pelo chuveiro todos os meses. O Loren Shower Ultra 6800W (R$99) se paga em três meses.

    Isso fora o problema criado na instalação elétrica pela necessidade de acomodar esses 2200W extras.

  • Snow_man - 310 Comentários

    5 minutos?
    ah não, não tem oms nenhuma pra vir regular meu banho kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Impressora M1132MFP não imprime de uma web app específica (Tricard)

Esse problema me ocupou por vários dias. Eu ia lá na empresa, passava uma hora ou mais fazendo experiências e voltava frustrado para casa sem saber o que estava ocorrendo.

A impressora imprimia normalmente do bloco de notas, do Word, a página de teste… mas quando o usuário tentava emitir um extrato em https://websec.tricard.com.br o trabalho de impressão ficava parado na fila indicando 5.xx de 8.xx MB transferidos e daí a impressora não imprimia mais nada, sendo necessário cancelar o trabalho e desligar a impressora para apagá-lo.

A empresa tinha duas outras impressoras iguais em departamentos diferentes e nas duas eu conseguia imprimir o mesmo extrato, então não era culpa da web app. As máquinas usavam Windows 8.1 nas versões de 64 ou de 32 bits.

O usuário reportou que o problema começou depois que a impressora voltou do conserto. Poderia ser firmware diferente? Então eu trouxe uma dessas impressoras que funcionavam para o computador problemático. O problema persistiu, então não era a impressora também.

Criei um novo usuário no Windows, desinstalei o driver e tentei tanto o mais novo disponível no site da HP quanto o padrão (velho) que vem embutido em um disco virtual na própria impressora. Nada mudou.

Reinstalar o Windows nessa máquina ia gerar transtorno, porque ela tem quatro impressoras das quais três dependem do sistema comercial e o desenvolvedor parece se recusar a explicar como o sistema é instalado, por isso eu dependo do suporte dele para a máquina ficar pronta. Mas quando não parecia mais haver outro jeito eu peguei um outro HDD e fiz uma nova instalação do Windows 8.1 x64 nele, instalei o driver e… o problema persistiu!

Então também não era o Windows, mas o hardware. Mas onde? Era um computador Lenovo V530S-071CB.

O problema desapareceu quando eu desconectei a impressora do hub USB 3.0 xing-ling B-MAX modelo BM8631 onde ela estava conectada e liguei direto em uma das portas dianteiras da máquina. Notar que eu não desconfiei do hub porque neste também estava conectado um adaptador bluetooth fazendo streaming permanente de áudio para o sistema de música ambiente da empresa.  E por que eu desconfiaria do hub, se a impressora só não imprimia daquele site?

Malditos Gremlins…

 

6 comentários
  • Victor Menezes - 1 Comentário

    É o verdadeiro “nada com nada”. Coisas completamente não relacionadas que, juntas, conspiram para não funcionar. Por isso eu sempre digo aos meus clientes que informática tem uma parcela de esoterismo, como a astrologia e o horóscopo :lol:

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      E acho importante frisar que esse é o típico problema onde a solução padrão do mercado, “formatar”, além de não ter resolvido nada ia gerar um transtorno desnecessário e me deixar com cara de idiota diante do cliente.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Depois que funcionou eu fiquei pensando se o problema não era a web app da tricard, mas a complexidade e tamanho do documento a imprimir. Nos meus testes eu sempre imprimi documentos simples, de uma página, enquanto o extrato da Tricard tem duas páginas e é decorado com imagens. Da próxima vez que eu for lá eu vou testar isso.

    • Claudio - 84 Comentários

      Vale também imprimir para PDF (usando a PDF printer padrão do Windows de preferência) esse extrato para ver como a página de impressão é gerada … Já vi geradores que geram uma imagem de alta resolução para impressão, em vez de texto, e como é de se esperar o documento acaba ficando enorme, mesmo contendo apenas texto.

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Esqueci de informar no post que eu salvei o extrato em PDF usando o mecanismo embutido no Chrome, mas ao tentar imprimir esse PDF na impressora dava o mesmo problema.

        • Claudio - 84 Comentários

          E chegaste a obsevar se o PDF gerado contém texto como texto mesmo, ou como imagens?

          Sem abrir o documento numa ferramenta forma, uma forma de examinar é dar um zoom absurdo, tipo 1200%, e reparar se o texto é vetorial/suave, ou formado por bitmaps (raster).

          Não é muito comum, mas já vi por exemplo app de banco que imprimia recibos e comprovantes como imagem, por algum motivo bizarro – mas faz anos isso.

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Migrando do Samsung A11 para o Xiaomi POCO X3 GT

Minha última migração fora do Samsung A5 para o A11.

Como vocês já sabem, eu estava ficando cada vez mais frustrado com as limitações de fábrica do A11, a lentidão depois do upgrade para o Android 11 e os defeitos que ele começou a apresentar em seguida. Acabei comprando o POCO X3 GT de 8GB/256GB por R$1750 à vista e vou documentar aqui minhas impressões. Não vou esperar para ter uma análise razoável em rascunho, porque isso tende a fazer com que eu nunca publique e vai ficar uma bagunça no início mas depois eu vou arrumando o post.

Eu comprei o modelo de 8GB/256GB não porque eu ache que eu precise de tudo isso, mas era o modelo disponível quando o meu amigo José Carneiro pôde fazer essa compra para mim lá em Brasília. Foi numa loja que ele conhecia, que deu três meses de garantia, e ele está viajando para lá regularmente. Por mim um modelo de 4GB/128GB já estaria bom demais.

A migração de um aparelho para o outro foi mais rápida do que eu esperava. O assistente de inicialização me guiou pelos passos necessários e, com os dois telefones próximos e conectados à mesma rede, em poucos minutos grande parte das configurações do A11 já estavam copiadas para o POCO. Coisas chatas de lembrar e reunir como senhas das redes Wi-Fi, credenciais de login em sites, números bloqueados no app Phone, todas as mensagens SMS e opções de acessibilidade. Acelera muito, mas ainda fica faltando muita coisa. Por exemplo:

  • Sons precisam ser redefinidos manualmente. Eu até entendo que o aparelho da Xiaomi não possa copiar o som de notificação nativo da Samsung que eu havia escolhido, mas também não copiou o clip mp3 personalizado que eu havia definido como ringtone;
  • Apps não são literalmente copiados: As versões mais recentes são instaladas via Play Store. Admito que isso pode evitar problemas, mas também cria outros que você vai ter que resolver caso a caso;
  • O Chrome vem “limpo”, sem as abas que estavam abertas no outro telefone;
  • Apps como Fuelio e Sportractive requerem que eu exporte o backup no telefone antigo e restaure no telefone novo;
  • Apps que precisam de login como Strava, Zepp, Waze e Carteira Digital de Trânsito não migram o login e você precisa lembrar as credenciais na primeira vez que usá-las;
  • Minha biblioteca de músicas, livros e filmes precisa ser copiada manualmente;
  • O Waze só realmente termina de ser instalado na primeira vez que você o utiliza. Então você precisa lembrar de iniciar o Waze uma vez após a migração e antes de realmente precisar dele;
  • O Whatsapp precisa ser copiado manualmente – Em teoria, o whatsapp é restaurado inteiramente via backup do Google Drive no telefone novo, mas a diferença entre o tamanho da pasta no telefone antigo, o tamanho do backup e o tamanho reportado pela rotina de backup do whatsapp (três valores diferentes) sempre me deixou muito desconfiado, por isso faço manualmente.

Limitações já encontradas

Não tem slot para cartão microSD – Eu tenho o hábito de transferir os arquivos de um telefone para outro usando o cartão e quebrei a cara. O telefone tem outras opções como a cópia via cabo USB-C (usando um adaptado OTG em uma das pontas) mas parece haver um bug no app que faz essa operação (não consegui enxergar o outro telefone usando o app de arquivos normal) pois eu transferi minhas músicas sem problemas aparentes mas a transferência da pasta do whatsapp dava erro logo no início. Isso foi resolvido copiando o whatsapp para o cartão microSD no A11, conectando o cartão no POCO usando um leitor com adaptador OTG e usando o app de arquivos normal.

Não tem conector P2 para fone de ouvido – Embora eu seja um fã de fones bluetooth, nos últimos seis meses eu venho usando exclusivamente fones com fio nas minhas caminhadas porque ao mesmo tempo 1) são menos esquisitos e 2)deixam claro que estou usando fones e posso não ouvir. O telefone não vem com nenhum fone, mas vem com um adaptador USB-C que funciona, mas tem uma aparência tão frágil que preocupa.  Junte o problema anterior e esse aparelho acaba parecendo excessivamente dependente do conector USB-C.

Automatic Call Recorder agora não grava a outra parte nem no viva-voz – Isso é extremamente decepcionante. Felizmente o app nativo tem suporte a gravação manual.

Outras observações

Carregador de 67W – Carregou o telefone de 19 a 51% em 13 minutos.

Investigando uma doideira no GPS – Isso possivelmente é um erro da nova versão do Sportractive (4.5.3) automaticamente instalada no POCO (o A11 está com a 4.4.3), mas ontem eu fiquei alarmado ao ouvir o app reportar via TTS velocidades anormalmente baixas a cada km percorrido. Eu tinha certeza de que tinha que estar sustentando mais de 7km/h e o app insistia em reportar menos de 6.5 km/h. Para quem não caminha essa diferença de 10% parece insignificante, mas há uma considerável diferença de esforço físico entre as duas. Depois de terminar meu percurso de 22km fui conferir o histórico e pareceu normal, registrando médias por km de até 7.3km/h. Por alguma razão, só o TTS recebe a velocidade errada. O problema do GPS era causado por estupidez minha.

Outras pessoas podem ouvir o que dizem a você numa ligação – Mesmo sem o viva-voz ligado.  O alto falante superior fica voltado para cima em vez de em direção à sua orelha como no A11 e se um terceiro estiver sentado ao seu lado pode acompanhar (ou ser incomodado por) toda a conversa.

Ficou mais rápido, mas não estou impressionado ainda – O A11 também parecia ágil antes do upgrade para o Android 11.

Essa troca da posição do sensor de digital me cansa – Quando eu me acostumo, muda. No A5 era no botão na frente, no A11 era no fundo e no POCO é no botão na direita.

Digitação da senha de destrave é estranhamente lenta – Como se o telefone demorasse a reconhecer cada toque. Eu não consigo digitar com agilidade e estou começando a desconfiar de que seja proposital; Este problema era causado pelo zoom de tela ativado por três toques na tela.

Não estou impressionado com a duração da bateria – Consumi 60% em pouco menos de 24h. Não parece diferente do que eu conseguia com o A11.

 

Outros

  • Veio com Android 11 mas, só para confundir, a versão da MIUI (a interface de usuário da Xiaomi) é 12.5.8;
  • Volume máximo dos headphones com fio bem mais alto que no A11;
  • Google Maps não estava abrindo, mas bastou atualizar. Isso me deixou confuso por alguns minutos porque eu achava que o telefone após a migração estaria com as versões mais recentes de todas os apps, mas após checar descobri que aparentemente nenhum dos apps pré-instalados foi atualizado automaticamente e talvez isso se deva à minha preferência nesse sentido ter sido copiada do telefone antigo;
  • A bússola está funcionando, mas no Google Maps a direção apontada é desalinhada vários graus em relação ao eixo das ruas. Não sei se é normal e eu é que nunca notei, mas o desalinhamento não deve ser problema porque geralmente o que me faz falta (na ausência do sensor bússola) é saber se o navegador está me mandando ir em frente quando na verdade eu preciso ir para trás;
  • Zepp continua não armazenando dados de altitude durante a caminhada, apesar do Sportractive fazer isso. Mesmo problema que ocorre no A11;
  • Alguns apps como o Waze e o Zepp parecem mais bonitos agora;
  • Embora o app padrão de câmera não leia códigos de barra, vem com um app nativo que lê até Qr Code;

 

22 comentários
  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Eu não estava conseguindo posicionar os ícones do jeito que eu queria na Home Screen (por exemplo, todos os ícones de apps relacionados a minhas caminhadas um do lado do outro). A MIUI reposicionava os outros ícones automaticamente. E só vi mais gente reclamando disso sem solução. Então eu notei que conseguia posicionar na segunda tela e após experimentar, descobri que se eu mover o widget Google para outra tela e o widget que mostra a hora para o topo eu consigo posicionar os outros ícones do jeito que quero na principal.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Chamadas telefônicas que tem gravações associadas aparecem com um ícone de microfone na lista de chamadas recentes do app Phone. Basta tocar na ligação para ter acesso à gravação. Se parecer muito baixo é porque por default o áudio é reproduzido no falante destinado a ficar junto da sua orelha (o superior). Para ouvir mais alto toque no ícone de viva voz. Você pode compartilhar o áudio livremente.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    A captura de tela nativa tem opção de rolar a tela automaticamente enquanto captura. Ao fazer a captura uma miniatura aparece na tela com a opção “rolar” (scroll) que se você tocar a captura é repetida rolando a tela.

  • Luciano - 493 Comentários

    Deixa te perguntar duas coisas sobre esse Xiaomi.

    1) Ele consegue dividir a tela pra deixar dois app abertos?
    2) Ele tem a função nativa de duplicar app?

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Desculpe a demora para responder.

      1) Ele consegue dividir a tela pra deixar dois app abertos?

      Sim.

      2) Ele tem a função nativa de duplicar app?

      Sim. Você pode criar 103 “dual apps”

  • Marcelo Neuri Haag - 111 Comentários

    Homologado pela Anatel?

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Um dos maiores problemas que estou tendo com o telefone é me acostumar com o leitor de impressões digital no mesmo botão que bloqueia o aparelho, que também fica na mesma posição em que o seguro. Eu tenho que me lembrar de após bloquear para colocar no bolso, tirar imediatamente o dedo, ou antes do telefone chegar ao bolso já vai estar desbloqueado.

    • Ricardo - 143 Comentários

      Também mudei recentemente para um Poco (F3). Na fase de pesquisa, vi uma avaliação dizendo que a posição do sensor de digital às vezes fazia a pessoa desbloquear o telefone sem querer. Porém, o avaliador disse que era possível configurar para só fazer o desbloqueio ao apertar o botão (com a digital cadastrada, lógico). Não sei o caminho pois estou me adaptando bem ao comportamento padrão.

      • Jefferson - 6.606 Comentários

        Obrigado pela dica! :clapping:

        Encontrei a opção em Settings -> Passwords and Security -> Fingerprint Unlock -> Fingerprint Recognition Method.

        O default é “touch”. Configurei para “press” e há pelo menos dois dias não tenho problemas com isso. :yahoo:

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    A doideira da interpretação do GPS continua. Instalei a mesma versão do Sportastic que tenho no A11 e o seu TTS continua informando velocidades médias absurdas. Só que parece ter invertido: em vez de informar velocidades 1km/h mais baixas, agora informa até 3km/h mais altas que o real. O problema era causado por estupidez minha.

    No histórico as velocidades continuam (aparentemente) corretas.

  • Ygor Almeida - 136 Comentários

    Salvo engano o Poco x3 GT já tem Android 12 Oficial com a MIUI 12.5.x ou 13.

    Sem dúvida nenhuma é um ótimo aparelho embora eu teria escolhido o Poco x3 pro Nfc pelo custo beneficio

    Ou talvez o poco F3 pro. Pelo chipset e custo beneficio.

    Não conferi se está na lista das customs. Mas xiaomi.eu é bom lugar pra usar roms oficiais ou extra com alguns updates.

    Os xiaomi as vezes tem uns bugs pra lá de estranhos em alguns modelos com GPS. Mas não sei como está na linha poco

    Eu sai e me dei de presente mudar do Xiaomi Mi Max 3 pra um Galaxy S21 5G ( nada de ultra ou o chip snap que queria) mas no conjunto da obra. O Samsung tá me impressionando.

    Boa diversão com o xiaomi vai curtir e tem um ótimo aparelho pra pelo menos uns 3 anos. Com custom rom vai até mais longe.

    • Ygor Almeida - 136 Comentários

      Bom depois de relembrar um pouco xioami eu não suporta mediatek

      Mas

      https://xiaomifirmwareupdater.com/miui/chopin/stable/V13.0.3.0.SKPMIXM/

      Versão miui 13 estável globalização oficial para atualizar por recovery / fastboot

      … Mesmo depois de anos meus comentários ainda ficam presos no aguardando moderação. Kkkkk

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Salvo engano o Poco x3 GT já tem Android 12 Oficial com a MIUI 12.5.x ou 13.

      O meu veio e ainda está com o Android 11

      Boa diversão com o xiaomi vai curtir e tem um ótimo aparelho pra pelo menos uns 3 anos. Com custom rom vai até mais longe.

      Não sei, não. Estou tendo uma série de aborrecimentos com ele e se não encontrar solução é bem capaz de não durar esse tempo todo comigo.

      • Marcelo Neuri Haag - 111 Comentários

        Eu e minha esposa já temos nossos Motorola Z Play (32 de armazenamento e 3 de RAM) há 4 anos a ainda estamos bem servidos… talvez no final do ano trocar finalmente… :)

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    O microfone embutido parece ser muito ruim. Áudios do whatsapp produzidos em ambiente barulhento como um ônibus ficam muito difíceis de discernir, mesmo com você falando com a boca junto ao microfone. Eu não lembro de ter tido esse problema com o A11.

  • Renan - 4 Comentários

    Fez uma boa escolha, eu utilizo o Poco X3 PRÓ

    Vi seu post para saber o que as recomendações, mas como vi esse também, preferi comentar nesse mesmo.

    Boa escolha, vi que lançaram o POCO X4 PRÓ, muito top também, porém aconselho sempre verificar espaço e claro, qualquer vídeo que grave, manda pra nuvem ou então vai ser necessário comprar um com 1TB de armazenamento kkkk.

    Gostando de ler seus posts.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    O problema do GPS era causado por estupidez minha :dashhead1:

    Sportractive tem quatro opções de configuração para o TTS da velocidade. Eu consegui consistentemente escolher as erradas em duas instalações seguidas :dashhead1:

  • Marcelo Neuri Haag - 111 Comentários

    Bom dia! Tudo bem contigo? O_o

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Na semana passada o POCO atualizou para o Android 12. E confirmando minha suspeita de que é para confundir, a MIUI foi atualizada para a versão 13. Com a atualização eu descobri a razão para a lentidão ao digitar a senha. Um novo (e melhor) recurso de zoom foi disponibilizado e o telefone gerou um aviso de que o uso do zoom ativado por três toques na tela criava problemas. Passei a usar do novo jeito e a lentidão sumiu.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    O programa File Manager, que vem embutido, começou a exibir uma absurda quantidade de propaganda durante o uso. Não era só um banner que eu podia ignorar, mas algo que efetivamente retardava a operação do app. Desinstalei as atualizações do app e o problema sumiu.

    Eu esperava isso de um fabricante xing-ling qualquer, mas não de uma gigante como a Xiaomi.

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Ontem quase me meti na minha primeira briga em décadas

Briga física. Vocês sabem que nunca fui tímido na hora de brigar por idéias.

Eu não sou um cara violento. Não gosto da idéia de resolver as coisas “na porrada”. E quando eu sei que há uma confusão à minha esquerda eu vou para à direita. Mas ontem, durante uma das mais longas caminhadas que já fiz me deparei com algo que não presenciava há muito, muito tempo: um cara batendo em uma garota. A última vez que eu vira algo assim foi na adolescência, em casa, mas minha mãe revida.

Eu tinha acabado de entrar em um beco que liga duas ruas do meu trajeto e pelo qual eu passo duas vezes seguidas em cada volta, quando notei duas coisas ao mesmo: um conhecido “faz-tudo” aqui do bairro que presta serviços lá em casa passou por mim com uma expressão enigmática, e mais à frente, numa saída lateral do beco, um cara parecia dar chutes em uma garota. Havia muito mato na frente, mas se ele não estava chutando-a, estava fazendo uma coreografia de dança.

Reduzi o passo e tirei os fones de ouvido. O cara estava gritando com a garota, que chorava. Ele era mais alto que ela, que provavelmente não alcançava os ombros dele. A agressão física pareceu ter parado e eu acabei seguindo meu caminho pensando “em briga de marido e mulher…”

Mas aí eu tive que enfrentar minha consciência, que é uma #@!&* vingativa.

Enquanto eu dava a costumeira volta antes de passar pelo beco pela segunda vez eu não conseguia parar de pensar na garota chorando, sendo agredida, em um beco escuro onde ninguém estava vendo.

Mas eu tinha visto e não fiz nada.

Sabe aquela situação em que você fica:

“po*ra…”

“po*ra…”

“po*ra…”

“PO*RA!” ?

Passei pela última vez no beco. O cara ainda gritava com a garota, que estava acuada, de costas para um muro, chorando. O cara estava “em cima” dela e isso só acentuava a diferença de tamanho e aquela sensação de que a qualquer momento vai sair uma bofetada. Eu parei na entrada da bifurcação que ia até onde eles estavam, a não mais que quatro metros do casal e gritei “Ei, cara! Deixa a garota em paz!”.

Para minha surpresa, nenhum dos dois esboçou reação. O cara continuou gritando, apontando para o rosto e dizendo, “olhe o que você fez!” (não consigo imaginar que pudesse ser algo relevante, já que ele parecia ser tatuado da cabeça aos pés) e a garota continuou encolhida, chorando e pedindo desculpas. Fiquei alguns segundos observando a cena e como a garota não fez qualquer gesto em minha direção eu pensei “em briga de marido e mulher… dane-se…” e recomecei meu trajeto.

Eu sou forte e meu físico, de calção e camiseta, intimida; mas não tenho técnica. Nunca precisei realmente resolver algo “no braço” e não sei como me sairia se eu realmente precisasse defender a moça. Apenas de uma coisa eu tinha certeza: se a briga começasse, um de nós dois ia ter que sair daquele beco carregado. Para minha surpresa, não senti medo em momento algum. Meu coração não acelerou. Era simplesmente algo que eu precisava fazer e sempre acreditei que somente covardes só entram numa briga quando tem certeza de que vão ganhar.

Só quando eu dei as costas o valentão esboçou reação e veio atrás de mim me xingando. E a garota veio atrás dele para “segurá-lo”. Eu me voltei para o casal, que parou há cerca de três metros, não olhei para ele, olhei para a menina e perguntei alto e claro: “Garota, você quer ajuda?”

Em meio à discussão deles, em que a garota continuava “segurando-o” para não brigar comigo, esta respondeu “não, moço, deixa para lá” e se voltou para ele para continuar a dissuadi-lo de me enfrentar. Novamente observei por alguns segundos, dei as costas de novo para o casal e saí do beco.

Não consegui dar cinco passos e a #@!&* da minha consciência me parou de novo. Me virei novamente e fiquei olhando para a saída do beco. Por causa do ângulo eu não podia mais vê-los, mas podia ouvir que continuavam discutindo e fiquei parado no meio da rua tentando decidir o que fazer.

No bairro eu sou no mínimo uma “curiosidade”. Minhas caminhadas de alta intensidade (até 7.5km/h) e várias horas de duração chamam a atenção de muita gente. Alguns até já me pararam durante o trajeto para conversar sobre isso. Eu imagino como deve ter sido curiosa a cena para o grupo de pessoas (acho que três casais de jovens) que estava há cerca de 80m rua acima. Na minha primeira passagem (quando a minha consciência ainda estava me atormentando pela primeira vez) eles estavam de pé conversando, mas desta vez quando desviei meu olhar do beco e olhei rua acima os seis pareciam estar calados olhando para mim. Pelo menos um deles deve ter notado quando saí do beco e depois parei e me virei, brilhando de suor no corpo inteiro (normal, naquele ponto do meu trajeto), ofegante e olhando fixamente para algo que eles não podiam ver.

Fiquei assim por um tempo até que as vozes no beco pareceram se afastar e à minha esquerda ouvi outra voz dizendo “eles estão indo embora”. Dois rapazes estavam vindo pela rua que ficava à frente do beco e aparentemente viram parte da confusão. Contei rapidamente o que havia acontecido e que eu havia visto ele batendo nela e fui embora.

Meu amigo José Carneiro, que caminha comigo nos primeiros 9km, me disse que eu deveria ter chamado a polícia e ido embora, porque esses caras não tem nada a perder e eu caminho todas as noites. Na ocasião isso nem me passou pela cabeça. Eu estava com o celular e a ronda da PM passou por mim pelo menos quatro vezes durante a noite. Eles poderiam ter chegado rápido. Da próxima vez (espero que não haja uma) farei isso, mas não sei se iria embora. Poderia acabar até pior: eu provavelmente iria para a delegacia testemunhar a agressão, o cara ia ser enquadrado na Maria da Penha e aí realmente ia ter motivo para guardar rancor.

Para a minha sorte, ninguém que que lê meu blog conhece minha mãe ou contaria para ela. Eu ia ter sérios problemas com minha rotina de exercícios se ela descobrisse isso.  :lol:

1 comentário
  • Snow_man - 310 Comentários

    Parabéns Jeff por se importar, nesse mundo louco e desprovido das básicas regras morais que regeram e conduziram a humanidade por séculos.
    Que Deus te abençoe e proteja sempre.

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Experimentando o “efeito sanfona”

Alguns de vocês talvez se lembrem do meu post de dezembro de 2020, onde eu afirmei ter perdido oito quilos em apenas um mês. Na ocasião eu estava com 75kg, mas a alegria durou pouco porque eu não consegui sustentar aquilo. Meu organismo parecia estar reagindo e se negando a continuar abrindo mão de 2kg por semana. Juntou com o fato de que era dezembro, época de festas, e o trem descarrilou de vez. Em meados de 2021 eu já estava batendo nos 85kg.

Tentei de novo o regime de fome, da mesma forma. Não funcionou dessa vez. Meu organismo parecia mesmo estar reagindo a isso.

Em setembro decidi mudar a abordagem e voltei a caminhar, para ver se surtia algum efeito. Eu caminhava um mínimo de 6km e um máximo de 12km por noite, todas as noites, mas passados dois meses não estava surtindo efeito algum na balança. Até mesmo porque no final da caminhada eu chegava com uma fome que me fazia comer tudo o que eu poderia ter perdido em calorias.

O limite de 12km era devido ao tédio (eram quase duas horas caminhando pelo bairro) e a meus pés, porque eu descobrira mais de um ano antes que aos 13km eu tendia a ter algo que meu ortopedista atribuiu a fascite plantar. Mas como já fazia muito tempo que eu havia testado esse limite, comecei a testar de novo em dezembro e descobri que agora meu limite era 22km mas por causa de outras dores nos pés e não o fantasma da fascite.

Dei um jeito de esquecer o tédio prestando atenção à música nos headphones (e às garotas na rua) e minha rotina passou a ser de 12 a 22km diários a uma velocidade média de 6.5km/h com picos de 7.3km/h (a propósito, meu recorde é de 30km em 4h e 27min numa noite). Não posso correr, porque tenho condropatia patelar e meus pés chatos também não gostam da idéia.

Isso teve um efeito no meu organismo. Além de uma lenta (e saudável) redução no meu peso eu não passei a ter o dobro da fome ao terminar a caminhada. Pelo contrário, a fome parecia menor do que quando eu fazia entre 6 e 12km. Eu comecei assim no final de dezembro do ano passado, quando estava de novo com 83kg, e hoje estou orgulhoso de estar com 74.1kg sem ter precisado me engajar no regime de fome que eu tinha tentado antes.

Quando eu disse a meu clínico geral no mês passado o que eu estava fazendo ele teve um choque e me fez fazer uma bateria de exames porque provavelmente achou que na minha idade e tendo saído do sedentarismo recentemente nesse ritmo eu ia cair duro a qualquer momento. Ecocardiograma, teste ergométrico, ultrassom total do abdômen e um monte de exames de sangue. Tudo deu resultado surpreendentemente positivo. Nem a anemia e outras deficiências que apresentei em 2020 por causa do regime de fome eu tenho mais. O teste ergométrico foi o mais surpreendente. Quando eu pedi para parar o teste por exaustão após apenas 9 minutos e 39 segundos eu achei que tinha ido bem mal, mas aí saiu o resultado dizendo que tenho aptidão cardio-respiratória “excelente” e um valor de VO2 max de um homem 20 anos mais novo. Isso correspondia com o que eu sentia ao fazer minhas caminhadas de até 30km, porque eu nunca parava por cansaço mas por dores nos pés. Mas ainda assim me surpreendeu.

O clínico geral me liberou completamente para continuar com o que eu estava fazendo.

No mês passado eu voltei a fazer musculação após 20 anos. Eu estabeleci meu objetivo de perda de peso desta vez em 71kg (ou o desaparecimento do que resta da minha barriga), que é o limite do que é considerado saudável para a minha altura e “coincidentemente” é o valor proposto no resultado da avaliação física que fiz na academia, que leva em consideração minha massa muscular. Eu tive receio de que minha facilidade genética para adquirir “massa magra” pudesse influenciar o que eu via na balança, mas continuo perdendo peso lentamente apesar de já estar achando, no espelho da academia, que a musculação está fazendo efeito.

Resumindo:

  • 11/2020: 83kg
  • 12/2020: 75kg
  • 12/2021: 83kg
  • 03/2022: 74kg

Vamos ver até onde consigo ir. Torcendo para a sanfona não tornar a inflar de novo.

8 comentários
  • Snow_man - 310 Comentários

    Parabéns pelo esforço, Jeff.
    Sua iniciativa é um exemplo pra mim; estou trabalhando num horário mais complicado, só me resta caminhar à noite (o que não é muito seguro por aqui), e sem verba pra academia.
    Mas vou buscar fazer algo.
    Obrigado por compartilhar, sua ajuda vai além dos computadores.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Quando a gente é jovem não dá a devida importância, mas depois que você sai dos “-inta” e entra nos “-enta”, à medida que o tempo passa você vai mais e mais acreditando no que dizia o personagem Paulo Cintura:

      “Saúde é o que interessa. O resto não tem pressa”.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Para minha sorte, eu acho meu bairro perfeitamente seguro, apesar de ser um bairro de classe média baixa (ou talvez por isso). A criminalidade é rara por aqui, talvez pelo fato de que o bairro inteiro vira frequentemente dormitório de alunos da PM por meses. Todas as casas desocupadas são alugadas por eles de tempos em tempos. E viaturas da PM rondam por aqui à noite com uma frequência que às vezes me espanta. Mas mesmo fora da época em que os alunos estão aqui o bairro é tranquilo. Saio para caminhar todas as noites com o celular e dinheiro no bolso e não tenho absolutamente qualquer medo de ser roubado. Aqui é muito mais provável ser atropelado por um dos motoqueiros irresponsáveis que fazem entrega.

  • João - 4 Comentários

    Coincidência, pré pandemia eu pesava 70 kg e agora estou com 75kg, como eu jogava bola agora que fiquei velho eu tenho fascite plantar (estou rolando uma garrafa de gelo no pé agora) e lesão na condromalácia, mas também não tenho 3 ligamentos do tornozelo e bursite no quadril, caminhar para mim é tortura. Achei a natação, não sinto dor, mas é um saco ficar indo e voltando na piscina, ainda não perdi peso mas o corpo e a disposição já mudaram. Pré pandemia eu madava 3 km em 40 minutos, agora não consigo nem 1,5 km. Um hora eu chego lá

  • Daniel Plácido - 68 Comentários

    Essa questão de peso é complicada pros dois lados, eu já tenho muuita dificuldade para engordar, até o final de 2020 com 35a eu tinha o mesmo peso desde os 15a (~53Kg), com meus 1.69Mt não chegava a parecer um anoréxico mas sempre fui considerado magrelo.

    Depois de passar por um quadro de depressão consegui ganhar quase 10Kg por conta de medicamentos (bônus, no meu caso!), e a uns meses parei de tomar e comecei a fazer musculação que faz bem tanto para perder quanto para ganhar massa, cheguei a bater nos 65Kg mas acabei recuando ~63Kg.

    A disciplina é um fator que complica demais pois ter ânimo para fazer algo que não gosta é complicado, no automático agente acaba escorando em qualquer situação como desculpa, depois de natal e revellion acabei desanimando total e fiquei 2 meses sem ir pra academia, a +- 2 semanas voltei e já percebo alguma diferença estética, nos +- 4 meses que fiz de academia acabei perdendo tudo nos 2 que parei.

    Temos que ter essa rotina em mente como uma obrigação como trabalhar e etc pra não desanimar, e mesmo depois de chegar no peso/físico desejado é importante não parar com a rotina de exercícios senão perde tudo que ganhou.

    Boa sorte Jefferson que continue focado no seu objetivo.

    • Jefferson - 6.606 Comentários

      Essa questão de peso é complicada pros dois lados, eu já tenho muuita dificuldade para engordar, até o final de 2020 com 35a eu tinha o mesmo peso desde os 15a (~53Kg), com meus 1.69Mt não chegava a parecer um anoréxico mas sempre fui considerado magrelo.

      Tenho a mesma altura e até os 24 anos meu peso ficou estável em 63kg não importando o que ou quanto eu comesse. Depois disso, só subiu.

      Temos que ter essa rotina em mente como uma obrigação como trabalhar e etc pra não desanimar, e mesmo depois de chegar no peso/físico desejado é importante não parar com a rotina de exercícios senão perde tudo que ganhou.

      Sim, uma obrigação. Tenho três objetivos e para alcançar o objetivo final eu já concluí que vou ter que continuar me exercitando diariamente até o fim da minha (espero que saudável) vida. É claro que depois de alcançar o primeiro objetivo eu já vou poder dedicar menos horas diárias a isso e após alcançar o segundo, menos ainda. O terceiro só vai exigir uma rotina de “manutenção”.

      Boa sorte Jefferson que continue focado no seu objetivo.

      Obrigado!

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Passei praticamente todo o mês de março sem perder peso. Pelo contrário, a balança insistia em ir no sentido contrário. Eu atribuí isso aos efeitos da musculação, tanto no aumento de massa magra quanto no apetite.

    Aí hoje, após ter batido meu recorde de caminhada (36km em 5h15min ontem à noite), a balança me recebeu com 71.7Kg O_o

    Ontem eu pesava 73.7Kg.

    Estou dividido entre “caminhar realmente emagrece” e “mas que ***ra é essa?!” :lol:

    O mais interessante é que já consigo vislumbrar uma leve sombra, quase uma miragem, de marcas de tanquinho na minha barriga. Quando a encolho, claro. :lol:

    Nota1: Eu sempre faço minha pesagem ao acordar de manhã, apenas de cuecas e após urinar.
    Nota2: O que limita definitivamente meu recorde de caminhada é o danado do sapato. Estou usando atualmente um Asics Gel Pulse 13, que apesar de não ser realmente confortável é melhor que os anteriores. Eu até poderia ter feito mais que 36km ontem, se já não tivesse passado da meia noite e da hora de voltar para casa.

  • Jefferson - 6.606 Comentários

    Meu peso tem oscilado em torno dos 72kg (mais para cima que para baixo) e minha fome parece ter aumentado na última semana. O “problema” é que minha massa muscular está evidentemente aumentando o que implica em ganho de peso.

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